{"id":99966,"date":"2019-01-30T10:00:54","date_gmt":"2019-01-30T13:00:54","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=99966"},"modified":"2019-01-29T23:03:03","modified_gmt":"2019-01-30T02:03:03","slug":"celulas-tronco-ajudam-a-recuperar-area-cerebral-danificada-por-avc","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/celulas-tronco-ajudam-a-recuperar-area-cerebral-danificada-por-avc\/","title":{"rendered":"C\u00e9lulas-tronco ajudam a recuperar \u00e1rea cerebral danificada por AVC"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/celula-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-99967\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/celula-1-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/celula-1-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/celula-1.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Pesquisadores conseguiram diminuir les\u00f5es provocadas por isquemia cerebral no c\u00e9rebro de camundongos usando c\u00e9lulas-tronco.<\/p>\n<p>Extra\u00eddas da medula \u00f3ssea dos animais, as c\u00e9lulas-tronco mesenquimais \u2013 que originam tecidos \u2013 estavam em um suporte feito de um material que n\u00e3o s\u00f3 permitiu a sobreviv\u00eancia e a multiplica\u00e7\u00e3o delas como impediu que migrassem para outras regi\u00f5es do c\u00e9rebro, como \u00e9 comum ocorrer quando implantadas diretamente na les\u00e3o.<\/p>\n<p>A t\u00e9cnica pode ajudar na recupera\u00e7\u00e3o de v\u00edtimas de acidente vascular cerebral (AVC) isqu\u00eamico, quando uma veia do c\u00e9rebro \u00e9 bloqueada (trombo) e a parte do c\u00e9rebro que deixa de ser irrigada tem morte de neur\u00f4nios. A isquemia pode causar sequelas graves, como perda de movimentos, e mesmo levar \u00e0 morte.<\/p>\n<p>Atualmente, h\u00e1 dois procedimentos poss\u00edveis para os pacientes que sofrem um AVC isqu\u00eamico. Um deles \u00e9 a terapia de recanaliza\u00e7\u00e3o intravascular (tromb\u00f3lise), em que \u00e9 aplicado um medicamento ativador de plasminog\u00eanio (rtPA) que desfaz o trombo. A outra op\u00e7\u00e3o \u00e9 um cateterismo para desobstruir mecanicamente o vaso, para o sangue ent\u00e3o voltar a circular.<\/p>\n<p>No entanto, as terapias s\u00f3 t\u00eam efic\u00e1cia se aplicadas em at\u00e9 quatro horas e meia ap\u00f3s o AVC. Depois disso, a morte celular \u00e9 irrevers\u00edvel. A nova t\u00e9cnica surge como uma possibilidade de tratamento mesmo depois desse intervalo.<\/p>\n<p>Resultados do estudo foram publicados na\u00a0<b><em>Nanomedicine: Nanotechnology, Biology, and Medicine<\/em><\/b>, em artigo que tem como primeira autora\u00a0<strong>Laura Zamproni<\/strong>\u00a0e \u00e9 parte de seu doutorado com\u00a0<strong>Bolsa da FAPESP\u00a0<\/strong>na Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (EPM-Unifesp), onde atualmente faz p\u00f3s-doutorado.<\/p>\n<p>Zamproni \u00e9 m\u00e9dica neurologista do Hospital S\u00e3o Paulo, da Unifesp. O trabalho no dia a dia despertou sua curiosidade para a pesquisa b\u00e1sica. \u201cO procedimento que existe hoje para isquemia tem benef\u00edcios, mas mesmo quando realizado dentro desse curto intervalo ainda pode deixar sequelas e algum d\u00e9ficit cognitivo\u201d, disse.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 a primeira vez que cientistas tentam usar c\u00e9lulas-tronco para recuperar uma \u00e1rea danificada do c\u00e9rebro de camundongos ou ratos. Nos ensaios anteriores, por\u00e9m, quando implantadas diretamente na les\u00e3o, quase nenhuma c\u00e9lula sobreviveu (0,005%). As que sobreviveram migraram para outras regi\u00f5es do c\u00e9rebro. Quando injetadas na corrente sangu\u00ednea, ficaram retidas nos rins ou nos pulm\u00f5es das cobaias.<\/p>\n<p>O que fez a diferen\u00e7a desta vez foi o uso de um material que, al\u00e9m de ser biocompat\u00edvel (n\u00e3o t\u00f3xico), aumenta a sobreviv\u00eancia das c\u00e9lulas-tronco e faz com que elas permane\u00e7am na \u00e1rea da les\u00e3o, diminuindo a inflama\u00e7\u00e3o. Depois de alguns meses, com a \u00e1rea em grande parte recuperada, o material \u00e9 totalmente absorvido pelo corpo.<\/p>\n<p>A novidade foi desenvolvida pelos engenheiros biom\u00e9dicos\u00a0<strong>Anderson de Oliveira Lobo<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>Fernanda Roberta Marciano<\/strong>, da Universidade Brasil. Ambos tiveram aux\u00edlio Jovem Pesquisador da FAPESP.<\/p>\n<p>A fibra que desenvolveram \u00e9 de um pol\u00edmero org\u00e2nico, o \u00e1cido polil\u00e1tico. Ela se forma quando colocada em um equipamento que aquece o material e gira em alta velocidade, como uma m\u00e1quina de algod\u00e3o-doce. O \u201calgod\u00e3o\u201d que se forma tem fibras altamente porosas.<\/p>\n<p>Para o estudo, as c\u00e9lulas-tronco mesenquimais foram retiradas da medula \u00f3ssea de camundongos e cultivadas em placa de Petri. Em seguida foram depositadas no material.<\/p>\n<p>\u201cQuando esse material contendo as c\u00e9lulas-tronco mesenquimais foi implantado em um c\u00e9rebro lesionado, a les\u00e3o ficou com um ter\u00e7o do tamanho que ficaria se n\u00e3o houvesse interven\u00e7\u00e3o\u201d, disse\u00a0<strong>Marim\u00e9lia Porcionatto<\/strong>, professora da EPM-Unifesp e coordenadora do estudo.<\/p>\n<p>\u201cAntes, realizamos v\u00e1rios testes para mostrar que as c\u00e9lulas n\u00e3o perdem caracter\u00edsticas biol\u00f3gicas, como diferencia\u00e7\u00e3o e prolifera\u00e7\u00e3o. Isso \u00e9 importante, pois n\u00e3o podemos usar como suporte um material que altere muito as caracter\u00edsticas da c\u00e9lula\u201d, disse Porcionatto.<\/p>\n<p>As fibras contendo as c\u00e9lulas-tronco foram ent\u00e3o colocadas sobre a les\u00e3o e acompanhadas por 30 dias. Os pesquisadores observaram que elas se d\u00e3o melhor no material do que na lam\u00ednula em que s\u00e3o normalmente cultivadas em laborat\u00f3rio.<\/p>\n<p>Testes mostraram que elas produzem mais uma citocina chamada CXCL12, que atrai as c\u00e9lulas para a regi\u00e3o. Al\u00e9m disso, produzem mais prote\u00ednas chamadas integrinas, que fazem as c\u00e9lulas-tronco aderirem \u00e0 \u00e1rea em que est\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 como se a c\u00e9lula-tronco mesenquimal estivesse produzindo um ambiente apropriado para ficar. Ainda n\u00e3o sabemos o que nesse material causa isso, mas \u00e9 muito interessante ver como um material n\u00e3o biol\u00f3gico interfere no comportamento da c\u00e9lula\u201d, disse Porcionatto.<\/p>\n<p>Os pesquisadores agora pretendem testar a t\u00e9cnica com c\u00e9lulas-tronco em traumatismo cr\u00e2nio-encef\u00e1lico, em que h\u00e1 perda de parte do c\u00e9rebro.<\/p>\n<p>\u201cHoje, quando se perde massa encef\u00e1lica, controla-se a hemorragia e se faz uma cirurgia, mas o que perdeu est\u00e1 perdido. N\u00e3o tem como melhorar. Esse poderia ser um novo tratamento\u201d, disse Zamproni.<\/p>\n<p>Para isso, os pesquisadores querem usar bioimpress\u00e3o, recriando a parte perdida do c\u00e9rebro no mesmo formato com uma impressora 3D. Para isso, buscam encontrar outro biomaterial que possa tamb\u00e9m ser moldado, al\u00e9m de ter as propriedades do \u00e1cido polil\u00e1tico.<\/p>\n<p>O artigo\u00a0<em>Rotary jet-spun porous microfibers as scaffolds for stem cells delivery to central nervous system injury\u00a0<\/em>(doi: 10.1016\/j.nano.2018.08.014), de Laura N. Zamproni, Marco A. Grinet, Mayara V. Mundim, Marcella B. Reis, Layla T. Galindo, Fernanda R. Marciano, Anderson O. Lobo e Marimelia Porcionatto, est\u00e1 dispon\u00edvel em\u00a0<b>www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S1549963418305203<\/b>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisadores conseguiram diminuir les\u00f5es provocadas por isquemia cerebral no c\u00e9rebro de camundongos usando c\u00e9lulas-tronco. Extra\u00eddas<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":99967,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/celula-1.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/celula-1-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/celula-1-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/celula-1.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/celula-1.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/celula-1.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/celula-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/celula-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/celula-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/celula-1.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Pesquisadores conseguiram diminuir les\u00f5es provocadas por isquemia cerebral no c\u00e9rebro de camundongos usando c\u00e9lulas-tronco. Extra\u00eddas","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/99966"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=99966"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/99966\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/99967"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=99966"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=99966"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=99966"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}