Deslizamentos, temporais e incêndios: como a CCR busca proteger estradas dos efeitos de um clima extremo

Maior empresa de infraestrutura de mobilidade do Brasil passou a tratar a crise climática como prioridade dentro de suas operações em rodovias, aeroportos e mobilidade urbana
Muito se fala como a crise climática afeta nosso cotidiano, seja no ar poluído por incêndios florestais, nos alagamentos e enchentes que ‘varrem’ cidades, e na intensificação de períodos de frio e calor. Nesses momentos sempre vêm à mente perguntas como “o que o governo está fazendo?” ou “o que podemos fazer para combater isso?”, mas parte da solução, também está em como as empresas privadas agem frente a isso — principalmente aquelas que operam infraestruturas-chave.
Foi com esse olhar que o Grupo CCR, maior empresa de infraestrutura de mobilidade do Brasil, passou a tratar a crise do clima como prioridade dentro de suas operações, com o destaque para as rodovias. Responsável por 4,47 mil quilômetros de estradas em 13 estados brasileiros, por meio de 39 concessões, a CCR tem investido desde 2022 em tecnologia para combater os danos que a crise climática pode causar nas estradas.
“Nas rodovias a questão da meteorologia é mais complexa, mas a CCR vem desenvolvendo um projeto robusto de resiliência climática, abrangendo áreas estratégicas. Esse projeto é multidisciplinar e transversal, envolvendo sustentabilidade, resiliência e riscos operacionais” explica, ao Um Só Planeta, Miguel Dau, diretor de Segurança Corporativa e Resiliência Empresarial do Grupo CCR.
Ao todo, já foram investidos R$ 2,56 milhões em iniciativas de resiliência climática ao longo do projeto iniciado em 2022, sendo R$ 1 milhão somente em 2025. “Esses instrumentos permitiram que a CCR tomasse ações preventivas, como o fechamento de trechos da rodovia antes que os deslizamentos ocorressem”, diz.
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Dau conta que o foco em trabalhar as ações para evitar os danos causados pela crise climática começaram a ser mais evidentes a partir de 2019, embora ainda fosse algo incipiente na época. Em 2021, a questão ganhou tração, mas foi somente em 2022 que esse trabalho começou a ser formalizado, principalmente após os deslizamentos que causaram interdições parciais ou totais ao longo da rodovia Rio-Santos, no início daquele ano.
Foi quando a implementação das recomendações da CCR passou a ser uma prioridade no Centro de Operações da companhia. Desde então, ao receber um de três tipos de alertas — que variam conforme o grau de risco de uma ocorrência negativa, como possibilidade de chuva intensa ou até a necessidade de interditar um trecho da estrada em casos mais graves —, torna-se necessário seguir uma série de regulamentos e ações específicas.
Em 2023, a equipe foi reforçada e a instalação de instrumentos como piezômetros – que medem a pressão da água em solos, rochas, fundações e estruturas de concreto – e a parceria que a CCR mantém com a Climatempo – empresa brasileira que oferece serviços de meteorologia, consultoria, análises e previsão do tempo –, se intensificaram.
“Esse sistema de monitoramento passou a ser implementado em rodovias da CCR, principalmente após o episódio da Rio-Santos, onde a utilização de piezômetros para monitorar o risco de escorregamento de terra se mostrou eficaz. Esses instrumentos permitiram que a CCR tomasse ações preventivas”, conta.
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Desde 2022, a CCR tem utilizado inteligência artificial e tecnologias de monitoramento por satélite para melhorar a previsibilidade e tomar decisões mais rápidas em casos de risco climático. A Climatempo tem contribuído nesse processo ao consolidar dados meteorológicos e alertas, o que permite uma ação mais eficiente em momentos críticos.
Em 2023, a empresa se preparou para expandir ainda mais essa rede, com a instalação de novos sensores e a implementação de um centro de monitoramento geotécnico, que integra dados de diferentes fontes para permitir uma resposta mais assertiva.
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E foi com esses avanços que, no ano passado, a CCR conseguiu tomar ações preventivas contra os incêndios que atingiram São Paulo. Sim, os incêndios foram graves, mas poderiam ter sido piores. Neucelia Cevalhos, gerente do Centro de Operações da CCR Rodovias, conta que foram identificados mais de 3.000 focos de queimadas nas rodovias operadas pela empresa que passam por SP apenas no ano de 2024. Desse montante, quase 2 mil focos foram combatidos pors equipes da CCR antes que se espalhassem, com a utilização de irrigadeira, que é uma espécie de caminhão-pipa que atua em focos de incêndio de pequenas proporções.
“Quando um evento crítico ocorre, como um incêndio, a equipe da sala de controle consegue identificar o foco e acionar as viaturas de forma eficiente. No ano passado, por exemplo, conseguimos monitorar e combater incêndios de pequena proporção antes que se tornassem grandes, evitando danos maiores”, explica Cevalhos. “A segurança sempre foi nossa prioridade. Monitoramos aspectos como excesso de chuva, ondas de calor, ventos fortes, alagamentos, deslizamentos e incêndios, permitindo previsibilidade e planejamento”, ressalta.
O monitoramento começa ainda cedo, com um boletim de previsão sendo enviado por volta das 7h da manhã para todos os funcionários da CCR pelo aplicativo interno, que informa sobre as condições climáticas e potenciais riscos para o período.
“Se o boletim estiver com alertas amarelo ou vermelho, nosso alerta é acionado, e o Sistema de Monitoramento e Alerta Climatempo (SMAC), que opera em tempo real, começa a monitorar a situação”, diz.
Além do boletim diário, o SMAC também fornece previsões para os próximos dias, auxiliando a melhorar a tomada de decisão, permitindo que a equipe de controle tenha informações precisas sobre o comportamento do clima em cada trecho da rodovia.
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As rodovias são monitoradas por viaturas que percorrem o trecho 24 horas por dia. Elas atuam em segmentos específicos e identificam objetos na pista, como lixo, veículos quebrados, ou outros obstáculos.
“Quando identificamos um risco, a equipe de controle é acionada, e a solução é implementada com rapidez. O sistema também conta com câmeras de segurança, que ajudam a monitorar a situação em tempo real, apesar de serem limitadas pelo alcance, com a ajuda de outras ferramentas, conseguimos atuar de forma mais eficaz”, diz Cevalhos.
A CCR também trabalha na neutralização de emissões de carbono e o uso de energia renovável em todos os seus ativos. “Essas iniciativas não só contribuem para a sustentabilidade, mas também geram um impacto positivo na sociedade. Um dos principais objetivos é garantir que as rodovias e outros ativos da empresa possam operar de maneira segura e contínua, mesmo em situações de crise”, finaliza Dau.