{"id":99494,"date":"2019-01-22T10:11:07","date_gmt":"2019-01-22T13:11:07","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=99494"},"modified":"2019-01-22T10:10:04","modified_gmt":"2019-01-22T13:10:04","slug":"a-importancia-das-pequenas-plantas-do-cerrado-na-protecao-do-solo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/a-importancia-das-pequenas-plantas-do-cerrado-na-protecao-do-solo\/","title":{"rendered":"A import\u00e2ncia das pequenas plantas do Cerrado na prote\u00e7\u00e3o do solo"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/plantas-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-99495\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/plantas-1-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/plantas-1-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/plantas-1.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>\u201cAs pessoas s\u00f3 d\u00e3o valor para aquilo que conhecem.\u201d Foi este pensamento que inspirou a pesquisadora\u00a0<a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/8008\" target=\"_blank\"><b>Giselda Durigan<\/b><\/a>\u00a0a coordenar a empreitada coletiva que resultou no livro\u00a0<b><i><a href=\"http:\/\/arquivo.ambiente.sp.gov.br\/publicacoes\/2018\/12\/plantaspequenasdocerrado.pdf\" target=\"_blank\">Plantas pequenas do Cerrado: biodiversidade negligenciada<\/a><\/i><\/b>.<\/p>\n<p>Com 720 p\u00e1ginas, quase todas ilustradas com deslumbrantes fotos coloridas, o livro apresenta um levantamento exaustivo das plantas de pequeno porte, que s\u00e3o o sustent\u00e1culo do Cerrado.<\/p>\n<p>Destinada \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o gratuita para bibliotecas, institutos de pesquisa e estudiosos, e tamb\u00e9m disponibilizada em arquivo PDF aberto para todos os interessados, a obra teve sua publica\u00e7\u00e3o financiada pela Secretaria do Meio Ambiente do Estado de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Durigan, pesquisadora do Instituto Florestal do Estado de S\u00e3o Paulo, explica que a publica\u00e7\u00e3o \u00e9 resultado de quase uma d\u00e9cada de trabalho a v\u00e1rias m\u00e3os, que se iniciou com uma pesquisa de doutorado sobre o impacto da invas\u00e3o das fisionomias campestres do Cerrado por \u00e1rvores de pinus e ganhou corpo ao longo de tr\u00eas outras pesquisas apoiadas pela FAPESP.<\/p>\n<p>Foram elas: \u201c<a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/153520\" target=\"_blank\"><b>Avalia\u00e7\u00e3o do potencial de remanescentes naturais como fontes de prop\u00e1gulos para a restaura\u00e7\u00e3o de fisionomias campestres de cerrado<\/b><\/a>\u201d; \u201c<a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/85028\" target=\"_blank\"><b>Invas\u00e3o do campo cerrado por braqui\u00e1ria (<i>Urochloa decumbens<\/i>): perdas de diversidade e experimenta\u00e7\u00e3o de t\u00e9cnicas de restaura\u00e7\u00e3o<\/b><\/a>\u201d; e \u201c<a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/168582\/\" target=\"_blank\"><b>Efeito da queima prescrita e da geada sobre a diversidade e estrutura do estrato herb\u00e1ceo-arbustivo do Cerrado<\/b><\/a>\u201d.<\/p>\n<p>\u201cQuando nos engajamos nessas pesquisas, percebemos que o grande impacto causado pelas invas\u00f5es biol\u00f3gicas [\u00a0<i>Saiba mais em\u00a0<a href=\"http:\/\/agencia.fapesp.br\/uma-vez-degradado-o-cerrado-nao-se-regenera-naturalmente\/27156\/\" target=\"_blank\"><b>agencia.fapesp.br\/27156\/<\/b><\/a><\/i>] e pela supress\u00e3o do fogo [<i>Mais informa\u00e7\u00f5es em\u00a0<a href=\"http:\/\/agencia.fapesp.br\/proibicao-do-uso-do-fogo-provocou-enorme-perda-de-biodiversidade-no-cerrado\/26325\/\" target=\"_blank\"><b>agencia.fapesp.br\/26325\/<\/b><\/a><\/i>] n\u00e3o se dava sobre \u00e1rvores, mas sobre as plantas pequenas do campo. E isso constituiu um enorme desafio, porque a nomenclatura e a classifica\u00e7\u00e3o dessas plantas eram largamente desconhecidas. Eu tinha passado toda a minha vida profissional olhando para cima, para as \u00e1rvores. Tive, ent\u00e3o, que olhar para baixo, e com muito respeito\u201d, disse Durigan \u00e0\u00a0<b>Ag\u00eancia FAPESP<\/b>.<\/p>\n<p>Professora em programas de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancia Florestal na Universidade Estadual Paulista (Unesp) e em Ecologia na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), ela estuda o Cerrado h\u00e1 mais de 30 anos.<\/p>\n<p>O grupo que coordenou na feitura do livro foi constitu\u00eddo por suas alunas\u00a0<a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/176254\/\" target=\"_blank\"><b>Natashi Aparecida Lima Pilon<\/b><\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/82326\/\" target=\"_blank\"><b>Geissianny Bess\u00e3o de Assis<\/b><\/a>, e por seus colegas\u00a0<a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/33860\/\" target=\"_blank\"><b>Flaviana Maluf de Souza<\/b><\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/3482\/\" target=\"_blank\"><b>Jo\u00e3o Batista Baitello<\/b><\/a>.<\/p>\n<p>\u201cO que chamamos de \u2018plantas pequenas\u2019 s\u00e3o esp\u00e9cies que se tornam adultas e capazes de se reproduzir com menos de 2 metros de altura. Foi um crit\u00e9rio arbitr\u00e1rio que adotamos. Come\u00e7amos coletando essas plantas, e inventando nomes provis\u00f3rios para elas, enquanto corr\u00edamos atr\u00e1s de pessoas que pudessem nos ajudar na identifica\u00e7\u00e3o\u201d, contou Durigan.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o foi nada f\u00e1cil encontrar essas pessoas, conta a pesquisadora. Simplesmente, n\u00e3o havia especialistas em plantas pequenas. Foi preciso recorrer a manuais, monografias, livros antigos e ao famoso\u00a0<i>Dicion\u00e1rio das Plantas \u00dateis do Brasil<\/i>, em seis volumes, publicado por Manoel Pio Corr\u00eaa no in\u00edcio do s\u00e9culo passado.<\/p>\n<p>\u201cEncontramos plantas que nunca tinham sido registradas no Estado de S\u00e3o Paulo e outras que n\u00e3o eram coletadas h\u00e1 v\u00e1rias d\u00e9cadas. Mas n\u00e3o achamos nenhuma esp\u00e9cie nova, desconhecida pela ci\u00eancia. Todas j\u00e1 tinham seus nomes cient\u00edficos. Por\u00e9m, foi uma busca tremenda descobrir os nomes populares. Muitas das plantas que encontramos estavam classificadas como \u2018daninhas\u2019 nesses livros antigos, porque a perspectiva adotada era a de quem queria cultivar o Cerrado com pastagens ou agricultura\u201d, disse Durigan.<\/p>\n<p>Um termo curioso encontrado foi o \u201cmata-pasto\u201d, que nomeava nada menos do que sete esp\u00e9cies diferentes, todas elas muito resistentes. Como essas plantas rebrotam in\u00fameras vezes depois de cortadas, eram consideradas daninhas. E o nome popular que receberam invertia a ordem cronol\u00f3gica, como se o pasto tivesse aparecido antes e as plantas surgissem depois para atrapalhar, quando havia sido exatamente o contr\u00e1rio.<\/p>\n<p>\u201cO que as pessoas n\u00e3o entendiam \u2013 e temos feito um esfor\u00e7o enorme para esclarecer \u2013 \u00e9 que essas plantas de pequeno porte s\u00e3o fundamentais para a sobreviv\u00eancia do Cerrado e da extraordin\u00e1ria riqueza que ele possui em termos de recursos h\u00eddricos e biodiversidade\u201d, disse Durigan.<\/p>\n<p>\u201cFala-se em desmatamento quando ocorre corte de \u00e1rvores. Mas, se as plantas pequenas s\u00e3o erradicadas, todo o equil\u00edbrio do Cerrado se rompe. E isso est\u00e1 acontecendo sem o menor impedimento porque a legisla\u00e7\u00e3o n\u00e3o protege a vegeta\u00e7\u00e3o que n\u00e3o tem \u00e1rvores. Al\u00e9m disso, essa vegeta\u00e7\u00e3o nem sequer aparece nos mapas, dadas as limita\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas para diferenci\u00e1-la de pastagens ou agricultura em imagens de sat\u00e9lite\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p><b>Seis plantas pequenas para uma \u00e1rvore<\/b><\/p>\n<p>Durigan destaca que s\u00e3o as plantas pequenas que cobrem o solo, prevenindo a eros\u00e3o pela chuva ou pelo vento.<\/p>\n<p>\u201cElas possuem um emaranhado de ra\u00edzes, facilitando a infiltra\u00e7\u00e3o da \u00e1gua no solo e garantindo a sa\u00fade do ecossistema e a manuten\u00e7\u00e3o dos mananciais que alimentam os rios. Para ser savana, o Cerrado precisa possuir as duas camadas: a camada de \u00e1rvores esparsas a meia altura e a camada de plantas pequenas cobrindo o solo\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Segundo os autores do livro, a propor\u00e7\u00e3o \u00e9 de seis esp\u00e9cies de plantas pequenas para cada esp\u00e9cie de \u00e1rvore. Das 12.734 esp\u00e9cies vegetais que comp\u00f5em o Cerrado, mais de 10 mil correspondem a plantas pequenas. Elas est\u00e3o amea\u00e7adas pelo adensamento das copas das \u00e1rvores, resultante do manejo inadequado, e pela invas\u00e3o por esp\u00e9cies ex\u00f3ticas, como o pinus e a braqui\u00e1ria.<\/p>\n<p>O objetivo do livro \u00e9 encantar os leitores com a beleza dessas plantas pequenas. E conscientiz\u00e1-los acerca da necessidade de sua preserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O livro pode ser acessado integralmente em\u00a0<a href=\"http:\/\/arquivo.ambiente.sp.gov.br\/publicacoes\/2018\/12\/plantaspequenasdocerrado.pdf\" target=\"_blank\"><b>http:\/\/arquivo.ambiente.sp.gov.br\/publicacoes\/2018\/12\/plantaspequenasdocerrado.pdf<\/b><\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cAs pessoas s\u00f3 d\u00e3o valor para aquilo que conhecem.\u201d Foi este pensamento que inspirou a<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":99495,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/plantas-1.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/plantas-1-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/plantas-1-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/plantas-1.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/plantas-1.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/plantas-1.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/plantas-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/plantas-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/plantas-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/plantas-1.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"\u201cAs pessoas s\u00f3 d\u00e3o valor para aquilo que conhecem.\u201d Foi este pensamento que inspirou a","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/99494"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=99494"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/99494\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/99495"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=99494"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=99494"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=99494"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}