USP transforma resíduos em energia, biometano e biofertilizante
Usina que acaba de ser inaugurada possui modelo replicável a todo o país
O Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo (IEE/USP) acaba de inaugurar uma usina capaz de transformar resíduos sólidos orgânicos em energia elétrica, biometano e biofertilizantes. O modelo desenvolvido pela USP pode ser replicado em outras regiões do país.
Foram oito anos de desenvolvimento e cinco de operação parcial até a inauguração. A USP utilizou como matéria-prima os resíduos gerados nos restaurantes da própria Cidade Universitária e em instituições parceiras para chegar ao padrão atual, cuja capacidade é de processar 25 toneladas de resíduos orgânicos por dia.
A solução integra diversos setores, como saneamento, energia e agricultura. Ao evitar o descarte de “lixo” orgânico em aterros sanitários, por consequência, minimiza a geração de gás metano, um dos principais poluentes de efeito estufa. Ou seja, contribui com as ações de combate às mudanças climáticas enquanto produz eletricidade, combustível veicular e fertilizantes.
O custo total do projeto foi de R$ 10 milhões, sendo a maioria dos recursos oriunda do orçamento próprio do Instituto de Energia e Ambiente e de projetos de pesquisa financiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). A unidade tem apoio institucional da Semil (Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de SP) e da Associação Brasileira do Biogás e do Biometano (ABiogás).

Como funciona a Usina de Bioenergia e Biofertilizantes
A unidade opera como uma planta laboratorial em escala industrial e comercial. Cada tonelada de resíduos produz cerca de 800 litros de digestato que contém cerca de 1,2 kg de fertilizantes recuperados e 120 metros cúbicos de biogás. Esse biocombustível renovável pode ser usado para gerar entre 166 e 200 kWh de eletricidade ou ser refinado para gerar de 90 a 117 m³ de biometano, desta forma, respectivamente, poderia suprir consumo médio mensal de uma residência de cinco habitantes e substituir o consumo de 100 a 120 litros de gasolina em veículos. Atualmente, a geração de energia elétrica abastece a rede da Universidade de São Paulo e o Sistema Interligado Nacional (SIN).
A Usina de Bioenergia e Biofertilizantes com Resíduos Orgânicos é estruturada em cinco unidades. Entre os trabalhos realizados na planta há ainda pesquisas de aplicação de biofertilizante no cultivo de cana-de-açúcar e na produção de hortaliças em horta e hidroponia.
Os resultados dos estudos, realizados em parceria com a Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), são animadores, segundo os pesquisadores: mostram que o biofertilizante tem características semelhantes às dos fertilizantes minerais.
Modelo replicável
Por operar em módulos, a tecnologia pode ser adaptada às necessidades de prefeituras e por grandes geradores de resíduos da cadeia alimentar, tais como indústrias alimentícias, restaurantes, centrais de abastecimento e redes de varejo.

Os pesquisadores estimam que 300 usinas do tipo seriam capazes de tratar todo o volume de resíduos orgânicos domésticos gerados na cidade de São Paulo. Indo mais além, 600 seriam o suficiente para atender todo o estado e três mil todo o país.



