{"id":96064,"date":"2018-11-24T11:30:29","date_gmt":"2018-11-24T14:30:29","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=96064"},"modified":"2018-11-23T18:45:20","modified_gmt":"2018-11-23T21:45:20","slug":"mariana-monitoramento-ambiental-tres-anos-depois-da-tragedia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/mariana-monitoramento-ambiental-tres-anos-depois-da-tragedia\/","title":{"rendered":"Mariana: monitoramento ambiental tr\u00eas anos depois da trag\u00e9dia"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/desastre_matiana.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-96065\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/desastre_matiana-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/desastre_matiana-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/desastre_matiana.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Tr\u00eas anos depois que a avalanche de rejeitos desceu toda a bacia hidrogr\u00e1fica do rio Doce, desde Bento Rodrigues, em Mariana\/MG, atingindo dia 21 de novembro de 2015 a foz do rio Doce em Reg\u00eancia, Linhares\/ES e o mar em centenas de quil\u00f4metros, o grande esfor\u00e7o dos \u00f3rg\u00e3os ambientais federais e estaduais e de universidades se consolidou na assinatura do contrato entre a Funda\u00e7\u00e3o Renova \u2013 criada para avaliar, mitigar e compensar os impactos do maior desastre ambiental do Brasil \u2013 com uma rede de universidades e institui\u00e7\u00f5es, denominada Rede RioDoceMar-RRDM.<\/p>\n<p>Os pesquisadores j\u00e1 est\u00e3o em campo desde setembro, dando continuidade e ampliando o monitoramento da biodiversidade aqu\u00e1tica (dulc\u00edcola, marinha e estuarina) correspondente ao detalhado na Cl\u00e1usula 165 do TTAC firmado entre Samarco\/Vale\/BHP e governos federal e estaduais de MG e ES, homologado em agosto pela Justi\u00e7a federal, com inclus\u00e3o dos MPF e MPE de MG e ES e Defensorias P\u00fablicas dos dois estados, al\u00e9m de representantes dos atingidos.<\/p>\n<p>Ao todo s\u00e3o 27 projetos de pesquisa\/monitoramento, englobando 193 pontos de amostragem ao longo de 520 Km de costa, entre Guarapari-ES e Porto Seguro-BA. Os estudos envolvem mais de 500 profissionais da academia e trazem detalhamentos de pesquisas que abrangem de micro-organismos a grandes mam\u00edferos, perfazendo 43.705 amostras de \u00e1gua, sedimentos, animais e vegetais at\u00e9 o momento.<\/p>\n<p>O monitoramento abranger\u00e1, tamb\u00e9m, a an\u00e1lise de impacto em 40 unidades de conserva\u00e7\u00e3o alcan\u00e7adas pela pluma de rejeitos da Samarco, no continente e no mar, incluindo as federais, administradas pelo ICMBio, que s\u00e3o: RVS de Santa Cruz, APA Costa das Algas, Parna de Abrolhos, Resex Cassurub\u00e1, Rebio de Comboios e Flona de Goytacazes.<\/p>\n<p>Estes estudos ajudar\u00e3o a avaliar os poss\u00edveis impactos dos rejeitos sobre os alvos de conserva\u00e7\u00e3o dessas UCs, e os Centros de Pesquisa do ICMBio como Tamar, Cemave, CMA, Cepsul, Cepta e RAN far\u00e3o, junto com as UC\u2019s, a an\u00e1lise dos relat\u00f3rios gerados por estas pesquisas.<\/p>\n<p>Est\u00e1 prevista, por parte da REDE, a forma\u00e7\u00e3o de um banco de dados p\u00fablico, incluindo dados pret\u00e9ritos, e frutos dos monitoramentos iniciados ap\u00f3s a trag\u00e9dia, com an\u00e1lises e interpreta\u00e7\u00f5es feitas com a expertise destes profissionais da academia, e com acesso online dos \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos, o que trar\u00e1 maior confiabilidade e transpar\u00eancia acerca dos resultados, por estarem sendo conduzidos por institui\u00e7\u00f5es ligadas \u00e0 pesquisa e academia.<\/p>\n<p>Segundo o analista ambiental do Centro TAMAR\/ICMBio Leandro Pereira Chagas, outro importante avan\u00e7o ao longo desse 3\u00ba ano p\u00f3s-desastre foi a consolida\u00e7\u00e3o da CT-BIO\/CIF nesse processo, assim como a responsabilidade assumida pelo ICMBio de coorden\u00e1-la junto com os demais \u00f3rg\u00e3os ambientais. \u201cA pr\u00f3pria C\u00e2mara passou por um amplo mapeamento dos fluxos dos seus processos de trabalho, ocasi\u00e3o que permitiu identificarmos necessidades e compet\u00eancias para executar as v\u00e1rias cl\u00e1usulas do TTAC, sob responsabilidade da CT-BIO\/CIF\u201d, frisa Leandro.<\/p>\n<p>Para o Coordenador da C\u00e2mara T\u00e9cnica de Conserva\u00e7\u00e3o e Biodiversidade- CT-BIO\/CIF, Joca Thom\u00e9, todo esse complexo processo \u2013 integrado com diversas esferas e \u00e1reas como a da sa\u00fade &#8211; carecem de uma legisla\u00e7\u00e3o especifica e atua\u00e7\u00e3o de outros \u00f3rg\u00e3os, como o de Sa\u00fade e Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria por exemplo, no que se refere aos efeitos da contamina\u00e7\u00e3o das \u00e1guas e pescados com os metais pesados, e os riscos reais \u00e0 sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o que porventura possa estar consumindo regular ou esporadicamente esse pescado.<\/p>\n<p>\u201cEsse teor de metais pesados, encontrados por pesquisadores em peixes, por exemplo, n\u00e3o s\u00e3o totalmente normatizados pela Anvisa. Quando somos arguidos se a popula\u00e7\u00e3o pode comer o pescado, se podem tomar banho de rio ou mar, ficamos sem saber o que dizer, \u00e0 luz de quais par\u00e2metros, pois a legisla\u00e7\u00e3o nunca abarcou algo sequer parecido com esse desastre, o maior da minera\u00e7\u00e3o ocorrido no mundo. Nossa fun\u00e7\u00e3o \u00e9 analisar como est\u00e3o os \u00edndices de contamina\u00e7\u00e3o da biota e no meio ambiente. Cabe aos demais setores orientar quanto aos riscos humanos\u201d, explica Joca Thom\u00e9.<\/p>\n<p>A Resolu\u00e7\u00e3o da Diretoria Colegiada (RDC) N\u00ba 42, de 29 de agosto de 2013, determina os valores m\u00e1ximos apenas para chumbo, merc\u00fario, c\u00e1dmio e ars\u00eanio, mas para os demais metais n\u00e3o h\u00e1 par\u00e2metros definidos no Brasil. Acesse\u00a0<a href=\"http:\/\/portal.anvisa.gov.br\/documents\/33916\/393845\/RDC%2Bn%25C2%25BA%2B42_2013_final.pdf\/eec629cf-8d17-422b-a362-366b275c1a00\">aqui<\/a>.<\/p>\n<p>Para o coordenador da CT-BIO\/CIF a sociedade precisa enxergar o licenciamento ambiental e todos os planos previstos no rito do licenciamento n\u00e3o como entraves ao crescimento econ\u00f4mico, mas realmente como uma prote\u00e7\u00e3o e resguardo \u00e0 vida de forma geral, humana e da biodiversidade.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos impactos ambientais, analisa-se tamb\u00e9m por outras C\u00e2maras T\u00e9cnicas, a desestrutura\u00e7\u00e3o da sociedade nas \u00e1reas atingidas. \u201cHouve um esfacelamento das rela\u00e7\u00f5es interna e externamente a essas comunidades atingidas. O lazer delas, a cultura, o trabalho, enfim, tudo foi atingido e transformado. Uma nova realidade ser\u00e1 constru\u00edda ao longo dos anos\u201d, frisa Joca.<\/p>\n<p><strong>O que \u00e1 a CT-BIO\/CIF?<\/strong><\/p>\n<p>A CT-BIO\/CIF \u00e9 uma das 10 C\u00e2maras T\u00e9cnicas criadas para orientar, acompanhar, monitorar e fiscalizar quatro Programas, entre os 42 programas do Acordo: o de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade Aqu\u00e1tica, incluindo \u00e1gua doce, zona costeira e estuarina e \u00e1rea marinha impactada; o de Fortalecimento das Estruturas de Triagem e Reintrodu\u00e7\u00e3o da Fauna Silvestre; e o de Conserva\u00e7\u00e3o da Fauna e Flora Terrestre e o de Consolida\u00e7\u00e3o das Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o. Ela \u00e9 composta por representantes do ICMBio (que tamb\u00e9m a coordena), Ibama, IEF-MG e IEMA-ES e INEMA-BA.<\/p>\n<p>Todas as 11 C\u00e2maras T\u00e9cnicas foram criadas em julho de 2016, por meio da Delibera\u00e7\u00e3o No 07 \u2013 do Comit\u00ea Interfederativo (CIF) \u2013 este criado em abril de 2016, pelo Minist\u00e9rio do Meio Ambiente, por meio da Portaria 95 (07\/04\/2016).<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3rico Temporal do Rompimento<\/strong><\/p>\n<p>05 de novembro de 2015 &#8211; rompimento da barragem da Samarco em Fund\u00e3o, em Mariana\/MG, com aproximadamente 39,2 milh\u00f5es de m\u00b3 de rejeitos sa\u00edram da \u00e1rea de propriedade da Samarco. O rejeito atingiu o rio Gualaxo do Norte, percorreu seu leito e desaguou no rio Doce. Acredita-se que 20,3 milh\u00f5es de m\u00b3 de material ficaram depositados na barragem da Usina Hidrel\u00e9trica Risoleta Neves (Candonga). Outros 18,9 milh\u00f5es de m\u00b3 de rejeitos seguiram o fluxo dos cursos d\u2019\u00e1gua e chegaram ao mar no dia 21 de novembro de 2015.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tr\u00eas anos depois que a avalanche de rejeitos desceu toda a bacia hidrogr\u00e1fica do rio<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":96065,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/desastre_matiana.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/desastre_matiana-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/desastre_matiana-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/desastre_matiana.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/desastre_matiana.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/desastre_matiana.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/desastre_matiana.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/desastre_matiana.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/desastre_matiana.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/desastre_matiana.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Tr\u00eas anos depois que a avalanche de rejeitos desceu toda a bacia hidrogr\u00e1fica do rio","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/96064"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=96064"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/96064\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/96065"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=96064"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=96064"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=96064"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}