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Método “organização reversa” alia desapego e reaproveitamento

Método “organização reversa” alia desapego e reaproveitamento

Uma nova abordagem para destralhar e viver mais leve, mas sem desperdício

Para quem deseja reduzir a quantidade de itens em casa e alcançar um ambiente mais leve rapidamente, uma nova técnica promete ajudar. É a chamada “organização reversa”. Como quase tudo que surge na internet, é difícil especificar quem exatamente cunhou a técnica – muitas vezes já aplicada por diversas pessoas. O fato é que diversos sites de organização têm divulgado o método como uma forma eficiente de arrumação, sobretudo para quem nunca se adaptou aos conselhos de “gurus” como Marie Kondo.

Diferente dos métodos tradicionais, como o KonMari ou o minimalismo clássico, a organização reversa propõe inverter o processo: em vez de começar escolhendo o que descartar, o foco está em selecionar o que realmente importa manter.

A proposta é identificar os itens essenciais e favoritos (aqueles que são usados com frequência, que têm valor prático ou afetivo) e deixar o restante de lado. A ideia é trabalhar “de trás para frente”, partindo do que é indispensável e eliminando o excesso.

organização reversa
Foto: Bonnie Kittle na Unsplash

Quem já aplicou, garante que a técnica se mostra especialmente eficaz para quem quer resultados rápidos e tangíveis, sem a necessidade de revoluções complexas ou reorganizações demoradas.

Como aplicar a organização reversa na prática:

  • Método 1: Separe primeiro os itens que você mais usa ou ama, e depois adicione apenas os elementos necessários para o dia a dia.
  • Método 2: Esvazie o ambiente e só coloque de volta os objetos essenciais. O que sobrar pode ser doado, vendido ou descartado.

Essa abordagem pode ser aplicada em diversas áreas da casa. No armário, por exemplo, o objetivo é manter apenas os 20% das roupas que são usadas 80% do tempo. Na cozinha, o critério é pensar no que seria necessário se você estivesse montando a casa do zero. E com objetos sentimentais, a recomendação é simples: imagine que sua casa pegou fogo: quais são os itens que você realmente se lembraria e gostaria de recuperar?

Perguntas norteadoras

Especialista em organização, Laura Smith indica algumas questões para fazer a si mesmo na hora de “destralhar”.

  1. Eu uso isso com frequência?
  2. Eu gosto disso?
  3. Tenho um uso específico planejado para esse item?
  4. Qual seria o pior cenário se eu me desfizesse dele?
  5. Tenho espaço para armazenar isso?
  6. Se eu fosse me mudar em breve, eu levaria esse item comigo?
  7. Eu compraria esse item novamente se ainda não o tivesse?

Lidando com os “e se” do desapego

Um dos maiores desafios na hora de se desfazer de certos itens úteis é o pensamento: “e se eu precisar disso um dia?”. A organização reversa sugere estabelecer limites conscientes, considerando o espaço físico e a fase atual da vida. A lógica é que, se algo não está em uso, talvez não seja tão útil assim. Mas, obviamente, há itens que só podem ser usados ocasionalmente -, analise caso a caso.

Outro ponto é que difícil desapegar de algo que custou caro. Mas, se o item não está sendo usado, o prejuízo já foi feito. Livrar-se dele é apenas aceitar e seguir em frente.

organização reversa
Foto: Towfiqu barbhuiya na Unsplash

Para o que é “excesso”, a recomendação é doar ou oferecer esses objetos a quem de fato vai utilizá-los. Isso é mais eficaz do que guardá-los indefinidamente. Organizar grupos de troca (com amigos ou vizinhos), além de redes sociais podem facilitar esse processo.

Menos descarte, mais propósito

Outro diferencial da organização reversa é seu viés ecológico. Em vez de descartar automaticamente objetos velhos e desgastados, o método incentiva a busca por novas utilidades. A ideia é separar uma caixa para itens com potencial de reaproveitamento e avaliar, ao final da organização, o que pode ganhar uma nova vida.

Essa abordagem é uma forma de equilibrar desapego e redução do desperdício usando a criatividade. Entre a pressa de limpar tudo e o medo de descartar demais, tal método busca o equilíbrio. Confira abaixo algumas sugestões de itens que podem ser reaproveitados.

O que reaproveitar?

  • Potes de vidro: ideais para armazenar alimentos secos, chás, temperos ou até mesmo remédios.
  • Meias velhas: encha com bicarbonato de sódio e transforme em desodorizadores naturais para sapatos.
  • Caixas: tanto de sapato quanto de cereal podem virar divisórias de gaveta, bandejas de papel ou organizadores de armário com um pouco de criatividade.
  • Tecidos antigos: camisetas e toalhas desgastadas podem ser recortadas e usadas como panos de limpeza.
  • Sacolas reutilizáveis ou plásticas: úteis para agrupar pequenos itens em armários, como gorros e luvas.
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Foto: Nick Page na Unsplash