{"id":97366,"date":"2018-12-16T15:00:50","date_gmt":"2018-12-16T18:00:50","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=97366"},"modified":"2018-12-16T12:10:27","modified_gmt":"2018-12-16T15:10:27","slug":"a-repeticao-e-a-reinvencao-de-processos-geologicos-orientam-pesquisas-artisticas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/a-repeticao-e-a-reinvencao-de-processos-geologicos-orientam-pesquisas-artisticas\/","title":{"rendered":"A repeti\u00e7\u00e3o e a reinven\u00e7\u00e3o de processos geol\u00f3gicos orientam pesquisas art\u00edsticas"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\"><span class=\"s1\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/silencio.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-97367\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/silencio-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/silencio-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/silencio.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Thiago Rocha Pitta n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um observador da natureza; \u00e9 um artista empenhado em promover transforma\u00e7\u00f5es da mat\u00e9ria<\/span>. Sua a\u00e7\u00e3o consiste em fomentar encontros e armar as condi\u00e7\u00f5es para que elementos heterog\u00eaneos se toquem, se agreguem, entrem em combust\u00e3o e se consumam.<span class=\"s2\">\u00a0Com isso, trabalha a favor da corros\u00e3o de convic\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s2\">Desde a origem de sua pesquisa art\u00edstica, no come\u00e7o dos anos 2000, ele se relaciona com a natureza \u2013 seus elementos, for\u00e7a e temporalidade \u2013 nunca de forma representacional, mas experimental. Promoveu um embate entre fogo e \u00e1gua em um trabalho que tamb\u00e9m se revelou um retorno \u00e0 hist\u00f3ria da arte. Homenagem a William Turner (2002) faz uma releitura da tela Sepultura Mar\u00edtima, do pintor rom\u00e2ntico ingl\u00eas, em filme rodado em 16 mm, constru\u00eddo em dois planos-sequ\u00eancia que mostram um barco em chamas no mar.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s2\">Em Projeto Para Uma Pintura Temporal #4 (2011), nas Cavalari\u00e7as do Parque Lage, no Rio de Janeiro, construiu uma instala\u00e7\u00e3o ambiental usando \u201cdados atmosf\u00e9ricos do lugar\u201d. Isto \u00e9, condicionou o acontecimento da \u201cpintura\u201d aos efeitos da umidade da galeria sobre o tecido manchado com limalha de ferro. O encontro prolongado da \u00e1gua com o ferro produziu uma paisagem erodida, em movimento inapreens\u00edvel a olho nu.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s2\">Essa condi\u00e7\u00e3o temporal estruturadora do trabalho tamb\u00e9m entra no \u00e2mbito da hist\u00f3ria da arte quando, nos Mapas Temporais de uma Terra N\u00e3o Sedimentada (2015), Rocha Pitta come\u00e7a a trabalhar com a t\u00e9cnica do afresco \u2013 que desapareceu com o advento da pintura a \u00f3leo, no s\u00e9culo 15. \u201cEram, basicamente, mapas que se moviam, que n\u00e3o eram cristalizados. Mapas de uma terra que est\u00e1 se movendo\u201d, diz Rocha Pitta \u00e0\u00a0<b>seLecT<\/b>. A inseguran\u00e7a \u00e9 outra dimens\u00e3o que corporifica o trabalho. Isso fica claro na s\u00e9rie Monumento \u00e0 Deriva Continental (2011-2015), que remete a eventos cr\u00edticos como movimentos tect\u00f4nicos, terremotos, avalanches e deslizamentos de terra.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s2\">Os acidentes s\u00e3o t\u00e3o balizadores da obra de Rocha Pitta quanto os longos e lentos processos de forma\u00e7\u00e3o geol\u00f3gica. O artista tra\u00e7a um paralelo entre a elabora\u00e7\u00e3o do afresco, que leva tr\u00eas meses para se efetivar, e o processo natural do ciclo do carbono, que leva 100 milh\u00f5es de anos para acontecer. \u201cO afresco \u00e9 uma t\u00e9cnica geol\u00f3gica, mineral\u201d, sugere Rocha Pitta. \u201cToda chuva \u00e9 \u00e1cida. No processo geol\u00f3gico natural, a chuva fixa o carbono na pedra, que depois corre pelo rio e vai para o mar. Depois de enterrado, esse carbono org\u00e2nico volta \u00e0 superf\u00edcie com a erup\u00e7\u00e3o dos vulc\u00f5es. O afresco \u00e9 um processo, se n\u00e3o id\u00eantico, muito parecido. Se voc\u00ea pegar o carbonato de c\u00e1lcio e coloc\u00e1-lo no forno, depois debaixo d\u2019\u00e1gua, quando secar ele absorver\u00e1 carbono de novo da atmosfera.\u201d<\/span><\/p>\n<div class=\"singlesliderwrap\">\n<div class=\"flexslider singleslider\">\n<div class=\"clear\"><\/div>\n<ul class=\"slides\">\n<li class=\"\"><img loading=\"lazy\" class=\"attachment-blog-big size-blog-big\" draggable=\"false\" src=\"https:\/\/www.select.art.br\/wp-content\/uploads\/sites\/12\/2018\/10\/captura-de-tela-2018-10-30-as-14-08-53-752x490.png\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"480\" \/>\n<div class=\"flex-caption\">Fotografia Sem T\u00edtulo (2015), de Thiago Rocha Pitta (Foto: Cortesia do Artista)<\/div>\n<\/li>\n<li class=\"flex-active-slide\"><img loading=\"lazy\" class=\"attachment-blog-big size-blog-big\" draggable=\"false\" src=\"https:\/\/www.select.art.br\/wp-content\/uploads\/sites\/12\/2018\/10\/captura-de-tela-2018-10-30-as-14-09-07-752x490.png\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"480\" \/>\n<div class=\"flex-caption\">Sem T\u00edtulo (2013), de Thiago Rocha Pitta, composto de tecido petrificado e terra (Foto: Cortesia do Artista)<\/div>\n<\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n<\/div>\n<p class=\"p1\"><b>Termodin\u00e2mica e cosmogonias<br \/>\n<\/b>Thiago Rocha Pitta se\u00a0<span class=\"s2\">interessa pela qu\u00edmica e a geologia desde crian\u00e7a. Pensava em cursar geologia antes de prestar artes, mas desistiu, ao constatar que, no Brasil, os cursos s\u00e3o muito mais voltados para o desenvolvimento da economia do petr\u00f3leo e da minera\u00e7\u00e3o. O artista move-se por um interesse cosmol\u00f3gico e pelas narrativas de como funciona o mundo. Seu projeto de pesquisa art\u00edstica come\u00e7a com o estudo das divindades ct\u00f4nicas (da terra), da Gr\u00e9cia antiga, e chega ao mito de Pers\u00e9fone, quando se interessa pelo musgo que cresce sobre suas esculturas de cimento, instaladas ao ar livre.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s2\">Filha de J\u00fapiter (Zeus) e de Ceres (Dem\u00e9ter), divindade da vegeta\u00e7\u00e3o e da terra, Pers\u00e9fone foi raptada por um Plut\u00e3o (Hades) apaixonado. Depois de procurar a filha durante nove dias e nove noites, Ceres deixou o Olimpo, negando-se a frutificar a terra. J\u00fapiter resolve a quest\u00e3o determinando que Pers\u00e9fone passaria um ter\u00e7o do ano com Plut\u00e3o, de quem se tornara esposa, um ter\u00e7o com Ceres e um ter\u00e7o no Olimpo. Assim, nascem as esta\u00e7\u00f5es do ano. Sua estada nos infernos subterr\u00e2neos corresponde ao inverno e sua volta representa a primavera.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s2\">Dizendo-se tomado de um certo \u201cerotismo vegetal\u201d, Rocha Pitta come\u00e7a a trabalhar com mat\u00e9ria viva. A vida vegetal integra as esculturas da s\u00e9rie \u201cMonumento\u201d e \u00e9 assunto da s\u00e9rie de afrescos Paisagem Marinha com Cianobact\u00e9rias (2017). \u201cAs cianobact\u00e9rias (<i>ciano, azul em grego<\/i>) est\u00e3o nas algas e em tudo que \u00e9 verde. H\u00e1 2,5 milh\u00f5es de anos eram a \u00fanica forma de vida na Terra e foram os primeiros seres vivos a fazer fotoss\u00edntese. Portanto, s\u00e3o o primeiro verde\u201d, diz o artista.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s2\">Se \u00e9 poss\u00edvel pensar em linhagens de artistas na hist\u00f3ria da arte, pode-se afirmar que Rocha Pitta est\u00e1 impactado pelos mesmos processos de auto-organiza\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria e efeitos dos processos geol\u00f3gicos e industriais sobre a paisagem que interessavam ao artista norte-americano Robert Smithson. \u201cA arte contempor\u00e2nea ainda vende a falsa promessa\u00a0<i>da arte longa e vida breve<\/i>. V\u00e1 a uma feira de arte nos EUA e veja os materiais usados. \u00c9 muito a\u00e7o inox, acr\u00edlico, pl\u00e1stico, material industrial que n\u00e3o tem \u2018tempo\u2019, promessas de nunca mudar\u201d, diz Rocha Pitta. \u201cO Smithson fazia uma cr\u00edtica radical disso j\u00e1 nos anos 1960. Ele trabalhava com a ideia de entropia (perda de energia), que \u00e9 o contr\u00e1rio da promessa de durabilidade dos materiais industriais da sociedade de consumo. Acho libertador o fato de ele colocar a entropia no centro da sua po\u00e9tica.\u201d<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s2\">\u00c9 nesse sentido inverso ao \u201cparadigma expositivo da feira, que determina que o trabalho tem de ser leve e transport\u00e1vel, tal qual mercadoria, de f\u00e1cil digest\u00e3o\u201d, que Rocha Pitta est\u00e1 criando um espa\u00e7o de arte entr\u00f3pica no meio do mato, a Funda\u00e7\u00e3o Abismo, em Petr\u00f3polis (RJ).<br \/>\nSil\u00eancio (2018), o primeiro projeto instalado no espa\u00e7o ao ar livre, j\u00e1 est\u00e1 \u00e0 merc\u00ea da intemp\u00e9rie. Em permanente modifica\u00e7\u00e3o, ele mostra que um acontecimento cultural n\u00e3o\u00a0<\/span>escapa \u00e0s leis e aos ciclos da natureza.<\/p>\n<div class=\"singlesliderwrap\">\n<div class=\"flexslider singleslider\">\n<div class=\"clear\"><\/div>\n<ul class=\"slides\">\n<li class=\"flex-active-slide\"><img loading=\"lazy\" class=\"attachment-blog-big size-blog-big\" draggable=\"false\" src=\"https:\/\/www.select.art.br\/wp-content\/uploads\/sites\/12\/2018\/10\/captura-de-tela-2018-10-30-as-14-14-39-752x490.png\" sizes=\"(max-width: 752px) 100vw, 752px\" srcset=\"https:\/\/www.select.art.br\/wp-content\/uploads\/sites\/12\/2018\/10\/captura-de-tela-2018-10-30-as-14-14-39-752x490.png 752w, https:\/\/www.select.art.br\/wp-content\/uploads\/sites\/12\/2018\/10\/captura-de-tela-2018-10-30-as-14-14-39-150x97.png 150w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"480\" \/>\n<div class=\"flex-caption\">Gigantica Amazonica (2017), de Marcelo Moscheta, remete-se aos mitos amaz\u00f4nicos e aos prim\u00f3rdios da manipula\u00e7\u00e3o da imagem (Foto: Edouard Fraipont, Cortesia Galeria Vermelho)<\/div>\n<\/li>\n<li class=\"\"><img loading=\"lazy\" class=\"attachment-blog-big size-blog-big\" draggable=\"false\" src=\"https:\/\/www.select.art.br\/wp-content\/uploads\/sites\/12\/2018\/10\/captura-de-tela-2018-10-30-as-14-37-10-752x490.png\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"480\" \/>\n<div class=\"flex-caption\">De Marcelo Moscheta, A Hist\u00f3ria Natural e Outras Ru\u00ednas (Cap\u00edtulo 9) (2018), composto de fotolito, chapa de ferro, p\u00e1gina de enciclop\u00e9dia e madeira (Foto: Edouard Fraipont, Cortesia Galeria Vermelho)<\/div>\n<\/li>\n<\/ul>\n<div class=\"clearfix\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p class=\"p1\"><b>Marcelo Moscheta e a ru\u00edna programada<br \/>\n<\/b><span class=\"s2\">Processos de forma\u00e7\u00e3o e estratifica\u00e7\u00e3o geol\u00f3gica orientam as pesquisas de Marcelo\u00a0<\/span><span class=\"s2\">Moscheta, que organiza seu trabalho art\u00edstico em torno de procedimentos de classifica\u00e7\u00e3o e arquivamento de materiais coletados em caminhadas e expedi\u00e7\u00f5es, ao modo arqueol\u00f3gico. Na videoinstala\u00e7\u00e3o O Engenho do Mundo (2018), dois monitores exibem processos produtivos humanos e naturais que, \u00e0 primeira vista, parecem se opor. Um deles mostra a atividade de um maquin\u00e1rio de minera\u00e7\u00e3o para extra\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o de brita. O outro, a produ\u00e7\u00e3o de\u00a0<\/span><span class=\"s3\">gases sendo expelida da terra, em um g\u00eaiser no Deserto do Atacama. A narrativa do artista, no entanto, n\u00e3o conduz a uma rela\u00e7\u00e3o depreciativa entre natureza e cultura, mas sugere um ciclo regenerativo. \u201cA m\u00e1quina cava a pedra e a montanha vira p\u00f3. Esse p\u00f3, milh\u00f5es e milh\u00f5es de anos sendo sedimentado, vira pedra de novo, que pode virar uma montanha, que pode ser novamente cavada\u2026 \u00e9 o engenho do mundo\u201d, diz Moscheta \u00e0\u00a0<b>seLecT<\/b>.<\/span><\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s2\">O v\u00eddeo cria uma narrativa de justaposi\u00e7\u00f5es entre ciclos produtivos e naturais que parecem querer escrever outra hist\u00f3ria, muito distante dos crit\u00e9rios que levaram o naturalista romano Pl\u00ednio, o Velho a elaborar a sua Hist\u00f3ria Natural, no s\u00e9culo 7 d.C. O trabalho integrou a exposi\u00e7\u00e3o A Hist\u00f3ria Natural e Outras Ru\u00ednas, individual do artista na Galeria Vermelho, em S\u00e3o Paulo, em junho. A ru\u00edna a que Moscheta se refere, portanto, n\u00e3o \u00e9 a morte\u00a0<\/span><span class=\"s4\">da mat\u00e9ria natural, mas seu estado de transforma\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s2\">Os materiais escolhidos para a mostra apresentam-se como estratos geol\u00f3gicos de t\u00e9cnicas e tempos passados: fotolitos, p\u00e1ginas de enciclop\u00e9dias, fragmentos de pedras litogr\u00e1ficas e objetos em bronze, mat\u00e9ria-prima cl\u00e1ssica da escultura. As tr\u00eas esculturas \u2013 Roma, Babil\u00f4nia e Egito (2018) \u2013 s\u00e3o objetos mnem\u00f4nicos. S\u00e3o feitas de pedras litogr\u00e1ficas quebradas, que ainda guardam uma camada de escrita. \u201cFa\u00e7o um empilhamento, que \u00e9 a opera\u00e7\u00e3o arquitet\u00f4nica mais b\u00e1sica. Voc\u00ea pode encarar isso como uma coluna, uma estante, uma forma tot\u00eamica na parede, que diz respeito a civiliza\u00e7\u00f5es que passaram e hoje s\u00e3o parte da hist\u00f3ria\u201d, diz Moscheta.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><b>Est\u00e9tica do\u00a0<\/b><b>faz-de-conta<br \/>\n<\/b><span class=\"s2\">Embora o interesse pela biologia e a geologia seja heran\u00e7a paterna, a rela\u00e7\u00e3o de Moscheta com a ci\u00eancia d\u00e1-se por um vi\u00e9s tangencial. \u201cO que me agrada na ci\u00eancia \u00e9 a maneira como ela apresenta os dados, as informa\u00e7\u00f5es, como o conhecimento \u00e9 passado, \u00e9 mostrado, organizando um discurso que, afinal, n\u00e3o deixa de ser ficcional\u201d, diz. \u201cQuando aplico uma coordenada geogr\u00e1fica a uma pedra, por exemplo, essa coordenada, no meu GPS, tem uma margem de erro de 3 metros. Ou seja, n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o precisa assim. Gosto desse territ\u00f3rio incerto. Aqui a arte e a ci\u00eancia se encontram. No criar realidades, inventar hist\u00f3rias, narrativas.\u201d<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s2\">Apropriando-se do discurso protocient\u00edfico, em que mito e verdade n\u00e3o s\u00e3o discern\u00edveis, Moscheta realizou a s\u00e9rie fotogr\u00e1fica Gigantica Amazonica (2017), que integrou a coletiva Amaz\u00f4nia: Os Novos Viajantes, no MuBE. A coletiva reuniu<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0\u00a0<\/span>artistas e cientistas<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0\u00a0<\/span>em torno de pesquisas sobre a natureza amaz\u00f4nica.\u00a0<\/span><span class=\"s2\">O trabalho de Moscheta parte de fotografias feitas pelo alem\u00e3o Albert Frisch, em viagem \u00e0 Amaz\u00f4nia, em 1867. Trata-se dos primeiros registros preservados de \u00edndios brasileiros da regi\u00e3o dos rios Solim\u00f5es, Negro e Amazonas. Moscheta trabalhou com um detalhe espec\u00edfico das imagens: a manipula\u00e7\u00e3o manual dos negativos. \u201cEle fazia retratos contra fundos de tecidos brancos, depois recortava as figuras e colava sobre fundos de paisagens\u201d, diz o artista, que produz nova camada de manipula\u00e7\u00e3o sobre a imagem, inserindo ao lado dos \u00edndios fotografias de folhas de esp\u00e9cies bot\u00e2nicas amaz\u00f4nicas agigantadas.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s2\">A arqueologia de Marcelo Moscheta volta-se para o futuro na instala\u00e7\u00e3o Melancholia (2016), em que 16 pe\u00e7as de bronze simulam a queda de meteoritos no ch\u00e3o da galeria. \u201cMeteoritos j\u00e1 se chocaram e modificaram o planeta, o que pode voltar a acontecer em outro ciclo, num pr\u00f3ximo apocalipse, num pr\u00f3ximo fim.\u201d Como no filme de Lars von Trier, que retrata o choque do asteroide 5708 Melancholia com a Terra, a ru\u00edna est\u00e1 programada.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 \u00a0<\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Thiago Rocha Pitta n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um observador da natureza; \u00e9 um artista empenhado em<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":97367,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/silencio.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/silencio-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/silencio-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/silencio.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/silencio.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/silencio.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/silencio.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/silencio.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/silencio.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/silencio.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Thiago Rocha Pitta n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um observador da natureza; \u00e9 um artista empenhado em","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/97366"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=97366"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/97366\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/97367"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=97366"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=97366"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=97366"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}