{"id":96088,"date":"2018-11-24T16:35:56","date_gmt":"2018-11-24T19:35:56","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=96088"},"modified":"2018-11-24T16:32:41","modified_gmt":"2018-11-24T19:32:41","slug":"por-4-mil-anos-estes-cupins-tem-construido-algo-incrivel-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/por-4-mil-anos-estes-cupins-tem-construido-algo-incrivel-no-brasil\/","title":{"rendered":"Por 4 mil anos estes cupins t\u00eam constru\u00eddo algo incr\u00edvel no Brasil"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/cupins.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-96089\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/cupins-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/cupins-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/cupins.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Um estudo rec\u00e9m-publicado na revista cient\u00edfica\u00a0<a href=\"https:\/\/www.cell.com\/current-biology\/fulltext\/S0960-9822(18)31287-9?_returnURL=https%3A%2F%2Flinkinghub.elsevier.com%2Fretrieve%2Fpii%2FS0960982218312879%3Fshowall%3Dtrue\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow\">Current Biology\u00a0<\/a>detalha a descoberta de uma vasta estrutura de cupinzeiros em expans\u00e3o h\u00e1 quase 4 mil anos no nordeste brasileiro. A estrutura compreende 230 mil quil\u00f4metros quadrados (uma \u00e1rea maior do que o Reino Unido) e \u00e9 composta por 200 milh\u00f5es de cupinzeiros, sendo a maior estrutura feita por insetos conhecida no planeta.<span id=\"ezoic-pub-ad-placeholder-666\" class=\"ezoic-adpicker-ad\" data-ezadpicker=\"666\" data-ez-position-type=\"under_first_paragraph\"><\/span><\/p>\n<p>O complexo de cupinzeiros \u00e9 t\u00e3o vasto que \u00e9 poss\u00edvel v\u00ea-lo do espa\u00e7o. Os montes de 2,5 metros de altura e 9 metros de largura est\u00e3o espalhados e escondidos pela caatinga, uma vegeta\u00e7\u00e3o densa, baixa e seca, t\u00edpica do nordeste brasileiro. As estruturas ficaram vis\u00edveis ap\u00f3s o recente desmatamento de terras para dar lugar a pastos.<\/p>\n<div id=\"google_ads_iframe_\/1254144\/hypescience_com-medrectangle-3_0__container__\"><\/div>\n<p>Esses cupinzeiros, no entanto, n\u00e3o servem como lar para os insetos. Cada monte serve como um \u201clocal de dep\u00f3sito\u201d onde os cupins trabalhadores despejaram solo e outras mat\u00e9rias durante a produ\u00e7\u00e3o de uma vasta rede de t\u00faneis subterr\u00e2neos usados pelos insetos para se locomoverem no terreno em busca de alimento. A quantidade de solo escavado \u00e9 superior a 10 quil\u00f4metros c\u00fabicos, equivalente a 4.000 pir\u00e2mides de Giz\u00e9, no Egito.<span id=\"ezoic-pub-ad-placeholder-682\" class=\"ezoic-adpicker-ad\" data-ezadpicker=\"682\" data-ez-position-type=\"under_first_paragraph\"><\/span><\/p>\n<p>\u201cEsses montes foram formados por uma \u00fanica esp\u00e9cie de cupim que escavaram uma enorme rede de t\u00faneis para permitir o acesso seguro a folhas mortas para comerem diretamente do ch\u00e3o da floresta\u201d, disse o professor Stephen Martin, especialista em insetos sociais da Universidade de Salford e um dos autores do artigo, para o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.independent.co.uk\/news\/science\/termite-mounds-visible-space-brazil-pyramids-brazil-salford-biology-study-a8641391.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">Independent<\/a>.<\/p>\n<h2><span id=\"ezoic-pub-ad-placeholder-661\" class=\"ezoic-adpicker-ad\" data-ezadpicker=\"661\" data-ez-position-type=\"under_first_paragraph\"><\/span>A estrutura<\/h2>\n<p>Os montes n\u00e3o s\u00e3o os \u00fanicos pontos de entrada para essa complexa rede subterr\u00e2nea de t\u00faneis. Durante \u00e0 noite os cupins fazem uso de dezenas de entradas menores entre cada monte. Ao inspecionar o interior de alguns cupinzeiros, os cientistas descobriram que eles n\u00e3o possuem o complexo desenho de t\u00faneis geralmente encontrados em ninhos de cupins. Cada monte cont\u00e9m um \u00fanico t\u00fanel central \u2013 medindo 10 cm de di\u00e2metro \u2013 que se conecta na rede subterr\u00e2nea e a uma s\u00e9rie de galerias horizontais contendo folhas mortas ou larvas.<\/p>\n<div class=\"banner content-area__banner content-area__banner--max\"><\/div>\n<p>A divis\u00e3o espacial peculiar dos cupinzeiros ainda \u00e9 um mist\u00e9rio para os cientistas. Imagens a\u00e9reas mostram um padr\u00e3o semelhante a um tabuleiro de xadrez ou tra\u00e7ados hexagonais em forma de colmeia, no qual os montes est\u00e3o igualmente distantes entre si.<\/p>\n<p>A equipe analisou se tal padr\u00e3o espacial regular era devido a competi\u00e7\u00e3o entre cupins nos montes vizinhos \u2013 em outras palavras, se os cupins tentaram manter uma dist\u00e2ncia de vizinhos agressivos. No entanto, essa hip\u00f3tese n\u00e3o se confirmou: os testes revelaram que havia pouca agressividade ou conflitos.<span id=\"ezoic-pub-ad-placeholder-659\" class=\"ezoic-adpicker-ad\" data-ezadpicker=\"659\" data-ez-position-type=\"mid_content\"><\/span><span id=\"div-gpt-ad-hypescience_com-box-4-0\" class=\"ezoic-ad ezfound\" data-google-query-id=\"CNXZltbh7d4CFbEMZQodgbgAVQ\"><\/span><\/p>\n<div id=\"google_ads_iframe_\/1254144\/hypescience_com-box-4_0__container__\"><\/div>\n<p>Sendo assim, a equipe de pesquisadores acredita que o padr\u00e3o espacial dos cupinzeiros surgiu pela pr\u00f3pria auto-organiza\u00e7\u00e3o dos insetos, estimulados pela queda peri\u00f3dica de folhas que lhes servem de alimento. Os t\u00faneis s\u00e3o usados como forma de acesso a um suprimento espor\u00e1dico de comida. Por fim, tudo indica que um mapa de ferom\u00f4nios auxilia os cupins a se orientarem da col\u00f4nia subterr\u00e2nea para o monte de alimento mais pr\u00f3ximo, direcionando os cupins a cada monte de forma a garantir uma efici\u00eancia m\u00e1xima e um espa\u00e7amento homog\u00eaneo.<span id=\"ezoic-pub-ad-placeholder-668\" class=\"ezoic-adpicker-ad\" data-ezadpicker=\"668\" data-ez-position-type=\"long_content\"><\/span><\/p>\n<p>A estrutura ainda guarda muitos mist\u00e9rios, no entanto, e os pr\u00f3prios cientistas afirmam que ainda h\u00e1 muito trabalho pela frente. Ningu\u00e9m sabe ainda o qu\u00e3o geneticamente similares s\u00e3o os insetos mais distantes no complexo. A organiza\u00e7\u00e3o interna dos ninhos permanece desconhecida, assim como os governantes das col\u00f4nias, pois a c\u00e2mara da rainha ainda n\u00e3o foi encontrada.<span id=\"ezoic-pub-ad-placeholder-670\" class=\"ezoic-adpicker-ad\" data-ezadpicker=\"670\" data-ez-position-type=\"mid_content\"><\/span><\/p>\n<h2>Um encontro fortuito<\/h2>\n<p><span id=\"ezoic-pub-ad-placeholder-685\" class=\"ezoic-adpicker-ad\" data-ezadpicker=\"685\" data-ez-position-type=\"under_second_paragraph\"><\/span>O encontro e amizade de dois dos autores do artigo se deu por um acaso no nordeste brasileiro. Martin viajou para a caatinga nordestina durante uma expedi\u00e7\u00e3o cient\u00edfica em busca de abelhas. Ap\u00f3s passar por uma estrada entre as \u00e1rvores ele reparou nos enormes montes. Os moradores locais lhe explicaram que aquelas estruturas eram milhares de cupinzeiros que atravessam toda a paisagem da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Um bi\u00f3logo chamado Roy Funch j\u00e1 havia escrito sobre esses cupinzeiros para uma revista cient\u00edfica na d\u00e9cada de 1980. Sua esperan\u00e7a era chamar a aten\u00e7\u00e3o de outros pesquisadores e cientistas para o fen\u00f4meno. No entanto, houve pouca repercuss\u00e3o no per\u00edodo. Trinta anos se passaram e ele decidiu se juntar com Martin para darem continuidade \u00e0 pesquisa.<span id=\"ezoic-pub-ad-placeholder-669\" class=\"ezoic-adpicker-ad\" data-ezadpicker=\"669\" data-ez-position-type=\"longer_content\"><\/span><\/p>\n<div id=\"google_ads_iframe_\/1254144\/hypescience_com-banner-1_0__container__\"><\/div>\n<p>\u201cEle estava subindo o rio com um amigo e eu estava subindo o rio para nadar\u201d, disse Funch, coautor do artigo, para o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.washingtonpost.com\/science\/2018\/11\/19\/termites-built-natural-wonder-earth-size-minnesota\/?noredirect=on&amp;utm_term=.749ead6968c2\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">Washington Post<\/a>. Martin \u201cclaramente parecia um forasteiro\u201d, ent\u00e3o Funch o cumprimentou e perguntou o que ele estava fazendo no Brasil. Os cupinzeiros, respondeu Martin, lamentando que n\u00e3o havia encontrado nenhum estudo sobre eles no Google Scholar.<span id=\"ezoic-pub-ad-placeholder-686\" class=\"ezoic-adpicker-ad\" data-ezadpicker=\"686\" data-ez-position-type=\"mid_content\"><\/span><\/p>\n<p>\u201cEu disse: olha, voc\u00ea acabou de esbarrar no \u00fanico cara no Brasil inteiro que pesquisa esses montes\u201d, lembrou Funch.<\/p>\n<p>Funch viajou para o Brasil na d\u00e9cada de 1970 com o Corpo da Paz. As belas montanhas e trilhas o convenceram a se mudar para o nordeste brasileiro. Desde ent\u00e3o os cupinzeiros exercem quase que um feiti\u00e7o sobre ele. Os mais altos, que Funch batizou de \u201cmontes av\u00f3\u201d, podem chegar a quase 5 metros de altura.<span id=\"ezoic-pub-ad-placeholder-687\" class=\"ezoic-adpicker-ad\" data-ezadpicker=\"687\" data-ez-position-type=\"mid_content\"><\/span><\/p>\n<p><span id=\"ezoic-pub-ad-placeholder-672\" class=\"ezoic-adpicker-ad\" data-ezadpicker=\"672\" data-ez-position-type=\"mid_content\"><\/span>\u201cEu n\u00e3o acho que algu\u00e9m j\u00e1 tenha visto tamanha modifica\u00e7\u00e3o na paisagem em uma escala t\u00e3o grande feito por criaturas t\u00e3o pequenas\u201d, disse ele.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um estudo rec\u00e9m-publicado na revista cient\u00edfica\u00a0Current Biology\u00a0detalha a descoberta de uma vasta estrutura de cupinzeiros<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":96089,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/cupins.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/cupins-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/cupins-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/cupins.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/cupins.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/cupins.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/cupins.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/cupins.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/cupins.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/cupins.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Um estudo rec\u00e9m-publicado na revista cient\u00edfica\u00a0Current Biology\u00a0detalha a descoberta de uma vasta estrutura de cupinzeiros","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/96088"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=96088"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/96088\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/96089"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=96088"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=96088"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=96088"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}