Pesquisadoras da UFPB desenvolvem shampoo e condicionador à base de extrato de cajá e invento ganha patente
Segundo inventora, produto apresentou melhor penteabilidade e efeito anti-frizz que outros cosméticos comerciais
Que o cajá dá deliciosos sucos e sorvetes e faz bem ao paladar nós já sabemos. Mas e se eu te dissesse que ele também pode ser usado nos cabelos com excelentes resultados? Esse foi o insight de pesquisadoras da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), que desenvolveram um shampoo e um condicionador feitos a partir do extrato de cajá. A invenção foi reconhecida com uma patente do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) em setembro deste ano.
Segundo Melânia Cornélio, uma das inventoras e professora do Departamento de Engenharia Química da UFPB, em comparação com cosméticos disponíveis no mercado, os produtos contendo o cajá apresentaram melhor penteabilidade dos fios, tanto úmidos quanto a seco, aumento do brilho e melhor efeito anti-frizz, promovendo alinhamento dos fios, hidratação, maciez e limpeza suave para o couro cabeludo.
“A pesquisa surgiu do desejo de inovar e aplicar ativos da biodiversidade da nossa região na área cosmética. É uma espécie que tem excelente adaptação na nossa região, e o cajá possui uma composição química interessante para aplicação na cosmetologia. Além disso, não havia relatos na literatura de pesquisa na área cosmética, sendo oportuno pesquisar esse novo ativo”, contextualiza Melânia.
A inventora conta que, do ponto de vista social, a pesquisa tem potencial de promover a bioeconomia regional, agregando maior valor às cooperativas e pequenos agricultores que cultivam o cajá, permitindo um maior valor agregado pela possibilidade do uso da fruta em produtos cosméticos com ação comprovada.
Produto é viável de ser produzido em larga escala
A professora Melânia Cornélio acredita que há viabilidade para implementação da tecnologia em larga escala. “O custo para implementar essa tecnologia exige um nível de investimento, mas, para empresas que já comercializam cosméticos, isso teria um baixo custo por terem já estrutura disponível para implementar a tecnologia”, comenta.
A pesquisadora comenta que está em busca de parcerias, como pequenas empresas, startups e indústrias de fornecimento de matérias-primas para o setor cosmético que tenham interesse em movimentar a bioeconomia paraibana e trazer um ativo natural para cuidar dos cabelos.
Também são inventoras a professora Helenice Duarte de Holanda, do Departamento de Engenharia de Alimentos, e a engenheira Química Juliana Ramos e Silva Dornelas.
