{"id":99654,"date":"2019-01-25T12:00:40","date_gmt":"2019-01-25T15:00:40","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=99654"},"modified":"2019-01-24T21:22:41","modified_gmt":"2019-01-25T00:22:41","slug":"biotecnologia-pode-reduzir-custos-da-producao-de-papel-diz-pesquisadores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/biotecnologia-pode-reduzir-custos-da-producao-de-papel-diz-pesquisadores\/","title":{"rendered":"Biotecnologia pode reduzir custos da produ\u00e7\u00e3o de papel, diz pesquisadores"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/papel.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-99655\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/papel-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/papel-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/papel.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Com apoio do programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE) e do Programa de Apoio \u00e0 Pesquisa em Empresas (PAPPE-Subven\u00e7\u00e3o), a Verdartis, empresa especializada em\u00a0<a href=\"https:\/\/exame.abril.com.br\/noticias-sobre\/biotecnologia\"><strong>biotecnologia<\/strong><\/a>, desenvolveu um processo de produ\u00e7\u00e3o de enzimas (prote\u00ednas que desempenham a fun\u00e7\u00e3o de catalisadores) capazes de tornar o processo de refino de celulose mais sustent\u00e1vel, reduzindo o impacto ambiental da produ\u00e7\u00e3o de papel.<\/p>\n<p>Marcos Lourenzoni e \u00c1lvaro de Baptista Neto, pesquisadores e s\u00f3cios da empresa, instalada no Centro de Neg\u00f3cios do Parque de Inova\u00e7\u00e3o e Tecnologia Supera, em Ribeir\u00e3o Preto, explicam que, no processo de produ\u00e7\u00e3o de papel, a pasta de celulose, obtida no processo f\u00edsico-qu\u00edmico Kraft a partir de cavacos de madeira, passa por refinadores que provocam mudan\u00e7as estruturais nas fibras, tornando-as mais flex\u00edveis. Esse processo \u00e9 mec\u00e2nico e, por isso, consome uma consider\u00e1vel quantidade de energia el\u00e9trica. A a\u00e7\u00e3o das enzimas ajuda a degradar as fibras de celulose, acelera o processo e diminui, assim, a energia el\u00e9trica gasta na produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Segundo uma avalia\u00e7\u00e3o realizada no Laborat\u00f3rio de Celulose e Papel da Universidade Federal de Vi\u00e7osa, em Minas Gerais, a mistura das enzimas produzidas pela Verdartis leva \u00e0 redu\u00e7\u00e3o de cerca de 30% no consumo de energia gasto na etapa de refino.<\/p>\n<p>A startup concluiu o projeto PIPE em abril de 2017, chegando ao desenvolvimento do processo produtivo de variantes melhoradas de enzimas celulases e xilanases que, misturadas em diferentes propor\u00e7\u00f5es, podem atuar tanto no refino da fibra virgem de celulose quanto no refino de celulose proveniente do papel reciclado.<\/p>\n<div class=\"ad-content\"><\/div>\n<p>Segundo Lourenzoni, o plano \u00e9 buscar o apoio da FAPESP tamb\u00e9m para o desenvolvimento do escalonamento da produ\u00e7\u00e3o. O objetivo dos s\u00f3cios \u00e9 colocar no mercado uma alternativa nacional \u00e0s enzimas produzidas no exterior. \u201cExiste uma alta demanda por esse produto e n\u00e3o h\u00e1 produ\u00e7\u00e3o nacional: as enzimas utilizadas atualmente s\u00e3o importadas\u201d, diz Baptista.<\/p>\n<p>Lourenzoni explica que o processo de refino depende do tipo de papel que se deseja obter e do tipo de madeira utilizada em sua produ\u00e7\u00e3o. Nesse \u00faltimo aspecto, o uso de enzimas produzidas fora do pa\u00eds apresenta um problema: s\u00e3o desenvolvidas para um processo de fabrica\u00e7\u00e3o que utiliza madeira de con\u00edferas, enquanto no Brasil a \u00e1rvore mais utilizada pela ind\u00fastria de papel e celulose \u00e9 o eucalipto \u2013 para o qual a enzima importada n\u00e3o se mostra t\u00e3o eficiente. A Verdartis, segundo ele, aposta exatamente na customiza\u00e7\u00e3o para atrair os clientes.<\/p>\n<h3>Evolu\u00e7\u00e3o dirigida<\/h3>\n<p>A empresa j\u00e1 tinha contado com o\u00a0<a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/28810\/desenvolvimento-de-enzimas-para-biobranqueamento-de-celulose-servico-de-personalizacao-de-enzimas-a\/\" target=\"_blank\">apoio do PIPE da FAPESP<\/a>\u00a0para desenvolver tecnologia batizada com o nome de Persozyme, baseada no processo denominado \u201cevolu\u00e7\u00e3o dirigida\u201d, que mimetiza in vitro a evolu\u00e7\u00e3o da biodiversidade natural e permite a sele\u00e7\u00e3o de enzimas com caracter\u00edsticas predefinidas.<\/p>\n<p>Nesse projeto, as enzimas personalizadas foram desenvolvidas para o processo de branqueamento da polpa de celulose. Lourenzoni explica que a polpa entra nesse processo com colora\u00e7\u00e3o marrom, devido \u00e0 lignina residual. Para obter a celulose branca, os fabricantes precisam usar grandes quantidades de di\u00f3xido de cloro, um alvejante t\u00f3xico que reage com a lignina, quebrando-a em mol\u00e9culas menores, a fim de extra\u00ed-la.<\/p>\n<p>A enzima tem a fun\u00e7\u00e3o de facilitar o acesso desses compostos \u00e0 lignina e, assim, reduzir a quantidade de di\u00f3xido de cloro utilizado na produ\u00e7\u00e3o, o que resulta em ganhos ambientais e financeiros. \u201cA utiliza\u00e7\u00e3o da enzima permite a redu\u00e7\u00e3o de cerca de 25% na utiliza\u00e7\u00e3o de di\u00f3xido de cloro\u201d, afirma o pesquisador.<\/p>\n<p>Na pesquisa e desenvolvimento da Persozyme, al\u00e9m de outros cinco projetos financiados pelo programa PIPE (clique aqui para ver a lista de projetos apoiados), a empresa tamb\u00e9m contou com o apoio do Departamento de Qu\u00edmica da Faculdade de Filosofia, Ci\u00eancias e Letras da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) de Ribeir\u00e3o Preto. Essa parceria, ali\u00e1s, foi o que estimulou a constitui\u00e7\u00e3o da empresa, em 2007.<\/p>\n<p>\u201cO professor Richard Ward trabalhava, na \u00e9poca, com enzimas para atuar em altas temperaturas e queria avan\u00e7ar nas pesquisas que eram feitas na universidade. Optamos por abrir uma empresa de biotecnologia: eu tinha conhecimento de bioinform\u00e1tica; o \u00c1lvaro Baptista, de produ\u00e7\u00e3o, e o Richard Ward, de biologia molecular. Nesse momento tamb\u00e9m tivemos apoio da empresa Suzano Papel e Celulose, com amostras para testes e orienta\u00e7\u00f5es sobre o processo\u201d, diz Lourenzoni. Hoje, o professor Ward atua como consultor da Verdartis.<\/p>\n<p>Em 2010, os resultados com a produ\u00e7\u00e3o de enzimas personalizadas para branqueamento de celulose renderam \u00e0 Verdartis o primeiro lugar no Pr\u00eamio Abiquim de Tecnologia, conferido pela Associa\u00e7\u00e3o Brasileira da Ind\u00fastria Qu\u00edmica na categoria \u201cEmpresa Nascente\u201d. Mas esse reconhecimento n\u00e3o tornou a empresa imune \u00e0s crises enfrentadas pelo setor. \u201cPor volta de 2011, o custo da \u00e1gua ficou muito alto e as empresas de celulose come\u00e7aram a usar menos \u00e1gua na lavagem, o que limitou a utiliza\u00e7\u00e3o da enzima para o branqueamento, pois o processo requer uma lavagem eficiente\u201d, lembra Baptista.<\/p>\n<p>A sa\u00edda para a Verdartis foi \u201cpivotar\u201d, e redirecionar o modelo de neg\u00f3cio. Decidiu ent\u00e3o iniciar novas pesquisas direcionadas \u00e0 etapa do refino. Agora, com o produto destinado ao refino j\u00e1 desenvolvido e prestes a ingressar no mercado em escala industrial, a Verdartis tem planos de retomar a produ\u00e7\u00e3o de enzimas voltadas ao processo de branqueamento de papel. \u201cVamos investir agora nas duas frentes\u201d, diz Lourenzoni.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com apoio do programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE) e do Programa de Apoio<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":99655,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/papel.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/papel-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/papel-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/papel.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/papel.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/papel.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/papel.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/papel.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/papel.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/papel.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Com apoio do programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE) e do Programa de Apoio","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/99654"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=99654"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/99654\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/99655"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=99654"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=99654"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=99654"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}