{"id":96683,"date":"2018-12-04T11:00:52","date_gmt":"2018-12-04T14:00:52","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=96683"},"modified":"2018-12-03T22:52:03","modified_gmt":"2018-12-04T01:52:03","slug":"a-nacao-que-busca-na-ficcao-cientifica-solucoes-para-nao-ficar-submersa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/a-nacao-que-busca-na-ficcao-cientifica-solucoes-para-nao-ficar-submersa\/","title":{"rendered":"A na\u00e7\u00e3o que busca na fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica solu\u00e7\u00f5es para n\u00e3o ficar submersa"},"content":{"rendered":"<p dir=\"ltr\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/oceano.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-96684\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/oceano-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/oceano-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/oceano.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Os mais de 100.000 habitantes de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/09\/14\/internacional\/1536940957_042749.html\">Kiribati<\/a>, um pequeno arquip\u00e9lago coralino do\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/oceano_pacifico\">Pac\u00edfico<\/a>, procuram com urg\u00eancia solu\u00e7\u00f5es para evitar que em menos de duas gera\u00e7\u00f5es seu pa\u00eds acabe submerso sob as \u00e1guas cristalinas do oceano.<\/p>\n<div id=\"elpais_gpt-INTEXT\" data-google-query-id=\"CJPysv-Ghd8CFZN-wQodYS4Cjg\"><\/div>\n<p dir=\"ltr\">Alguns cientistas acreditam que seria poss\u00edvel ganhar tempo com medidas de grande escala que envolvam a engenharia clim\u00e1tica, como injetar part\u00edculas na atmosfera para repelir os raios solares e resfriar a Terra, mas pesquisadores brit\u00e2nicos advertiram que isso n\u00e3o salvar\u00e1 a rep\u00fablica de seu desaparecimento. Acreditam tamb\u00e9m que provid\u00eancias como essas podem nos afastar do objetivo mais urgente: reduzir as\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/emision_gases\">emiss\u00f5es de poluentes<\/a>.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">O n\u00edvel do mar j\u00e1 subiu entre 1 e 4 mil\u00edmetros por ano desde que as medi\u00e7\u00f5es come\u00e7aram em Kiribati, em 1993, e calcula-se que grande parte de seus 33 at\u00f3is ficar\u00e3o inundados antes do final do s\u00e9culo. O\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/cambio_climatico\">aquecimento global<\/a>\u00a0tamb\u00e9m faz que os ciclones, que at\u00e9 recentemente n\u00e3o frequentavam essas regi\u00f5es equatoriais, invistam com frequ\u00eancia cada vez maior contra essa ex-col\u00f4nia brit\u00e2nica.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">O destino fatal que aguarda o arquip\u00e9lago fica refletido em um\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/documental\">document\u00e1rio<\/a>\u00a0que estreou nesta semana no Museu da Ci\u00eancia de Londres. Anote&#8217;s Ark (\u201ca arca de Anote\u201d), selecionado para o festival de document\u00e1rios de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/festival_sundance\">Sundance<\/a>, narra os esfor\u00e7os do ex-presidente Anote Tong para encontrar um novo lar para seus concidad\u00e3os e convencer a comunidade internacional sobre a necessidade de medidas dr\u00e1sticas contra a mudan\u00e7a clim\u00e1tica.<\/p>\n<section id=\"sumario_1|html\" class=\"sumario_html centro\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p class=\"texto_grande\" dir=\"ltr\">\u201cO problema com a geoengenharia solar \u00e9 que, se voc\u00ea come\u00e7ar a utiliz\u00e1-la, dever\u00e1 continuar para sempre. Pode ser que a gente consiga dar uma d\u00e9cada a mais para as pessoas de Kiribati, mas de qualquer jeito elas acabar\u00e3o encobertas pela \u00e1gua, porque n\u00e3o ter\u00e1 sido feito o que era preciso.\u201d<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p dir=\"ltr\">Em 2014, a desesperada situa\u00e7\u00e3o do arquip\u00e9lago levou Tong a comprar 20 quil\u00f4metros quadrados de terras na vizinha Fiji, para ali instalar seus cidad\u00e3os quando o pior acontecer. Mas os problemas associados a transladar 100.000 migrantes para outro pa\u00eds est\u00e3o longe de estarem resolvidos. Ele tamb\u00e9m discutiu com engenheiros japoneses a possibilidade de construir ilhas flutuantes, altamente tecnol\u00f3gicas, mas com um custo exorbitante para uma na\u00e7\u00e3o como Kiribati.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Tong, que presidiu Kiribati at\u00e9 dois anos atr\u00e1s, n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico a alertar que s\u00f3 uma boa dose de imagina\u00e7\u00e3o ser\u00e1 capaz de frear a mudan\u00e7a clim\u00e1tica. Em um artigo publicado em abril na revista\u00a0<em>Nature<\/em>, um grupo de pesquisadores de pa\u00edses em desenvolvimento prop\u00f5e que se considere seriamente a geoengenharia solar \u2014 injetar part\u00edculas de aerossol na estratosfera para refletir uma parte da radia\u00e7\u00e3o solar\u00a0\u2014 como medida para ganhar tempo at\u00e9 que se possam reduzir as emiss\u00f5es de gases poluentes.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Embora admita que essa tecnologia beira a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/ciencia_ficcion\">fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica<\/a>, os autores do artigo, liderados por Atiq Rahman, diretor-executivo do Centro de Estudos Avan\u00e7ados de Bangladesh, em Daca, afirmam que \u201cpoderia desacelerar, deter e inclusive reverter a eleva\u00e7\u00e3o das temperaturas globais em um ou dois anos\u201d. Rahman e seus colegas defendem que lugares como Kiribati n\u00e3o podem esperar d\u00e9cadas at\u00e9 que se desenvolvam e difundam outras tecnologias em fase de estudo, como as usinas capazes de extrair o di\u00f3xido de carbono da atmosfera e enterr\u00e1-lo a grande profundidade.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">A comunidade cient\u00edfica, entretanto, n\u00e3o chega a um consenso sobre a engenharia clim\u00e1tica, como ficou claro no debate organizado pela Royal Society e pelo Museu de Ci\u00eancia de Londres ap\u00f3s a estreia brit\u00e2nica do document\u00e1rio, dirigido por Matthieu Rytz.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Joanna Haigh, f\u00edsica atmosf\u00e9rica do Imperial College London, disse que a geoengenharia solar n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o salvar\u00e1 Kiribati como tamb\u00e9m pode desviar o foco do que ela considera ser a prioridade: reduzir as emiss\u00f5es de gases do efeito estufa.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u201cO problema com a geoengenharia solar \u00e9 que, se voc\u00ea come\u00e7ar a utiliz\u00e1-la, dever\u00e1 continuar para sempre. Pode ser que a gente consiga dar uma d\u00e9cada a mais para as pessoas de Kiribati, mas de qualquer jeito elas acabar\u00e3o encobertas pela \u00e1gua, porque n\u00e3o ter\u00e1 sido feito o que era preciso.\u201d<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u00c9 uma opini\u00e3o compartilhada por Jack Stilgoe, especialista em inova\u00e7\u00e3o respons\u00e1vel do University College de Londres e autor de um livro sobre geoengenharia. \u201cN\u00e3o queremos nos enganar com esta forma de pensamento m\u00e1gico onde continuamos inflando a bolha especulativa que sugere haver tecnologias que poderiam vir em nosso socorro, se n\u00e3o atualmente, pelo menos logo ali na esquina. H\u00e1 muita especula\u00e7\u00e3o entre os que estudam a geoengenharia solar. N\u00e3o digo que n\u00e3o devamos falar disso, mas talvez dev\u00eassemos falar disso de outra maneira.\u201d<\/p>\n<p dir=\"ltr\">As propostas de geoengenharia solar s\u00e3o em sua maioria apenas \u201cideias e teorias\u201d ainda muito distantes de serem levadas \u00e0 pr\u00e1tica, argumentou Naomi Vaughan, pesquisadora-s\u00eanior na Universidade de East Anglia, especializada em engenharia clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>O divulgador cient\u00edfico Oliver Morton, autor do livro\u00a0<em>The Planet Remade: How Geoengineering Could Change the World<\/em>\u00a0(\u201co planeta refeito: como a geoengenharia pode mudar o mundo\u201d), considera, contudo, que a geoengenharia solar merece uma oportunidade. \u201cNingu\u00e9m acredita que v\u00e1 solucionar todos os problemas. O que dever\u00edamos pensar \u00e9 quanto risco poder\u00edamos reduzir com ela. Obviamente, ningu\u00e9m respons\u00e1vel est\u00e1 pensando em aplicar a geoengenharia solar em vez de reduzir as emiss\u00f5es,\u201d disse. \u201cTemos o dever para com aqueles que vir\u00e3o de come\u00e7ar a pensar nas possibilidades, as vantagens e os inconvenientes, e como desenvolver isso. Dizer que esta tecnologia \u00e9 rid\u00edcula significa descartar algo que poderia salvar muitas vidas se aplicado de maneira justa e sustent\u00e1vel.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os mais de 100.000 habitantes de\u00a0Kiribati, um pequeno arquip\u00e9lago coralino do\u00a0Pac\u00edfico, procuram com urg\u00eancia solu\u00e7\u00f5es<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":96684,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/oceano.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/oceano-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/oceano-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/oceano.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/oceano.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/oceano.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/oceano.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/oceano.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/oceano.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/oceano.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Os mais de 100.000 habitantes de\u00a0Kiribati, um pequeno arquip\u00e9lago coralino do\u00a0Pac\u00edfico, procuram com urg\u00eancia solu\u00e7\u00f5es","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/96683"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=96683"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/96683\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/96684"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=96683"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=96683"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=96683"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}