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Como poluição do ar pode aumentar suicídios, segundo este estudo

Como poluição do ar pode aumentar suicídios, segundo este estudo

Exposição à partículas finas e gases poluentes podem alterar funções bioquímicas do cérebro, comprometendo ligações nervosas e reações químicas

Todos os anos, mais de 720 mil pessoas morrem por suicídio. A situação levou a OMS (Organização Mundial da Saúde) a desenvolver um Plano de Ação para a Saúde Mental. O que não era planejado, no entanto, é que a mitigação dos casos precisará ser resultado de um trabalho conjunto entre tratamentos tradicionais – com psiquiatras e psicólogos – e cuidado com o meio ambiente. Afinal, cientistas descobriram que a exposição à poluição atmosférica está associada a um risco aumentado de pensamentos suicidas e mortes por suicídio.

Os resultados foram publicados na revista científica Journal of Epidemiology & Community Health em 15 de setembro, e reforçam a necessidade de considerar as exposições ambientais como fatores de risco para problemas de saúde mental. Em comunicado, a equipe declarou que “integrar a saúde ambiental às políticas de saúde, por meio da colaboração de estratégias de redução da poluição e de intervenções direcionadas, pode reduzir o risco de suicídio e melhorar o bem-estar mental da população”.

Qual é a relação?

Apesar dos resultados, o papel potencial dos fatores ambientais no risco de suicídio é menos compreendido pelos cientistas. Por isso que o recente estudo tomou diferentes bases de evidências, como a poluição atmosférica, sonora, luminosa e hídrica. Fatores sociais, demográficos e referentes à sexo e renda também foram analisados.

Com tantos contextos possíveis, a equipe decidiu vasculhar bases de dados de pesquisas em busca de estudos publicados entre janeiro de 2010 e abril de 2024. Inicialmente, 287 estudos foram selecionados, mas apenas 45 atenderam aos critérios de elegibilidade. Desse número, 33 investigaram morte por suicídio, 7 pensamentos suicidas e 5 tentativas de suicídio.

No que diz respeito aos tipos de poluição, 38 estudos avaliaram os efeitos da exposição à poluição do ar, 3 analisaram a poluição da água, 3 a poluição sonora e 1 a poluição luminosa. E, ao contrário do que se era esperado, não foram encontradas associações concretas entre atores sociodemográficos e o risco de morte por suicídio ou ideações suicidas.

As poluições sonora e a luminosa, segundo os cientistas, também podem estar relacionadas com as mortes por suicídio e o aumento de ideações suicídas, já que aumentam os níveis de estresse do relógio biológico — Foto: Unsplash
As poluições sonora e a luminosa, segundo os cientistas, também podem estar relacionadas com as mortes por suicídio e o aumento de ideações suicídas, já que aumentam os níveis de estresse do relógio biológico — Foto: Unsplash

As condições atmosféricas foram o principal destaque. A análise conjunta dos dados de todas as pesquisas restritas ao tema mostraram que a exposição à partículas finas e demais compostos gasosos são potencialmente mais nocivos à saúde mental das pessoas. Mesmo a curto prazo, a exposição a PM2,5 (13 estudos) e PM10 (7 estudos); e a exposição de longo prazo a PM2,5 (6 estudos) e NO2 (7 estudos) estiveram estatisticamente associadas às taxas de suicídio.

Os resultados também indicaram associações com outros poluentes, incluindo o dióxido de enxofre (SO2) e o gás ozônio (O3). Como explicação para as descobertas, os pesquisadores apontam que poluentes atmosféricos e água poluída com arsênio, chumbo, lítio ou nitrato, têm sido associados a efeitos neurológicos, incluindo inflamação crônica e danos aos nervos, que podem prejudicar a função cerebral e influenciar o humor.

Ainda que os resultados sejam coerentes e indiquem que tudo esteja, de fato, relacionando, os cientistas alertaram para as limitações que tiveram em suas descobertas. Dados sobre os efeitos da poluição da água e da luz, por exemplo, nem foram contabilizados devido ao número limitado de estudos e à variedade de medidas de resultado. Um número mais amplo de pessoas também precisa ser analisado antes que essa relação seja sedimentada como verdade científica.