Faturamento de R$ 230 mil: como produtor superou a falência ao transformar caroço de açaí em negócio
Em Macapá, agrônomo criou um biofertilizante sustentável a partir do resíduo do açaí, apostou na economia circular e hoje cresce no mercado agro.
Uma solução que nasce do caroço do açaí está ajudando a transformar um problema ambiental em uma oportunidade de negócio em Macapá, no Amapá (AP).
O engenheiro agrônomo Wesley Lamonier criou um biofertilizante sustentável a partir do resíduo da fruta — abundante na região — e hoje comanda uma empresa que alia inovação, impacto ambiental positivo e rentabilidade.
A ideia surgiu da necessidade. Antes de empreender, Wesley chegou a ter uma produção rural com mais de 5 mil pés de pimenta e oito funcionários, mas enfrentou dificuldades financeiras e acabou indo à falência.
Foi nesse momento que decidiu buscar alternativas mais sustentáveis e menos dependentes de fertilizantes químicos, que elevavam o custo da produção.
O ponto de virada veio ao observar o desperdício do açaí: apenas entre 15% e 20% da fruta é aproveitado para consumo, enquanto cerca de 80% vira resíduo — principalmente o caroço, muitas vezes descartado ou queimado, o que libera ainda mais CO₂ na atmosfera.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/A/x/KKNAkdR5mVMNC99A9C3w/captura-de-tela-2026-04-06-102332.jpg)
Do lixo ao lucro: empreendedor fatura R$ 230 mil com caroço de açaí — Foto: Reprodução/PEGN
A partir daí, o empreendedor passou a desenvolver um biofertilizante utilizando biochar, um material obtido por meio da carbonização sustentável de resíduos orgânicos, como o caroço de açaí.
O produto melhora a qualidade do solo ao reter água e nutrientes, funcionando como uma espécie de “ímã” natural. Além disso, ajuda a capturar carbono — um diferencial em tempos de mudanças climáticas.
Com investimento inicial de cerca de R$ 80 mil e apoio de programas de inovação, o negócio ganhou escala. Hoje, a fábrica recebe cerca de 20 toneladas de caroço de açaí por dia, embora processe, por enquanto, aproximadamente 2 toneladas. Em 2025, o faturamento médio chegou a R$ 230 mil.
O modelo de negócio é voltado principalmente para o mercado agro, com vendas para empresas (B2B), mas também atende agricultores por meio de associações e cooperativas. A proposta é reduzir os custos com adubação e, ao mesmo tempo, melhorar a produtividade de culturas como hortaliças e frutas.
Além do impacto econômico, o empreendimento também fortalece a chamada economia circular. A empresa compra os caroços de coletores locais, gerando renda e evitando que o resíduo seja descartado de forma inadequada.
Para Wesley, o propósito vai além do lucro. “Fazer a diferença na vida dentro da agricultura é o que motiva a gente todos os dias”, afirma. A iniciativa mostra que, ao cuidar do solo, é possível contribuir para um futuro mais sustentável — e criar um negócio promissor ao mesmo tempo.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/p/L/t0JvAlQbqHWEqRADYDWw/captura-de-tela-2026-04-06-102250.jpg)
Do lixo ao lucro: empreendedor fatura R$ 230 mil com caroço de açaí — Foto: Reprodução/PEGN
