{"id":98461,"date":"2019-01-04T09:00:22","date_gmt":"2019-01-04T12:00:22","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=98461"},"modified":"2019-01-03T20:41:45","modified_gmt":"2019-01-03T23:41:45","slug":"o-que-e-a-diabulimia-considerado-um-dos-disturbios-alimentares-mais-perigosos-do-mundo-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/o-que-e-a-diabulimia-considerado-um-dos-disturbios-alimentares-mais-perigosos-do-mundo-2\/","title":{"rendered":"O que \u00e9 a diabulimia, considerado um dos dist\u00farbios alimentares mais perigosos do mundo"},"content":{"rendered":"<p class=\"story-body__introduction\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/transtorno.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-98462\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/transtorno-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/transtorno-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/transtorno.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>&#8220;Tenho a minha vida e tenho meus p\u00e9s. S\u00e3o duas das coisas mais importantes para mim, considerando o dano que eu poderia ter causado a mim mesma&#8221;.<\/p>\n<p>Becky Rudkin, de 30 anos, tem diabulimia &#8211; termo usado para descrever pessoas com diabete tipo 1 que tomam deliberadamente menos insulina que o necess\u00e1rio com o objetivo de perder peso.<\/p>\n<p>A diabetes tipo 1 &#8211; doen\u00e7a autoimune, que costuma ser diagnosticada na inf\u00e2ncia &#8211; ocorre quando o p\u00e2ncreas n\u00e3o produz insulina suficiente. Seu tratamento prev\u00ea a aplica\u00e7\u00e3o de inje\u00e7\u00f5es di\u00e1rias do horm\u00f4nio, respons\u00e1vel por controlar a glicose no sangue e fornecer energia ao organismo.<\/p>\n<p>A diabulimia n\u00e3o \u00e9 reconhecida oficialmente pela comunidade m\u00e9dica, mas uma verba de 1,2 milh\u00e3o de libras (cerca de R$ 5,7 milh\u00f5es) acaba de ser concedida para o financiamento de uma pesquisa sobre o tema na Gr\u00e3-Bretanha.<\/p>\n<p>A expectativa \u00e9 que os cientistas consigam elaborar um programa de tratamento eficaz para pessoas que sofrem com o transtorno.<\/p>\n<div id=\"comp-pattern-library\" class=\"distinct-component-group container-parrot\"><\/div>\n<p>Becky, que \u00e9 de Aberdeen, na Esc\u00f3cia, participou do document\u00e1rio da BBC\u00a0<i>Diabulimia: The World&#8217;s Most Dangerous Eating Disorder<\/i>\u00a0(&#8220;Diabulimia: o Transtorno Alimentar Mais Perigoso do Mundo&#8221;, em tradu\u00e7\u00e3o livre), produzido em 2017.<\/p>\n<div class=\"social-embed\">\n<div class=\"social-embed-post social-embed-youtube\">\n<div class=\"embed embed-iframe-rendered\" style=\"border: 0px; color: inherit; font-style: inherit; font-variant: inherit; font-stretch: inherit; font-family: inherit; font-size: 14px; font-weight: inherit; letter-spacing: inherit; line-height: inherit; margin: 0px; padding: 0px; vertical-align: baseline;\" data-iframe=\"&lt;iframe width=&quot;480&quot; height=&quot;270&quot; src=&quot;https:\/\/www.youtube.com\/embed\/tSLjM6cZaTo?feature=oembed&quot; frameborder=&quot;0&quot; allow=&quot;accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture&quot; allowfullscreen&gt;&lt;\/iframe&gt;\">\n<div class=\"embed-region embed-core-hidden\"><a class=\"off-screen jump-link\" href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/geral-46734879#jump-linkhttps:\/\/www.youtube.com\/watch?v=tSLjM6cZaTo\">Pule YouTube post de BBC Three<\/a><\/p>\n<div class=\"embed embed-iframe-inner youtube-video\"><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/tSLjM6cZaTo?feature=oembed\" width=\"480\" height=\"270\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/div>\n<div class=\"media-with-caption__caption embed-youtube-warning\">Alerta: Conte\u00fado de terceiros pode conter publicidade<\/div>\n<p id=\"jump-linkhttps:\/\/www.youtube.com\/watch?v=tSLjM6cZaTo\" class=\"off-screen\" tabindex=\"-1\">Final de YouTube post de BBC Three<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Na \u00e9poca, ela revelou que, por n\u00e3o estar tomando insulina suficiente, os ossos dos seus p\u00e9s come\u00e7aram a se desintegrar no que os m\u00e9dicos descreveram como &#8220;favo de mel e papa&#8221;. Eles estavam t\u00e3o fr\u00e1geis que quebravam com frequ\u00eancia.<\/p>\n<p>&#8220;O dano no nervo \u00e9 t\u00e3o s\u00e9rio que eu nem sinto &#8211; s\u00f3 consigo ver o qu\u00e3o inchados est\u00e3o&#8221;, relatou na ocasi\u00e3o.<\/p>\n<p>Becky precisou usar muletas por causa do problema nos p\u00e9s e passou tr\u00eas anos entrando e saindo de uma cl\u00ednica de dist\u00farbios alimentares.<\/p>\n<p>A diabulimia \u00e9 considerada mais perigosa do que a anorexia e a bulimia. Nos casos mais graves, pode levar \u00e0 insufici\u00eancia card\u00edaca, \u00e0 amputa\u00e7\u00e3o de membros e at\u00e9 \u00e0 morte.<\/p>\n<p>&#8220;As pessoas com diabetes tipo 1 (que sofrem com o dist\u00farbio) t\u00eam medo que a insulina leve ao ganho de peso. Esse medo \u00e9 t\u00e3o forte que faz com que omitam a dose de insulina que precisam tomar com o objetivo de perder peso&#8221;, explicou Khalida Ismail, professora do King&#8217;s College London, especializada em diabetes e sa\u00fade mental, ao document\u00e1rio da BBC.<\/p>\n<p>&#8220;Se um paciente com diabetes tipo 1 n\u00e3o tomar insulina, ele vai morrer muito r\u00e1pido&#8221;, completou.<\/p>\n<p><strong>Di\u00e1rio da diabulimia<\/strong><\/p>\n<p>Em 2016, a BBC News Brasil\u00a0<a class=\"story-body__link\" href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/geral-37337103\">relatou o caso<\/a>\u00a0da brit\u00e2nica Lisa Day, que morreu em 2015, aos 27 anos, ap\u00f3s sofrer por anos de diabulimia.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/120BD\/production\/_91071937__91028240_red-dress-edit.jpg\" alt=\"Lisa tinha 14 anos quando come\u00e7ou a escrever o di\u00e1rio\" width=\"640\" height=\"360\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">EPA<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Lisa tinha 14 anos quando come\u00e7ou a escrever o di\u00e1rio<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Ela tinha sido diagnosticada com diabetes tipo 1 aos 14 anos de idade. Por isso, precisava de inje\u00e7\u00f5es di\u00e1rias de insulina e tinha de cuidar da dieta. Mas ela tomava quantidades bem abaixo de insulina do que deveria. Os efeitos do descompasso no uso da medica\u00e7\u00e3o foram devastadores: emagreceu, teve problemas nos rins e nos olhos. Com a sa\u00fade debilitada, sofreu um infarto fatal.<\/p>\n<p>Katie Edwards, a irm\u00e3 mais velha de Lisa, cedeu \u00e0 BBC trechos do di\u00e1rio escrito pela ca\u00e7ula, para alertar a respeito desse dist\u00farbio pouco conhecido.<\/p>\n<p>Lisa come\u00e7ou a escrever o di\u00e1rio pouco depois de ser diagnosticada com diabetes, em setembro de 2001.<\/p>\n<p>Os relatos revelam um perfil t\u00edpico de uma jovem com anorexia, mas que tamb\u00e9m tem de lidar com o diabetes:<\/p>\n<p><i>&#8220;<\/i>15 de mar\u00e7o de 2002<\/p>\n<p>Me sinto t\u00e3o gorda. Me odeio. Amanh\u00e3 come\u00e7o a trabalhar em um petshop. H\u00e1 uma discoteca no FC amanh\u00e3. Vou com Holly.<\/p>\n<p>18 de mar\u00e7o de 2002<\/p>\n<p>Tive uma &#8216;hipo&#8217; (hipoglicemia) terr\u00edvel na hora do almo\u00e7o. Estava sentada com Mike e sua namorada. N\u00e3o acho que ele ache que eu estou em boa forma.&#8221;<\/p>\n<p><strong>A ci\u00eancia por tr\u00e1s da diabulimia<\/strong><\/p>\n<p>A ci\u00eancia b\u00e1sica por tr\u00e1s da diabulimia \u00e9 que, sem insulina para processar a glicose, o corpo n\u00e3o pode quebrar os a\u00e7\u00facares dos alimentos para obter energia. Em vez disso, as c\u00e9lulas do corpo come\u00e7am a quebrar a gordura j\u00e1 armazenada no organismo, liberando o excesso de a\u00e7\u00facar pela urina. Na aus\u00eancia de gordura, o corpo come\u00e7ar a queimar m\u00fasculo.<\/p>\n<p>Um ano depois do document\u00e1rio, Becky contou ao programa\u00a0<i>Newsbeat<\/i>, da Radio 1 da BBC, que &#8220;as coisas meio que melhoraram&#8221; para ela.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/16EAD\/production\/_104896839_beckyandjoe.jpg\" alt=\"Becky e Joe\" width=\"640\" height=\"360\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">BECKY RUDKIN<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Becky e Joe ficaram noivos no ano passado e est\u00e3o planejando se casar em julho<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Ela n\u00e3o precisa mais usar muletas, tampouco consultar a equipe de acompanhamento de sa\u00fade mental. E diz que est\u00e1 animada com os planos para o futuro:<\/p>\n<p>&#8220;Estou noiva e vou me casar. Meu companheiro foi morar comigo e temos uma cachorrinha.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Ela \u00e9 meu beb\u00ea agora e isso tem me ajudado muito. Animais de estima\u00e7\u00e3o t\u00eam esse poder, ela me d\u00e1 muito carinho&#8221;, contou.<\/p>\n<p>O financiamento para a pesquisa sobre diabulimia foi obtido pela cientista cl\u00ednica Marietta Stadler, que trabalha no King&#8217;s College Hospital, em Londres.<\/p>\n<p>Ela e sua equipe v\u00e3o usar a verba para tentar entender melhor a condi\u00e7\u00e3o. Para isso, v\u00e3o entrevistar pessoas que apresentam o transtorno.<\/p>\n<p>&#8220;Voc\u00ea n\u00e3o pode ter um bando de m\u00e9dicos decidindo sobre uma interven\u00e7\u00e3o, as pessoas que vivem com a condi\u00e7\u00e3o precisam estar envolvidas&#8221;, diz ela.<\/p>\n<p>A pesquisa deve levar cinco anos, e o plano atual \u00e9 criar um programa de tratamento de 12 m\u00f3dulos &#8211; uma sess\u00e3o quinzenal por seis meses &#8211; para pacientes com diabulimia.<\/p>\n<p>Ao saber da pesquisa, Becky diz que &#8220;j\u00e1 n\u00e3o era sem tempo, porque o diabetes \u00e9 negligenciado&#8221;. Mas ela tamb\u00e9m manifesta algumas preocupa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8220;Todo mundo \u00e9 diferente e cada um de n\u00f3s trata a diabulimia e diabetes de formas completamente distintas. Ent\u00e3o eu suponho que \u00e9 onde poderia pegar um pouco.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;O que voc\u00ea pode fazer em 12 sess\u00f5es com algu\u00e9m que tem diabulimia? Voc\u00ea n\u00e3o vai a fundo em um encontro quinzenal, n\u00e3o sei se \u00e9 suficiente&#8221;, completa.<\/p>\n<p>O financiamento foi concedido pelo Instituto Nacional de Pesquisa em Sa\u00fade (NIHR, na sigla em ingl\u00eas), que oferece verba para projetos de pesquisa que dizem ter &#8220;um claro benef\u00edcio para os pacientes e para o p\u00fablico&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Tudo o que financiamos deve ter um efeito real e \u00fatil para o NHS (sistema p\u00fablico de sa\u00fade do Reino Unido), e a pesquisa de Marietta foi um grande exemplo disso.&#8221;<\/p>\n<p>Marietta Stadler afirma, por sua vez, que a pesquisa \u00e9 apenas o &#8220;primeiro passo&#8221;. Segundo ela, ap\u00f3s os cinco anos de financiamento, seria necess\u00e1rio um estudo maior antes de qualquer programa oficial de tratamento ser adotado pelo NHS.<\/p>\n<p>&#8220;Como todo mundo, quem \u00e9 diagnosticado com diabetes tipo 1 n\u00e3o tem apenas necessidades de sa\u00fade f\u00edsica, tamb\u00e9m tem necessidades de sa\u00fade mental&#8221;, disse um porta-voz do governo.<\/p>\n<p>A ONG Diab\u00e9ticos com Transtornos Alimentares (DWED na sigla em ingl\u00eas) estima que 40% das mulheres com diabetes tipo 1 admitem ter negligenciado a administra\u00e7\u00e3o de insulina para perder peso.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Tenho a minha vida e tenho meus p\u00e9s. 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