{"id":97499,"date":"2018-12-18T15:00:29","date_gmt":"2018-12-18T18:00:29","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=97499"},"modified":"2018-12-17T20:03:41","modified_gmt":"2018-12-17T23:03:41","slug":"humanidade-esta-revertendo-a-tendencia-de-resfriamento-do-planeta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/humanidade-esta-revertendo-a-tendencia-de-resfriamento-do-planeta\/","title":{"rendered":"Humanidade est\u00e1 revertendo a tend\u00eancia de resfriamento do planeta"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"intro\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/aquecimento.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-97500\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/aquecimento-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/aquecimento-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/aquecimento.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>A\u00a0<\/span>mudan\u00e7a do clima n\u00e3o depende da a\u00e7\u00e3o do homem. A ci\u00eancia j\u00e1 comprovou que, ao longo dos milh\u00f5es de anos do planeta, a temperatura m\u00e9dia variou constantemente sem a necessidade de ter algu\u00e9m queimando combust\u00edveis f\u00f3sseis. O argumento, um dos preferidos dos negacionistas do impacto da humanidade no clima, deixa de lado um fato: estamos revertendo a tend\u00eancia de resfriamento da Terra.<\/p>\n<p>Um estudo publicado na revista\u00a0<a href=\"https:\/\/www.pnas.org\/content\/early\/2018\/12\/05\/1809600115\" target=\"_blank\">Proceedings of National Academy of Sciences<\/a>\u00a0demonstrou que a atividade humana precisa de dois s\u00e9culos mudar o padr\u00e3o clim\u00e1tico. Assim, em 2030, o clima da Terra deve ser semelhante ao do per\u00edodo geol\u00f3gico de 3 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s chamado Plioceno m\u00e9dio.<\/p>\n<p>Assim, se nosso padr\u00e3o de emiss\u00e3o de gases de efeito estuda a longo prazo se mantiverem, em 20150 nosso clima poder\u00e1 ser comparado ao Eoceno, um per\u00edodo quente em que o gelo quase n\u00e3o existia 50 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s. &#8220;Se pensarmos no futuro em termos do passado, para onde estamos indo \u00e9 um territ\u00f3rio inexplorado para a sociedade humana&#8221;, diz o principal autor do estudo, Kevin Burke, que realizou enquanto trabalhava no laborat\u00f3rio de paleoecologia de John &#8220;Jack&#8221; Williams, da\u00a0<a href=\"https:\/\/www.sciencedaily.com\/releases\/2018\/12\/181210150614.htm\" target=\"_blank\">Universidade de Wisconsin-Madison<\/a>.<\/p>\n<p>Todas as esp\u00e9cies da Terra hoje tiveram um ancestral que sobreviveu ao Eoceno e ao Plioceno, mas se os humanos, a flora e a fauna com que estamos familiarizados podem se adaptar a essas r\u00e1pidas mudan\u00e7as, ainda n\u00e3o se sabe. A taxa acelerada de mudan\u00e7a parece ser mais r\u00e1pida do que qualquer coisa que a vida no planeta tenha experimentado antes.<\/p>\n<p>O estudo comparou proje\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas futuras com dados clim\u00e1ticos hist\u00f3ricos do in\u00edcio do s\u00e9culo XX. &#8220;Podemos usar o passado como um crit\u00e9rio para entender o futuro, que \u00e9 t\u00e3o diferente de qualquer coisa que tenhamos experimentado em nossas vidas&#8221;, diz Williams.<\/p>\n<p>&#8220;As pessoas t\u00eam dificuldade em projetar como ser\u00e1 o mundo daqui a cinco ou dez anos. Esta \u00e9 uma ferramenta para prever isso. Usar an\u00e1logos geol\u00f3gicos profundos da hist\u00f3ria da Terra para pensar em mudan\u00e7as no tempo.&#8221;<\/p>\n<p>Durante o Eoceno, os continentes da Terra estavam mais pr\u00f3ximos e as temperaturas globais eram em m\u00e9dia 13 graus Celsius mais quentes do que s\u00e3o hoje. Os dinossauros haviam sido extintos recentemente e os primeiros mam\u00edferos, como baleias e cavalos ancestrais, estavam se espalhando pelo globo. O \u00c1rtico era ocupado por florestas pantanosas como as encontradas hoje no sul dos EUA.<\/p>\n<p>No Plioceno, as Am\u00e9ricas do Norte e do Sul juntaram-se tectonicamente, o clima era \u00e1rido, as pontes terrestres permitiam que os animais se espalhassem pelos continentes. As temperaturas estavam entre 1,8 a 3,6 graus Celsius mais quentes do que s\u00e3o hoje.<\/p>\n<p>Para o estudo, Burke e Williams examinaram as semelhan\u00e7as entre proje\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas futuras apresentadas pelo Quinto Relat\u00f3rio de\u00a0<a href=\"https:\/\/revistagalileu.globo.com\/galileu-e-o-clima\/noticia\/2018\/10\/reduzir-o-aquecimento-global-requer-esforco-sem-precedentes-diz-onu.html\" target=\"_blank\">Avalia\u00e7\u00e3o do Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC)<\/a>\u00a0e v\u00e1rios per\u00edodos da hist\u00f3ria geol\u00f3gica.<\/p>\n<p>Estes inclu\u00edram o in\u00edcio do Eoceno, o meio do Plioceno, o \u00daltimo Interglacial (129 a 116 mil anos atr\u00e1s), o Holoceno m\u00e9dio (h\u00e1 6.000 anos), a era pr\u00e9-industrial (antes de 1850) e o in\u00edcio do s\u00e9culo XX.<\/p>\n<p>Eles se basearam em dois RCPs (sigla em ingl\u00eas para Cen\u00e1rios de Concentra\u00e7\u00e3o Representativos) do IPCC, que demonstram os poss\u00edveis caminhos da humanidade, para elaborar as proje\u00e7\u00f5es. Um mais pessimista, em que n\u00e3o mitigamos os gases de efeito estufa, e um otimista, em que reduzimos moderadamente as emiss\u00f5es.<\/p>\n<p>Em ambos os cen\u00e1rios e em cada modelo, comparado com eras anteriores, o clima da Terra mais se assemelhava ao Pliocene m\u00e9dio at\u00e9 2030 no pessimista ou 2040 no otimista. No cen\u00e1rio de estabiliza\u00e7\u00e3o do g\u00e1s estufa. o clima ent\u00e3o se estabiliza em condi\u00e7\u00f5es semelhantes \u00e0s do Plioceno, mas sob as emiss\u00f5es mais altas de gases de efeito estufa, o clima continua a aquecer at\u00e9 come\u00e7ar a se assemelhar ao Eoceno em 2100.<\/p>\n<p>Os modelos mostraram esses climas geol\u00f3gicos profundos emergindo primeiro do centro dos continentes e expandindo-se para o exterior ao longo do tempo. As temperaturas aumentam, assim como\u00a0 a precipita\u00e7\u00e3o, as calotas polares derretem e o clima torna-se temperado perto dos p\u00f3los da Terra.<\/p>\n<p>Segundo Burke, o mais prov\u00e1vel \u00e9 que a realidade se apresente em algum ponto entre os dois cen\u00e1rios. &#8220;Com base em dados observacionais, estamos acompanhando os limites mais altos dos cen\u00e1rios de emiss\u00f5es, mas ainda \u00e9 cedo para dizer&#8221;, diz Burke. \u201cSe aumentarmos nossos esfor\u00e7os de mitiga\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica &#8211; como a mudan\u00e7a para a energia renov\u00e1vel &#8211; poderemos nos encontrar mais pr\u00f3ximos do limite m\u00ednimo&#8221;.<\/p>\n<p>Cerca de uma d\u00e9cada atr\u00e1s, o cientista sueco Johan Rockstr\u00f6m e seus colegas introduziram a id\u00e9ia de &#8220;espa\u00e7o operacional seguro&#8221;, referindo-se \u00e0s condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas sob as quais as sociedades agr\u00edcolas modernas se desenvolveram. Comparando com o passado profundo, Williams e Burke dizem que somos capazes de entender melhor os limites e limiares planet\u00e1rios que delineiam esse espa\u00e7o.<\/p>\n<p>&#8220;Quanto mais nos afastarmos do Holoceno (nosso per\u00edodo geol\u00f3gico atual), maior o potencial de sairmos do espa\u00e7o operacional seguro&#8221;, diz Williams. &#8220;Nos cerca de 20 a 25 anos que tenho trabalhado no campo, passamos de esperar que a mudan\u00e7a clim\u00e1tica aconte\u00e7a, para detectar os efeitos, e agora, estamos vendo que est\u00e1 causando danos.\u201d<\/p>\n<p>Ele segue: \u201cAs pessoas est\u00e3o morrendo, a propriedade est\u00e1 sendo danificada, estamos vendo inc\u00eandios intensificados e tempestades intensificadas que podem ser atribu\u00eddas \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica. H\u00e1 mais energia no sistema clim\u00e1tico, levando a eventos mais intensos \u201d.<\/p>\n<p>Para ele, no entanto, a proje\u00e7\u00e3o n\u00e3o se trata de uma senten\u00e7a de morte da humanidade. &#8220;Vimos grandes coisas acontecerem na hist\u00f3ria da Terra &#8211; novas esp\u00e9cies evolu\u00edram, a vida persiste e esp\u00e9cies sobrevivem. Mas muitas esp\u00e9cies ser\u00e3o perdidas e n\u00f3s vivemos neste planeta&#8221;, diz Williams. &#8220;Estas s\u00e3o coisas para se preocupar, ent\u00e3o este trabalho nos aponta como podemos usar nossa hist\u00f3ria e a da Terra para entender as mudan\u00e7as hoje e como podemos nos adaptar melhor.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A\u00a0mudan\u00e7a do clima n\u00e3o depende da a\u00e7\u00e3o do homem. 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