China avança na exploração científica do fundo do Oceano Ártico
Missão mapeia cordilheira submarina a mais de 5 mil metros de profundidade em uma das regiões mais remotas do planeta
Uma expedição científica chinesa realizou uma exploração inédita em uma cordilheira submarina localizada no Oceano Ártico, uma das regiões mais remotas e menos conhecidas do planeta. A missão teve como foco o mapeamento do fundo do mar e a coleta de dados geológicos e oceanográficos sob o gelo polar.
O biólogo Alexander Turra, professor do Instituto Oceanográfico (IO) da USP e coordenador da Cátedra Unesco para a Sustentabilidade do Oceano da USP, comenta os avanços dessa pesquisa publicada na revista Nature. Ele ressalta que é uma das regiões mais remotas do planeta e a dificuldade na pesquisa é justamente a sua profundidade de 5.300 metros. Essa região tem placas tectônicas que afetam a vida e o meio ambiente nesse local. Os dados coletados vão contribuir para pesquisas sobre a movimentação das placas tectônicas, a história geológica da Terra e também para estudos ambientais, já que o Ártico é uma das regiões mais sensíveis ao aquecimento global.

A cordilheira explorada faz parte de um grande sistema montanhoso submerso que se estende por milhares de quilômetros no fundo do Ártico. Em alguns trechos, essas formações chegam a se elevar mais de 3 mil metros acima do fundo oceânico, ficando a poucas centenas de metros da superfície do mar.
Dificuldade de acesso
O professor da USP ressalta a dificuldade de acesso a um lugar tão inóspito. Como não existe luz, com isso não existe a fotossíntese e os organismos são obrigados a se alimentar de reações químicas.
A meta principal da ONU para os oceanos está nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS 14), Vida na Água, focado em conservar e usar de forma sustentável os oceanos, mares e recursos marinhos, com metas para 2030 que incluem reduzir poluição, proteger ecossistemas marinhos e costeiros, combater a acidificação e “conhecer os oceanos em 100% até 2030; só para se ter uma ideia, o conhecimento que se tem dos oceanos é de apenas 26 %”, explica Turra.
O Instituto Oceanográfico da USP procura ampliar e aprofundar as pesquisas para trazer estudos, mas reforçando sempre que o investimento no setor é fundamental para prosseguir com pesquisas em oceanos.
