{"id":99771,"date":"2019-01-27T11:00:27","date_gmt":"2019-01-27T14:00:27","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=99771"},"modified":"2019-01-26T22:23:48","modified_gmt":"2019-01-27T01:23:48","slug":"como-fazer-uma-horta-na-lua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/como-fazer-uma-horta-na-lua\/","title":{"rendered":"Como fazer uma horta na Lua"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/estufa.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-99772\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/estufa-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/estufa-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/estufa.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Em 2019,\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/01\/15\/ciencia\/1547542171_994570.html\">uma planta come\u00e7ou a crescer pela primeira vez na Lua<\/a>. Um broto nasceu de uma semente de algod\u00e3o enviada pela China em uma biosfera em miniatura, juntamente com sementes de outros vegetais e ovos de mosca das frutas na sonda Chang\u2019e 4. A vida ef\u00eamera da planta, que durou algumas horas, n\u00e3o oferecer\u00e1 muita informa\u00e7\u00e3o sobre o desenvolvimento vegetal nas condi\u00e7\u00f5es da gravidade lunar, mas \u00e9 mais um passo para possibilitar a etapa seguinte da explora\u00e7\u00e3o espacial depois da retirada da Esta\u00e7\u00e3o Espacial Internacional (ISS). Uma futura col\u00f4nia na Lua, que a China j\u00e1 planeja para a d\u00e9cada de 2030, precisar\u00e1 de seus pr\u00f3prios alimentos.<\/p>\n<div id=\"elpais_gpt-INTEXT\" data-google-query-id=\"CL6UmbjjjOACFcl-wQodIUQMww\"><\/div>\n<p>Desde que cosmonautas russos conseguiram fazer crescer, em 1982, uma planta de\u00a0<em>Arabidopsis thaliana<\/em>, um tipo de erva, a bordo da esta\u00e7\u00e3o espacial Salyut 7, as tecnologias para cultivar vegetais no espa\u00e7o n\u00e3o pararam de avan\u00e7ar. Em 2015, astronautas norte-americanos comeram pela primeira vez de forma oficial uma alface cultivada a bordo da ISS. Os cosmonautas russos v\u00eam consumindo parte de sua colheita desde 2003.<\/p>\n<section id=\"sumario_1|apoyos\" class=\"sumario_apoyos derecha\">\n<div class=\"sumario__interior\"><\/div>\n<\/section>\n<p>Para dar o pr\u00f3ximo passo, v\u00e1rios grupos de pesquisa do mundo todo est\u00e3o levando a cabo projetos para recriar o terreno marciano ou o da Lua, prever e resolver os problemas que os astronautas agricultores encontrar\u00e3o. Wieger Wamelink, pesquisador da Universidade de Wageningen (Holanda), \u00e9 um desses pesquisadores. \u201cPor um lado, poderiam ser feitos cultivos hidrop\u00f4nicos em infraestruturas subterr\u00e2neas. Acredito que poder\u00edamos fazer isso se tiv\u00e9ssemos os recursos necess\u00e1rios, e n\u00e3o seria muito dif\u00edcil\u201d, explica Wamelink. No entanto, esse sistema, que n\u00e3o necessitaria de solo e forneceria \u00e0s plantas seus nutrientes dissolvidos em \u00e1gua, requer uma maior quantidade de energia e n\u00e3o permitiria o cultivo de alimentos b\u00e1sicos, como as batatas. Por isso, deveriam ser combinadas as duas t\u00e9cnicas. \u201cAs batatas rendem muito mais do que, por exemplo, o arroz, elas s\u00e3o muito importantes\u201d, destaca Wamelink.<\/p>\n<p>O cultivo no solo da Lua requer uma adapta\u00e7\u00e3o. Por enquanto, em solos lunares simulados, \u201cobtivemos colheitas equivalentes a 50% das conseguidas em solo terrestre\u201d, assinala. \u201cAcredito que um dos problemas seja a quantidade de alum\u00ednio existente no solo da Lua, que \u00e9 t\u00f3xico para as plantas\u201d, acrescenta. Uma das formas de reduzir esse problema seria acrescentar mat\u00e9ria org\u00e2nica, que poderia ser obtida das fezes dos astronautas e dos restos de plantas que n\u00e3o se consumissem.<\/p>\n<p>Outra dificuldade para cultivar vegetais na Lua \u00e9 que seu solo \u00e9 muito \u00e1spero. Na Terra, a \u00e1gua e o vento desgastam as part\u00edculas e as deixam mais arredondadas, mas na Lua n\u00e3o existem esses fen\u00f4menos. Como as part\u00edculas lunares s\u00e3o mais afiadas, elas causam vazamentos nas ra\u00edzes das plantas, que crescem pior. Al\u00e9m disso, tanto na Lua como em Marte, os futuros colonos sentir\u00e3o falta de nitrog\u00eanio no solo. \u201cEm Marte e na Lua, o solo tem quase todos os nutrientes de que necessitam os vegetais, s\u00f3 n\u00e3o tem nitrog\u00eanio\u201d, aponta Wamelink. Na Terra, esse elemento vem da mat\u00e9ria org\u00e2nica que na Lua deveria ser acrescentada, entre outras coisas, pela reciclagem das fezes e da urina dos astronautas, que, principalmente no in\u00edcio, seriam a principal fonte de nitrog\u00eanio. \u201cDepois que tiv\u00e9ssemos nitrog\u00eanio no sistema, procurar\u00edamos recicl\u00e1-lo\u201d, diz ele.<\/p>\n<p>Juntamente com os astronautas, deveriam ser levados nas viagens de coloniza\u00e7\u00e3o animais que colaborariam com o cultivo. Al\u00e9m das bact\u00e9rias para produzir nitrog\u00eanio utiliz\u00e1vel pelas plantas, seria necess\u00e1ria uma certa quantidade de minhocas de distintas esp\u00e9cies para come\u00e7ar a processar a mat\u00e9ria org\u00e2nica e criar com ela um solo f\u00e9rtil. \u201cTamb\u00e9m precisar\u00edamos de insetos, besouros, para fertilizar as plantas\u201d, assinala Wamelink. \u201cAs abelhas podem fazer isso, mas em estufas vimos que fazem essa tarefa e morrem. Os besouros sobrevivem e se reproduzem. Al\u00e9m disso, para uma jornada de meio ano como a viagem para Marte, podemos mant\u00ea-los em estado de hiberna\u00e7\u00e3o e depois acord\u00e1-los\u201d, conclui.<\/p>\n<p>Antes que cheguem astronautas, Bernard Foing, diretor do Grupo de Trabalho para a Explora\u00e7\u00e3o Lunar da Ag\u00eancia Espacial Europeia em Noordwijk (Holanda), considera que ser\u00e3o necess\u00e1rios outros experimentos robotizados que ponham em pr\u00e1tica, no terreno, as li\u00e7\u00f5es aprendidas nos laborat\u00f3rios da Terra. \u201cChina, \u00cdndia e Israel s\u00e3o alguns dos pa\u00edses que preveem enviar miss\u00f5es \u00e0 Lua em um futuro pr\u00f3ximo e poderiam incorporar experimentos que v\u00e3o al\u00e9m dos que a Chang\u2019e 4 tentou fazer\u201d, aponta Foing.<\/p>\n<p>Um dos problemas da sonda chinesa \u00e9 que a chegada da noite lunar, que dura mais de doze dias terrestres e faz a temperatura cair para menos de -150 graus, acabou com todos os seres vivos do experimento. \u201cNo polo, h\u00e1 lugares onde no ver\u00e3o h\u00e1 luz o tempo todo e no inverno, 80% do tempo\u201d, assinala Foing. \u201cL\u00e1 poderiam ser feitos experimentos de acompanhamento de organismos dentro de uma minibiosfera durante v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es\u201d, acrescenta. \u201cAssim, poder\u00edamos aprender quais plantas se desenvolvem melhor na Lua\u201d, conclui.<\/p>\n<p>Um dos elementos fundamentais para cultivar alimentos na Lua \u00e9 a \u00e1gua, que pode ser encontrada em quantidades significativas, principalmente em algumas regi\u00f5es. O gelo tamb\u00e9m poderia tornar sustent\u00e1vel uma col\u00f4nia lunar, e n\u00e3o s\u00f3 como um recurso para regar as plantas. \u201cTeria muito valor para fabricar combust\u00edvel para foguetes e poderia servir para abastecer uma esta\u00e7\u00e3o de distribui\u00e7\u00e3o de combust\u00edvel em \u00f3rbita terrestre, que seria \u00fatil para prolongar o per\u00edodo de opera\u00e7\u00e3o de sat\u00e9lites. Isso teria muito valor econ\u00f4mico e poderia ajudar a tornar uma base sustent\u00e1vel\u201d, assinala.<\/p>\n<p>\u00c0 espera de novas sondas que cheguem \u00e0 Lua, neste momento o sat\u00e9lite EuCROPIS, lan\u00e7ado ao espa\u00e7o no fim do ano passado, est\u00e1 testando os efeitos de cultivar tomates nas condi\u00e7\u00f5es de gravidade da Lua, usando urina humana como fertilizante. Esse tipo de experi\u00eancia ser\u00e1 cada vez mais frequentes se, como parece, as pot\u00eancias espaciais come\u00e7arem a pensar seriamente em instalar uma base permanente em nosso sat\u00e9lite.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 2019,\u00a0uma planta come\u00e7ou a crescer pela primeira vez na Lua. 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