{"id":96842,"date":"2018-12-07T12:30:43","date_gmt":"2018-12-07T15:30:43","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=96842"},"modified":"2018-12-05T20:50:11","modified_gmt":"2018-12-05T23:50:11","slug":"pessoas-tem-mais-empatia-por-cachorros-do-que-por-gente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/pessoas-tem-mais-empatia-por-cachorros-do-que-por-gente\/","title":{"rendered":"Pessoas t\u00eam mais empatia por cachorros do que por gente"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/cachorroas.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-96843\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/cachorroas-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/cachorroas-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/cachorroas.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>O caso recente da morte cruel de\u00a0<a href=\"https:\/\/exame.abril.com.br\/marketing\/morte-de-cachorro-a-pauladas-em-loja-do-carrefour-gera-onda-de-protestos\/\" target=\"_blank\">um cachorro<\/a>\u00a0em uma unidade do\u00a0<a href=\"https:\/\/exame.abril.com.br\/noticias-sobre\/carrefour\/\" target=\"_blank\"><strong>Carrefour<\/strong><\/a>\u00a0gerou como\u00e7\u00e3o pela internet. De publica\u00e7\u00f5es de ativistas at\u00e9 um boicote online promovido nos coment\u00e1rios da p\u00e1gina da empresa no Facebook, foram muitas as rea\u00e7\u00f5es negativas dos (agora ex-) clientes da rede de supermercados. E essa rea\u00e7\u00e3o enorme n\u00e3o foi inesperada. \u00c9 um fato, dizem estudos, que sentimos muita empatia pelos bichinhos de quatro patas \u2014 por vezes, mais at\u00e9 do que por outras pessoas.<\/p>\n<p>Uma das\u00a0<a href=\"https:\/\/www.researchgate.net\/publication\/316478802_Are_People_More_Disturbed_by_Dog_or_Human_Suffering_Influence_of_Victim's_Species_and_Age\" target=\"_blank\">pesquisas<\/a>\u00a0mais famosas sobre o assunto foi publicada em abril de 2017 no jornal cient\u00edfico\u00a0<a href=\"https:\/\/www.animalsandsociety.org\/human-animal-studies\/society-and-animals-journal\/\" target=\"_blank\">Society &amp; Animals<\/a>. O artigo \u00e9 assinado pelos pesquisadores Jack Levin, Arnold Arluke e Leslie Irvine, das universidades Northeastern e do Colorado, ambas nos EUA. Chamado \u201cAre People More Disturbed by Dog or Human Suffering?\u201d (\u201cAs pessoas s\u00e3o mais afetadas pelo sofrimento de um cachorro ou de um ser humano?\u201d), o estudo avaliou rea\u00e7\u00f5es de 240 estudantes de cursos de gradua\u00e7\u00e3o a casos de espancamentos de c\u00e3es e pessoas.<\/p>\n<p>Os participantes precisavam primeiro ler uma not\u00edcia fict\u00edcia, que podia ser sobre um cachorro filhote ou adulto ou sobre uma pessoa (um beb\u00ea de 1 ano ou um adulto de 30). Os textos eram quase id\u00eanticos; as \u00fanicas mudan\u00e7as eram nas identifica\u00e7\u00f5es das \u201cv\u00edtimas\u201d. Depois de ler, os estudantes tinham que informar o n\u00edvel de empatia sentido.<\/p>\n<p>Os pesquisadores esperavam que a idade das v\u00edtimas hipot\u00e9ticas causasse mais como\u00e7\u00e3o do que a esp\u00e9cie, mas viram que a hip\u00f3tese n\u00e3o estava totalmente certa \u2014 pelo menos no caso dos c\u00e3es. Para os seres humanos, o n\u00edvel de empatia era alto s\u00f3 quando a not\u00edcia envolvia beb\u00eas. Mas para os caninos, a idade n\u00e3o importava: a como\u00e7\u00e3o, ainda que menor do que a gerada por um beb\u00ea humano, era grande tanto nos casos citando filhotes quanto nas situa\u00e7\u00f5es (novamente, fict\u00edcias) com cachorros mais velhos.<\/p>\n<p><b>Uma hist\u00f3ria real<\/b><\/p>\n<p>Um teste conduzido pela institui\u00e7\u00e3o de caridade brit\u00e2nica Harrison\u2019s Fund chegou a uma conclus\u00e3o similar dois anos antes, usando um m\u00e9todo um pouco menos cient\u00edfico. O grupo, que financia pesquisas para tratamento de distrofia muscular de Duchenne, veiculou por uma semana dois an\u00fancios diferentes na internet do Reino Unido pedindo doa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Um dos banners trazia um cachorro com fei\u00e7\u00f5es tristes, enquanto outro mostrava Harrison, o menino de ent\u00e3o 8 anos que d\u00e1 nome \u00e0 funda\u00e7\u00e3o. \u201cN\u00e3o surpreendentemente, o an\u00fancio com o c\u00e3o foi clicado duas vezes mais do que o que mostrava meu filho\u201d,\u00a0<a href=\"https:\/\/harrisonsfund.com\/news-article.php\/I-Wish-my-Son-was-a-Dog-8\/\" target=\"_blank\">escreveu, na \u00e9poca<\/a>, Alex Smith, pai de Harrison e fundador do grupo.<\/p>\n<p>Levin, Arluke e Irvine, autores do primeiro estudo, t\u00eam uma explica\u00e7\u00e3o para essa empatia a mais dedicada a c\u00e3es. Em seu artigo, os pesquisadores dizem que \u201cc\u00e3es, sejam eles jovens ou adultos, s\u00e3o vistos como detentores das mesmas qualidades associadas a beb\u00eas humanos; eles s\u00e3o vistos como incapazes de se proteger totalmente\u201d. Harrison n\u00e3o era um adulto, \u00e9 claro. Mas tamb\u00e9m n\u00e3o era um beb\u00ea para despertar tanta como\u00e7\u00e3o de poss\u00edveis doadores.<\/p>\n<p><b>Via de m\u00e3o-dupla<\/b><\/p>\n<p>O curioso \u00e9 que o inverso, de certa forma, tamb\u00e9m acontece. Um\u00a0<a href=\"https:\/\/link.springer.com\/article\/10.3758%2Fs13420-018-0332-3\" target=\"_blank\">estudo<\/a>\u00a0publicado em julho deste ano no jornal cient\u00edfico Learning &amp; Behavior mostrou que c\u00e3es realmente sentem empatia por seres humanos, especialmente por pessoas que est\u00e3o tristes. As pesquisadoras Emily Sanford, Emma Burt e Julia Meyers, do Macalester College, nos EUA, tiraram a prova ao colocar pessoas chorando ou cantarolando atr\u00e1s de uma porta. As rea\u00e7\u00f5es psicol\u00f3gicas e comportamentais dos cachorros, que ficavam do outro lado, eram ent\u00e3o registradas.<\/p>\n<p>Os c\u00e3es que ouviam o som da pessoa chorando foram mais r\u00e1pidos na hora de abrir a porta, porque controlavam melhor as pr\u00f3prias emo\u00e7\u00f5es no momento necess\u00e1rio. Os outros cachorros, que ouviam uma pessoa cantarolando, j\u00e1 abriam a porta mais por curiosidade e vontade de contato social, de acordo com o estudo. A pesquisa n\u00e3o \u00e9 exatamente conclusiva, porque s\u00f3 avaliou 34 animais. Mas ao menos d\u00e1 ind\u00edcios de que os caninos parecem se importar conosco tanto quanto n\u00f3s nos importamos com eles.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O caso recente da morte cruel de\u00a0um cachorro\u00a0em uma unidade do\u00a0Carrefour\u00a0gerou como\u00e7\u00e3o pela internet. 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