{"id":98201,"date":"2018-12-30T13:00:56","date_gmt":"2018-12-30T16:00:56","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=98201"},"modified":"2018-12-29T22:50:08","modified_gmt":"2018-12-30T01:50:08","slug":"desconfie-da-sua-memoria-entenda-por-que-ela-muda-com-o-tempo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/desconfie-da-sua-memoria-entenda-por-que-ela-muda-com-o-tempo\/","title":{"rendered":"Desconfie da sua mem\u00f3ria; entenda por que ela muda com o tempo"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"intro\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/memorai.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-98202\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/memorai-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/memorai-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/memorai.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>S<\/span>ua mem\u00f3ria provavelmente n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o boa quanto voc\u00ea pensa que \u00e9. N\u00f3s confiamos em nossas mem\u00f3rias n\u00e3o s\u00f3 para contar hist\u00f3rias para amigos e para aprender a partir de nossas experi\u00eancias passadas, mas tamb\u00e9m as usamos para coisas cruciais como criar um senso de identidade pessoal. Contudo, h\u00e1 provas de que a nossa mem\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o consistente quanto n\u00f3s gostar\u00edamos de acreditar. O pior \u00e9 que n\u00f3s frequentemente somos os culpados por mudar fatos ou adicionar detalhes falsos a nossas mem\u00f3rias sem ao menos percebermos.<\/p>\n<p>Para compreender um pouco como a lembran\u00e7a funciona, pense na brincadeira do \u201ctelefone sem fio\u201d. No jogo, uma pessoa cochicha uma mensagem para a pessoa a seu lado, que a passa para a pr\u00f3xima pessoa da fila, e assim por diante. A cada vez que a mensagem \u00e9 retransmitida, algumas partes podem n\u00e3o ser ouvidas direito ou podem ser mal compreendidas; outras podem ser alteradas sem querer, melhoradas ou esquecidas. Com o tempo, a pessoa pode se tornar muito diferente da original.<\/p>\n<div id=\"pub-in-text\" data-google-query-id=\"CNjh5aG3xt8CFVJTwQodq1sIJQ\"><\/div>\n<p>O mesmo pode acontecer com as nossas mem\u00f3rias. H\u00e1 incont\u00e1veis raz\u00f5es pelas quais min\u00fasculos erros ou retoques podem acontecer a cada vez que n\u00f3s rememoramos eventos passados, variando entre o que n\u00f3s acreditamos ser verdade ou quer\u00edamos que fosse verdade, ou ent\u00e3o o que queremos que aquela pessoa pense. E sempre que essas falhas acontecem, podem haver efeitos de longo prazo na forma com que n\u00f3s recordaremos aquela mem\u00f3ria no futuro.<\/p>\n<p>Pense, por exemplo, no contar de hist\u00f3rias. Quando descrevemos nossas mem\u00f3rias a outras pessoas, usamos licen\u00e7a po\u00e9tica para contar a hist\u00f3ria de forma diferente, a depender de quem est\u00e1 ouvindo. N\u00f3s possivelmente nos perguntamos se \u00e9 essencial ir direto aos fatos, ou se n\u00f3s simplesmente queremos fazer o interlocutor rir. E n\u00f3s podemos mudar detalhes da hist\u00f3ria dependendo das atitudes do ouvinte ou da sua inclina\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Pesquisas mostram que, quando n\u00f3s descrevemos nossas mem\u00f3rias de modo distinto a distintos p\u00fablicos, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a mensagem que se altera, mas sim, \u00e0s vezes, a pr\u00f3pria mem\u00f3ria. Isso \u00e9 conhecido como \u201cefeito de ajuste ao p\u00fablico\u201d.<\/p>\n<p>Em um estudo sobre o efeito de ajuste ao p\u00fablico, participantes assistiram a um v\u00eddeo de uma briga de bar. No v\u00eddeo, dois homens embriagados entram em confronto f\u00edsico depois que um homem discute com seu amigo, e o outro v\u00ea seu time de futebol favorito perder uma partida. Posteriormente, os participantes tinham que contar a um desconhecido o que tinham visto.<\/p>\n<p>Os participantes do estudo foram divididos em dois grupos. A um grupo foi dito que o desconhecido n\u00e3o gostava de um dos caras que brigam no v\u00eddeo. Ao outro, disseram que o desconhecido gostava do mesmo sujeito. Claro que essa informa\u00e7\u00e3o adicional moldou a forma com que as pessoas descreveram o v\u00eddeo ao desconhecido. Os participantes davam mais detalhes negativos sobre o comportamento do homem que brigou se eles acreditavam que o desconhecido n\u00e3o gostava dele.<\/p>\n<p>O mais importante, por\u00e9m, \u00e9 que a maneira com que as pessoas contaram a hist\u00f3ria afetou depois o jeito com que lembraram o comportamento do cara da briga. Quando os participantes tentaram posteriormente lembrar a briga de um modo neutro, sem vi\u00e9s, os dois grupos ainda apresentavam detalhes diferentes do que ocorreu, espelhando a atitude da sua plateia original. At\u00e9 certo ponto, suas narrativas se tornaram suas mem\u00f3rias.<\/p>\n<p>Resultados como esses nos mostram como nossas mem\u00f3rias podem mudar espontaneamente com o passar do tempo, como um produto de como, quando e por que n\u00f3s as acessamos. Na verdade, \u00e0s vezes simplesmente o ato de repetir uma mem\u00f3ria pode ser justamente o que a faz suscet\u00edvel \u00e0 mudan\u00e7a. Isso \u00e9 conhecido como \u201csugestionabilidade aprimorada para recupera\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Em um t\u00edpico estudo desse efeito, participantes assistiram a um filme de curta dura\u00e7\u00e3o e, poucos dias depois, fizeram um teste de mem\u00f3ria. Mas, durante esses dias entre assistirem ao filme e fazerem o teste final, duas outras coisas aconteceram. Primeiro, metade dos participantes fez um teste de mem\u00f3ria para treinar. Segundo, todos os participantes receberam para ler uma descri\u00e7\u00e3o do filme que continha alguns detalhes falsos.<\/p>\n<p>O objetivo desses estudos era ver quantos detalhes falsos as pessoas acabariam reproduzindo no teste de mem\u00f3ria final. Centenas de estudos j\u00e1 mostram que as pessoas v\u00e3o involuntariamente adicionar detalhes falsos como esses \u00e0s suas mem\u00f3rias. Mas esses estudos descobriram algo ainda mais fascinante. Participantes que fizeram um teste de mem\u00f3ria para treinar um pouco antes de ler as informa\u00e7\u00f5es falsas eram mais propensos a reproduzir essas informa\u00e7\u00f5es falsas no teste final de mem\u00f3ria. Nesse caso, a pr\u00e1tica leva \u00e0 imperfei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Como pode isso? Uma teoria \u00e9 que repetir nossas mem\u00f3rias de eventos passados pode temporariamente fazer com que aquelas mem\u00f3rias fiquem male\u00e1veis. Em outras palavras, recuperar uma mem\u00f3ria pode ser meio como tirar um sorvete do freezer e deix\u00e1-lo diretamente exposto \u00e0 luz solar por um tempo. Quando a nossa mem\u00f3ria voltar ao freezer, poder\u00e1 ter se tornado naturalmente um pouco deformada, especialmente se algu\u00e9m se intrometeu nela nesse meio-tempo.<\/p>\n<p>Essas descobertas nos ensinam muito sobre como nossas mem\u00f3rias s\u00e3o formadas e armazenadas. E podem nos levar a imaginar quanto nossas mem\u00f3rias mais preciosas mudaram desde a primeir\u00edssima vez que nos lembramos delas.<\/p>\n<p>Ou talvez n\u00e3o. No fim das contas, minha pesquisa com outros colegas mostra que as pessoas em geral realmente n\u00e3o desejam investir tempo e esfor\u00e7o para checar a precis\u00e3o de suas mem\u00f3rias. Mas, quer voc\u00ea descubra quer n\u00e3o qualquer pequena ou grande mudan\u00e7a que ocorreu, \u00e9 improv\u00e1vel que a sua preciosa mem\u00f3ria seja 100% precisa. Lembrar \u00e9 sobretudo um ato de narrar uma hist\u00f3ria. E nossas mem\u00f3rias s\u00e3o somente t\u00e3o confi\u00e1veis quanto a hist\u00f3ria mais recente que contamos a n\u00f3s mesmos.<\/p>\n<p><em>* Robert Nash \u00e9 professor s\u00eanior de Psicologia na Aston University (Inglaterra). O artigo foi publicado originalmente em ingl\u00eas no\u00a0<a href=\"https:\/\/theconversation.com\/are-memories-reliable-expert-explains-how-they-change-more-than-we-realise-106461\" target=\"_blank\">site The Conversation<\/a>.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sua mem\u00f3ria provavelmente n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o boa quanto voc\u00ea pensa que \u00e9. 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