Suculentas brilham como lâmpadas e recarregam com luz do Sol

Iluminação baseada em plantas
A natureza nos brinda com uma variedade imbatível de cores nas flores e plantas, mas Shuting Liu e colegas da Universidade Agrícola do Sul da China não estavam satisfeitos com as cores das famosas suculentas, plantas que cativaram o mundo porque são belas e fáceis de cuidar.
A pesquisadora então criou suculentas que não apenas assumem novas cores e brilhos, mas que brilham no escuro a ponto de se tornarem pequenos abajures, lançando as bases para sistemas de iluminação sustentáveis baseados em plantas.
Injetadas com compostos emissores de luz, as plantas podem brilhar em várias cores, rivalizando em intensidade com pequenas lâmpadas de LED.
E, claro, não é preciso ligar as plantas na tomada – elas se recarregam com a luz do Sol.
“Imagine o mundo de Avatar, onde plantas brilhantes iluminam um ecossistema inteiro,” disse Liu. “Queríamos tornar essa visão possível usando materiais com os quais já trabalhamos no laboratório. Imagine árvores brilhantes substituindo postes de luz.”

[Imagem: Shuting Liu et al. – 10.1016/j.matt.2025.102370]
Injetando luz nas plantas
Criar plantas que emitem luz não é uma ideia nova, sendo apenas um exemplo do campo emergente que os cientistas chamam de “nanobiônica vegetal”.
Mas o brilho obtido até agora costumava ser fraco, normalmente só está disponível na cor verde, e os métodos para obtê-lo são complexos e caros, sobretudo quando exigem engenharia genética.
Agora, em vez de induzir as células das suculentas a brilhar por meio de modificação genética, a equipe utilizou partículas de fósforos fluorescentes, materiais semelhantes aos encontrados em brinquedos que brilham no escuro. Esses compostos absorvem a luz e a liberam lentamente ao longo do tempo.
Para que as partículas atravessassem os tecidos foliares, os pesquisadores precisaram acertar o tamanho com precisão: Cerca de 7 micrômetros, aproximadamente a largura de um glóbulo vermelho.
“Partículas menores, nanométricas, movem-se facilmente dentro da planta, mas são mais fracas,” contou Liu. “Partículas maiores brilhavam mais intensamente, mas não conseguiam viajar muito para dentro da planta.”

[Imagem: Shuting Liu et al. – 10.1016/j.matt.2025.102370]
Suculentas que acendem como lâmpadas
A equipe injetou as partículas em diversas espécies de plantas, incluindo suculentas e não suculentas, como a jiboia (ou hera-do-diabo) e o repolho chinês, uma versão ornamental da verdura.
Mas apenas as suculentas produziram um brilho intenso, graças aos canais estreitos, uniformes e uniformemente distribuídos dentro de suas folhas, que ajudaram a dispersar as partículas com mais eficácia. Após alguns minutos de exposição à luz solar ou à luz de um LED, as suculentas modificadas brilharam por até duas horas.
“Isso foi realmente inesperado,” disse Liu, observando que inicialmente pensou que plantas com estruturas de tecidos com grandes espaços intercelulares preenchidos com ar teriam um desempenho melhor. “As partículas se difundiram em apenas alguns segundos, e toda a folha suculenta brilhou.”
Usando diferentes tipos de fósforos, a pesquisadora criou suculentas que brilham em várias cores, incluindo verde, vermelho e azul. Ela até construiu um jardim vertical, uma parede de plantas brilhantes com 56 suculentas – brilhantes o suficiente para iluminar objetos próximos e permitir ler textos sem auxílio de outras lâmpadas.
A luz brilhante das suculentas esmaece com o tempo, e a equipe ainda está estudando a segurança a longo prazo dos fósforos para a saúde das plantas. Ainda assim, eles acreditam que o conceito possa oferecer uma alternativa sustentável para iluminação de baixa intensidade em caminhos, jardins ou decoração de interiores.
Artigo: Sunlight-powered multicolor and uniform luminescence in material-engineered living plants
Autores: Shuting Liu, Yufei An, Haoran Zhang, Wei Li, Jianle Zhuang, Chaofan Hu, Yingliang Liu, Bingfu Lei, Rui Zou, Xuejie Zhang
Revista: Matter
Vol.: 102370
DOI: 10.1016/j.matt.2025.102370