{"id":99015,"date":"2019-01-13T09:25:27","date_gmt":"2019-01-13T12:25:27","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=99015"},"modified":"2019-01-14T09:25:00","modified_gmt":"2019-01-14T12:25:00","slug":"o-corujao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/o-corujao\/","title":{"rendered":"O coruj\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/corujao.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-99017\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/corujao-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/corujao-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/corujao.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Escrito por\u00a0Topetinho Magn\u00edfico<\/p>\n<p>\u00c9 engra\u00e7ado como certos animais carregam r\u00f3tulos no imagin\u00e1rio popular. Um deles \u00e9 a coruja, animal normalmente associado a mist\u00e9rio e magia e personagem certo em filmes e livros com bruxas, como a Hedwig, companheira de Harry Potter.<\/p>\n<p>Eu, ao contr\u00e1rio, sempre tive simpatia por corujas. N\u00e3o que tivesse muita experi\u00eancia com elas e sempre tive consci\u00eancia de que n\u00e3o devemos interferir com animais silvestres. Estava apenas acostumada com a presen\u00e7a das \u201cburaqueiras\u201d, me observando ao passar na estrada, dos mor\u00f5es das cercas.<\/p>\n<p>Eis que, no feriado de 7 de setembro, deparo, caminhando no in\u00edcio da noite, com uma coruja enorme e linda, da esp\u00e9cie Murucututu da Barriga Amarela (<em>Pulsatrix koeniswaldiana<\/em>), tamb\u00e9m conhecida como Coruj\u00e3o, por medir mais de 40 cm. Estava presa pela asa na cerca de arame farpado de uma propriedade rural no sul de Minas. Viria a descobrir mais tarde, lendo um estudo de bi\u00f3logos da USP, que essa \u00e9 uma das principais causas de morte de corujas no Brasil, ap\u00f3s atropelamentos e eletrocuss\u00f5es.<\/p>\n<p>Meu irm\u00e3o cortou o arame e libertamos a pobre da posi\u00e7\u00e3o desconfort\u00e1vel de ficar dependurada pela asa na cerca. Ela parecia nos agradecer com o olhar e logo grudou no meu bra\u00e7o e colo, o que \u2013 confesso \u2013 foi um pouco dolorido, pois suas garras eram afiadas como as de um gavi\u00e3o. Nada mais natural para quem tem que agarrar seu alimento.<\/p>\n<p>No dia seguinte de manh\u00e3, a levamos ao veterin\u00e1rio para retirar o resto do arame farpado ainda preso na asa e ouvimos o lac\u00f4nico veredicto: \u201c\u00c9 uma pena, mas os m\u00fasculos da asa parece que foram afetados e ela n\u00e3o deve voar mais\u201d.<\/p>\n<p>De volta \u00e0 casa, deixei-a empoleirada no espaldar da cadeira da lavanderia, aberta para o jardim. Ela me olhava com o olhar interessado, bebia \u00e1gua, mas n\u00e3o comia. Como alimentar um animal silvestre acostumado a ca\u00e7ar o pr\u00f3prio alimento? Uma pesquisa pela internet e redes sociais e v\u00e1rias sugest\u00f5es aparecem: carne, insetos, roedores, morcegos\u2026<\/p>\n<p>A natureza se encarregou e, ao cair da noite, ela j\u00e1 dava as primeiras t\u00edmidas voadas e at\u00e9 ca\u00e7ou um passarinho desavisado (o que me entristeceu, mas faz parte da natureza, pensei). Depois de cuidada e recuperada, em uma semana conseguiu al\u00e7ar v\u00f4os mais longos e voltar para o mato.<\/p>\n<p>Fiquei feliz \u2013 afinal, lugar de animal silvestre \u00e9 na natureza, solto \u2013 e tamb\u00e9m um pouco saudosa, pois me apeguei a esse ser fascinante, que me observava atentamente, tentava se comunicar comigo e virava a cabe\u00e7a ao ouvir a minha voz. E \u2013 acreditem \u2013 adorava um cafun\u00e9. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que encanta as bruxas.<\/p>\n<p>E, naquelas coisas da vida, no mesmo dia em que a coruja voltou para a natureza, presencio, revoltada, uma seriema ser atropelada em uma estrada no interior de S\u00e3o Paulo, por um motorista veloz e distra\u00eddo. Pensei: \u201cBom, n\u00e3o \u00e9 todo dia que conseguimos salvar um animal silvestre\u201d. \u201cMinha\u201d coruja teve mais sorte do que essa pobre seriema. Uma vida recuperada e outra que se vai. Em ambos os casos, pela a\u00e7\u00e3o do homem.<\/p>\n<p>Eu n\u00e3o vou conseguir salvar todos os animais silvestres de acidentes como esses, mas se puder ajudar a combater, com informa\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o, que lugar de animal silvestre \u00e9 na natureza e que o tr\u00e1fico e aprisionamento s\u00e3o crimes, j\u00e1 estou fazendo a minha parte.<\/p>\n<p><strong>Sobre as corujas<\/strong><\/p>\n<p>Corujas, especialmente as noturnas, costumam estar associadas a est\u00f3rias de magia e mau aug\u00fario, supersti\u00e7\u00e3o boba. Os gregos, pelo contr\u00e1rio, n\u00e3o s\u00f3 as valorizavam como aves benfeitoras, como as consideravam s\u00edmbolo de sabedoria.<\/p>\n<p>O fato \u00e9 que essa ave totalmente inofensiva \u00e9 muito \u00fatil para o equil\u00edbrio biol\u00f3gico, especialmente de zonas rurais. Pois se alimenta de ratos e outros roedores, como os morcegos hemat\u00f3fagos. Sem as corujas, a popula\u00e7\u00e3o de roedores seria incontrol\u00e1vel, desolando lavouras e celeiros de gr\u00e3os, e transmitindo doen\u00e7as.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Escrito por\u00a0Topetinho Magn\u00edfico \u00c9 engra\u00e7ado como certos animais carregam r\u00f3tulos no imagin\u00e1rio popular. 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