Como este fungo que consegue congelar água pode ajudar a controlar o clima
Cientistas identificaram gene codificador de proteína fúngica responsável por desencadear rapidamente a formação de gelo em temperaturas abaixo de zero; entenda
Um estudo liderado por pesquisadores da Universidade Virginia Tech, nos EUA, descobriu que certas proteínas de fungos – secretadas por membros da família Mortierellaceae – podem atuar como catalisadores na formação de gelo. Esse processo, segundo os autores do estudo publicado em 11 de março na revista científica Science Advances, poderia ser explorado para experimentos de manipulação do clima (veja mais abaixo).
Pela análise genética dos fungos, foi possível identificar os genes responsáveis pela capacidade de congelamento, assim como descobrir que esses genes foram provavelmente herdados de um ancestral que os obteve de uma espécie bacteriana. Um comunicado explica que essa transferência horizontal de genes deve ter ocorrido há pelo menos centenas, senão milhares, de anos.
Mesmo que o conhecimento da nucleação de gelo por fungos já exista desde a década de 1990, somente com tecnologias recentes que se conseguiu sequenciar genomas para descobrir o gene que codifica a proteína de nucleação de gelo. Essas proteínas também foram descritas como acelulares e solúveis em água, o que as torna ainda mais atraentes.
“Por exemplo, na preparação de alimentos congelados, a molécula fúngica seria mais segura do que a bacteriana, porque o fungo apenas secreta a molécula de nucleação do gelo, enquanto a célula bacteriana inteira seria necessária na nucleação bacteriana do gelo”, diz o comunicado.
De acordo com os cientistas, outra possível aplicação que se beneficiaria de nucleação por gelo de origem fúngica é a criopreservação de células como tecidos, espermatozoides, óvulos e embriões. A mesma lógica pode ser aplicada para procedimentos de manipulação climática, tornando esse tipo de processo mais barato e seguro.
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Fica fria aí!
Quando os pesquisadores falam de “experimentos de manipulação de clima”, eles especialmente destacam o processo de semeadura de nuvens, uma técnica que visa aumentar a capacidade de uma nuvem produzir chuva ou neve de forma artificial.
Para isso, as nuvens recebem partículas chamadas “nucleadoras de gelo”, que intensificam a formação de gelo em temperaturas abaixo de zero. Uma reação em cadeia faz com que moléculas de água rapidamente se liguem aos cristais de gelo até que a nuvem fique pesada o suficiente para liberar seu material em forma de chuva ou neve.
O procedimento costuma utilizar iodeto de prata como composto químico desses cristais, mas ele é altamente tóxico. Uma molécula proteica de origem fúngica pode ser mostrar uma alternativa melhor para a realização de semeadura de nuvens, aliviando o clima.
