{"id":98274,"date":"2018-12-31T13:30:39","date_gmt":"2018-12-31T16:30:39","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=98274"},"modified":"2018-12-31T13:37:19","modified_gmt":"2018-12-31T16:37:19","slug":"esperanca-e-desafios-para-os-ecossistemas-marinhos-mundiais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/esperanca-e-desafios-para-os-ecossistemas-marinhos-mundiais\/","title":{"rendered":"Esperan\u00e7a e desafios para os ecossistemas marinhos mundiais"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/mar_poluicao.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-98275\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/mar_poluicao-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/mar_poluicao-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/mar_poluicao.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Por Hudson Pinheiro*<\/p>\n<p>A redu\u00e7\u00e3o da perda da biodiversidade e a promo\u00e7\u00e3o do uso sustent\u00e1vel de recursos naturais \u00e9 um compromisso global assumido por 140 na\u00e7\u00f5es signat\u00e1rias da Conven\u00e7\u00e3o sobre Diversidade Biol\u00f3gica (CDB). O tratado internacional tem rela\u00e7\u00e3o com o 14\u00ba Objetivo de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (ODS), que visa a ado\u00e7\u00e3o de medidas para preservar e usar de forma sustent\u00e1vel oceanos, mares e recursos marinhos at\u00e9 2020.<\/p>\n<p>Contudo, diante da atual crise da biodiversidade, os objetivos s\u00e3o ousados.<\/p>\n<p>Um dos temas mais debatidos recentemente est\u00e1 relacionado com a cobertura de unidades de conserva\u00e7\u00e3o marinha (UCM). Estabelecer esse tipo de \u00e1rea \u00e9 uma das melhores estrat\u00e9gias para a conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade e sustentabilidade dos recursos marinhos, pois envolve o manejo a n\u00edvel de ecossistema.<\/p>\n<p>Entretanto, um dos maiores desafios \u00e9 criar e manejar UCMs em \u00e1reas priorit\u00e1rias para a conserva\u00e7\u00e3o, pois normalmente estas s\u00e3o \u00e1reas de alta diversidade biol\u00f3gica e de alto conflito de usos, onde diversas atividades humanas s\u00e3o praticadas. Ambientes costeiros como mangues, recifes de coral e cost\u00f5es rochosos s\u00e3o os mais vulner\u00e1veis.<\/p>\n<p>A melhor estrat\u00e9gia para se remediar a perda da biodiversidade marinha seria focar na prote\u00e7\u00e3o do m\u00e1ximo de esp\u00e9cies amea\u00e7adas e ecossistemas por \u00e1rea protegida. A conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade e sustentabilidade dos recursos depende de unidades de conserva\u00e7\u00e3o conectadas e que abriguem, de forma homog\u00eanea, a diversidade de ecossistemas presentes ao longo da linha costeira.<\/p>\n<p>O manejo pesqueiro e o controle da sobrepesca s\u00e3o vistos como um dos principais objetivos do ODS 14. Uma das estrat\u00e9gias \u00e9 a valoriza\u00e7\u00e3o da pesca artesanal e o controle de atividades pesqueiras destrutivas, que causam danos aos ecossistemas e que n\u00e3o possuem seletividade nas capturas. Entretanto, muitos pa\u00edses, incluindo o Brasil, caminham em sentido contr\u00e1rio, criando subs\u00eddios para pesca industrial e removendo benef\u00edcios de pescadores de pequena escala.<\/p>\n<p>Alternativas envolvem o estabelecimento de territ\u00f3rios tradicionais de pesca, onde somente pescadores locais possam pescar, o que tornaria mais f\u00e1ceis o manejo e o controle do esfor\u00e7o de pesca. O ordenamento e a fiscaliza\u00e7\u00e3o da captura de esp\u00e9cies amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o e tamanhos m\u00ednimos de capturas tamb\u00e9m s\u00e3o passos importantes para se atingir os objetivos.<\/p>\n<p>A polui\u00e7\u00e3o dos mares e o aquecimento global s\u00e3o problemas graves que est\u00e3o chamando bastante a aten\u00e7\u00e3o da sociedade. A ingest\u00e3o de pl\u00e1sticos tem causado a morte de milhares de animais marinhos anualmente e o aquecimento dos oceanos tem causado o branqueamento e a morte de ecossistemas de coral em todo o mundo. Atividades portu\u00e1rias desenvolvem dragagens peri\u00f3dicas e despejam toneladas de sedimento sobre os ambientes costeiros, soterrando grandes \u00e1reas de habitats naturais.<\/p>\n<p>Em vez de aplicar leis mais restritivas, visando a qualidade de vida humana e sa\u00fade ambiental, pa\u00edses em desenvolvimento como o Brasil est\u00e3o afrouxando as regras para empresas poluidoras. Como consequ\u00eancia, impactos e desastres ambientais s\u00e3o frequentes, o que acelera a perda da biodiversidade e de oportunidades de desenvolvimento sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>Apesar dos desafios, temos esperan\u00e7a. O grande n\u00famero de na\u00e7\u00f5es comprometidas com os objetivos da Conven\u00e7\u00e3o sobre Diversidade Biol\u00f3gica \u00e9 um consider\u00e1vel sinal positivo. Alguns pa\u00edses como Palau e Costa Rica est\u00e3o dando exemplo de desenvolvimento sustent\u00e1vel e prote\u00e7\u00e3o da biodiversidade. Pa\u00edses em desenvolvimento, como Brasil, China e Filipinas, est\u00e3o comprometidos em financiar iniciativas de prote\u00e7\u00e3o e manejo dos ecossistemas costeiros.<\/p>\n<p>A participa\u00e7\u00e3o de pescadores no manejo e na conserva\u00e7\u00e3o dos recursos marinhos tem gerado resultados positivos e o Projeto Tamar, no Brasil, \u00e9 refer\u00eancia mundial nesse tema. Estados como Calif\u00f3rnia e S\u00e3o Paulo t\u00eam criado \u00e1reas marinhas protegidas ao longo de suas zonas costeiras com o potencial de desenvolvimento sustent\u00e1vel de atividades pesqueiras e turismo. Pa\u00edses e empresas est\u00e3o investindo na prote\u00e7\u00e3o de ambientes costeiros, visando a diminui\u00e7\u00e3o de estragos causados por dist\u00farbios ambientais, como tempestades e enchentes. Essas e outras iniciativas inspiradoras foram apresentadas recentemente no artigo \u201cHope and doubt for the world\u2019s marine ecosystems\u201d, publicado pelo peri\u00f3dico cient\u00edfico Perspectives in Ecology and Conservation.<\/p>\n<p>Uma vez que grande parte da popula\u00e7\u00e3o vive perto da zona costeira, o investimento em educa\u00e7\u00e3o ambiental \u00e9 necess\u00e1rio para engajar a sociedade na luta para a manuten\u00e7\u00e3o de sua pr\u00f3pria qualidade de vida e dos servi\u00e7os ecossist\u00eamicos providenciados pelos oceanos. Cientistas, cidad\u00e3os e tomadores de decis\u00e3o precisam trabalhar juntos para multiplicar essas iniciativas positivas e refor\u00e7ar a esperan\u00e7a para a conserva\u00e7\u00e3o e sustentabilidade da biodiversidade e ecossistemas marinhos no Brasil e no mundo.<\/p>\n<p>*Hudson Pinheiro \u00e9 mestre em Oceanografia, doutor em Ecologia e Evolu\u00e7\u00e3o, cientista da Academia de Ci\u00eancias da Calif\u00f3rnia e membro da Rede de Especialistas em Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Hudson Pinheiro* A redu\u00e7\u00e3o da perda da biodiversidade e a promo\u00e7\u00e3o do uso sustent\u00e1vel<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":98275,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/mar_poluicao.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/mar_poluicao-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/mar_poluicao-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/mar_poluicao.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/mar_poluicao.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/mar_poluicao.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/mar_poluicao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/mar_poluicao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/mar_poluicao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/mar_poluicao.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Por Hudson Pinheiro* A redu\u00e7\u00e3o da perda da biodiversidade e a promo\u00e7\u00e3o do uso sustent\u00e1vel","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/98274"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=98274"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/98274\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/98275"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=98274"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=98274"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=98274"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}