{"id":96823,"date":"2018-12-07T09:00:05","date_gmt":"2018-12-07T12:00:05","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=96823"},"modified":"2018-12-05T20:32:04","modified_gmt":"2018-12-05T23:32:04","slug":"sai-extrativista-entra-boi-a-lei-do-mais-forte-em-uma-reserva-extrativista-de-rondonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/sai-extrativista-entra-boi-a-lei-do-mais-forte-em-uma-reserva-extrativista-de-rondonia\/","title":{"rendered":"Sai extrativista, entra boi: a lei do mais forte em uma reserva extrativista de Rond\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/extrativista.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-96824\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/extrativista-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/extrativista-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/extrativista.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>&#8220;Acabou tudo&#8221;, observa Laudic\u00e9ia, as m\u00e3os protegendo a vis\u00e3o do sol forte. A pequena casa de madeira, distante alguns metros, j\u00e1 vai sendo invadida pela vegeta\u00e7\u00e3o. O local onde ela planejava instalar placas de energia solar est\u00e1 abandonado desde que seu pai, seu marido e dois primos foram amea\u00e7ados por 7 homens armados. Mas um ru\u00eddo encerra abruptamente o relato feito dentro da Reserva Extrativista (Resex) estadual Jaci-Paran\u00e1, no noroeste de Rond\u00f4nia. Com o som de passos vindos do mato, ela pede que todos retornem \u00e0 embarca\u00e7\u00e3o atracada no barranco.<\/p>\n<p>Laudic\u00e9ia Soares \u00e9 filha e neta de seringueiros. Seu pai, Artur, divide-se entre a casinha simples que construiu h\u00e1 20 anos na reserva e um s\u00edtio perto de Porto Velho, capital do estado. &#8220;Na cidade n\u00e3o \u00e9 bom. Quem \u00e9 acostumado, filho de seringueiro, gosta de estar no mato&#8221;, diz Artur. Mas desde que foi amea\u00e7ado, as idas \u00e0 unidade de conserva\u00e7\u00e3o s\u00e3o marcadas pelo medo.<\/p>\n<p>As amea\u00e7as partiram de um dos pecuaristas que invadiram a reserva estadual. O governo de Rond\u00f4nia estima que haja mais de 100 mil cabe\u00e7as de gado sendo criadas ilegalmente dentro da Jaci-Paran\u00e1, que j\u00e1 perdeu 49% da floresta, derrubada para a abertura de fazendas. Trata-se de uma ilegalidade que subverte a fun\u00e7\u00e3o da reserva extrativista, \u00e1rea de dom\u00ednio p\u00fablico e definida por lei como &#8220;uma \u00e1rea utilizada por popula\u00e7\u00f5es extrativistas tradicionais, cuja subsist\u00eancia baseia-se no extrativismo e, em complemento, na agricultura de subsist\u00eancia e cria\u00e7\u00e3o de animais de pequeno porte&#8221;, cuja inten\u00e7\u00e3o \u00e9 &#8220;proteger os meios de vida e a cultura dessas popula\u00e7\u00f5es, e assegurar o uso sustent\u00e1vel dos recursos naturais da unidade&#8221;.<\/p>\n<p>Em uma Resex cada fam\u00edlia recebe o direito de utilizar um lote, chamado de &#8220;coloca\u00e7\u00e3o&#8221;. No caso da Jaci-Paran\u00e1 a maioria dos moradores s\u00e3o ex-seringueiros, ou filhos e netos de seringueiros. Com a derrocada do mercado da seringa, atualmente a maioria deles se divide entre a cidade &#8211; onde t\u00eam acesso a servi\u00e7os de sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o &#8211; e a Resex, onde mant\u00eam pequenos cultivos de subsist\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>Expuls\u00e3o<\/strong><\/p>\n<div id=\"attachment_64435\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 649px;\">\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-64435 \" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/FOTO6.jpg\" sizes=\"(max-width: 1152px) 100vw, 1152px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/FOTO6.jpg 1152w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/FOTO6-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/FOTO6-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/FOTO6-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/FOTO6-278x185.jpg 278w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/FOTO6-640x427.jpg 640w\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"426\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Janderman e a esposa foram expulsos de sua casa pelos invasores.\u00a0Foto: Marcio Isensee e S\u00e1.<\/p>\n<\/div>\n<p>((o))eco encontrou Vanderlei da Cunha trabalhando na coloca\u00e7\u00e3o de um conhecido, \u00e0 beira do Rio Jaci. \u00a0Ele j\u00e1 teve o pr\u00f3prio lote na Resex, mas foi expulso em 2010 por um fazendeiro que se disse o dono da terra: &#8220;Ele tava acompanhado por um seguran\u00e7a, armado com um [rev\u00f3lver] 38. Tava com o cabo da arma de fora, pra intimidar mesmo&#8221;. Sem terra pr\u00f3pria, come\u00e7ou a prestar servi\u00e7os aos outros moradores da regi\u00e3o. Trabalhava em uma dessas propriedades, em 2015, quando sofreu a segunda amea\u00e7a. Desta vez, eram 4 homens armados: &#8220;Um deles falou que eu tava dentro da terra dele&#8221;, lembra Vanderlei.<\/p>\n<p>O casal Janderman de Farias e Maria das Gra\u00e7as tamb\u00e9m teve de abandonar \u00e0s pressas sua coloca\u00e7\u00e3o. A intimida\u00e7\u00e3o dos invasores come\u00e7ou no dia em que encontraram a porta de casa trancada com um cadeado que n\u00e3o era o deles. Semanas depois, a mesma situa\u00e7\u00e3o: os cadeados originais haviam sido arrombados e substitu\u00eddos. Na terceira vez, um vizinho alertou que homens haviam dado uma rajada de tiros em dire\u00e7\u00e3o ao barranco do rio. A amea\u00e7a levou Janderman a esvaziar a casa: &#8220;Joguei as coisas tudo dentro da canoa. Levei fog\u00e3o, botij\u00e3o de g\u00e1s, colch\u00e3o, prato, panela&#8221;. Assustada, Maria n\u00e3o tem coragem de voltar: &#8220;A gente fica com medo n\u00e9? V\u00ea essas confus\u00f5es de terra, e \u00e9 s\u00f3 morte&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3rico de neglig\u00eancia<\/strong><\/p>\n<div id=\"attachment_64430\" class=\"wp-caption alignright\" style=\"width: 649px;\">\n<p><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-64430\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/FOTO2.jpg\" sizes=\"(max-width: 1152px) 100vw, 1152px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/FOTO2.jpg 1152w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/FOTO2-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/FOTO2-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/FOTO2-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/FOTO2-278x185.jpg 278w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/FOTO2-640x427.jpg 640w\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"426\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Extrativistas se locomovem pelos rios, enquanto invasores abriram estradas para escoar o gado. Foto: Marcio Isensee e S\u00e1.<\/p>\n<\/div>\n<p>A Reserva Extrativista Jaci-Paran\u00e1 foi criada em 1995 em uma \u00e1rea 205 mil hectares que abrange os munic\u00edpios de Porto Velho, Campo Novo de Rond\u00f4nia e Nova Mamore\u0301. O primeiro problema veio no ano seguinte, quando a Assembleia Legislativa reduziu em 6,7% a \u00e1rea da Resex, para 191.234 hectares.<\/p>\n<p>Poucos anos depois &#8211; por volta de 2002 &#8211; come\u00e7aram as primeiras invas\u00f5es. A princ\u00edpio para a retirada da madeira, depois para grilagem e, por fim, para cria\u00e7\u00e3o de gado. A paralisia do estado foi um convite a mais e mais invasores. Em 2014, provocada pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico Estadual, a Justi\u00e7a determinou a retirada do gado da reserva. Mas nem os donos dos animais nem o governo do estado se mexeram para cumprir a decis\u00e3o judicial.<\/p>\n<p>Jorge Louren\u00e7o responde pela Coordenadoria de Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o (UCs) de Rond\u00f4nia, \u00f3rg\u00e3o da\u00a0<a href=\"http:\/\/www.sedam.ro.gov.br\/\">Sedam<\/a>\u00a0(Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental) respons\u00e1vel pela administra\u00e7\u00e3o das UCs estaduais. Ele alega que a opera\u00e7\u00e3o de retirada exige grande estrutura e o suporte de outros \u00f3rg\u00e3os do governo e afirma que\u00a049% da floresta da Resex j\u00e1 foram derrubados: &#8220;Voc\u00ea v\u00ea pela imagem [de sat\u00e9lite] que a unidade \u00e9 toda pipocada. Somando pequenas ilhas de floresta, voc\u00ea tem 51% de floresta l\u00e1 dentro. Mas na verdade n\u00e3o \u00e9 uma floresta. Para a fauna, isso \u00e9 terr\u00edvel. T\u00eam esp\u00e9cies que n\u00e3o atravessam 2 metros de \u00e1rea aberta&#8221;.<\/p>\n<p>Paulo Bonavigo hoje trabalha na ONG\u00a0<a href=\"http:\/\/ecopore.org.br\/\">Ecopor\u00e9<\/a>. Mas, entre 2011 e 2013, esteve \u00e0 frente da mesma Coordenadoria de Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o. Nesse per\u00edodo, tentou retirar o gado da Jaci-Paran\u00e1. Organizou bloqueios com policiais armados nas estradas de acesso \u00e0 UC, impedindo o ingresso de materiais de constru\u00e7\u00e3o e de sal para alimentar o gado. Ao mesmo tempo, pediu que os pecuaristas retirassem os animais voluntariamente da Resex.<\/p>\n<p>A rea\u00e7\u00e3o foi imediata. Primeiro, as equipes de campo come\u00e7aram a sofrer amea\u00e7as. Em seguida, teve in\u00edcio uma peregrina\u00e7\u00e3o de pol\u00edticos ao seu escrit\u00f3rio: &#8220;Receb\u00edamos deputados, vereadores de Porto Velho e de outras cidades como Buritis, buscando uma solu\u00e7\u00e3o para que essas pessoas ficassem l\u00e1 dentro, mesmo que ilegais&#8221;.<\/p>\n<p>A opera\u00e7\u00e3o de retirada do gado implodiu quando passou a ser minada pelo pr\u00f3prio governo. O poder executivo, na \u00e9poca controlado pelo governador Conf\u00facio Moura (MDB), alegou falta de recursos financeiros e de policiais para manter os bloqueios. Em uma ocasi\u00e3o, um integrante do governo estadual foi pessoalmente at\u00e9 uma barreira para liberar a entrada de sal de um invasor. Bonavigo cansou e decidiu deixar o cargo: &#8220;\u00c9 frustrante&#8221;.<\/p>\n<p><strong>O boi n\u00e3o \u00e9 ilegal, ele &#8220;est\u00e1&#8221; ilegal<\/strong><\/p>\n<div id=\"attachment_64431\" class=\"wp-caption alignright\" style=\"width: 650px;\">\n<p><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-64431\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/FOTO3.jpg\" sizes=\"(max-width: 1152px) 100vw, 1152px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/FOTO3.jpg 1152w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/FOTO3-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/FOTO3-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/FOTO3-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/FOTO3-278x185.jpg 278w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/FOTO3-640x427.jpg 640w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"427\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Avi\u00e3o espalha sementes para plantar pasto para o gado ilegal. Foto: Marcio Isensee e S\u00e1.<\/p>\n<\/div>\n<p>Com seu motor de rabeta e casco comprido e raso, a voadeira \u00e9 o melhor meio de transporte dentro da reserva, cortada pelos rios Branco e Jaci. As estradas s\u00e3o poucas, e a maioria das que existem foram abertas pelos invasores para acessar as fazendas e escoar gado. N\u00e3o \u00e9 preciso circular muito pelos rios para observar as primeiras queimadas e pastagens. Em uma das margens, chama aten\u00e7\u00e3o um descampado. Quando a canoa encosta no barranco, o cheiro de estrume revela o tipo de uso da terra. No desembarque, os bois correm para os fundos da propriedade.<\/p>\n<p>&#8220;Este gado n\u00e3o \u00e9 ilegal. Ele est\u00e1 em uma \u00e1rea ilegal, \u00e9 diferente&#8221; argumenta Jos\u00e9 Raimundo do Nascimento, diretor-executivo da\u00a0<a href=\"http:\/\/www.idaron.ro.gov.br\/Portal\/\">Idaron (Ag\u00eancia de Defesa Sanit\u00e1ria Agrosilvopastoril)<\/a>, que faz a vacina\u00e7\u00e3o contra\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Febre_aftosa\">febre aftosa<\/a>\u00a0em todo o gado de Rond\u00f4nia. O \u00f3rg\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 respons\u00e1vel pela emiss\u00e3o da GTA &#8211; Guia de Tr\u00e2nsito Animal -, que deve ser apresentada sempre que o produtor retira gado de uma \u00e1rea e o leva para outra, seja fazenda ou o frigor\u00edfico onde ser\u00e1 abatido.<\/p>\n<p>Como \u00e9 proibido criar gado de forma extensiva dentro de unidades de conserva\u00e7\u00e3o, nenhum frigor\u00edfico deveria aceitar comprar animais cuja Guia de Tr\u00e2nsito fosse emitida para uma propriedade dentro da Resex Jaci-Paran\u00e1. Mas como bem diz o ditado, boi n\u00e3o morre de velho no pasto. &#8220;Ningu\u00e9m deixa 100 mil cabe\u00e7as de gado \u00e0 toa num canto. Esse gado t\u00e1 rodando, n\u00e9?&#8221;, diz Louren\u00e7o.<\/p>\n<p>&#8220;Eles emitem a guia de tr\u00e2nsito animal em nome de uma propriedade fora da unidade de conserva\u00e7\u00e3o para que este gado seja comprado pelos frigor\u00edficos&#8221;, diz Bonavigo. &#8220;A maioria s\u00e3o grandes propriet\u00e1rios, grandes \u00e1reas, com grandes rebanhos bovinos, que criam, recriam [engordam] e vendem esse rebanho sem custo nenhum. Eles n\u00e3o compram a terra, o gasto deles \u00e9 financiar a invas\u00e3o&#8221;, afirma Bonavigo.<\/p>\n<p>Trata-se da lavagem de gado. Mas Nascimento, da Idaron, defende o esquema: &#8220;Existe uma determina\u00e7\u00e3o para a retirada desse gado. A partir do momento em que \u00e9 retirado da \u00e1rea de reserva acabou a ilegalidade. [&#8230;] O gado n\u00e3o est\u00e1 sendo comercializado a partir da \u00e1rea proibida, da \u00e1rea de reserva, est\u00e1 sendo comercializado a partir de uma \u00e1rea legal&#8221;.<\/p>\n<p><center><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/nA8FjRv7nXI\" width=\"100%\" height=\"478\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/center>A Ag\u00eancia de Defesa Sanit\u00e1ria n\u00e3o apenas aceita a venda do gado ilegal, como vai at\u00e9 a unidade de conserva\u00e7\u00e3o para vacinar os animais contra febre aftosa. Louren\u00e7o, o coordenador de UCs do estado, lamenta: &#8220;N\u00f3s gostar\u00edamos que eles n\u00e3o vacinassem. Ou, se vacinassem, que a carteirinha sanit\u00e1ria daquele gado fosse apreendida&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Como o gado foi detectado dentro dessa \u00e1rea e compete \u00e0 Idaron vacinar o gado, n\u00f3s tivemos que tomar essas provid\u00eancias. Mas n\u00e3o h\u00e1 em momento algum a aquiesc\u00eancia da Idaron&#8221;, rebate Nascimento. O diretor da Idaron garante que n\u00e3o h\u00e1 mais gado entrando na reserva, apenas saindo, e que a quantidade de animais est\u00e1 diminuindo.<\/p>\n<p>Para confirmar a informa\u00e7\u00e3o da redu\u00e7\u00e3o do rebanho dentro da Resex, ((o))eco pediu acesso \u00e0 s\u00e9rie hist\u00f3rica de animais da \u00e1rea. Mas a \u00fanica informa\u00e7\u00e3o enviada pela Idaron refere-se a um levantamento do dia 17 de setembro de 2018, que apontou a exist\u00eancia de 73.310 bovinos dentro da unidade de conserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o est\u00e1 diminuindo. Ao contr\u00e1rio, est\u00e1 aumentado&#8221;, diz Aidee Torquato, promotora do Minist\u00e9rio P\u00fablico Estadual sobre o tamanho do rebanho dentro da Resex. Ela n\u00e3o tem d\u00favidas da coniv\u00eancia da Idaron com as invas\u00f5es: &#8220;[A Idaron] vai l\u00e1 e n\u00e3o comunica a ningu\u00e9m que vacinou gado dentro da unidade. Custei muito para descobrir a quantidade de gado l\u00e1 dentro&#8221;. Aidee conta que precisa recorrer a suas pr\u00f3prias fontes para obter informa\u00e7\u00f5es: &#8220;Com o Superintendente da Idaron eu nem converso&#8221;.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>Site da JBS acusou fornecedores dentro da Resex<\/strong><\/p>\n<p>Ao longo da apura\u00e7\u00e3o da reportagem, em novembro, ((o))eco localizou 4 fornecedores de gado da JBS dentro da Resex Jaci-Paran\u00e1: S\u00edtio Olhos d`\u00e1gua, Fazenda Minas do Sul, S\u00edtio Gabriela e S\u00edtio Fortaleza. As informa\u00e7\u00f5es constavam no pr\u00f3prio\u00a0<a href=\"http:\/\/www.confiancadesdeaorigemjbs.com.br\/Default.aspx\">sistema de rastreamento da empresa<\/a>, que mostra diariamente as coordenadas geogr\u00e1ficas das fazendas que venderam gado para cada frigor\u00edfico da JBS.<\/p>\n<p>Atrav\u00e9s deste sistema, a reportagem tamb\u00e9m encontrou 6 fornecedores da empresa com fazendas a menos de 10 km da Jaci-Paran\u00e1. Segundo a Sedam, a curta dist\u00e2ncia \u00e9 um indicativo de que estas \u00e1reas podem ser utilizadas para esquentar o gado ilegal criado na Resex.<\/p>\n<p>Por fim, 4 fornecedores estavam dentro da terra ind\u00edgena (TI) Karipuna, que faz divisa com boa parte dos limites a oeste da Jaci-Paran\u00e1, e onde a atividade pecu\u00e1ria tamb\u00e9m \u00e9 proibida.<\/p>\n<p>Por e-mail, a assessoria de imprensa da JBS afirmou que &#8220;uma falha nos dados dispon\u00edveis no site gerou\u00a0informa\u00e7\u00f5es improcedentes sobre a localiza\u00e7\u00e3o das propriedades&#8221; e que as fazendas mencionadas pela reportagem &#8220;n\u00e3o est\u00e3o em \u00e1reas de conserva\u00e7\u00e3o ambiental ou em terras ind\u00edgenas, encontrando-se, portanto, em situa\u00e7\u00e3o de conformidade com a Pol\u00edtica de Compra Respons\u00e1vel da empresa&#8221;.<\/p>\n<p>A JBS afirmou ainda que &#8220;est\u00e1 tomando as medidas necess\u00e1rias para a sincroniza\u00e7\u00e3o das bases de dados para que reflitam a correta realidade da origem de sua mat\u00e9ria-prima&#8221;. Consultas no site da JBS realizadas no fechamento da reportagem, em 04\/12, depois de questionar a JBS sobre localiza\u00e7\u00e3o dos fornecedores, j\u00e1 n\u00e3o mostravam as 4 fazendas dentro da unidade de conserva\u00e7\u00e3o Jaci-Paran\u00e1. Entretanto, 2 fornecedores &#8211; Fazenda Nossa Senhora Aparecida e S\u00edtio Goi\u00e2nia &#8211; seguiam localizadas dentro da TI Karipuna.<\/p>\n<p><center><\/center>A ONG Imazon fez um levantamento sobre a dist\u00e2ncia m\u00e1xima e a \u00e1rea total que as compras de cada planta de frigor\u00edfico influenciam. O trabalho contou com question\u00e1rios respondidos por administradores dos pr\u00f3prios frigor\u00edficos. Na regi\u00e3o da Jaci-Paran\u00e1, conclui-se que 17 frigor\u00edficos t\u00eam \u00e1reas de compra de gado em potencial sobrepostas \u00e0 Resex: Frigor\u00edfico Roma, Frigor\u00edfico Dallas, Frig S.A., Amazon Boi, Mafrico, Frigo Manaus, Distriboi, Irm\u00e3os Gon\u00e7alves, Frigor\u00edfico Tangar\u00e1, Total S.A. (plantas de Rolim de Moura e Ariquemes), Frigor\u00edfico Nosso, Frigoari e JBS (plantas de Porto Velho,<br \/>\nAriquemes, Pimenta Bueno e S\u00e3o Miguel do Guapor\u00e9).<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 pouca transpar\u00eancia. Apenas a JBS tem um sistema p\u00fablico de fornecedores que permite o acesso e o monitoramento pela sociedade civil. A empresa assinou o chamado TAC da Carne com o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF), um Termo de Ajustamento de Conduta no qual se compromete a n\u00e3o comprar gado oriundo de unidades de conserva\u00e7\u00e3o, terras ind\u00edgenas, \u00e1reas embargadas pelo Ibama ou que constam da lista suja do trabalho escravo do Minist\u00e9rio do Trabalho.<\/p>\n<p>Daniela Faria, Procuradora da Rep\u00fablica do MPF de Rond\u00f4nia e respons\u00e1vel pelos TACs da Carne no estado, n\u00e3o se manifestou sobre as pr\u00e1ticas de lavagem de gado nem sobre os fornecedores da JBS localizados dentro da Resex. A procuradora n\u00e3o quis gravar entrevista, mas respondeu por e-mail \u00e0 reportagem. Segundo ela, 5 empresas de Rond\u00f4nia assinaram o TAC, todas em 2013. Apenas duas &#8211; JBS e o frigor\u00edfico Tangar\u00e1 LTDA &#8211; entregaram relat\u00f3rios de auditorias, que at\u00e9 agora n\u00e3o foram analisados. Ainda de acordo com Faria, &#8220;oito frigor\u00edficos de maior relev\u00e2ncia&#8221; de Rond\u00f4nia n\u00e3o assinaram o TAC.<\/p>\n<p>J\u00e1 o Ibama afirma que seu foco de atua\u00e7\u00e3o \u00e9 nas unidades de conserva\u00e7\u00e3o federais, mas que lavrou autos de infra\u00e7\u00e3o dentro da Resex e subsidiou as a\u00e7\u00f5es civis p\u00fablicas do Minist\u00e9rio P\u00fablico Estadual contra os invasores. Tamb\u00e9m alegou dificuldades em fiscalizar as vendas para abate de gado ilegal, criado dentro da Resex. Para isso, seria necess\u00e1rio que o \u00f3rg\u00e3o tivesse acesso \u00e0s Guias de Tr\u00e2nsito Animal, as GTAs. &#8220;O Ibama s\u00f3 obteve acesso \u00e0s GTAs do estado do Par\u00e1, e via Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal&#8221;, afirma o Coordenador-Geral de Fiscaliza\u00e7\u00e3o Ambiental, Ren\u00ea Luiz de Oliveira.<\/p>\n<p>Entretanto, Oliveira afirma que os pr\u00f3prios frigor\u00edficos poderiam identificar esquemas de esquentamento de gado. &#8220;Pode ser mais trabalhoso, isso sim&#8221;, diz. Uma das pistas de que uma fazenda est\u00e1 sendo usada para esquentar gado ilegal, por exemplo, \u00e9 quando as GTAs indicam um grande n\u00famero de animais mantidos em uma \u00e1rea pequena, algo incomum em uma regi\u00e3o onde o normal \u00e9 menos de um boi por hectare.<\/p>\n<p><strong>Terra na m\u00e3o de laranjas<\/strong><\/p>\n<p><center><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/3Jja4qrwlrE\" width=\"100%\" height=\"478\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/center>A pequena aeronave desponta no c\u00e9u e faz um rasante sobre a vegeta\u00e7\u00e3o, lan\u00e7ando sementes para formar uma nova pastagem (assim como outras culturas agr\u00edcolas, o pasto precisa ser plantado). &#8220;De ontem pra hoje t\u00e1 cruzando direto aqui no meu barraco&#8221;, afirma Raimundo Le\u00f4nidas de Lima Pereira, um dos moradores da Resex. O filho de seringueiro j\u00e1 n\u00e3o sabe por quanto tempo vai poder continuar colhendo sua macaxeira, milho e melancia.<\/p>\n<p>O flagrante do avi\u00e3o mostra o tipo de estrutura de que disp\u00f5em os invasores. \u00a0&#8220;S\u00e3o grandes lagos artificiais, jet-skis, casas enormes, blindex&#8221;, diz Bonavigo. &#8220;[&#8230;] fazendas mantidas por pessoas que t\u00eam muito dinheiro&#8221;.<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio P\u00fablico de Rond\u00f4nia j\u00e1 entrou com mais de 70 a\u00e7\u00f5es civis p\u00fablicas contra os invasores da Jaci-Paran\u00e1. Os processos correm em nome daquelas pessoas que se identificam como os donos do gado. &#8220;Se \u00e9 o invasor principal, se \u00e9 o mantenedor econ\u00f4mico da invas\u00e3o, a gente n\u00e3o sabe. [&#8230;] Como \u00e9 uma invas\u00e3o, o dono em si n\u00e3o aparece. Aparecem pessoas que visivelmente n\u00e3o s\u00e3o os propriet\u00e1rios&#8221;, afirma Louren\u00e7o.<\/p>\n<p>Aidee Torquato estima que metade destas pessoas sejam laranjas. Ou seja, assumem o lugar dos verdadeiros fazendeiros em troca de algum benef\u00edcio: &#8220;A gente desconfia que deve ter laranja de pol\u00edtico. Ele vem para audi\u00eancia, assume que \u00e9 o dono do gado e responde [judicialmente]. A\u00ed, nunca vou saber qual \u00e9 o pol\u00edtico&#8221;.<\/p>\n<p>A Promotora desistiu de investigar quem est\u00e1 por tr\u00e1s dos laranjas e centrou esfor\u00e7os para obrigar a retirada do gado. Para se proteger, ela se nega at\u00e9 mesmo a citar os nomes que constam nos processos: &#8220;Eu j\u00e1 tenho problema que chega com esse povo. Ent\u00e3o, n\u00e3o vou ficar divulgando nome, n\u00e3o vou incitar mais a ira dessas pessoas contra mim&#8221;. Questionada se j\u00e1 sofreu amea\u00e7as, a Promotora diz: &#8220;Isso \u00e9 comum, n\u00e3o \u00e9 novidade&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Pequenos, para os pol\u00edticos<\/strong><\/p>\n<div id=\"attachment_64429\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 649px;\">\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-64429 \" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/FOTO1.jpg\" sizes=\"(max-width: 1152px) 100vw, 1152px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/FOTO1.jpg 1152w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/FOTO1-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/FOTO1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/FOTO1-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/FOTO1-278x185.jpg 278w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/FOTO1-640x427.jpg 640w\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"426\" \/><\/p>\n<p>Fuma\u00e7a de queimada sinaliza derrubada de mata. Da floresta da Resex, metade j\u00e1 foi derrubada pelos invasores. Foto: Marcio Isensee e S\u00e1.<\/p>\n<\/div>\n<p>Segundo Bonavigo, as invas\u00f5es de unidades de conserva\u00e7\u00e3o viraram rotina em Rond\u00f4nia, e seguem sempre um mesmo padr\u00e3o: &#8220;Invade, tem uma liga\u00e7\u00e3o com grupos pol\u00edticos que mant\u00eam essas pessoas l\u00e1, com o discurso de que s\u00e3o pequenos produtores, enquanto os pequenos que realmente vivem l\u00e1 s\u00e3o a minoria&#8221;.<\/p>\n<p>A defesa dos pequenos produtores rurais faz parte do discurso de deputados estaduais. Entre eles est\u00e1 Ribamar Ara\u00fajo (PR), que recebeu ((o))eco na Assembleia Legislativa de Rond\u00f4nia. O deputado defende os pequenos agricultores que querem trabalhar e progredir. Confrontado pela reportagem com informa\u00e7\u00f5es de que a maioria dos invasores da Resex s\u00e3o latifundi\u00e1rios, Ara\u00fajo defende a divis\u00e3o das propriedades: &#8220;A reforma agr\u00e1ria t\u00e1 a\u00ed pra isso, ele [o governo] pode pegar essas grandes \u00e1reas que t\u00e3o ocupadas pelos grandes fazendeiros e lotear para os pequenos, nada impede&#8221;.<\/p>\n<p>Ara\u00fajo foi um dos parlamentares que votou pela extin\u00e7\u00e3o da Resex Jaci-Paran\u00e1 em 2014, logo depois que a Justi\u00e7a determinou a retirada do gado da \u00e1rea. O deputado \u00e9 contra a cria\u00e7\u00e3o de unidades de conserva\u00e7\u00e3o em \u00e1reas f\u00e9rteis, e diz que esse \u00e9 o grande problema da Jaci-Paran\u00e1: &#8220;Se a terra n\u00e3o fosse t\u00e3o f\u00e9rtil, eles n\u00e3o tinham adentrado l\u00e1&#8221;. O parlamentar tamb\u00e9m nega que a sua postura, favor\u00e1vel \u00e0 extin\u00e7\u00e3o da unidade de conserva\u00e7\u00e3o, estimule novas invas\u00f5es e amea\u00e7as aos extrativistas: &#8220;Sou contra a viol\u00eancia, s\u00f3 existe isso por falta de autoridade do governo&#8221;.<\/p>\n<p>Poucas semanas ap\u00f3s a entrevista, a Assembleia Legislativa de Rond\u00f4nia aprovou, por unanimidade, um projeto que anula a cria\u00e7\u00e3o de 11 unidades de conserva\u00e7\u00e3o estaduais. Por ora, a Resex Jaci-Paran\u00e1 n\u00e3o entrou na lista.<\/p>\n<div class=\"su-box-title\">O mau exemplo de Bom Futuro<\/div>\n<div class=\"su-box-content su-clearfix\">\n<p>J\u00e1 vi este filme antes. Este \u00e9 o sentimento descrito por quem trabalha com conserva\u00e7\u00e3o ambiental em Rond\u00f4nia e acompanha a paulatina invas\u00e3o da Resex Jaci-Paran\u00e1. A sequ\u00eancia de invas\u00f5es cada vez mais ostensivas e a press\u00e3o pol\u00edtica em favor dos pecuaristas, tudo isso aconteceu com a Floresta Nacional (Flona) do Bom Futuro.L\u00e1, as invas\u00f5es come\u00e7aram na d\u00e9cada de 1990. Em poucos anos, os invasores haviam criado uma vila dentro da unidade de conserva\u00e7\u00e3o. Em 2010, a solu\u00e7\u00e3o encontrada pelos governos federal e estadual foi acomodar os invasores, reduzindo em dois ter\u00e7os o tamanho da Bom Futuro. O resultado foi parte de um acordo entre o ent\u00e3o presidente Lula (PT) e o governador \u00e0 \u00e9poca, Ivo Cassol (PP). Em troca da redu\u00e7\u00e3o da Flona, o governo do estado cedeu para a Uni\u00e3o as terras necess\u00e1rias para a constru\u00e7\u00e3o da usina hidrel\u00e9trica de Jirau, no rio Madeira.<\/p>\n<p>As \u00e1reas desafetadas \u2212 retiradas da \u00e1rea original da Flona \u2212 foram transformadas na \u00c1rea de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental (APA) e na Floresta Estadual do Rio Pardo (FES), categorias com n\u00edveis de prote\u00e7\u00e3o mais baixos que os de uma Floresta Nacional. Ao inv\u00e9s de acalmar, a medida incitou ainda mais invas\u00f5es. Desde ent\u00e3o, foram necess\u00e1rias duas a\u00e7\u00f5es policiais para a retirada de pessoas de dentro da Bom Futuro. Em uma delas, em 2013, um policial militar morreu baleado.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Acabou tudo&#8221;, observa Laudic\u00e9ia, as m\u00e3os protegendo a vis\u00e3o do sol forte. 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