{"id":9934,"date":"2014-11-06T15:00:21","date_gmt":"2014-11-06T15:00:21","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=9934"},"modified":"2014-11-06T14:56:38","modified_gmt":"2014-11-06T14:56:38","slug":"avanco-de-especies-invasoras-ameaca-biodiversidade-no-planeta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/avanco-de-especies-invasoras-ameaca-biodiversidade-no-planeta\/","title":{"rendered":"Avan\u00e7o de esp\u00e9cies invasoras amea\u00e7a biodiversidade no planeta"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/especies_invasoras.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-9935\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/especies_invasoras.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"265\" \/><\/a>Na Patag\u00f4nia n\u00e3o existiam castores. Mas, h\u00e1 d\u00e9cadas, vinte casais foram levados para l\u00e1 para iniciar o neg\u00f3cio das peles. Hoje, estes animais viraram uma praga, que amea\u00e7a a biodiversidade local. As esp\u00e9cies sempre migraram. O vento leva as sementes, os animais nadam e voam, mas nem todos podem cruzar oceanos como o Atl\u00e2ntico ou montanhas como as da Cordilheira dos Andes.<\/p>\n<p>De forma intencional ou acidental, a a\u00e7\u00e3o humana (como transporte, com\u00e9rcio e turismo) introduziu esp\u00e9cies em h\u00e1bitats que n\u00e3o eram delas, transformando-as em invasoras. Atualmente, elas se tornaram amea\u00e7as \u00e0 biodiversidade, pois destroem a flora e a fauna originais.<\/p>\n<p>&#8220;Quando se perde a biodiversidade, se perde um banco gen\u00e9tico&#8221;, necess\u00e1rio para alimentar ou criar medicamentos, explica Fernando Baeriswyl, coordenador do projeto do Fundo Mundial para o Meio Ambiente (GEF, na sigla em ingl\u00eas) voltado \u00e0s esp\u00e9cies invasoras no Chile.<\/p>\n<p>Em seu h\u00e1bitat, na Europa e na Am\u00e9rica do Norte, os castores vivem em equil\u00edbrio, mas na Patag\u00f4nia se alimentam de uma floresta que n\u00e3o \u00e9 capaz de se regenerar no mesmo ritmo, nem possuem um predador natural. Os roedores usam as \u00e1rvores para construir diques de at\u00e9 tr\u00eas metros, inundando, secando ou alterando cursos de rios. Em poucos anos, eles colonizaram ilhas e j\u00e1 conseguiram cruzar at\u00e9 o continente.<\/p>\n<p>Seu avan\u00e7o foi t\u00e3o r\u00e1pido que hoje s\u00e3o uma praga dif\u00edcil de erradicar. As autoridades dos dois pa\u00edses que compartilham a Patag\u00f4nia, Chile e Argentina, autorizaram a ca\u00e7a dos animais, mas os esfor\u00e7os t\u00eam sido insuficientes. Agora, os dois pa\u00edses &#8220;se fixaram como objetivo n\u00e3o restar mais castores&#8221;, exterminando por completo esta esp\u00e9cie invasora, disse Adri\u00e1n Schiavini, especialista em castores do Centro Austral de Pesquisas.<\/p>\n<p><strong>Mais vulnerabilidade<\/strong><br \/>\nNa reserva Huilo Huilo, no sul do <a class=\"premium-tip\" href=\"http:\/\/g1.globo.com\/topico\/chile.html\">Chile<\/a>, dezenas de especialistas em esp\u00e9cies invasoras, como o castor, se reuniram em 22 e 23 de outubro, no Primeiro Encontro Nacional de Esp\u00e9cies Invasoras em \u00c1reas Protegidas, constatando o desconhecimento e a falta de normas para enfrentar o problema.<\/p>\n<p>As esp\u00e9cies invasoras pegam carona em compartimentos de carga dos navios, nas roupas, sapatos ou est\u00f4magos das pessoas que viajam e, quando chegam a um ambiente novo, seus predadores naturais inexistem.<\/p>\n<p>Ali eles crescem, causam novas doen\u00e7as e se tornam alimento de outros animais, que mudam sua dieta. Pouco a pouco, alteram o equil\u00edbrio dos ecossistemas e, na pior das hip\u00f3teses, extinguem outras esp\u00e9cies.<\/p>\n<p>Segundo os especialistas, as esp\u00e9cies invasoras s\u00e3o, ao lado da polui\u00e7\u00e3o e das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, um dos fen\u00f4menos mais nocivos para o nosso planeta. &#8220;As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas provocam uma vulnerabilidade maior de certas esp\u00e9cies aos efeitos das esp\u00e9cies invasoras&#8221;, explicou V\u00edctor Carri\u00f3n, administrador do Parque Nacional de Gal\u00e1pagos, no Equador.<\/p>\n<p>Segundo um estudo da Universidade do Chile, existem no pa\u00eds 119 esp\u00e9cies ex\u00f3ticas invasoras e 27 delas representam uma amea\u00e7a para a biodiversidade do pa\u00eds: a vespa-alem\u00e3 (<em>Vespula germanica<\/em>), a alga <em>Didymosphenia geminata<\/em> (conhecida como didymo), o vison (<em>Mustela vison<\/em>), o castor (<em>Castor fiber<\/em>), uma esp\u00e9cie de arbusto conhecido como tojo (<em>Ulex europaeus<\/em>), o veado-vermelho (<em>Cervus elaphus<\/em>), o javali (<em>Sus scrofa scrofa<\/em>), entre outras.<\/p>\n<p>O simples ato de encontrar uma planta durante um passeio e lev\u00e1-la para casa para coloc\u00e1-la no jardim pode ser o gatilho de uma cat\u00e1strofe ecol\u00f3gica. \u00c9 o caso da amora-preta (<em>Rubus fructicosus<\/em>), um arbusto espinhoso cujos frutos s\u00e3o usados para preparar geleias. &#8220;Quando ela chega, \u00e9 uma senten\u00e7a de morte&#8221;, disse Baeriswyl.<\/p>\n<p>A planta invade a terra debaixo das \u00e1rvores e impede que as outras plantas fa\u00e7am a fotoss\u00edntese sob suas folhas, al\u00e9m de tirar-lhes a \u00e1gua. O mesmo acontece com os coelhos, as cabras e os c\u00e3es. Muitos acham que s\u00e3o esp\u00e9cies nativas, mas na verdade, eles nunca teriam chegado a certos locais sem a m\u00e3o do homem.<\/p>\n<div id=\"2845882\" class=\"video componente_materia\" style=\"width: 320px; height: 200px; background-color: black; overflow: hidden;\" data-height=\"200\" data-width=\"320\">\n<div class=\"wm-poster-wrapper\" style=\"width: 320px; height: 200px;\">\n<div class=\"wm-poster-inner-wrapper\" style=\"cursor: pointer;\"><img class=\"wm-poster-image\" style=\"width: 267px; height: 200px; margin-left: 26.5px; margin-top: 0px; visibility: visible;\" src=\"http:\/\/s03.video.glbimg.com\/x240\/2845882.jpg\" alt=\"\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>Morte \u00e0s esp\u00e9cies invasoras?<\/strong><br \/>\nQuando os europeus come\u00e7aram a navegar nos mares da Am\u00e9rica do Sul, eles decidiram deixar cabras nas ilhas que visitavam, para no futuro garantir o alimento. Elas comiam todas as plantas, provocando eros\u00e3o e afetando os ecossistemas.<\/p>\n<p>Depois de centenas de anos, nas Ilhas Gal\u00e1pagos conseguiu-se erradicar cerca de 270.000 cabras em dez ilhas, bem como gatos, pombos dom\u00e9sticos, asnos e roedores, explicou Carri\u00f3n. O entrave s\u00e3o grupos de defensores dos animais, que criticam os m\u00e9todos.<\/p>\n<p>&#8220;Quando controlamos uma planta, n\u00e3o acontece nada, porque a planta n\u00e3o chora&#8221;, explicou Fabi\u00e1n Jaksic, zo\u00f3logo da Universidade Cat\u00f3lica do Chile. No caso dos castores, eles s\u00e3o eliminados com armadilhas que garantem uma morte r\u00e1pida.<\/p>\n<p>O ser humano \u00e9, por excel\u00eancia, a esp\u00e9cie mais invasora do planeta. Surgiu na \u00c1frica e se expandiu, modificando todos os ecossistemas. Paradoxalmente, dele depende evitar mais invas\u00f5es e tamb\u00e9m reduzir seu impacto no entorno.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na Patag\u00f4nia n\u00e3o existiam castores. 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