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Educação: da sala de aula para atuação em novas realidades – Artigo 20

Educação: da sala de aula para atuação em novas realidades – Artigo 20

É fundamental que nós, cidadãos brasileiros, tenhamos uma educação de qualidade para viver boas experiências de aprendizado ao longo da vida e aprender a lidar com os desafios de habitar este planeta que compartilhamos com tantos outros seres neste momento em que vivemos.

por Fernando Figueiredo – Emergência Climática: E nós com isso? 

Na coluna passada, trouxe algumas perguntas para reflexão: se existe espaço de diálogo sério e profundo sobre as questões ambientais e climáticas na sua família, nas escolas e no seu trabalho? Sigo nessa questão.

Na COP30, realizada em Belém, o Ministério da Educação apresentou a Política Nacional de Educação Ambiental Escolar, a PNEAE, um plano para que o tema da educação ambiental e climática entre de forma estruturada nas escolas brasileiras, e não apenas em semanas temáticas ou projetos isolados.

É um movimento que reconhece a importância da escola como lugar onde se formará a geração que vai herdar e administrar os desafios que vivemos agora, só que de forma mais aguda.

Vale lembrar que nossa legislação sobre a educação ambiental, a Lei nº 9.795, escrita em 1999, já falava em educação ambiental para todos. Passados 27 anos, ainda precisamos ampliar muito essa educação e a transversalidade do tema para alcançar todos os brasileiros de forma equitativa e consistente.

Naquela época, não existia smartphone, as redes sociais ainda não dominavam a informação, e a urgência climática era assunto de tratados e relatórios. Hoje, vivemos outra realidade, vemos enchentes no Rio Grande do Sul, ondas de calor recordes e cidades cobertas de fumaça das queimadas. A lei nasceu correta para o seu tempo; o tempo, porém, mudou e ampliou os desafios e a escala da situação. É por isso e por outras questões que a nova política apresentada na COP 30 é tão relevante neste momento.

E aqui, retomo um ponto apresentado na coluna anterior, para ampliarmos nossa visão e relevância sobre o tema, é urgente entendermos a importância do letramento climático. Assim como aprendemos a ler palavras, fazer contas, saber sobre histórias, precisamos aprender a ler o mundo atual com suas questões contemporâneas que irão nos afetar.

Sem isso, não conseguimos interpretar com profundidade uma notícia sobre uma seca em nossa região, analisar a proposta de um candidato sobre a transição energética, entender por que a conta de luz sobe quando os reservatórios abaixam ou cobrar transparência de quem governa, por meio de mecanismos que já existem.

Talvez você saiba as respostas para estes exemplos, saiba que muitos não sabem! Nem imaginam a dimensão que esta situação pode chegar … e temos as soluções para resolver esta questão, mas temos uma lição de casa a fazer como sociedade brasileira. 

Educação, letramento climático e cidadania são temas que caminham juntos, em movimento sinérgico e na mesma direção … para o bem comum!

Penso que está na hora de Nós Brasileiros olharmos para o que queremos para o Brasil, ter um plano de Estado, uma visão de curto, médio e longo prazo.  Temos muitas questões sérias que estão acontecendo em nosso país, em nossas cidades, em nossos governos que precisaremos enfrentar.

São questões éticas, de valores, transparência, verdade, justiça … da nossa sustentabilidade como país no longo prazo.  Com equidade e justiça social, com valorização do nosso meio ambiente dentre tantos outros temas relevantes à agenda do desenvolvimento sustentável.

Faço a aqui um convite a reflexão para ação de todos que sentirem o chamado, dentro de sua possiblidade. Vamos olhar a Educação de forma mais séria para valorizar do Brasil, como uma nova lente, com a visão de construção de um país que tenhamos orgulho de pertencer, viver e compartilhar com as pessoas. 

Vamos co construir como sociedade uma nova realidade com todas as pessoas e stakeholders, com princípios e valores alinhados, missão, visão de pais que desejamos Ser. Um processo para o desenvolvimento sustentável de longo prazo, onde Todos os Brasileiros vão ganhar com isso. 

Construído por nós brasileiros com consciência da importância da Educação na Nossa Vida … na vida de qualquer pessoa! Não precisamos ter a questão do CEP em nosso país, todos as localidades e cidades podem e devem ser prósperas!  É só Queremos … e Queremos Juntos … Acredito que é possível!  Educação em todas as suas frente e para Todos com Qualidade. É uma transformação desafiadora e dará trabalho … é base e um dos caminhos para um passo consistente se queremos um país melhor para todos.

E para tangibilizar essa afirmação, trago alguns exemplos básico para nossa reflexão. Existem vários caminhos e cada localidade tem suas especificidades, o ponto é unir o conteúdo técnico educacional de forma vivencial, preparando, dando as condições e valorizando muito as professoras e professores de nosso país, principalmente os das redes públicas e escolas do campo.

Faz toda a diferença para o aluno, aprender vivenciando, ela amplia o conhecimento, faz novas conexões neurais de aprendizado, amplia sua visão de mundo e isso agrega na formação do cidadão, que aprende com seu dia a dia, no viver em sociedade na sua escola, território, sua cidade ou localidade.

  • Na horta comunitária com compostagem, os alunos estudam os ciclos da matéria orgânica e descobrem que o alimento desperdiçado vira gás de efeito estufa nos aterros. Na mesma experiência de aprendizado, organizam comissões, votam decisões e definem como distribuir o que cultivam. É ciência e democracia no mesmo canteiro.
  • Na simulação de uma conferência da ONU ou de uma Câmara de Vereadores, os estudantes pesquisam dados científicos e leis, defendem a posição de um país atingido por secas ou enchentes, aprendem a debater com respeito, redigir projetos de lei e negociar acordos. Ampliam a visão da realidade e constroem um diálogo genuíno.
  • No mapeamento de riscos do bairro, investigam onde a chuva alaga, onde faltam árvores, onde o calor é maior na região, e depois redigem uma carta para vereadores e subprefeitos, apresentando os problemas e as soluções. Isso forma o aluno, como ator social, ele sai da escola com maior senso crítico, sabendo que reivindicações se escrevem com método e dados.

Esses aprendizados não terminam no portão da escola. Na nossa vida adulta, existem muitas oportunidades simples, que com abertura ao aprendizado ampliam nossa visão sobre o tema como por exemplo: saber ler a conta de luz e compreender o porquê das bandeiras tarifárias; separar o lixo em casa e reduzir plásticos de uso único; unir-se aos vizinhos para exigir coleta seletiva na sua rua, caso ela ainda não exista; acompanhar um alerta meteorológico e saber proteger a si e aos seus; cobrar que os planos de emergência da sua cidade priorizem os locais de maior risco; participar de audiências públicas para exigir drenagem, arborização ou aquilo que o seu bairro e território necessitam.

Olhando esse padrão de aprendizados e ações, vemos que primeiro entendemos o problema, depois aprendemos a agir sobre ele. O letramento climático é um convite a você. É um processo de aprendizado que precisa entrar em nosso repertório e caminha junto com o nosso papel de cidadão. Papel no qual precisamos “subir a régua” como sociedade por diversas razões que temos vivido em nosso país. 

Por essas e por muitas outras razões, a educação ambiental é um capítulo fundamental da agenda educacional e precisa ser ampliada, entendida e aplicada: ela é pré-requisito para nossas crianças, jovens e para nós, adultos e sêniores.

Um cidadão que lê o mundo e atua nele de forma consciente, com informações embasadas, transforma o mundo, o seu entorno e agrega valor com sua atuação.

Um cidadão que lê o mundo de forma rasa, apenas reclama e aponta o dedo, assiste ao mundo, reduz o valor da própria vida e da sociedade em que convive.

Que nossas escolas, e cada um de nós, façamos escolhas conscientes pela educação ambiental, climática e cidadã … o Bem Comum Agradece!

Boa leitura e reflexões!

Referências e organizações

Política Nacional de Educação Ambiental Escolar – PNEAE

MEC Normas  https://mecnormas.mec.gov.br/pesquisa/detalhar/15473

Política de Educação Ambiental

L9795 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9795.htm

Anuário Brasileiro da Educação Básica

Anuário Brasileiro da Educação Básica 2025 https://anuario.todospelaeducacao.org.br/2025/artigo-educacao-crise-climatica-e-racismo-ambiental.html

Educação climática: o caminho mais curto para a ação - Artigo 19Fernando Eliezer Figueiredo atua há mais de 30 anos em sustentabilidade, clima e desenvolvimento sustentável. Teve passagens marcantes como diretor do CDP na América Latina, head de Sustentabilidade da Schneider Electric Brasil e presidente da Câmara de Energia e Clima do CEBDS. Atualmente é consultor na Thinker & Associados, diretor de conteúdos de sustentabilidade na Miração Filmes, professor, curador e empreendedor. Como Líder da Realidade Climática, dedica-se a projetos estratégicos, educativos e audiovisuais para ampliar a consciência climática e traduzir essa agenda para públicos além da “bolha” da sustentabilidade.