{"id":9790,"date":"2014-11-03T17:00:32","date_gmt":"2014-11-03T17:00:32","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=9790"},"modified":"2014-11-03T15:22:42","modified_gmt":"2014-11-03T15:22:42","slug":"estudo-avalia-impacto-do-crescimento-desordenado-no-delta-do-amazonas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/estudo-avalia-impacto-do-crescimento-desordenado-no-delta-do-amazonas\/","title":{"rendered":"Estudo avalia impacto do crescimento desordenado no delta do Amazonas"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-9791\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/cescimento_desordenado.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"265\" \/>Cerca de 90% das cidades situadas no estu\u00e1rio do Rio Amazonas possuem menos de 20 mil habitantes, infraestrutura bastante prec\u00e1ria, pouca oferta de servi\u00e7os e de oportunidades de emprego. Ainda assim, na \u00faltima d\u00e9cada, t\u00eam atra\u00eddo grande quantidade de migrantes vindos de comunidades ribeirinhas pr\u00f3ximas, resultando em um processo de ocupa\u00e7\u00e3o intenso e desordenado.<\/p>\n<p>Investigar como ocorrem os fluxos de migra\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o e seus impactos socioecon\u00f4micos e ambientais \u00e9 o objetivo de um projeto que re\u00fane pesquisadores brasileiros e americanos e conta com <b>financiamento da FAPESP<\/b>\u00a0no \u00e2mbito de um <b>conv\u00eanio<\/b> com o Belmont Forum, grupo multinacional de institui\u00e7\u00f5es de fomento \u00e0 pesquisa sobre mudan\u00e7as globais.<\/p>\n<p>Alguns dos primeiros resultados foram apresentados no dia 28 de outubro, em Washington (Estados Unidos), durante o simp\u00f3sio <b>FAPESP-U.S. Collaborative Research on the Amazon<\/b>\u00a0pelos coordenadores Sandra Maria Fonseca da Costa, da Universidade do Vale do Para\u00edba (Univap), e Eduardo Brondizio, da Indiana University, nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>&#8220;Notamos que, dentro da rede urbana da Amaz\u00f4nia, essas cidades t\u00eam import\u00e2ncia fundamental. Elas funcionam como salvaguardas para a popula\u00e7\u00e3o ribeirinha, pois, apesar das defici\u00eancias, possuem escolas de ensino fundamental e m\u00e9dio, postos de sa\u00fade e s\u00e3o contempladas por benef\u00edcios sociais governamentais&#8221;, disse Costa.<\/p>\n<p>De acordo com a pesquisadora, o fluxo de migra\u00e7\u00e3o \u00e9 predominantemente regional \u2013 mobilizando habitantes em um raio de at\u00e9 100 quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia. S\u00e3o pessoas vindas de comunidades ainda menores e mais carentes de servi\u00e7os b\u00e1sicos.<\/p>\n<p>&#8220;Ao chegar a essas cidades, constroem casas em qualquer lugar e em condi\u00e7\u00f5es degradantes. Ocupam \u00e1reas de v\u00e1rzea, lan\u00e7am os efluentes dom\u00e9sticos, sem qualquer tratamento, em rios e c\u00f3rregos, nos mesmos locais em que a popula\u00e7\u00e3o busca \u00e1gua para beber, cozinhar e lavar roupa. Essas pequenas cidades crescem a uma velocidade absurda e todos os problemas associados a esse fen\u00f4meno se multiplicam dia ap\u00f3s dia sem qualquer pol\u00edtica p\u00fablica espec\u00edfica&#8221;, disse Costa.<\/p>\n<p>Embora a pesquisadora reconhe\u00e7a ser imposs\u00edvel para o poder p\u00fablico controlar o crescimento de uma cidade, ela defende que o processo seja ao menos monitorado e norteado. &#8220;\u00c9 preciso interferir para melhorar a qualidade de vida da popula\u00e7\u00e3o e observamos que isso n\u00e3o tem ocorrido&#8221;, disse Costa.<\/p>\n<p>A professora da Univap tem se dedicado a estudar o tema desde 2007, quando realizou seu p\u00f3s-doutorado na Indiana University, sob a supervis\u00e3o de Brondizio. Em um primeiro <b>projeto de Aux\u00edlio Regular<\/b>\u00a0apoiado pela FAPESP, o foco da pesquisa foi o munic\u00edpio de Ponta de Pedras, localizado na Ilha de Maraj\u00f3, no Par\u00e1.<\/p>\n<p>A relev\u00e2ncia da cidade, a despeito de seu pequeno porte, est\u00e1 relacionada com o fato de ser uma conectora de fluxos econ\u00f4micos, principalmente vinculados \u00e0 produ\u00e7\u00e3o do a\u00e7a\u00ed (<i>Euterpe oleracea<\/i>) \u2013 o munic\u00edpio \u00e9 o segundo maior produtor da fruta no pa\u00eds. Funciona, portanto, como um n\u00f3 em uma rede de rela\u00e7\u00f5es sociais que se estabelecem entre o urbano e as comunidades ribeirinhas.<\/p>\n<p>&#8220;Agora, neste segundo projeto que estamos iniciando no \u00e2mbito do Belmont Forum, vamos ampliar o foco de nossa an\u00e1lise para 50 munic\u00edpios, em uma grande \u00e1rea que \u00e9 o Delta do Amazonas, e mergulhar ainda mais na realidade dessas cidades&#8221;, contou Costa.<\/p>\n<p>Os estudos ser\u00e3o mantidos em Ponta de Pedras, acrescentou, com o objetivo de criar uma sequ\u00eancia de dados que permita ver a evolu\u00e7\u00e3o da cidade no tempo. Ser\u00e3o inclu\u00eddas outras importantes cidades, como Mazag\u00e3o (AP) e Barcarena (PA), para onde os migrantes s\u00e3o atra\u00eddos pela presen\u00e7a de uma grande ind\u00fastria produtora de alum\u00ednio.<\/p>\n<p>A coleta de dados \u00e9 feita por meio da aplica\u00e7\u00e3o de question\u00e1rios em setores censit\u00e1rios e seguindo a metodologia de amostragem aleat\u00f3ria estratificada. Paralelamente, os pesquisadores recorrem a m\u00e9todos de geoprocessamento e de sensoriamento remoto, ou seja, usam imagens de sat\u00e9lite para explicitar as din\u00e2micas espaciais.<\/p>\n<p>&#8220;A ideia \u00e9 criar material cartogr\u00e1fico que permita compreender a din\u00e2mica de crescimento da cidade e como ela est\u00e1 mudando. Com as informa\u00e7\u00f5es levantadas pelos question\u00e1rios, consigo avaliar qual \u00e9 a qualidade desse crescimento, o perfil da popula\u00e7\u00e3o, o sal\u00e1rio m\u00e9dio, as fontes de renda e qual \u00e9 a rede de relacionamento com as comunidades pr\u00f3ximas&#8221;, explicou Costa.<\/p>\n<p>A amplia\u00e7\u00e3o da \u00e1rea de coleta de dados permitir\u00e1, segundo a pesquisadora, a realiza\u00e7\u00e3o de estudos comparativos, tendo como base o que j\u00e1 foi observado em Ponte de Pedras.<\/p>\n<p><b>Avalia\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade<\/b><\/p>\n<p>Embora a urbaniza\u00e7\u00e3o intensa e desordenada seja uma realidade em toda a Amaz\u00f4nia brasileira, o projeto coordenado por Costa e Brondizio tem como foco o estu\u00e1rio do Rio Amazonas por estar vinculado ao projeto internacional Deltas, do Belmont Forum.<\/p>\n<p>&#8220;Os deltas s\u00e3o considerados regi\u00f5es ambientalmente vulner\u00e1veis e, por isso, os impactos de processo de ocupa\u00e7\u00e3o desordenado nesses locais tendem a causar impactos ainda maiores. Podem comprometer, por exemplo, a reprodu\u00e7\u00e3o de determinadas esp\u00e9cies de peixe ou de camar\u00e3o&#8221;, explicou Costa.<\/p>\n<p>O projeto internacional conta com um grupo de pesquisadores trabalhando em tr\u00eas deltas: um na China, um na \u00cdndia e o do Rio Amazonas. De acordo com Brondizio, a ideia \u00e9 conectar todos os dados levantados e relacionar as informa\u00e7\u00f5es sobre crescimento urbano com dados de desmatamento, mudan\u00e7as no n\u00edvel da mar\u00e9 e no \u00edndice pluviom\u00e9trico, entre outras, para projetar cen\u00e1rios futuros e fazer avalia\u00e7\u00e3o de vulnerabilidades.<\/p>\n<p>&#8220;O grupo conta com especialistas em hidrologia, biof\u00edsica, biologia, quest\u00f5es clim\u00e1ticas e inunda\u00e7\u00e3o. A ideia \u00e9 que todos possam usar o grande banco de dados cumulativos que est\u00e1 sendo gerado para projetar cen\u00e1rios de mudan\u00e7as em diferentes partes da bacia e avaliar como essas mudan\u00e7as afetariam as popula\u00e7\u00f5es&#8221;, explicou Brondizio.<\/p>\n<p>Na opini\u00e3o de Costa, ao discutir a tem\u00e1tica das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas globais \u00e9 fundamental levar em conta a quest\u00e3o da urbaniza\u00e7\u00e3o, que \u00e9 extremamente problem\u00e1tica. &#8220;A maioria das pesquisas sobre a Amaz\u00f4nia \u00e9 focada em entender a floresta e as emiss\u00f5es de gases-estufa. A quest\u00e3o urbana fica em segundo plano, o que \u00e9 uma falha fundamental, pois compromete a qualidade de vida da popula\u00e7\u00e3o e traz impactos para o ecossistema&#8221;, disse.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cerca de 90% das cidades situadas no estu\u00e1rio do Rio Amazonas possuem menos de 20<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":9791,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/cescimento_desordenado.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/cescimento_desordenado.jpg",150,96,false],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/cescimento_desordenado.jpg",300,192,false],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/cescimento_desordenado.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/cescimento_desordenado.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/cescimento_desordenado.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/cescimento_desordenado.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/cescimento_desordenado.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/cescimento_desordenado.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/cescimento_desordenado.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Cerca de 90% das cidades situadas no estu\u00e1rio do Rio Amazonas possuem menos de 20","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9790"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9790"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9790\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9791"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9790"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9790"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9790"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}