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Mitigação, o melhor investimento para enfrentar a Emergência Climática – Artigo 6

Mitigação, o melhor investimento para enfrentar a Emergência Climática – Artigo 6

Emergência Climática: E nós com isso? – Muitas vezes, quando ouvimos falar em investimentos para combater as mudanças climáticas, a primeira reação é pensar em “gastos”, “custos extras” ou obrigações que não temos como fazer face a situação econômica que vivemos. Mas a verdade é outra: investir em mitigação é a estratégia financeira mais inteligente e lucrativa que o Brasil pode adotar. No jargão econômico, existe um conceito chamado “Custo da Inação”, ou seja, o preço que pagamos por não fazer.

Primeiro, para entendermos a diferença entre mitigação e adaptação, trago alguns exemplos … Imagine que você chega em casa e encontra a sua sala inundada porque uma torneira foi deixada aberta. Você tem duas opções:

  1. Correr com baldes, rodos e panos para secar o chão e salvar os móveis (isso é o que chamamos de adaptação).
  2. Ir direto à pia e fechar a torneira (isso é a mitigação).

Exemplos mais alinhados ao tema:

A Mitigação atua na causa (ex: instalar painéis solares para emitir menos).

A Adaptação atua no efeito (ex: construir diques para conter o aumento do nível do mar e rios ou desenvolver sementes resistentes à seca).

Isto posto, trago que O “Custo da Inação” não vale a pena pagar para ver.

Na economia este custo, que infelizmente já vivemos hoje em várias localidades do nosso país, é ficar reativo e arcar com os prejuízos de somente criar planos, discursos, reagindo e observando o que acontece … E, no caso do Brasil, esse preço tem sido alto e será maior ! 

De acordo com um estudo publicado pela consultoria EY, o custo acumulado de não agirmos contra as mudanças climáticas no nosso país pode chegar a incríveis R$ 11 trilhões até 2050. Em outro estudo a estimativas do Boston Consulting Group apontam que o Brasil corre o risco de perder até 18% do seu PIB no mesmo período devido a desastres climáticos que afetarão diretamente o agronegócio, a infraestrutura das cidades e a nossa geração de energia … são estudos e estimativas, mas se temos esta visão, vamos ficar esperando acontecer ou vamos agir?

Prevenir não é gasto, é proteção de vidas, de patrimônio e investimento de forma inteligente e alinhada ao quadro de Emergência Climática que vivemos.

O Plano Clima de Mitigação

Para enfrentar este desafio de fechar a torneira das emissões até 2035, o governo brasileiro estruturou o Plano Clima Mitigação. Ele não é apenas uma declaração de boas intenções, mas sim um plano de voo robusto e baseado na ciência, composto pela Estratégia Nacional de Mitigação (ENM) e por oito Planos Setoriais, setores mais altamente intensivos em emissões no Brasil

A meta geral é ambiciosa e clara: alcançar emissões líquidas zero de GEE até 2050, com metas intermediárias de curto (2025 e 2030) e médio prazo (2035). Para a próxima década, o compromisso do Brasil é reduzir as emissões líquidas de gases de efeito estufa entre 59% e 67% até 2035 (em relação aos níveis de 2005).

Para que ninguém jogue a responsabilidade para o outro, a Estratégia Nacional dividiu o inventário de emissões do país em oito setores estratégicos. Cada um deles tem suas próprias metas e responsabilidades, evitando a dupla contagem e garantindo que toda a economia caminhe junta:

  1. Mudanças do uso da terra em áreas públicas e territórios coletivos: Foco no combate ao desmatamento ilegal e na proteção de terras indígenas e unidades de conservação.
  2. Mudanças do uso da terra em áreas rurais privadas: Incentivos para que proprietários preservem suas reservas legais e recuperem áreas degradadas.
  3. Agricultura e Pecuária: Promoção de tecnologias de baixo carbono (como o plantio direto e a integração lavoura-pecuária-floresta), transformando o campo em um aliado do clima.
  4. Energia: Expansão das nossas fontes renováveis (solar, eólica e biomassa) e desenvolvimento de biocombustíveis, como o hidrogênio verde.
  5. Transportes: Modernização da frota, incentivo ao transporte ferroviário e hidroviário, eletrificação de transportes públicos e uso de biocombustíveis.
  6. Cidades: Planejamento urbano sustentável, eficiência energética em prédios e melhoria da mobilidade pública.
  7. Indústria: Estímulo à descarbonização dos processos industriais, economia circular e transição para tecnologias limpas.
  8. Resíduos Sólidos e Efluentes Domésticos: Ampliação da reciclagem, tratamento adequado do lixo e aproveitamento do biogás gerado em aterros.

Esses são os objetivos gerais que você pode se aprofundar e entender melhor os desafios colocados.

Onde existe risco existe oportunidade. 

As diretrizes e objetivos do Plano Clima funcionam como bússolas. Elas mostram que a mitigação não serve apenas para evitar desastres, mas para abrir portas de investimentos no Brasil.  Ao liderar, e podemos fazer isso, a economia de baixo carbono, vamos atrair investimentos internacionais, gerar milhares de empregos na sociobiodiversidade e proteger a produção de alimentos dentre outras ações.

Fechar a torneira do aquecimento global é a escolha mais barata, inteligente e segura que podemos fazer. Afinal, cuidar do clima é, antes de tudo, cuidar das pessoas, do nosso bolso e do nosso futurojá tinha parado para pensar nisso por este prisma? 

Na próxima semana trarei o tema da adaptação para seguirmos entendendo estes desafios que temos em nosso país, e que é de todos Nós também ! Boa leitura !

Links citados

Metas Plano Clima Mitigação – Plano Clima – Mitigação — Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima

EY – Estudo da EY projeta que custo da inação climática no Brasil pode atingir R$ 11 trilhões até 2050

BCG – Boston Consulting Group – Brasil pode perder 18% do PIB até 2050 com crise climática, diz estudo | CNN Brasil