{"id":98564,"date":"2019-01-05T16:26:49","date_gmt":"2019-01-05T19:26:49","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=98564"},"modified":"2019-01-05T16:25:59","modified_gmt":"2019-01-05T19:25:59","slug":"capim-coloniao-especie-de-planta-invasora-e-retirada-no-mona-cagarras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/capim-coloniao-especie-de-planta-invasora-e-retirada-no-mona-cagarras\/","title":{"rendered":"Capim-coloni\u00e3o, esp\u00e9cie de planta invasora \u00e9 retirada no Mona Cagarras"},"content":{"rendered":"<div><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/especie_invasora.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-98565\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/especie_invasora-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/especie_invasora-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/especie_invasora.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Nativo do continente africano, o conhecido capim-coloni\u00e3o (Megathyrsus maximus) \u00e9 considerado uma planta invasora que diminui drasticamente a biodiversidade da \u00e1rea em que se estabelece. Al\u00e9m de seu crescimento ser r\u00e1pido, \u00e9 considerado de f\u00e1cil combust\u00e3o o que para uma Unidade de Conserva\u00e7\u00e3o, como o Mona Cagarras, representa um grande perigo para a preserva\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o e todos os animais que ali habitam. Para combat\u00ea-lo, o Projeto Ilhas do Rio, patrocinado pela Petrobras desde 2011, vem realizando desde 2014 um experimento pioneiro em ilhas costeiras do estado do Rio de Janeiro, que consiste na retirada da esp\u00e9cie invasora e o replantio de novas \u00e1rvores para devolver \u00e0 regi\u00e3o sua flora original.<\/p>\n<\/div>\n<div>Cerca de 15 pessoas participaram da a\u00e7\u00e3o que contou tamb\u00e9m com a presen\u00e7a da gestora da Unidade de Conserva\u00e7\u00e3o, Tatiana Ribeiro (ICMBio) e uma equipe de sete colaboradores do Instituto. As condi\u00e7\u00f5es do mar estavam perfeitas, mas o calor dificultou um pouco o trabalho da equipe, que teve que fazer v\u00e1rias viagens do barco at\u00e9 a ilha para desembarcar todas as mudas. \u201c\u00c9 uma log\u00edstica complicada porque as mudas j\u00e1 estavam grandes, pesadas e o desembarque na ilha n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. Mas, felizmente, o mar estava em condi\u00e7\u00f5es ideais e tivemos 100% de aproveitamento. Todas as mudas foram plantadas\u201d, avalia Massimo Bovini, pesquisador respons\u00e1vel pelo mapeamento de toda a flora terrestre do Mona Cagarras.<\/p>\n<\/div>\n<div>Nesta segunda fase, uma \u00e1rea de 800 m\u00b2 da Ilha Comprida recebeu 50 novas mudas, de seis esp\u00e9cies nativas diferentes, que foram plantadas atrav\u00e9s da t\u00e9cnica de nuclea\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, ao redor das mudas plantadas em 2014, hoje com aproximadamente 1m de altura. Este \u00e9 um experimento pioneiro em ilhas costeiras, realizado com a ajuda do especialista, Richieri Sartori, professor de Biologia da PUC-RJ. \u201cAl\u00e9m de fornecerem sombra para as novas mudas, as \u00e1rvores crescidas funcionam como um poleiro natural para os p\u00e1ssaros, que pousam nelas, jogam insumos e sementes na terra. Com isso, n\u00f3s fertilizamos o solo ao redor e trazemos os p\u00e1ssaros de volta, que s\u00e3o muito importantes para o equil\u00edbrio do ecossistema\u201d, explica Massimo.<\/p>\n<\/div>\n<div>A escolha das esp\u00e9cies se deu por raz\u00f5es especiais e s\u00f3 foi poss\u00edvel devido ao invent\u00e1rio da flora do Mona Cagarras, elaborado pelo projeto entre 2011 e 2015, onde est\u00e3o catalogadas 160 esp\u00e9cies, entre \u00e1rvores, arbustos e ervas. Segundo Massimo, sendo nativas, as chances de sobreviv\u00eancia s\u00e3o maiores, al\u00e9m de evitar que se estabele\u00e7a outro tipo de esp\u00e9cie invasora como o capim-coloni\u00e3o, que provavelmente se desenvolveu nas ilhas devido a algum inc\u00eandio no passado. \u201cAcredito que em algum momento remoto, na d\u00e9cada de 30 ou 40, tenha havido um grande inc\u00eandio na ilha, que provocou a abertura de clareiras e exp\u00f4s diretamente o solo. A falta de vegeta\u00e7\u00e3o favorece o crescimento do capim e se agrava ainda mais com a presen\u00e7a humana, j\u00e1 que essas sementes s\u00e3o muito leves e se deslocam com o vento, aves ou at\u00e9 mesmo pela sola do sapato\u201d, explica Massimo.<\/p>\n<\/div>\n<div>Para a retirada inicial deste capim, a primeira etapa foi o fogo controlado em toda a \u00e1rea reservada para o experimento. Em seguida, o terreno foi dividido em parcelas, onde foram utilizadas tr\u00eas t\u00e9cnicas diferentes: ro\u00e7ada manual, herbicida e t\u00e9cnica de \u201cmuching\u201d (\u00e9 colocada uma lona preta para impedir que o capim volte a crescer). Depois, foram replantadas 300 mudas da esp\u00e9cie nativa Lonchocarpus virgilioides. Desse total, 10% sobreviveram, estando hoje entre 1 e 2 metros de altura. \u201cEm uma regi\u00e3o normal, consideramos 20% um \u00edndice positivo. Por\u00e9m, como se trata de uma regi\u00e3o insular, com aus\u00eancia de \u00e1gua doce, alta salinidade e muita presen\u00e7a de f\u00f3sforo no solo, devido \u00e0s fezes das aves, podemos dizer que essa primeira etapa foi muito bem-sucedida\u201d, explica o pesquisador Massimo.<\/p>\n<\/div>\n<div>Diferente da fase anterior, as novas mudas n\u00e3o foram germinadas a partir de sementes retiradas das ilhas. Dessa vez, elas foram cedidas j\u00e1 prontas pela prefeitura do Rio e ficaram por dois meses em processo de rustifica\u00e7\u00e3o, pegando sol e chuva para se adaptar \u00e0s varia\u00e7\u00f5es de temperatura. O processo de plantio, no entanto, foi o mesmo, com o uso de hidrogel, que ajuda a segurar a \u00e1gua por mais ou menos 15 dias, at\u00e9 que chova. \u201cDessa vez, levamos as mudas j\u00e1 mais fortalecidas e n\u00e3o embrion\u00e1rias, o que d\u00e1 uma sobrevida a elas. Sem contar que agora elas est\u00e3o sombreadas pelas outras \u00e1rvores, ent\u00e3o, acredito que 50% delas vinguem\u201d, diz Massimo. Em um m\u00eas, a equipe retornar\u00e1 \u00e0 ilha para monitoramento e a expectativa \u00e9 que em quatro anos a popula\u00e7\u00e3o j\u00e1 possa ver o resultado. \u201cFeito o replantio, entramos na fase do monitoramento. Acredito que em janeiro teremos ideia de quantas vingaram ou n\u00e3o e, dando certo, dentro de aproximadamente quatro anos, ser\u00e1 poss\u00edvel ver da praia de Ipanema os pontos de mata restaurada\u201d, avalia Massimo.<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nativo do continente africano, o conhecido capim-coloni\u00e3o (Megathyrsus maximus) \u00e9 considerado uma planta invasora que<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":98565,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/especie_invasora.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/especie_invasora-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/especie_invasora-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/especie_invasora.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/especie_invasora.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/especie_invasora.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/especie_invasora.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/especie_invasora.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/especie_invasora.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/especie_invasora.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Nativo do continente africano, o conhecido capim-coloni\u00e3o (Megathyrsus maximus) \u00e9 considerado uma planta invasora que","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/98564"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=98564"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/98564\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/98565"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=98564"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=98564"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=98564"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}