Brigitte Bardot morre aos 91 anos e deixa legado marcante na luta pelos direitos animais
Após abandonar o cinema ainda no auge da fama, a francesa dedicou mais de cinco décadas à militância animal, criou uma fundação ativa internacionalmente e influenciou debates políticos e culturais sobre exploração e crueldade contra outras espécies.
A atriz, modelo e ativista Brigitte Bardot morreu hoje (28/12) aos 91 anos deixando um legado que ultrapassa o cinema e se impõe, sobretudo, no campo da defesa dos direitos animais. Embora tenha se tornado um dos rostos mais conhecidos do século 20 nas telas francesas e internacionais, foi fora delas que construiu a atuação mais duradoura e concreta de sua vida pública.
A decisão de abandonar o cinema em 1973, quando ainda era uma das atrizes mais populares da Europa, marcou uma ruptura definitiva com a indústria cultural. A partir daquele momento, Bardot passou a dedicar tempo, recursos e visibilidade à proteção de animais submetidos a exploração, violência e abandono. A causa, segundo ela própria afirmou em diversas ocasiões, não era um gesto tardio, mas uma convicção que a acompanhava desde a infância.
A criação da Fundação Brigitte Bardot consolidou esse compromisso em ações práticas. A instituição passou a atuar no resgate de animais, no acolhimento de indivíduos vítimas de maus-tratos e na pressão por mudanças legislativas na França e em outros países. Bardot se posicionou publicamente contra práticas amplamente aceitas, como a caça esportiva, as touradas, o consumo de carne de cavalo e o uso de animais em experimentos científicos. Em vez de buscar consensos, assumiu o confronto direto com governos, setores econômicos e tradições culturais.

Sua militância ajudou a deslocar o debate sobre animais do campo da sensibilidade individual para o da responsabilidade coletiva. Ao associar sofrimento animal a escolhas políticas e econômicas, Bardot contribuiu para ampliar a percepção pública de que a violência contra outras espécies não é um dado natural, mas resultado de decisões humanas sustentadas por conveniência e lucro.
Em diferentes entrevistas e livros, Brigitte Bardot afirmou que a militância em defesa dos animais foi decisiva para sua sobrevivência emocional após décadas de exposição intensa, declarando que o ativismo a salvou e que se sentia mais próxima dos animais do que dos humanos, defendendo a ideia de um “futuro comum” entre todas as espécies.
Nos últimos anos, a saúde da atriz inspirava cuidados, embora ela mantivesse uma vida reservada e distante da imprensa. Bardot vivia entre Saint-Tropez e o interior da França, onde abrigava animais e evitava qualquer forma de exposição pública. Declarava não utilizar celular nem computador e raramente recebia visitas. Em 2023, apresentou episódios de dificuldade respiratória e foi atendida em casa por equipes médicas. No ano seguinte, em outubro de 2024, passou por uma internação em Toulon para uma cirurgia considerada simples. Teve alta poucos dias depois e retornou para casa, onde se recuperava longe dos holofotes.
A morte de Brigitte Bardot foi confirmada pela Fundação Brigitte Bardot. Em nota, a instituição afirmou que Bardot era “atriz e cantora de renome mundial, que optou por abandonar sua prestigiada carreira para dedicar sua vida e energia ao bem-estar animal e à sua fundação”. As causas da morte não foram divulgadas até a última atualização.
