{"id":96897,"date":"2018-12-08T12:00:53","date_gmt":"2018-12-08T15:00:53","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=96897"},"modified":"2018-12-06T17:32:03","modified_gmt":"2018-12-06T20:32:03","slug":"apos-acidente-nuclear-gravissimo-em-2011-fukushima-tenta-normalizar-sua-rotina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/apos-acidente-nuclear-gravissimo-em-2011-fukushima-tenta-normalizar-sua-rotina\/","title":{"rendered":"Ap\u00f3s acidente nuclear grav\u00edssimo em 2011, Fukushima tenta normalizar sua rotina"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/aguas_radioativas.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-96899\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/aguas_radioativas-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/aguas_radioativas-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/aguas_radioativas.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>\u00c0s 5 da madrugada de 11 de mar\u00e7o de 2011, Liliana P\u00e9rez Bocanegra, futura senhora Takahashi, estava com a fam\u00edlia no M\u00e9xico, onde decidia os detalhes de seu casamento, marcado para 26 de mar\u00e7o. Quinze horas de fuso hor\u00e1rio e 10.791 quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia a separavam do noivo, Tsukasa Takahashi.<\/p>\n<p>Mais cedo, na parte alta de Soma, cidade na prov\u00edncia japonesa de Fukushima, a vida flu\u00eda no jardim de inf\u00e2ncia Haragama, que Takahasi herdara de seu av\u00f4 anos antes. A escola fica em um terreno grande, com brinquedos no jardim e desenhos pendurados na varanda. Eram 14h30, e ele se preparava para levar para casa cinco crian\u00e7as e um beb\u00ea sob sua responsabilidade. Foi quando sentiu os tremores de 9 graus de magnitude, seguidos do tsunami.<\/p>\n<p>O Jap\u00e3o \u00e9 um arquip\u00e9lago com a d\u00e9cima maior popula\u00e7\u00e3o do mundo, um litoral quatro vezes maior que o brasileiro e 6.852 ilhas. A prov\u00edncia de Fukushima, na ilha de Honshu, estava ref\u00e9m de ondas de at\u00e9 40 metros de altura. Takahashi decidiu levar as crian\u00e7as em sua van ladeira acima, confiante de que a \u00e1gua n\u00e3o o alcan\u00e7aria. P\u00e9rez assistia a tudo pela televis\u00e3o, sem saber que o futuro marido estava ilhado, milagrosamente salvo gra\u00e7as \u00e0 eleva\u00e7\u00e3o do bairro.<\/p>\n<p>Quando escrevemos a palavra Fukushima em um site de buscas na internet, encontramos os seguintes resultados: acidente nuclear, desastre, pesadelo, cidades fantasmas, radia\u00e7\u00e3o recorde. Apenas no rodap\u00e9 da p\u00e1gina vemos a palavra \u201cdescontamina\u00e7\u00e3o\u201d,que tem sido a prioridade do Jap\u00e3o de l\u00e1 para c\u00e1. O acidente ocorrido na Central Nuclear Fukushima I, causado pelo derretimento de tr\u00eas de seus seis reatores, foi o maior desastre nuclear desde Chernobyl, em abril de 1986. Houve \u00e1reas contaminadas a uma dist\u00e2ncia de 22 quil\u00f4metros da usina. Em setembro de 2012, 80 mil pessoas haviam sido evacuadas da regi\u00e3o.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/ogimg.infoglobo.com.br\/in\/23202966-e56-7ca\/FT1086A\/652\/x7821601.jpg.pagespeed.ic.BU-PZpcYIO.jpg\" alt=\"Cenas da praia de Haragamaobama, reaberta em julho, sete anos e quatro meses depois do acidente nuclear em Fukushima Foto: B\u00c3\u00a1rbara Lopes \/ Ag\u00c3\u00aancia O Globo\" width=\"640\" height=\"384\" \/><\/p>\n<p>At\u00e9 fevereiro de 2017, o Minist\u00e9rio do Meio Ambiente japon\u00eas investira cerca de US$ 27 bilh\u00f5es na descontamina\u00e7\u00e3o de \u00e1reas residenciais e agr\u00edcolas. O solo e os res\u00edduos contaminados s\u00e3o levados para instala\u00e7\u00f5es provis\u00f3rias de estocagem. H\u00e1 instala\u00e7\u00f5es de checagem em Okuma e Futaba. A terra que n\u00e3o est\u00e1 contaminada \u00e9 reutilizada. At\u00e9 fevereiro de 2020, a meta \u00e9 ter transportado 60% do solo removido de \u00e1reas de risco para as instala\u00e7\u00f5es de estocagem e ter 40% da restaura\u00e7\u00e3o conclu\u00edda.<\/p>\n<p>Ainda assim, o principal desafio continua sendo vencer o estigma que cerca os produtos agr\u00edcolas de Fukushima. Segundo pesquisas do Sindicato das Cooperativas de Consumidores Japoneses, 12,7% da popula\u00e7\u00e3o do pa\u00eds ainda reluta em comprar produtos da prov\u00edncia. \u201cPensando no caminho para a recupera\u00e7\u00e3o, \u00e9 como se o tempo tivesse parado. A radia\u00e7\u00e3o \u00e9 um perigo altamente control\u00e1vel. Voc\u00ea pode contar, \u00e9 matem\u00e1tica. H\u00e1 radia\u00e7\u00e3o o tempo todo, o problema est\u00e1 em quanto somos expostos a ela\u201d, afirmou Fumio Yamazaki, conselheiro da Ag\u00eancia de Reconstru\u00e7\u00e3o do Jap\u00e3o.<\/p>\n<p>Desde mar\u00e7o de 2011, 1,73 milh\u00e3o de testes de monitoramento para checar a contamina\u00e7\u00e3o de alimentos foram realizados. Hoje a taxa de reprovados \u00e9 de 0,14%, na maioria cogumelos e carne de ca\u00e7a \u2014 alimentos de dif\u00edcil monitoramento preventivo. Vinte e sete pa\u00edses j\u00e1 retiraram as restri\u00e7\u00f5es de importa\u00e7\u00e3o de produtos provenientes da regi\u00e3o. Outros 44 j\u00e1 flexibilizaram as regras de importa\u00e7\u00e3o. O Brasil \u00e9 o \u00fanico pa\u00eds latino-americano que recebe produtos da prov\u00edncia de Fukushima. Exigem-se certificados de avalia\u00e7\u00e3o radiativa e de origem.<\/p>\n<p>O processo de inspe\u00e7\u00e3o, controle e coloca\u00e7\u00e3o das etiquetas em portugu\u00eas exigidas pela Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa) para a importa\u00e7\u00e3o \u00e9 feito no Centro de Tecnologia Agr\u00edcola em Fukushima, onde exportadores entregam os alimentos para a checagem. Os resultados s\u00e3o divulgados no site do \u00f3rg\u00e3o. S\u00e3o mais de 150 an\u00e1lises por dia. H\u00e1 tamb\u00e9m os centros de monitoramento volunt\u00e1rio. Em ambos o visitante \u00e9 instru\u00eddo a tirar os sapatos e usar sand\u00e1lias especiais, para evitar qualquer tipo de contamina\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de ter seu corpo escaneado por um aparelho port\u00e1til, que aponta n\u00edveis de radia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A prov\u00edncia j\u00e1 abastece a maioria dos restaurantes locais com vegetais, carne de porco, de boi e cogumelos. Shoji Suzuki, dono do restaurante Shogatsu-sou, orgulha-se ao apresentar o menu, com destaque para o sashimi e as ovas de carpa, o porco selvagem e os vegetais cultivados na regi\u00e3o. O governo tem um plano especial para o cultivo da carpa, vista comumente como ornamental, para reintroduzi-la nas refei\u00e7\u00f5es escolares. A Associa\u00e7\u00e3o Cooperativa de Pesca Soma-Futaba, ao norte da prefeitura de Fukushima, monitora 216 esp\u00e9cies.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/ogimg.infoglobo.com.br\/in\/23277360-29f-136\/FT1086A\/760\/xSoma-em-Fukushima.jpg.pagespeed.ic.IzLFv5RXI4.jpg\" alt=\"O acidente na Central Nuclear Fukushima I, provocado por um tsunami, contaminou \u00c3\u00a1reas at\u00c3\u00a9 22 quil\u00c3\u00b4metros das usinas. Cerca de 80 mil pessoas chegaram a ser retiradas da cidade de Soma, que retoma sua rotina Foto: B\u00c3\u00a1rbara Lopes \/ Ag\u00c3\u00aancia O Globo\" width=\"639\" height=\"384\" \/><\/p>\n<p>O ver\u00e3o \u00e9 a esta\u00e7\u00e3o das frutas no Jap\u00e3o. De junho a setembro, os p\u00eassegos grandes e doces de Fukushima tomam o pomar da fazenda Marusei, em Soma. Yukie Sato trabalha no pomar desde jovem e contou que, ap\u00f3s o tsunami, seu \u00fanico prop\u00f3sito era voltar a cuidar com carinho das frutas. As \u00e1rvores do pomar s\u00e3o espa\u00e7adas e bem distribu\u00eddas, no alto de cada uma h\u00e1 um tigre infl\u00e1vel com um colar de ferom\u00f4nios sexuais, parte do plano para afastar insetos. Os bichos se aproximam do colar pelo odor, d\u00e3o de cara com o tigre, em vez de um parceiro, e n\u00e3o voltam mais. E assim salvam-se as frutas, que dormem embaladas uma a uma em saquinhos de papel-manteiga.<\/p>\n<p>Desde 2013, 100% das amostras testadas de p\u00eassego origin\u00e1rias de Kawamata e da prov\u00edncia de Fukushima tiveram \u00edndices de contamina\u00e7\u00e3o igual ou inferior ao limite permitido internacionalmente. O mesmo se aplica a outros produtos, como ma\u00e7\u00e3s, peras, tomates e pepinos. Uma caixa com seis p\u00eassegos grandes pode custar at\u00e9 2.800 ienes, uma m\u00e9dia de US$ 28, quase R$ 105.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/ogimg.infoglobo.com.br\/in\/23277524-f4e-046\/FT450A\/xSoma.jpg.pagespeed.ic.10oDfqUbup.jpg\" alt=\"Aos poucos, as cidades da prov\u00c3\u00adncia de Fukushima, como Soma, voltam \u00c3\u00a0 normalidade, apesar de 62 mil pessoas ainda estarem afastadas de suas casas por causa da contamina\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o de algumas \u00c3\u00a1reas Foto: B\u00c3\u00a1rbara Lopes \/ Ag\u00c3\u00aancia O Globo\" width=\"639\" height=\"1050\" \/><\/p>\n<p>A alguns minutos da fazenda fica a Yuno Sorting, um centro de sele\u00e7\u00e3o, qualifica\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o de p\u00eassegos. A maioria dos funcion\u00e1rios tem mais de 60 anos. Quando questionados sobre a rela\u00e7\u00e3o infinita com o trabalho, as respostas s\u00e3o muitas: trabalham para viver, para manter suas mentes ocupadas, para se sentir produtivos; mas, acima de qualquer coisa, para fazer parte do processo que ajuda a reerguer uma cidade est\u00e9ril. N\u00e3o existe em japon\u00eas uma palavra que signifique \u201caposentar- se\u201d, no sentido de parar de trabalhar, como temos no Ocidente.<\/p>\n<p>Mas nem tudo s\u00e3o flores: em junho deste ano, 62 mil pessoas ainda estavam afastadas de suas casas, e o governo n\u00e3o autorizava visitas \u00e0s \u00e1reas abandonadas ap\u00f3s a contamina\u00e7\u00e3o radioativa. Cidades fantasmas ainda existem, embora as autoridades n\u00e3o gostem de mencion\u00e1-las. Em um dos dias mais quentes do ano no Jap\u00e3o, a praia de Haragamaobama, na cidade de Soma, foi aberta ao p\u00fablico pela primeira vez desde \u201cO Grande Terremoto\u201d, como os japoneses se referem \u00e0 trag\u00e9dia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c0s 5 da madrugada de 11 de mar\u00e7o de 2011, Liliana P\u00e9rez Bocanegra, futura senhora<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":96899,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/aguas_radioativas.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/aguas_radioativas-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/aguas_radioativas-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/aguas_radioativas.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/aguas_radioativas.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/aguas_radioativas.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/aguas_radioativas.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/aguas_radioativas.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/aguas_radioativas.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/aguas_radioativas.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"\u00c0s 5 da madrugada de 11 de mar\u00e7o de 2011, Liliana P\u00e9rez Bocanegra, futura senhora","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/96897"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=96897"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/96897\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/96899"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=96897"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=96897"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=96897"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}