{"id":99133,"date":"2019-01-16T08:00:30","date_gmt":"2019-01-16T11:00:30","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=99133"},"modified":"2019-01-16T00:01:22","modified_gmt":"2019-01-16T03:01:22","slug":"america-latina-e-africa-podem-se-beneficiar-da-producao-de-bioenergia-da-cana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/america-latina-e-africa-podem-se-beneficiar-da-producao-de-bioenergia-da-cana\/","title":{"rendered":"Am\u00e9rica Latina e \u00c1frica podem se beneficiar da produ\u00e7\u00e3o de bioenergia da cana"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/bioenergia.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-99134\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/bioenergia-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/bioenergia-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/bioenergia.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Apesar de ser a energia renov\u00e1vel mais consumida no mundo \u2013 com participa\u00e7\u00e3o equivalente \u00e0 da energia h\u00eddrica, e\u00f3lica, solar e de outras fontes renov\u00e1veis somadas \u2013, a bioenergia ainda \u00e9 produzida de forma limitada frente ao potencial existente. O Brasil e os Estados Unidos, por exemplo, respondem juntos por mais de 80% da produ\u00e7\u00e3o atual de biocombust\u00edveis l\u00edquidos.<\/p>\n<div class=\"mh-content-ad\"><\/div>\n<p>\u201cDiversos pa\u00edses tamb\u00e9m est\u00e3o usando a bioenergia, mas poderia ser muito mais. Isso d\u00e1 a impress\u00e3o de que a bioenergia seria uma \u2018jabuticaba\u2019, que s\u00f3 funciona em alguns pa\u00edses\u201d, disse\u00a0Luiz Augusto Horta Nogueira, pesquisador associado do N\u00facleo Interdisciplinar de Planejamento Energ\u00e9tico da Universidade Estadual de Campinas (Nipe-Unicamp) e membro da coordena\u00e7\u00e3o do Programa FAPESP de Pesquisa em Bioenergia (BIOEN).<\/p>\n<p>A fim de superar essa vis\u00e3o, mostrando que a bioenergia pode ser produzida de forma eficiente e proporcionar benef\u00edcios econ\u00f4micos e sociais para v\u00e1rios outros pa\u00edses, Nogueira e colegas do Nipe-Unicamp e de diversas institui\u00e7\u00f5es do Brasil e do exterior realizaram um estudo, nos \u00faltimos cinco anos,\u00a0apoiado pela FAPESP, em que avaliaram o potencial de expans\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de bioenergia da cana na Am\u00e9rica Latina e na \u00c1frica.<\/p>\n<p>Os resultados do trabalho denominado Projeto LACAF, realizado no \u00e2mbito do BIOEN, foram reunidos no livro\u00a0<i>Sugarcane bioenergy for sustainable development<\/i>, lan\u00e7ado em 14 de dezembro na sede da FAPESP.<\/p>\n<p>O livro re\u00fane 33 artigos, de autoria de 60 pesquisadores do Brasil e do exterior, em que avaliam o potencial da bioenergia da cana como uma estrat\u00e9gia para o desenvolvimento sustent\u00e1vel de pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina e da \u00c1frica.<\/p>\n<p>As duas regi\u00f5es foram escolhidas porque apresentam condi\u00e7\u00f5es muito favor\u00e1veis para produ\u00e7\u00e3o e s\u00e3o estrat\u00e9gicas para a expans\u00e3o da bioenergia no mundo. Um estudo feito pela Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE) apontou que cerca de 440 milh\u00f5es de hectares de terra estariam dispon\u00edveis globalmente para serem usados para produ\u00e7\u00e3o de bioenergia at\u00e9 2050.<\/p>\n<p>Mais de 80% dessas terras estariam localizadas justamente na \u00c1frica e na Am\u00e9rica do Sul e Central, sendo que cerca de 50% delas em apenas sete pa\u00edses: Angola, Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo e Sud\u00e3o, na \u00c1frica, e Argentina, Bol\u00edvia, Col\u00f4mbia e, em maior parte, no Brasil, na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>\u201cO Brasil \u00e9, de longe, o pa\u00eds com maior disponibilidade de terra para plantio de cana para produ\u00e7\u00e3o de bioenergia. O pa\u00eds \u00e9 um exemplo raro, caso at\u00edpico, de produ\u00e7\u00e3o de bioenergia a partir da cana com alta produtividade\u201d, disse\u00a0Luis Augusto Barbosa Cortez, professor da Unicamp e coordenador do projeto, durante o lan\u00e7amento do livro.<\/p>\n<p>De acordo com os estudos, al\u00e9m do Brasil, outros pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina que tiveram sucesso no cultivo da cana foram a Col\u00f4mbia, a Argentina e a Guatemala.<\/p>\n<p>A exemplo do Brasil, a Col\u00f4mbia produz cana e etanol com alta produtividade. Por sua vez, a Argentina iniciou recentemente um programa de gera\u00e7\u00e3o de bioenergia a partir da cana e do milho e tem atingido n\u00edveis de mistura de etanol na gasolina pr\u00f3ximos aos do Brasil. E, paradoxalmente, a Guatemala \u00e9 um grande produtor de a\u00e7\u00facar da cana, produz e exporta etanol para os Estados Unidos e importa toda a gasolina de que necessita.<\/p>\n<p>J\u00e1 na \u00c1frica, as experi\u00eancias mais bem-sucedidas ocorreram na \u00c1frica do Sul \u2013 que hoje \u00e9 o maior produtor de a\u00e7\u00facar da cana do continente africano \u2013, al\u00e9m das Ilhas Maur\u00edcio, Malawi e, mais recentemente, Mo\u00e7ambique.<\/p>\n<p>Em comum nas duas regi\u00f5es uma parcela expressiva de suas popula\u00e7\u00f5es ainda n\u00e3o tem acesso \u00e0 eletricidade e energia limpa para coc\u00e7\u00e3o de alimentos. Na \u00c1frica Austral, por exemplo, estima-se que 59 milh\u00f5es de pessoas utilizem carv\u00e3o para cozinhar \u2013 o que gera s\u00e9rios problemas de sa\u00fade e ambientais, como o desmatamento. \u201cA energia limpa para coc\u00e7\u00e3o na \u00c1frica pode ser a bioenergia\u201d, disse Nogueira.<\/p>\n<p>A demanda por etanol para coc\u00e7\u00e3o de alimentos na \u00c1frica Austral seria muito superior \u00e0 voltada para o abastecimento da frota veicular da popula\u00e7\u00e3o das cidades, onde at\u00e9 90% da popula\u00e7\u00e3o usa energia de baixa qualidade e em condi\u00e7\u00f5es insalubres para cozinhar, estimam os pesquisadores. Uma fam\u00edlia t\u00edpica da regi\u00e3o precisaria de 360 litros de etanol por ano para abastecer um fog\u00e3o a etanol, calcularam.<\/p>\n<p>\u201cA produ\u00e7\u00e3o de etanol para coc\u00e7\u00e3o j\u00e1 foi tentada em alguns pa\u00edses da \u00c1frica, como em Mo\u00e7ambique, mas n\u00e3o foi adiante porque faltou combust\u00edvel. Mas se tiver disponibilidade de etanol para essa finalidade com certeza o mercado vai absorver a produ\u00e7\u00e3o\u201d, disse Nogueira.<\/p>\n<p>Os pesquisadores estimaram que a produ\u00e7\u00e3o de 4,1 bilh\u00f5es de litros de etanol de cana e de 2,7 terawatt-hora (TWh) de eletricidade por ano em Mo\u00e7ambique geraria 3,3 milh\u00f5es de empregos e aumentaria em 28% o Produto Interno Bruto (PIB) do pa\u00eds africano.<\/p>\n<p>Para produzir essa quantidade de combust\u00edvel e de eletricidade seria necess\u00e1rio cultivar cana em 600 mil hectares, o que corresponde a menos de 3% da terra dispon\u00edvel para planta\u00e7\u00e3o de cana no pa\u00eds africano, afirmaram.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 terra adequada e dispon\u00edvel suficiente no pa\u00eds para expandir a produ\u00e7\u00e3o de cana-de-a\u00e7\u00facar, sem prejudicar outros usos, como a produ\u00e7\u00e3o de alimentos e de ra\u00e7\u00e3o animal. A vis\u00e3o de que a produ\u00e7\u00e3o de bioenergia competiria com os alimentos \u00e9 equivocada\u201d, disse Nogueira.<\/p>\n<p>A inclus\u00e3o de pequenos produtores deve fazer parte do modelo de produ\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses que adotarem a bioenergia da cana, segundo Manoel Regis Lima Verde Leal, professor da Unicamp e um dos editores do livro, juntamente com Cortez e Nogueira.<\/p>\n<p>\u00c0 exce\u00e7\u00e3o do Brasil, da Austr\u00e1lia e dos Estados Unidos, no resto do mundo a cana \u00e9 cultivada por pequenos produtores, em propriedades agr\u00edcolas menores do que 10 hectares. \u201cA \u00cdndia, que \u00e9 o segundo maior produtor de cana no mundo hoje, tem 5 milh\u00f5es de hectares de cana plantada e 50 milh\u00f5es de produtores\u201d, disse Leal.<b><\/b><\/p>\n<p><b>Participa\u00e7\u00e3o no debate mundial<\/b><\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor cient\u00edfico da FAPESP, estudos como o realizado pelos pesquisadores do projeto LACAF t\u00eam contribu\u00eddo para inserir a pesquisa em bioenergia feita no Estado de S\u00e3o Paulo na discuss\u00e3o mundial sobre a sustentabilidade da bioenergia da cana.<\/p>\n<p>H\u00e1 menos de uma d\u00e9cada o espa\u00e7o dos pesquisadores brasileiros no debate mundial sobre esse tema era muito menor do que \u00e9 hoje. \u201cEstudos como esse contribuem para que os pesquisadores da \u00e1rea em S\u00e3o Paulo participem e at\u00e9 mesmo liderem a discuss\u00e3o mundial sobre quais s\u00e3o as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para se produzir bioenergia a partir da cana em grande escala em outras regi\u00f5es do mundo\u201d, disse Brito Cruz.<\/p>\n<p>Prestes a completar 10 anos \u2013 em 2019 \u2013, o BIOEN j\u00e1 resultou em mais de mil publica\u00e7\u00f5es. O impacto dos trabalhos publicados fez com que, em 2013, pesquisadores ligados ao programa fossem convidados a coordenar um estudo da sustentabilidade da bioenergia global para o Comit\u00ea Cient\u00edfico para Problemas do Ambiente (Scope, na sigla em ingl\u00eas) \u2013 ag\u00eancia intergovernamental associada \u00e0 Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Educa\u00e7\u00e3o, a Ci\u00eancia e a Cultura (Unesco).<\/p>\n<p>\u201cA realiza\u00e7\u00e3o desses estudos t\u00eam realmente ajudado a projetar os resultados da pesquisa sobre bioenergia em S\u00e3o Paulo nos f\u00f3runs mundiais sobre o tema\u201d, disse\u00a0Gl\u00e1ucia Mendes Souza, professora do IB-USP e membro da coordena\u00e7\u00e3o do BIOEN.<\/p>\n<p><b><i>Sugarcane bioenergy for sustainable development<\/i><br \/>\n<\/b>Lan\u00e7amento: 2018<br \/>\nPre\u00e7o: US$ 120<br \/>\nP\u00e1ginas: 418<br \/>\nMais informa\u00e7\u00f5es:\u00a0<b><a href=\"https:\/\/www.routledge.com\/Sugarcane-Bioenergy-for-Sustainable-Development-Expanding-Production-in\/Cortez-Leal-Nogueira\/p\/book\/9781138312944\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">www.routledge.com\/Sugarcane-Bioenergy-for-Sustainable-Development-Expanding-Production-in\/Cortez-Leal-Nogueira\/p\/book\/9781138312944<\/a><\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apesar de ser a energia renov\u00e1vel mais consumida no mundo \u2013 com participa\u00e7\u00e3o equivalente \u00e0<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":99134,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/bioenergia.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/bioenergia-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/bioenergia-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/bioenergia.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/bioenergia.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/bioenergia.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/bioenergia.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/bioenergia.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/bioenergia.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/bioenergia.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Apesar de ser a energia renov\u00e1vel mais consumida no mundo \u2013 com participa\u00e7\u00e3o equivalente \u00e0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/99133"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=99133"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/99133\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/99134"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=99133"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=99133"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=99133"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}