{"id":9938,"date":"2014-11-06T16:00:10","date_gmt":"2014-11-06T16:00:10","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=9938"},"modified":"2014-11-06T15:04:41","modified_gmt":"2014-11-06T15:04:41","slug":"os-combustiveis-fosseis-sao-fortes-candidatos-a-ocupar-o-epicentro-de-uma-nova-crise-financeira-global","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/os-combustiveis-fosseis-sao-fortes-candidatos-a-ocupar-o-epicentro-de-uma-nova-crise-financeira-global\/","title":{"rendered":"Os combust\u00edveis f\u00f3sseis podem ocupar o epicentro de uma nova crise financeira global"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/bolha_co2.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-9939\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/bolha_co2.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"265\" \/><\/a>Por Ricardo Abramovay*<\/p>\n<p>A avalia\u00e7\u00e3o do jornalista Ambrose Evans-Pritchard est\u00e1 baseada em uma s\u00e9rie de entrevistas com influentes protagonistas do setor de energia e em dois relat\u00f3rios recentes sobre os impactos das negocia\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas sobre estes mercados. Tendo em vista que, do trilh\u00e3o de reais que, segundo o BNDES, devem ser investidos em infraestrutura no Brasil at\u00e9 2017, quase metade vai para o setor de \u00f3leo e g\u00e1s, o tema \u00e9 de interesse estrat\u00e9gico para o Pa\u00eds.<\/p>\n<p>O primeiro relat\u00f3rio \u00e9 o da Carbon Track Initiative, um grupo de trabalho dirigido pelo empres\u00e1rio, pesquisador e ativista Jeremy Leggett e que ganhou imenso prest\u00edgio internacional mostrando a exist\u00eancia de uma bolha de carbono (carbon bubble) no mercado global de energia. A express\u00e3o tem um duplo sentido, f\u00edsico e financeiro. A bolha f\u00edsica est\u00e1 relacionada, evidentemente, \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica. Para cumprir o objetivo de limitar a eleva\u00e7\u00e3o da temperatura global m\u00e9dia a, no m\u00e1ximo, 2\u00b0C, at\u00e9 o final do S\u00e9culo 21, a quantidade de f\u00f3sseis a ser queimada pelo sistema econ\u00f4mico n\u00e3o pode ultrapassar o que corresponde \u00e0 emiss\u00e3o de algo entre 900 e 1.000 gigatoneladas de Gases de Efeito Estufa entre 2010 e 2050. Ocorre que o patrim\u00f4nio f\u00f3ssil em m\u00e3os das empresas (em petr\u00f3leo, carv\u00e3o e g\u00e1s) \u00e9 quase tr\u00eas vezes superior a esse limite.<\/p>\n<p>\u00c9 nesse sentido que h\u00e1 uma bolha de carbono: este patrim\u00f4nio s\u00f3 se converter\u00e1 em riqueza se destruir o sistema clim\u00e1tico. Em tese, seria poss\u00edvel capturar e armazenar o carbono lan\u00e7ado na atmosfera: mas, at\u00e9 hoje, os custos dessas opera\u00e7\u00f5es s\u00e3o exorbitantes e n\u00e3o h\u00e1 indica\u00e7\u00f5es de que estejam prestes a se tornar economicamente vi\u00e1veis. Portanto, n\u00e3o h\u00e1 terceiro caminho: ou se deixa sob o solo dois ter\u00e7os das reservas f\u00f3sseis em poder dos gigantes da energia ou a eleva\u00e7\u00e3o da temperatura global m\u00e9dia chegar\u00e1 a um patamar em que consequ\u00eancias como a seca atual na Calif\u00f3rnia e os furac\u00f5es Katrina e Sandy s\u00e3o apenas p\u00e1lidas express\u00f5es.<\/p>\n<p>\u00c9 a\u00ed que ganha import\u00e2ncia a dimens\u00e3o financeira da bolha de carbono: apesar das evid\u00eancias crescentes reunidas pelos cientistas e do acordo internacional (aprovado em 2010, em Canc\u00fan, M\u00e9xico) de manter a eleva\u00e7\u00e3o da temperatura aqu\u00e9m de 2\u00b0C, grandes empresas e seus financiadores continuam enxergando nos f\u00f3sseis uma extraordin\u00e1ria fonte potencial de ganhos.<\/p>\n<p>A Ag\u00eancia Internacional de Energia mostra que, globalmente, os investimentos em combust\u00edveis f\u00f3sseis dobraram entre 2000 e 2008, quando se estabilizaram em um patamar de US$ 950 bilh\u00f5es por ano. Isso representa, segundo recente relat\u00f3rio da organiza\u00e7\u00e3o Ceres, 3,3 vezes mais do que os investimentos em renov\u00e1veis realizados em 2012. Nos \u00faltimos seis anos, os gastos globais na busca de f\u00f3sseis foram de US$ 5,4 trilh\u00f5es. Praticamente todo esse investimento \u00e9 feito em fontes n\u00e3o convencionais: areias betuminosas (sobretudo no Canad\u00e1), explora\u00e7\u00e3o no \u00c1rtico, g\u00e1s de xisto e busca em \u00e1guas profundas no Brasil e no Golfo do M\u00e9xico. Essas fontes n\u00e3o convencionais exigem um esfor\u00e7o (e, portanto, t\u00eam um custo) muito maior que as convencionais. Elas s\u00f3 se viabilizam se o pre\u00e7o global do petr\u00f3leo superar um patamar em torno de US$ 75 o barril.<\/p>\n<p>Mas, se houver um acordo internacional para impedir a ruptura do sistema clim\u00e1tico, a consequ\u00eancia ser\u00e1 a queda na demanda e, portanto, nos pre\u00e7os dos f\u00f3sseis. O crescimento exponencial das energias renov\u00e1veis (a China dobrou sua gera\u00e7\u00e3o solar nos primeiros seis meses de 2014, relativamente ao mesmo per\u00edodo do ano anterior) tamb\u00e9m deve resultar em menor demanda por f\u00f3sseis. Portanto, o risco financeiro em torno dessa corrida \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de f\u00f3sseis \u00e9 imenso.<\/p>\n<p>O segundo relat\u00f3rio citado por Ambrose Evans-Pritchard e no qual se apoia a hip\u00f3tese de crise financeira global, vem da consultoria Kepler Cheuvreux. Ele calcula as perdas financeiras dos gigantes da energia, caso um acordo para preservar o sistema clim\u00e1tico seja alcan\u00e7ado. Nos pr\u00f3ximos 20 anos, o preju\u00edzo seria de US$ 28 trilh\u00f5es, dos quais US$ 19,3 trilh\u00f5es no setor de petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>Os segmentos mais suscet\u00edveis s\u00e3o justamente os n\u00e3o convencionais: \u00c1rtico, areias betuminosas e \u00e1guas profundas. De que maneira esses n\u00fameros se relacionam com nosso pr\u00e9-sal \u00e9 um tema cuja discuss\u00e3o n\u00e3o pode ficar apenas entre especialistas.<\/p>\n<p>* Ricardo Abramovay \u00e9 professor Titular do Departamento de Economia da FEA\/USP.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Ricardo Abramovay* A avalia\u00e7\u00e3o do jornalista Ambrose Evans-Pritchard est\u00e1 baseada em uma s\u00e9rie de<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":9939,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/bolha_co2.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/bolha_co2.jpg",150,96,false],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/bolha_co2.jpg",300,192,false],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/bolha_co2.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/bolha_co2.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/bolha_co2.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/bolha_co2.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/bolha_co2.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/bolha_co2.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/bolha_co2.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Por Ricardo Abramovay* A avalia\u00e7\u00e3o do jornalista Ambrose Evans-Pritchard est\u00e1 baseada em uma s\u00e9rie de","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9938"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9938"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9938\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9939"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9938"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9938"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9938"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}