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Zonas úmidas: a importância e os desafios de conservação desses ecossistemas

Zonas úmidas: a importância e os desafios de conservação desses ecossistemas

Tais áreas estocam gás carbônico, além de reduzir os riscos de inundações e secas

A Recomendação do Comitê Nacional de Zonas Úmidas (CNZU), lançada pelo Ministério do Meio Ambiente em 2015, define esses ecossistemas como locais “permanente ou periodicamente inundados ou com solos encharcados”. Isso engloba lagoas, lagunas, manguezais, campos e florestas alagadas, veredas, várzeas, reservatórios, turfas e o próprio Pantanal. Podem conter águas doces, salobras ou salgadas, além de comunidades de plantas e animais adaptadas à sua dinâmica hídrica.

No início do mês, em 2 de fevereiro, celebra-se o Dia Mundial das Zonas Úmidas. A data visa fazer com que entidades de proteção do meio ambiente chamem a atenção do poder público e da sociedade para a importância desses locais.

O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) frisa que as zonas úmidas têm um papel muito importante frente às mudanças climáticas, pois conseguem estocar bastante carbono. “Manguezais, por exemplo, podem absorver mais carbono do que florestas tropicais, enquanto as turfeiras, que ocupam apenas 3% da superfície do planeta, armazenam cerca de 30% do carbono terrestre — o dobro de todas as florestas do mundo juntas” diz um comunicado da instituição.

Tais ambientes também reduzem riscos de inundações e secas. Eles contribuem para regular o fluxo dos rios, favorecem a recarga de aquíferos ajudam na filtragem e purificação da água.

O Brasil tem uma riqueza ímpar em se tratando de zonas úmidas. “O Pantanal é a maior planície inundável do mundo; os manguezais da costa norte formam a faixa contínua mais extensa desse ecossistema no planeta; grande parte da Amazônia é composta por ambientes alagáveis; e os maiores recifes de coral do Atlântico Sul estão em águas brasileiras”, frisa o ICMBio.

Em todo o mundo, os esforços para a preservação dessas áreas são muito importantes. “As zonas úmidas estão desaparecendo três vezes mais rápido do que as florestas e são o ecossistema mais ameaçado da Terra. Em apenas 50 anos — desde 1970 —, 35% das zonas úmidas do mundo foram perdidas”, alerta um comunicado da Organização das Nações Unidas (ONU). A instituição cita as seguintes causas: drenagem e preenchimento do solo para agricultura e construção, poluição, pesca predatória, alta exploração de recursos naturais, espécies invasoras e mudanças climáticas.

Em 1971, a Convenção de Ramsar, realizada no Irã, estabeleceu um tratado intergovernamental para a conservação e o uso sustentável de zonas úmidas. Com isso, diversos locais do planeta passaram a receber o título de Sítios Ramsar, reconhecendo importantes zonas úmidas. O Brasil possui 27 Sítios Ramsar, distribuídos pelos seis biomas do país.