Hantavírus pode provocar nova pandemia? Especialistas analisam riscos
OMS confirmou cinco casos e três mortes ligados ao surto em navio que saiu da Argentina.
O surto de hantavírus registrado a bordo do navio holandês MV Hondius reacendeu o debate sobre segurança sanitária em cruzeiros. Até agora, a Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou cinco casos da doença e três mortes na embarcação, que saiu da Argentina no começo de abril.
Segundo especialistas, o vírus não deve causar uma nova pandemia.
Outros pacientes com suspeita continuam monitorados em países como França, Holanda, Singapura e Estados Unidos. A principal hipótese é de que um passageiro já tenha embarcado infectado no navio, depois de visitar áreas rurais da Patagônia argentina, onde a variante Andes do vírus circula.
Transmissão é diferente da Covid
O virologista Paulo Eduardo Brandão, professor da Universidade de São Paulo, explica que a transmissão está ligada a roedores silvestres e não merece a mesma preocupação do coronavírus.
“O hantavírus não se transmite muito bem de pessoa a pessoa. A pessoa normalmente pega ao aspirar partículas virais que estavam nas fezes ou na urina de roedores silvestres. A linhagem Andes é a única que se transmite um pouco melhor por via respiratória, mas não é eficiente como o vírus da gripe ou o coronavírus da Covid. Por isso, ele não vai se tornar uma próxima pandemia”
O que facilita surtos em cruzeiros?
Historicamente, os surtos mais comuns em cruzeiros envolvem patógenos gastrointestinais. O principal deles é o norovírus, que atrapalha as viagens provocando vômito e diarreia intensa — e está ligado à má higiene.
Segundo Brandão, o problema dos cruzeiros é estrutural: a combinação entre proximidade, confinamento e circulação de pessoas.
“Ambiente de cruzeiro tem tudo que um vírus quer, que é pessoa perto de pessoa. Quanto mais próximas estiverem as pessoas, melhor um vírus transmitido pelo ar vai se transmitir. E, no caso de vírus ligados a alimentos, como o norovírus, os navios tentam prevenir com higiene alimentar, cuidado no preparo, armazenamento e serviço dos alimentos. No caso do hantavírus, o que se fez foi isolar os pacientes e testar os passageiros.”
Entre as medidas mais comuns para evitar epidemias nas embarcações estão regras para climatização, manipulação de alimentos, descarte de resíduos, monitoramento de passageiros e isolamento de pessoas sintomáticas.
