{"id":98137,"date":"2018-12-29T11:00:35","date_gmt":"2018-12-29T14:00:35","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=98137"},"modified":"2018-12-28T20:32:05","modified_gmt":"2018-12-28T23:32:05","slug":"mudanca-climatica-debilita-as-ostras-aponta-o-ostreicultor-frances-mathieu-le-moal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/mudanca-climatica-debilita-as-ostras-aponta-o-ostreicultor-frances-mathieu-le-moal\/","title":{"rendered":"Mudan\u00e7a clim\u00e1tica debilita as ostras, aponta o ostreicultor franc\u00eas Mathieu Le Moal"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ostra.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-98138\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ostra-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ostra-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ostra.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>&#8220;N\u00e3o temos mais esta\u00e7\u00f5es! E para as ostras, as quatro s\u00e3o indispens\u00e1veis&#8221;, aponta o ostreicultor franc\u00eas Mathieu Le Moal, sobrecarregado pelos efeitos da mudan\u00e7a clim\u00e1tica nestes moluscos.<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 20 anos, quando prepar\u00e1vamos os pedidos para as festas, trem\u00edamos de frio. Hoje fazem 15 graus&#8221;, constata Le Moal, de mangas arrega\u00e7adas diante de um trator carregado de dezenas de sacos de moluscos.<\/p>\n<p>&#8220;Precisam do inverno, \u00e9 o momento em que descansam, gastam menos energia&#8221;, explica, enquanto se dirige a um hangar de madeira onde uma dezena de funcion\u00e1rios selecionam, pesam e empacotam as ostras.<\/p>\n<p>Na regi\u00e3o da Bretanha (oeste) e na de Normandia (norte), os ostreicultores lamentam a longa seca do ver\u00e3o.<\/p>\n<p>Sem a chuva para transportar os sais minerais at\u00e9 o mar &#8220;n\u00e3o h\u00e1 pl\u00e2ncton, alimento b\u00e1sico das ostras, e elas n\u00e3o crescem&#8221;, diz o produtor Bertrand Racinne, de 59 anos. &#8220;Como resultado, temos ostras, mas faltam as grandes&#8221;.<\/p>\n<p>Segundo o Comit\u00ea Nacional de Conquicultura (CNC), as 4.500 empresas francesas de ostras comercializaram 100.000 toneladas desse molusco em 2017, por cerca de 5.000 euros a tonelada. A ostra-do-pac\u00edfico (quase a totalidade do mercado), consumida depois de tr\u00eas anos de cria\u00e7\u00e3o, se divide em cinco categorias ou &#8220;calibres&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Dez gramas a menos por unidade se nota no volume de neg\u00f3cios. Os ostreicultores ter\u00e3o um volume entre 20% e 30% menor este ano&#8221;, afirma o presidente do CNC, Philippe Le Gal. &#8220;O aquecimento global come\u00e7a a ser notado&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>&#8211; Migra\u00e7\u00e3o, acidifica\u00e7\u00e3o &#8211;<\/p>\n<p>A ostra filtra 10 litros de \u00e1gua por hora e \u00e9 incapaz de controlar sua temperatura interna. &#8220;\u00c9 extremamente sens\u00edvel ao ambiente&#8221;, que influencia em seu desenvolvimento e reprodu\u00e7\u00e3o, afirma Fabrice Pernet, pesquisador franc\u00eas.<\/p>\n<p>O aumento das temperaturas pode &#8220;favorecer&#8221; as doen\u00e7as da ostra, alerta.<\/p>\n<p><span class=\"storyimage fullwidth inlineimage\" data-aop=\"image\"><span class=\"image\" data-attrib=\"Fornecido por AFP\" data-caption=\"Ostras s\u00e3o preparadas em 21 de dezembro de 2018 no porto de Tr\u00e9veneuc (Finist\u00e8re)\" data-id=\"84\" data-m=\"{&quot;i&quot;:84,&quot;p&quot;:82,&quot;n&quot;:&quot;openModal&quot;,&quot;t&quot;:&quot;articleImages&quot;,&quot;o&quot;:2}\"><img loading=\"lazy\" class=\"loaded\" src=\"https:\/\/img-s-msn-com.akamaized.net\/tenant\/amp\/entityid\/BBRxBPU.img?h=746&amp;w=1119&amp;m=6&amp;q=60&amp;o=f&amp;l=f\" alt=\"Ostras s\u00e3o preparadas em 21 de dezembro de 2018 no porto de Tr\u00e9veneuc (Finist\u00e8re)\" width=\"639\" height=\"426\" data-src=\"{&quot;default&quot;:{&quot;load&quot;:&quot;default&quot;,&quot;w&quot;:&quot;80&quot;,&quot;h&quot;:&quot;53&quot;,&quot;src&quot;:&quot;\/\/img-s-msn-com.akamaized.net\/tenant\/amp\/entityid\/BBRxBPU.img?h=746&amp;w=1119&amp;m=6&amp;q=60&amp;o=f&amp;l=f&quot;},&quot;dpi&quot;:1.4,&quot;size3column&quot;:{&quot;load&quot;:&quot;default&quot;,&quot;w&quot;:&quot;62&quot;,&quot;h&quot;:&quot;42&quot;,&quot;src&quot;:&quot;\/\/img-s-msn-com.akamaized.net\/tenant\/amp\/entityid\/BBRxBPU.img?h=582&amp;w=874&amp;m=6&amp;q=60&amp;o=f&amp;l=f&quot;},&quot;size2column&quot;:{&quot;load&quot;:&quot;default&quot;,&quot;w&quot;:&quot;62&quot;,&quot;h&quot;:&quot;42&quot;,&quot;src&quot;:&quot;\/\/img-s-msn-com.akamaized.net\/tenant\/amp\/entityid\/BBRxBPU.img?h=582&amp;w=874&amp;m=6&amp;q=60&amp;o=f&amp;l=f&quot;}}\" \/><\/span><span class=\"caption truncate\"><span class=\"attribution\">\u00a9 Fornecido por AFP<\/span>\u00a0Ostras s\u00e3o preparadas em 21 de dezembro de 2018 no porto de Tr\u00e9veneuc (Finist\u00e8re)<\/span><\/span><\/p>\n<p>A partir de 2008, o setor registrou uma alta taxa de mortalidade entre as larvas e as pequenas ostras. Em alguns anos se chegou a perder 75%. Os estudos culpam o v\u00edrus da herpes OsHV-1 (inofensivo para os humanos), presente desde 1991, mas que se tornou mais agressivo sem que se saiba porque.<\/p>\n<p>Este pat\u00f3geno \u00e9 muito letal &#8220;em uma \u00e1gua a entre 16 e 24 graus&#8221;, ou seja, entre &#8220;quatro a seis meses por ano&#8221; no oeste da Fran\u00e7a, afirma Pernet.<\/p>\n<p>Podem surgir novos pat\u00f3genos, arrastados pelas esp\u00e9cies origin\u00e1rias do sul que migram para o norte.<\/p>\n<p>A acidifica\u00e7\u00e3o dos oceanos, que obriga as ostras a &#8220;gastarem mais energia&#8221; para fabricar suas conchas, contribui para debilit\u00e1-las, assim como a perda da biodiversidade, estima o pesquisador.<\/p>\n<p>&#8211; Necessidade de frio &#8211;<\/p>\n<p>As ostras adultas tamb\u00e9m foram, desde os anos 1990, afetadas v\u00e1rias vezes por outro v\u00edrus que as mata.<\/p>\n<p>&#8220;Observamos que os epis\u00f3dios de mortalidade extrema (mais de 25% das ostras) ocorrem meses depois de um inverno suave e chuvoso&#8221;, afirma Yoann Thomas, do Instituto de Pesquisas para o Desenvolvimento (IRD) e coautor de um estudo publicado em outubro.<\/p>\n<p>Sem o frio, &#8220;que permite um descanso biol\u00f3gico&#8221;, e com fortes chuvas, &#8220;que modificam a salinidade da \u00e1gua&#8221; e &#8220;seu conte\u00fado em fitopl\u00e2ncton&#8221;, sua atividade se modifica e come\u00e7am o ano &#8220;debilitadas e vulner\u00e1veis&#8221;, explica.<\/p>\n<p><span class=\"storyimage fullwidth inlineimage\" data-aop=\"image\"><span class=\"image\" data-attrib=\"Fornecido por AFP\" data-caption=\"(Arquivo) O Instituto Franc\u00eas de Pesquisa para a Explora\u00e7\u00e3o do Mar (IFREMER) estuda a mortalidade de ostras em Ronce-les-Bains (Charente-Maritime), 13 de abril de 2017\" data-id=\"85\" data-m=\"{&quot;i&quot;:85,&quot;p&quot;:82,&quot;n&quot;:&quot;openModal&quot;,&quot;t&quot;:&quot;articleImages&quot;,&quot;o&quot;:3}\"><img loading=\"lazy\" class=\"loaded\" src=\"https:\/\/img-s-msn-com.akamaized.net\/tenant\/amp\/entityid\/BBRxpfv.img?h=746&amp;w=1119&amp;m=6&amp;q=60&amp;o=f&amp;l=f\" alt=\"(Arquivo) O Instituto Franc\u00eas de Pesquisa para a Explora\u00e7\u00e3o do Mar (IFREMER) estuda a mortalidade de ostras em Ronce-les-Bains (Charente-Maritime), 13 de abril de 2017\" width=\"639\" height=\"426\" data-src=\"{&quot;default&quot;:{&quot;load&quot;:&quot;default&quot;,&quot;w&quot;:&quot;80&quot;,&quot;h&quot;:&quot;53&quot;,&quot;src&quot;:&quot;\/\/img-s-msn-com.akamaized.net\/tenant\/amp\/entityid\/BBRxpfv.img?h=746&amp;w=1119&amp;m=6&amp;q=60&amp;o=f&amp;l=f&quot;},&quot;dpi&quot;:1.4,&quot;size3column&quot;:{&quot;load&quot;:&quot;default&quot;,&quot;w&quot;:&quot;62&quot;,&quot;h&quot;:&quot;42&quot;,&quot;src&quot;:&quot;\/\/img-s-msn-com.akamaized.net\/tenant\/amp\/entityid\/BBRxpfv.img?h=582&amp;w=874&amp;m=6&amp;q=60&amp;o=f&amp;l=f&quot;},&quot;size2column&quot;:{&quot;load&quot;:&quot;default&quot;,&quot;w&quot;:&quot;62&quot;,&quot;h&quot;:&quot;42&quot;,&quot;src&quot;:&quot;\/\/img-s-msn-com.akamaized.net\/tenant\/amp\/entityid\/BBRxpfv.img?h=582&amp;w=874&amp;m=6&amp;q=60&amp;o=f&amp;l=f&quot;}}\" \/><\/span><span class=\"caption truncate\"><span class=\"attribution\">\u00a9 Fornecido por AFP<\/span>\u00a0(Arquivo) O Instituto Franc\u00eas de Pesquisa para a Explora\u00e7\u00e3o do Mar (IFREMER) estuda a mortalidade de ostras em Ronce-les-Bains (Charente-Maritime), 13 de abril de 2017<\/span><\/span><\/p>\n<p>Segundo as previs\u00f5es dos especialistas da ONU sobre o clima, estas condi\u00e7\u00f5es ser\u00e3o cada vez mais frequentes e o &#8220;excesso de \u00edndice de mortalidade que agora se registra a cada dez anos poderia se dar a cada dois anos at\u00e9 2035&#8221;, e anualmente at\u00e9 2100 se o aquecimento global n\u00e3o for limitado, acrescenta o pesquisador.<\/p>\n<p>Alguns ostreicultores atribuem seus problemas \u00e0 polui\u00e7\u00e3o, \u00e0 concentra\u00e7\u00e3o de ostras nas instala\u00e7\u00f5es e \u00e0 chegada ao mercado de ostras modificadas em laborat\u00f3rio.<\/p>\n<div id=\"aol_outstream_article\" data-bcid=\"56603651bbe5bf10d057f868\" data-id=\"86\" data-m=\"{&quot;i&quot;:86,&quot;p&quot;:82,&quot;n&quot;:&quot;aol-article-inlineOutstreamAd&quot;,&quot;t&quot;:&quot;AolInlineOutstreamAd&quot;,&quot;o&quot;:4}\"><\/div>\n<p>&#8220;A mortalidade muda de um ano para outro, (&#8230;) ningu\u00e9m consegue explicar porque&#8221;, diz o ostreicultor Alexandre Prod&#8217;homme.<\/p>\n<p>&#8220;A ostra n\u00e3o vai desaparecer. Se reproduz r\u00e1pido e j\u00e1 coloniza o norte da Europa&#8221;, afirma Fabrice Pernet. &#8220;Mas provavelmente migrar\u00e1&#8221; e os ostreicultores ter\u00e3o que se adaptar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;N\u00e3o temos mais esta\u00e7\u00f5es! 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