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Super El Niño se intensifica e se aproxima de recordes históricos em 2026

Super El Niño se intensifica e se aproxima de recordes históricos em 2026

Os números indicam que o episódio atual continua se intensificando e pode figurar entre os mais fortes das últimas décadas.

O fenômeno climático El Niño ganhou força em 2026 e atingiu níveis de aquecimento próximos aos maiores já registrados no Oceano Pacífico. Dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) mostram que a temperatura da superfície do mar na região central do oceano ficou 2,08 °C acima da média histórica em setembro, configurando o segundo maior valor para o mês desde o início da série de medições, em 1950. Na costa da América do Sul, a elevação chegou a 4,5 °C no fim de setembro, apenas 0,1 °C abaixo do recorde absoluto registrado em 1983.

As informações foram divulgadas pela CNN Brasil nesta quarta-feira (14/10), com base no monitoramento do Inmet, publicado na terça-feira (13/10). Os números indicam que o episódio atual continua se intensificando e pode figurar entre os mais fortes das últimas décadas, com potencial para alterar os regimes de chuva e temperatura em diferentes regiões brasileiras.

Na área do Pacífico Equatorial conhecida como Niño 3.4, utilizada como uma das principais referências para acompanhar o fenômeno, a anomalia média de setembro ficou próxima do recorde de 1997. Naquele ano, a temperatura da superfície do mar nessa região atingiu 2,15 °C acima do padrão histórico para o mês.

A diferença entre os dois registros é de apenas 0,07 °C, o que coloca setembro de 2026 entre os períodos de aquecimento mais expressivos já identificados pelo instituto.

Temperatura do Pacífico ultrapassa marca de 2,4 °C em outubro

O monitoramento semanal realizado em outubro identificou uma nova elevação da temperatura oceânica. O indicador da região Niño 3.4 alcançou 2,4 °C acima da média, superando os valores mensais observados em setembro deste ano e no mesmo mês de 1997.

Apesar da magnitude do aquecimento, o Inmet ressalta que a comparação exige cautela, pois os registros semanais e mensais representam intervalos diferentes de observação.

Outro dado significativo foi registrado na faixa central do Pacífico, onde a anomalia chegou a 3,4 °C em outubro. O resultado ficou atrás apenas do pico observado em dezembro de 1982, um dos períodos de maior intensidade do fenômeno na série histórica.

O aquecimento de 4,5 °C identificado na costa sul-americana também evidencia a extensão das alterações térmicas nas águas do oceano, embora os índices variem de acordo com a região monitorada.

Esses registros reforçam a necessidade de acompanhar a evolução do El Niño ao longo dos próximos meses, especialmente durante a transição entre a primavera e o verão no Hemisfério Sul.

Fenômeno tem 95% de probabilidade de atingir intensidade muito forte

O cenário de intensificação já havia sido identificado por órgãos federais responsáveis pelo monitoramento climático.

Segundo o quarto boletim do Painel El Niño 2026-2027, divulgado em 1º de outubro pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em conjunto com o Inmet e outras instituições, existe uma probabilidade de 95% de que o fenômeno alcance intensidade muito forte no trimestre formado por outubro, novembro e dezembro.

O documento também indica que as condições associadas ao El Niño poderão persistir pelo menos até o primeiro trimestre de 2027.

Caso as projeções sejam confirmadas, o episódio poderá se consolidar entre os mais intensos desde 1950, período utilizado como referência para a comparação histórica.

As condições de El Niño foram confirmadas em junho deste ano, após a identificação de um padrão persistente de aquecimento das águas superficiais do Pacífico Equatorial.

El Niño pode aumentar chuvas no Sul e agravar seca no centro-norte do Brasil

A intensificação do fenômeno pode provocar mudanças relevantes na distribuição das chuvas pelo território brasileiro.

De acordo com as projeções apresentadas pelo Inpe e pelo Inmet, a Região Sul deverá enfrentar condições favoráveis a volumes de precipitação acima da média nos próximos meses, aumentando a possibilidade de cheias e outros eventos associados ao excesso de chuva.

Na porção centro-norte do país, o cenário é diferente. Os modelos climáticos indicam tendência de redução das precipitações em determinadas áreas, com possibilidade de intensificação da seca e aumento do risco de incêndios florestais.

As temperaturas também deverão permanecer acima dos padrões históricos em grande parte do território nacional, ampliando a preocupação com períodos de calor intenso.

Essas projeções representam tendências para intervalos mais longos e não significam que todas as localidades enfrentarão necessariamente condições extremas. Os impactos dependem da intensidade do fenômeno, da época do ano e da interação com outros sistemas atmosféricos.

Entenda como o aquecimento do Pacífico interfere no clima

O El Niño é um fenômeno natural caracterizado pela elevação anormal da temperatura das águas superficiais na faixa equatorial do Oceano Pacífico.

O aquecimento modifica a transferência de calor e umidade entre o oceano e a atmosfera, interferindo na circulação dos ventos e na formação de sistemas de chuva.

Essas alterações podem produzir efeitos em regiões distantes do Pacífico, inclusive na América do Sul, onde o fenômeno costuma influenciar os padrões sazonais de precipitação e temperatura.

No Brasil, episódios intensos de El Niño estão frequentemente associados ao aumento das chuvas em partes do Sul e à redução das precipitações em determinadas áreas do Norte e do Nordeste. A dimensão desses efeitos varia conforme as condições atmosféricas de cada período.

O aquecimento oceânico também pode favorecer mudanças na frequência e na intensidade de determinados eventos meteorológicos, mas a ocorrência de uma tempestade, seca ou onda de calor específica não pode ser atribuída exclusivamente ao El Niño sem análise científica.

Monitoramento será decisivo para avaliar evolução do fenômeno

A proximidade dos registros de 2026 com marcas históricas de 1982, 1983 e 1997 coloca o atual episódio entre os principais eventos climáticos acompanhados pelos órgãos meteorológicos.

A avaliação de sua intensidade definitiva, entretanto, depende da persistência das anomalias oceânicas e da análise de indicadores atmosféricos durante os próximos meses.

O acompanhamento realizado pelo Inmet, pelo Inpe e pelas demais instituições federais deverá permitir atualizações das projeções para a primavera, o verão e o início de 2027, período em que o fenômeno poderá continuar influenciando a distribuição das chuvas e as temperaturas no Brasil.