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Envelhecimento acelera a partir dos 50 – e é mais intenso em certas partes do corpo

Envelhecimento acelera a partir dos 50 – e é mais intenso em certas partes do corpo

Um novo estudo sugere que o processo de desgaste do organismo pode ser acelerado pela produção de uma proteína na aorta, que é então distribuída para todas partes do corpo; entenda

Faz parte do senso comum a percepção de que o tempo passa mais rápido à medida que envelhecemos. E uma nova análise, focada em investigar como as proteínas mudam ao longo dos anos em diferentes órgãos do corpo, parece corroborar essa ideia. Segundo o estudo, por volta dos 50 anos, o envelhecimento parece acelerar drasticamente.

De resultados publicados na última sexta-feira (25) na revista Cell, a pesquisa identifica quais moléculas podem estar por trás do fenômeno de desgaste do organismo e ainda sugere que alguns tecidos envelhecem mais rapidamente do que outros. Tais descobertas se somam a evidências anteriores, que já apontavam para um envelhecimento não linear, marcado por períodos de rápidas mudanças.

No passado, outros trabalhos conseguiram demonstrar que diferentes órgãos podem envelhecer em ritmos diferentes. Mas, para aprofundar essa questão, uma equipe da Academia Chinesa de Ciências em Pequim resolveu estudar amostras de tecido de 76 pessoas, com idades entre 14 e 68 anos, que morreram em decorrência de lesão cerebral acidental.

A partir daí, os pesquisadores criaram um compêndio das proteínas encontradas em cada um dos exemplares. Eles encontraram aumentos relacionados à idade na expressão de 48 proteínas associadas a doenças e observaram alterações precoces por volta dos 30 anos na glândula adrenal, responsável pela produção de vários hormônios.

Entre os 45 e os 55 anos, percebeu-se a ocorrência de um outro ponto de inflexão, marcado por grandes alterações nos níveis de proteína. A mudança mais drástica foi encontrada na aorta, a principal artéria do corpo, que transporta sangue oxigenado para fora do coração.

A equipe rastreou uma proteína produzida na aorta que, quando administrada em camundongos, desencadeia sinais de envelhecimento acelerado. Os autores especulam que os vasos sanguíneos atuam como um condutor, transportando moléculas que promovem o envelhecimento para destinos remotos por todo o corpo.

O estudo é uma adição importante a outros que analisaram moléculas circulantes no sangue, em vez de amostras de tecido retiradas de órgãos individuais, como forma de monitorar mudanças relacionadas à idade, destaca a revista Nature. Saber quais regiões são propensas ao desgaste pode ajudar os pesquisadores a desenvolverem maneiras de intervir para promover um envelhecimento saudável.

Conversa com outras pesquisas

Outros projetos encontraram pontos de inflexão do envelhecimento em torno das idades de 44 e 60 anos ou ainda por volta dos 80 anos. Essas discrepâncias podem surgir devido ao uso de diferentes tipos de amostras, populações e abordagens analíticas.

À medida que os dados se acumulam ao longo do tempo, as principais vias moleculares envolvidas no envelhecimento provavelmente convergirão entre os estudos, acreditam os autores. Esses dados se acumularão rapidamente, porque os estudos estão cada vez mais incorporando séries temporais detalhadas, em vez de simplesmente comparar “jovens” com “velhos”.

Embora, atualmente, não seja possível compreender de maneira integral o que desencadeia esse ponto de transição, os resultados encontrados por essas iniciativas de pesquisa podem ajudar os especialistas a interpretar esses períodos de rápida mudança. É um campo emergente intrigante, que ainda tem uma grande margem para evoluir no futuro.