{"id":97520,"date":"2018-12-18T11:00:08","date_gmt":"2018-12-18T14:00:08","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=97520"},"modified":"2018-12-17T20:32:01","modified_gmt":"2018-12-17T23:32:01","slug":"ilha-de-pascoa-une-ciencia-ao-conhecimento-tradicional-para-enfrentar-desafios-ambientais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/ilha-de-pascoa-une-ciencia-ao-conhecimento-tradicional-para-enfrentar-desafios-ambientais\/","title":{"rendered":"Ilha de P\u00e1scoa une ci\u00eancia ao conhecimento tradicional para enfrentar desafios ambientais"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/pascoa.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-97522\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/pascoa-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/pascoa-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/pascoa.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Como outras comunidades insulares no Oceano Pac\u00edfico, a Ilha de P\u00e1scoa enfrenta o impacto adverso da mudan\u00e7a clim\u00e1tica, da mar\u00e9 de pl\u00e1stico e de outros desafios ambientais, e est\u00e1 buscando solu\u00e7\u00f5es inovadoras para enfrent\u00e1-los.<\/p>\n<p>\u201cEstamos muito conscientes da mudan\u00e7a clim\u00e1tica. Uma das consequ\u00eancias mais graves \u00e9 a eros\u00e3o de nossos s\u00edtios arqueol\u00f3gicos. Corremos o risco de perder nossa heran\u00e7a cultural\u201d, diz Camilo Rapu, que tamb\u00e9m lidera a comunidade Mau Henua, que re\u00fane moradores de ascend\u00eancia rapanui. O relato \u00e9 da ONU Meio Ambiente.<\/p>\n<p>Ondas quebram furiosamente contra a costa e os penhascos de Rapanui, mais conhecida como Ilha de P\u00e1scoa, a ilha habitada mais remota do planeta.<\/p>\n<p>Camilo Rapu, diretor do Parque Nacional de Rapanui, aponta para alguns petr\u00f3glifos antigos empoleirados na beira de um penhasco erodido. \u201cJ\u00e1 perdemos pe\u00e7as inestim\u00e1veis esculpidas em rochas aqui. Elas simplesmente desabaram no mar por causa do poder das ondas\u201d, diz ele.<\/p>\n<p>A eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel do mar est\u00e1 amea\u00e7ando o patrim\u00f4nio \u00fanico desta ilha, localizada no Oceano Pac\u00edfico, a 3.700 quil\u00f4metros da costa continental do Chile. Ondas cada vez mais fortes est\u00e3o erodindo petr\u00f3glifos e moai, as est\u00e1tuas colossais ic\u00f4nicas da ilha que representam os ancestrais, bem como as plataformas, ou ahu, sobre as quais elas est\u00e3o localizadas.<\/p>\n<p>Cerca de 900 moai e 300 ahu foram criados por descendentes de colonos da Polin\u00e9sia Oriental entre os s\u00e9culos 11 e 17, dando forma a uma paisagem incompar\u00e1vel em Rapanui.<\/p>\n<p>Essas joias arqueol\u00f3gicas s\u00e3o listadas como Patrim\u00f4nio Mundial da UNESCO e representam a principal atra\u00e7\u00e3o para o turismo, do qual a economia da ilha depende.<\/p>\n<p>Como outras comunidades insulares no Oceano Pac\u00edfico, a Ilha de P\u00e1scoa enfrenta o impacto adverso da mudan\u00e7a clim\u00e1tica, da mar\u00e9 de pl\u00e1stico e de outros desafios ambientais, e est\u00e1 buscando solu\u00e7\u00f5es inovadoras para enfrent\u00e1-los.<\/p>\n<p>\u201cEstamos muito conscientes da mudan\u00e7a clim\u00e1tica. Uma das consequ\u00eancias mais graves \u00e9 a eros\u00e3o de nossos s\u00edtios arqueol\u00f3gicos. Corremos o risco de perder nossa heran\u00e7a cultural. \u00c9 por isso que precisamos pensar diferente e buscar formas inovadoras de preserv\u00e1-la\u201d, diz Camilo Rapu, que tamb\u00e9m lidera a comunidade Mau Henua, que re\u00fane moradores de ascend\u00eancia rapanui encarregados de administrar o parque desde 2016.<\/p>\n<p>Cerca de 40% dos 8 mil habitantes da ilha s\u00e3o rapanuis.<\/p>\n<p>Um pared\u00e3o para segurar as ondas foi constru\u00eddo em um local conhecido como Runga Va\u2019e. Outras solu\u00e7\u00f5es est\u00e3o sendo discutidas, como o uso de pedras mais est\u00e1veis para ancorar os petr\u00f3glifos. No entanto, muito mais ser\u00e1 necess\u00e1rio para que os ilh\u00e9us se adaptem aos dois piores efeitos da mudan\u00e7a clim\u00e1tica: inunda\u00e7\u00e3o costeira e escassez de \u00e1gua.<\/p>\n<p>\u201cJ\u00e1 n\u00e3o chove como antes, e nossa agricultura tradicional est\u00e1 sendo afetada\u201d, diz Juan Haoa, que lidera um projeto agroecol\u00f3gico na Toki, uma organiza\u00e7\u00e3o local. O m\u00e9todo ancestral rapanui \u00e9 adotado no manavai, ou as paredes de pedra que cont\u00e9m a umidade do solo e protegem as culturas de batata-doce, inhame e cana-de-a\u00e7\u00facar. As paredes estavam situadas em locais baixos e sombreados.<\/p>\n<p>O manavai ainda \u00e9 usado hoje, mas devido \u00e0 falta de \u00e1gua, o sistema se mostra menos eficiente do que no passado. Juan Haoa est\u00e1 combinando conhecimento tradicional com ci\u00eancia para identificar novas estrat\u00e9gias para produzir mais e diversificar as culturas. Ele tem apenas um objetivo em mente: contribuir para a seguran\u00e7a alimentar da ilha.<\/p>\n<p>Haoa est\u00e1 usando um sistema de coleta de \u00e1gua da chuva para as novas culturas, que incluem vegetais e frutas nunca cultivadas na ilha.<\/p>\n<p>\u201cNoventa e cinco por cento de toda a nossa comida vem do continente \u2014 n\u00e3o podemos mais ser t\u00e3o dependentes. A ilha tem o potencial de ser auto-suficiente. Precisamos preservar nossas antigas tradi\u00e7\u00f5es, mas trabalhar ao mesmo tempo em garantir nossa seguran\u00e7a alimentar e, por que n\u00e3o, um dia pensar em exportar nossos produtos\u201d, diz Haoa.<\/p>\n<p>No Parque Nacional, que cobre cerca de 40% da ilha e recebe 100.000 visitantes todos os anos, v\u00e1rias tecnologias limpas tamb\u00e9m est\u00e3o sendo implementadas: banheiros ecol\u00f3gicos, pain\u00e9is solares e biodigestores.<\/p>\n<p>\u201cNingu\u00e9m melhor que os locais para cuidar dessa heran\u00e7a. Pouco a pouco, instalamos novas tecnologias no parque\u201d, afirma Lavinia Pat\u00e9, diretora adjunta do Parque Rapanui.<\/p>\n<p>Barato, f\u00e1cil de gerenciar e movimentado, os biodigestores quebram restos de comida e outros materiais org\u00e2nicos e colhem o metano que produzem. Eles ent\u00e3o geram biog\u00e1s que pode ser usado para cozinhar e substituir os fog\u00f5es a lenha. Pelo menos seis biodigestores foram instalados no Parque Rapanui, que tamb\u00e9m tem pain\u00e9is solares.<\/p>\n<p>Em novembro, a primeira usina fotovoltaica, com uma instala\u00e7\u00e3o de 400 pain\u00e9is e uma capacidade de 100 Kw, come\u00e7ou a operar. A usina solar ir\u00e1 substituir pelo menos 8% do consumo de diesel na ilha.<\/p>\n<p>No parque, n\u00e3o h\u00e1 latas de lixo. A comunidade rapanui espera que os turistas n\u00e3o produzam res\u00edduos ou os descartem nas lixeiras de reciclagem dos hot\u00e9is. Sacos pl\u00e1sticos agora s\u00e3o regulamentados na ilha, e seus habitantes est\u00e3o tentando cumprir a proibi\u00e7\u00e3o nacional desses itens de pl\u00e1stico de uso \u00fanico.<\/p>\n<p>O Chile produz 3,2 bilh\u00f5es de sacolas pl\u00e1sticas todos os anos, e apenas 10% s\u00e3o recicladas. A legisla\u00e7\u00e3o promulgada em agosto d\u00e1 seis meses para grandes empresas e dois anos para pequenas lojas eliminarem o uso de sacolas pl\u00e1sticas.<\/p>\n<p>A Ilha de P\u00e1scoa, como outras ilhas remotas ic\u00f4nicas, como o arquip\u00e9lago de Gal\u00e1pagos, no Equador, n\u00e3o \u00e9 estranha \u00e0 mar\u00e9 de pl\u00e1stico. Cerca de 13 milh\u00f5es de toneladas de pl\u00e1stico s\u00e3o despejadas no oceano todos os anos e correntes poderosas transportam os destro\u00e7os para os cantos mais isolados do planeta.<\/p>\n<p>A Ilha de P\u00e1scoa \u00e9 pequena, com apenas 16.628 hectares, mas os restos de pesca derivados de pr\u00e1ticas insustent\u00e1veis e o lixo dos cruzeiros visitantes chegam \u00e0 costa. A areia em Anakena, a principal praia da ilha, est\u00e1 repleta de micropl\u00e1sticos.<\/p>\n<p>Em um centro de reciclagem chamado Orito, 20 toneladas de pl\u00e1stico, papel\u00e3o e alum\u00ednio s\u00e3o coletadas e enviadas de avi\u00e3o todos os meses para o Chile continental para serem recicladas. Responde por cerca de 10% de todos os res\u00edduos gerados na ilha. O restante vai para um aterro.<\/p>\n<p>\u201cTamb\u00e9m estamos coletando baterias, \u00f3leos, pneus e lixo eletr\u00f4nico e estamos procurando parcerias com empresas no Chile ou outros pa\u00edses\u201d, diz Marco Haoa, gerente de opera\u00e7\u00f5es da usina de reciclagem.<\/p>\n<p>\u201cNosso objetivo \u00e9 transportar todo o lixo recicl\u00e1vel para o continente at\u00e9 2020\u201d, garante.<\/p>\n<p>Em fevereiro, o Chile ganhou aplausos em todo o mundo ao declarar na Ilha de P\u00e1scoa uma reserva marinha protegida de 724.000 km2, uma das maiores da regi\u00e3o. As ind\u00fastrias pesqueira e extrativista ser\u00e3o banidas dentro da \u00e1rea, mas m\u00e9todos artesanais rapanui para captura de peixes ser\u00e3o promovidos. Os rapanuis participar\u00e3o do manejo desta reserva marinha, como j\u00e1 fazem na reserva terrestre.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um grande passo\u201d, diz Pedro Edmunds Paoa, prefeito da Ilha de P\u00e1scoa. \u201cO desafio agora \u00e9 tentar lembrar e perguntar a n\u00f3s mesmos: o que nossos ancestrais fizeram para proteger o mar? O que vem \u00e0 mente \u00e9 o conceito rapanui de \u2018tapu\u2019, que significa fim do ciclo da pesca. S\u00e9culos atr\u00e1s, eles j\u00e1 permitiam o reabastecimento por meio de estoques\u201d, diz ele.<\/p>\n<p>O conhecimento tradicional oferece uma perspectiva inigual\u00e1vel para a gest\u00e3o marinha em comunidades com fortes rela\u00e7\u00f5es com o mar.<\/p>\n<p>De Palau ao Hava\u00ed e Guam, v\u00e1rias ilhas do Pac\u00edfico, como a Ilha de P\u00e1scoa, est\u00e3o tentando garantir a subsist\u00eancia local atrav\u00e9s da inova\u00e7\u00e3o, preservando suas pr\u00e1ticas milenares.<\/p>\n<p>\u201cEstamos prontos para buscar solu\u00e7\u00f5es inovadoras, para mostrar ao mundo que, apesar de estarmos t\u00e3o isolados, podemos cuidar desse pequeno lugar que pertence a todos\u201d, diz Lavinia Pat\u00e9.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como outras comunidades insulares no Oceano Pac\u00edfico, a Ilha de P\u00e1scoa enfrenta o impacto adverso<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":97522,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/pascoa.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/pascoa-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/pascoa-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/pascoa.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/pascoa.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/pascoa.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/pascoa.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/pascoa.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/pascoa.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/pascoa.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Como outras comunidades insulares no Oceano Pac\u00edfico, a Ilha de P\u00e1scoa enfrenta o impacto adverso","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/97520"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=97520"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/97520\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/97522"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=97520"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=97520"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=97520"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}