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Calculadora converte resíduos agroindustriais em créditos de carbono

Calculadora converte resíduos agroindustriais em créditos de carbono

Desenvolvida na Unicamp, ferramenta “Biomassa Compensa” estima emissões evitadas e créditos de carbono gerados a partir de resíduos

Cascas de laranja, bagaço de maçã, pó de café, palha de cana-de-açúcar e sementes de açaí. Transformar os resíduos diários da indústria alimentícia em energia renovável é uma forma de converter o passivo ambiental em uma fonte de receita e promover a descarbonização. Para tornar esse potencial visível e acessível a qualquer pessoa, pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) desenvolveram a Calculadora Biomassa_Compensa, um programa de computador que quantifica tanto a pegada de carbono evitada quanto os créditos de carbono potencialmente gerados a partir do tratamento de resíduos orgânicos agroindustriais.

Reduzir pegada ecológica

Com uma interface intuitiva e cálculos baseados em dados científicos, o software pode ser usado por empresas, engenheiros, pesquisadores ou pessoas interessadas no assunto, sem necessidade de conhecimento técnico especializado, para avaliar impactos ambientais, calcular créditos de carbono e elaborar relatórios de sustentabilidade. Além de reduzir o tempo e os potenciais custos de análises complexas, a ferramenta contribui para fortalecer as políticas de sustentabilidade e de descarbonização.

O programa é fruto de um projeto conduzido no Laboratório de Bioengenharia, Tratamento de Águas e Resíduos (BIOTAR), coordenado pela professora Tânia Forster Carneiro, da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA), em colaboração com o professor Hudson Giovani Zanin Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação (FEEC).

Parques urbanos sustentáveis

Acesse a calculadora de pegada de carbono Biomassa Compensa.

Da pilha de dados à calculadora on-line de carbono

A tecnologia nasceu de uma observação prática no laboratório. Ao longo de anos orientando dissertações e teses de mestrado e doutorado sobre a valorização de resíduos orgânicos, a professora Tânia Forster acumulou uma base de dados densa: experimentos com bagaço de maçã, casca de laranja, casca de jabuticaba, cambuci, bagaço de malte de cerveja, resíduos de aviários e até semente de açaí provenientes de pequenos produtores do Pará.

Cada pesquisa calculava com precisão quanto biogás determinado resíduo produziria em um digestor anaeróbio, e como esse biogás se converteria em energia elétrica, térmica ou biometano. Contudo, os pesquisadores notavam que esses resultados tinham um potencial de impacto muito maior, que poderia extrapolar o ambiente acadêmico. Para eles, era estratégico transformar esse conhecimento técnico em uma ferramenta acessível, que permitisse o valor gerado no laboratório chegar de forma clara à sociedade.

“A calculadora surgiu para centralizar dados dispersos em teses acadêmicas. Se o proprietário de um restaurante ou de uma pequena indústria alimentícia ou da agroindústria deseja avaliar a viabilidade de produzir biogás e bioenergia elétrica ou térmica, a partir de sua biomassa, a ferramenta oferece uma resposta rápida, precisa e baseada em dados científicos”, explica Forster.

Para o desenvolvimento do programa de computador de pegada de carbono, a equipe utilizou referências metodológicas e modelos de equivalência para converter toneladas de resíduos em métricas compreensíveis, como o número de árvores plantadas, as horas de voo internacional ou os carros retirados de circulação. No desenvolvimento técnico, o projeto contou com estudantes com formação em engenharia e em programação.

Como funciona a calculadora de carbono da Unicamp

O usuário seleciona o tipo de resíduo, informa a quantidade (em toneladas) que deseja tratar e recebe, instantaneamente, uma estimativa de emissões evitadas, que são expressas em gás carbônico (CO₂) equivalente. Também tem acesso a uma estimativa de créditos de carbono gerados. Atualmente, o sistema contempla resíduos como bagaço de maçã, casca de laranja, cana-de-açúcar, semente de açaí e subprodutos da indústria de café. Outros comparativos da calculadora apresentam quantos carros seriam retirados das ruas, quantas horas de voo internacional seriam compensadas, ou quantas árvores precisariam ser plantadas para atingir o mesmo efeito.

Tratar o resíduo e converter o gás metano resultante em energia, explica a pesquisadora, representa um crédito de carbono significativamente mais alto do que o obtido pelo reflorestamento convencional. Afinal, o metano é o principal biogás produzido pela decomposição anaeróbia de matéria orgânica em aterros, com potencial de aquecimento global em torno de 29 vezes maior que o dióxido de carbono, considerando o impacto em 100 anos (GWP100).

Calculadora carbono

A tecnologia nasceu de uma observação prática no laboratório. | Foto: Igor Alisson | Inova Unicamp

 

“Quando você trata o resíduo, evita que o metano seja liberado na atmosfera. Isso pode gerar um crédito de carbono permanente que compensa mais do que plantar árvores do ponto de vista técnico, uma vez que o metano possui um potencial de aquecimento cerca de 29 vezes maior que o CO₂ e a quantificação do metano evitado é tecnologicamente mais precisa quando comparada à quantificação realizada por meio do plantio de árvores. Então o nome da calculadora ‘Biomassa Compensa’ tem duplo sentido: compensa tratar o resíduo, e compensa mais do que outras formas de crédito de carbono”, esclarece a professora.

As informações são da Inova Unicamp – leia o texto na íntegra aqui