{"id":97003,"date":"2018-12-10T14:15:01","date_gmt":"2018-12-10T17:15:01","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=97003"},"modified":"2018-12-10T14:13:37","modified_gmt":"2018-12-10T17:13:37","slug":"pesquisadores-da-ufmg-preparam-a-escavacao-de-tumba-milenar-no-egito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/pesquisadores-da-ufmg-preparam-a-escavacao-de-tumba-milenar-no-egito\/","title":{"rendered":"Pesquisadores da UFMG preparam a escava\u00e7\u00e3o de tumba milenar no Egito"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/farao.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-97004\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/farao-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/farao-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/farao.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>O sotaque brasileiro ganhar\u00e1 eco entre as ru\u00ednas do Egito Antigo. Pela primeira vez, o Brasil comanda uma miss\u00e3o arqueol\u00f3gica no pa\u00eds. O trabalho, liderado por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), pretende desvendar, no in\u00edcio de 2019, os segredos de uma tumba constru\u00edda 1,5 mil anos antes de Cristo na antiga regi\u00e3o de Tebas, hoje Luxor, no sul do Egito.<\/p>\n<p>&#8220;Existem arque\u00f3logos brasileiros que trabalham no Egito, mas, at\u00e9 ent\u00e3o, sempre com miss\u00f5es estrangeiras&#8221;, conta, animado, Jos\u00e9 Roberto Pellini, professor da UFMG que chefiar\u00e1 a empreitada. Foi depois de um convite do governo eg\u00edpcio que Pellini e sua equipe montaram o projeto de escava\u00e7\u00e3o. &#8220;Eles nos deram muitas op\u00e7\u00f5es de monumentos e acabamos escolhendo a tumba tebana 123.&#8221;<\/p>\n<p>A estrutura foi constru\u00edda na \u00e9poca do fara\u00f3 Tutm\u00f3sis III, conhecido como o Napole\u00e3o do Egito por suas empreitadas militares. Mas, ao contr\u00e1rio das luxuosas tumbas destinadas aos reis, como a de Tutanc\u00e2mon, as tebanas eram um pouco mais modestas: serviam como cemit\u00e9rio de nobres e guardavam objetos que eles queriam levar para a vida ap\u00f3s a morte. A 123 era de Amenenhet, sobre quem pouca coisa se sabe &#8211; at\u00e9 agora.<\/p>\n<p>&#8220;Ele era um sacerdote e ocupava o cargo de contador de p\u00e3es, o que era algo importante porque o p\u00e3o funcionava como uma esp\u00e9cie de sal\u00e1rio no Egito&#8221;, explica Pellini. O trabalho de escava\u00e7\u00e3o da tumba come\u00e7ar\u00e1 por uma pequena sala anexa, que est\u00e1 entupida at\u00e9 o teto de sedimentos. O que v\u00e3o encontrar l\u00e1 dentro \u00e9 um mist\u00e9rio.<\/p>\n<p>A tumba 123 nunca foi estudada, mas o que os brasileiros acharam apenas em uma limpeza superficial no in\u00edcio deste ano \u00e9 promissor. &#8220;Identificamos v\u00e1rios materiais, peda\u00e7os de sarc\u00f3fagos, duas partes de m\u00famias, estatuetas. Tudo muito preservado, de alt\u00edssima qualidade. A expectativa \u00e9 grande.&#8221;<\/p>\n<p>Para especialistas, a miss\u00e3o coloca o Brasil no circuito da produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica internacional. &#8220;\u00c9 mais um importante passo para a \u00e1rea e que vai consolidando o di\u00e1logo com pesquisadores europeus, do Egito e americanos&#8221;, diz Maria Beatriz Borba Florenzano, do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP).<\/p>\n<p><strong>M\u00e9todo<\/strong><\/p>\n<p>Diariamente, \u00e0s 6h, as escava\u00e7\u00f5es come\u00e7am. Antes, um toxicologista avalia o risco de contamina\u00e7\u00e3o de materiais, guardados h\u00e1 centenas de anos. No fim do dia, longe da necr\u00f3pole, o trabalho \u00e9 quase igual ao de qualquer mortal: anota\u00e7\u00f5es em planilhas, separa\u00e7\u00e3o de fotos e v\u00eddeos. Nada do que for encontrado na tumba dever\u00e1 ser trazido ao Brasil. Um acordo com o governo eg\u00edpcio garante que as pe\u00e7as permane\u00e7am no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Os pesquisadores ficar\u00e3o no Egito entre janeiro e fevereiro. O trabalho de escava\u00e7\u00e3o s\u00f3 dever\u00e1 ser conclu\u00eddo nos pr\u00f3ximos quatro ou cinco anos. Nesse per\u00edodo, mais brasileiros, incluindo estudantes de gradua\u00e7\u00e3o, devem se juntar ao projeto, em uma esp\u00e9cie de &#8220;tumba-escola&#8221;. Segundo Caroline Murta, coordenadora da escava\u00e7\u00e3o, a vantagem \u00e9 que a arqueologia no Egito \u00e9 &#8220;did\u00e1tica&#8221; como em poucas partes do mundo. Protegidos pelo clima des\u00e9rtico, at\u00e9 restos humanos s\u00e3o achados em bom estado de conserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para democratizar o acesso, os pesquisadores planejam colocar a tumba ao alcance de qualquer um por meio da realidade virtual. Para isso, s\u00e3o feitas imagens em 360 graus da estrutura. Outro objetivo do grupo \u00e9 abri-la ao turismo.<\/p>\n<p>A expedi\u00e7\u00e3o conta ainda com um trabalho menos &#8220;Indiana Jones&#8221;, a cargo do grupo argentino que participa do projeto. Os hermanos v\u00e3o fazer uma incurs\u00e3o antropol\u00f3gica, de intera\u00e7\u00e3o com a comunidade. &#8220;Nos interessa trabalhar com os vivos da necr\u00f3pole, n\u00e3o s\u00f3 os mortos e fara\u00f4nicos&#8221;, diz Mar\u00eda Bernarda Marconetto, antrop\u00f3loga e professora da Universidade Nacional de C\u00f3rdoba, na Argentina.<\/p>\n<p><strong>Fasc\u00ednio antigo<\/strong><\/p>\n<p>O fasc\u00ednio do Brasil pelo Egito vem desde o Imp\u00e9rio e tem em dom Pedro II seu maior representante. Apaixonado pela civiliza\u00e7\u00e3o milenar, o imperador fez duas viagens ao Egito. &#8220;Ele conhecia alguns s\u00edmbolos e, enquanto viajava, anotava, transcrevia e desenhava tudo o que via&#8221;, conta a historiadora Liliane Corr\u00eaa. Como parte de sua pesquisa de p\u00f3s-doutorado, Liliane refez, no in\u00edcio deste ano, os caminhos do imperador.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do fasc\u00ednio pelos templos &#8211; o de Karnak, em Luxor, era o seu preferido -, Pedro de Alc\u00e2ntara tamb\u00e9m &#8220;descrevia os pores do sol e suas cores em contraste com o Nilo e o deserto&#8221;. Pe\u00e7as adquiridas pelo imperador foram levadas ao Museu Nacional, no Rio, que pegou fogo em setembro.<\/p>\n<p>Nas universidades, o interesse de pesquisadores pelo Egito Antigo s\u00f3 ganhou for\u00e7a na d\u00e9cada de 1980. Mas ainda \u00e9 pequeno o n\u00famero de cientistas brasileiros que se dedicam \u00e0 \u00e1rea.<\/p>\n<p>Para J\u00falio Gralha, professor de Hist\u00f3ria Antiga da Universidade Federal Fluminense (UFF), a expedi\u00e7\u00e3o abre campo de atua\u00e7\u00e3o para arque\u00f3logos. E compreender aspectos do Egito Antigo, como a forma de lidar com a homossexualidade e com o feminino, ajuda a refletir sobre dilemas contempor\u00e2neos. &#8220;Precisamos estudar as sociedades da Antiguidade. Elas ainda nos d\u00e3o respostas.&#8221; As informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o do jornal\u00a0<strong>O Estado de S. Paulo.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O sotaque brasileiro ganhar\u00e1 eco entre as ru\u00ednas do Egito Antigo. 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