{"id":95730,"date":"2018-11-17T17:28:17","date_gmt":"2018-11-17T20:28:17","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=95730"},"modified":"2018-11-17T17:26:54","modified_gmt":"2018-11-17T20:26:54","slug":"relatos-da-dor-no-campo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/relatos-da-dor-no-campo\/","title":{"rendered":"Relatos da dor no campo"},"content":{"rendered":"<div class=\"title\">\n<h1><img loading=\"lazy\" class=\"align_center\" src=\"http:\/\/revistaecologico.com.br\/site\/assets\/files\/1764\/agrotoxico.697x0-is.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"357\" \/><\/h1>\n<p>Pol\u00eamica sobre a proposta de altera\u00e7\u00f5es na Lei 7.802\/89, que regulamenta o uso de defensivos agr\u00edcolas no Brasil, esconde outra realidade: o impacto na sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o rural<\/p><\/div>\n<p><b>Agrot\u00f3xicos<\/b><br \/>\nEdi\u00e7\u00e3o 112 &#8211; Publicado em: 09\/10\/2018<\/p>\n<p>Em maio de 2013, um avi\u00e3o pulverizou agrot\u00f3xicos sobre a Escola Rural S\u00e3o Jos\u00e9 do Pontal, localizada em meio \u00e0s vastas planta\u00e7\u00f5es de milho e soja em volta da cidade de Rio Verde (GO). Cerca de 90 pessoas &#8211; a maioria delas crian\u00e7as que estudam na escola &#8211; foram imediatamente hospitalizadas. O incidente chocou o pa\u00eds e, logo em seguida, o Brasil voltou-se para o problema das intoxica\u00e7\u00f5es por agrot\u00f3xicos em \u00e1reas rurais.<\/p>\n<p>Infelizmente, hoje a situa\u00e7\u00e3o pouco mudou: cidad\u00e3os continuam sendo intoxicados por agrot\u00f3xicos na maioria das zonas rurais do pa\u00eds. Em suas rotinas di\u00e1rias, eles ficam expostos \u00e0s aplica\u00e7\u00f5es de pesticidas nas proximidades de suas casas, escolas e locais de trabalho, quando s\u00e3o pulverizados em planta\u00e7\u00f5es e se dispersam no ar ou seguem para \u00e1reas adjacentes.<\/p>\n<p>Para entender melhor a realidade dessas pessoas, a ONG Human Rights Watch foi, literalmente, a campo. De julho de 2017 a abril de 2018, durante sete semanas, a entidade entrevistou 73 pessoas diretamente afetadas pelos agrot\u00f3xicos em sete zonas rurais das cinco regi\u00f5es brasileiras, incluindo comunidades rurais, ind\u00edgenas, quilombolas e escolas rurais (leia o documento na \u00edntegra no link\u00a0<a class=\"vglnk\" href=\"http:\/\/goo.gl\/S9ieQQ\" rel=\"nofollow\">goo.gl\/S9ieQQ<\/a>).<\/p>\n<p>Nesses locais, os entrevistados afirmaram ter apresentado v\u00e1rios sintomas de intoxica\u00e7\u00e3o aguda ap\u00f3s a pulveriza\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xicos em planta\u00e7\u00f5es pr\u00f3ximas: de sudorese, frequ\u00eancia card\u00edaca elevada e v\u00f4mitos a n\u00e1usea, dor de cabe\u00e7a e tontura.<\/p>\n<p>A Human Rights Watch constatou que, mesmo o Brasil tendo um regulamento que pro\u00edbe a pulveriza\u00e7\u00e3o a\u00e9rea de agrot\u00f3xicos a menos de 500 metros de povoa\u00e7\u00f5es, cidades, vilas, bairros e mananciais de \u00e1gua, a lei \u00e9 desrespeitada. Inclusive nos poucos estados que j\u00e1 determinaram o limite de seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>De modo geral, a intoxica\u00e7\u00e3o aguda por agrot\u00f3xicos e a exposi\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica n\u00e3o chama a aten\u00e7\u00e3o do p\u00fablico em geral e dos formuladores de pol\u00edticas p\u00fablicas do Brasil. Uma das raz\u00f5es mais perversas para essa invisibilidade \u00e9 o medo que muitos membros de comunidades rurais sentem de repres\u00e1lias por parte de grandes propriet\u00e1rios de terra. Para proteger a confidencialidade e a seguran\u00e7a dos entrevistados, seus nomes e os das comunidades foram preservados.<\/p>\n<p>Em abril de 2010, o agricultor rural e ativista contra o uso de agrot\u00f3xicos, Jos\u00e9 Maria Filho, foi baleado 25 vezes quando voltava para casa \u00e0 noite em Limoeiro do Norte (CE). Ele foi fundamental na mobiliza\u00e7\u00e3o para que o governo municipal proibisse a pulveriza\u00e7\u00e3o a\u00e9rea naquele ano, frente \u00e0 oposi\u00e7\u00e3o dos grandes propriet\u00e1rios de terra. Um m\u00eas depois de sua morte, a proibi\u00e7\u00e3o foi revertida.<\/p>\n<p>Conhe\u00e7a, a seguir, alguns dos locais visitados pela ONG Human Rights e os relatos mais tristes de quem vive essa realidade no campo:<\/p>\n<p><strong>Mato Grosso<\/strong><\/p>\n<p>O local selecionado pela ONG \u00e9 uma escola rural no munic\u00edpio de Primavera do Leste, na regi\u00e3o centro-oeste brasileira. A institui\u00e7\u00e3o atende pouco mais de 100 alunos, com aulas para estudantes entre 15 e 16 anos durante o dia e para adultos \u00e0 noite. H\u00e1 planta\u00e7\u00f5es bem ao lado do terreno da escola, com as salas de aula aproximadamente 15 metros dos campos. L\u00e1, a Human Rights Watch entrevistou cinco pessoas, entre alunos e professores.<\/p>\n<p>Diferentemente de outras localidades no Brasil, tanto o estado do Mato Grosso quanto o munic\u00edpio de Primavera do Leste estabelecem uma zona de seguran\u00e7a para a realiza\u00e7\u00e3o de pulveriza\u00e7\u00e3o terrestre. Atualmente, ela \u00e9 de 250 metros de zonas urbanas, mas h\u00e1 um projeto de lei em discuss\u00e3o que busca reduzi-la a 90 metros &#8211; a mesma dist\u00e2ncia estabelecida pela legisla\u00e7\u00e3o estadual.<\/p>\n<p>De acordo com os professores, durante a safra de algod\u00e3o, em meados de 2017, a pulveriza\u00e7\u00e3o ocorreu com frequ\u00eancia perto da escola. Posteriormente, funcion\u00e1rios notificaram a Secretaria de Desenvolvimento da Ind\u00fastria, Com\u00e9rcio, Agricultura e Meio Ambiente. Mas n\u00e3o houve resposta ou foi realizada visita.<\/p>\n<p><strong>Paran\u00e1<\/strong><\/p>\n<p>Teresa tem apenas dez anos e o relato a seguir descreve um incidente que aconteceu quando ela tinha cinco. A escola a que ela se refere fica na cidade de Cascavel (PA), na Regi\u00e3o Sul do Brasil.<\/p>\n<p>Em 2015, o munic\u00edpio estabeleceu uma zona de seguran\u00e7a em torno de escolas, unidades de sa\u00fade e comunidades rurais, proibindo qualquer tipo de pulveriza\u00e7\u00e3o dentro de 300 metros, ou 50 metros, caso haja uma barreira de \u00e1rvores. No momento da entrevista, as salas de aula mais pr\u00f3ximas ficavam a aproximadamente 100 metros das planta\u00e7\u00f5es com \u00e1rvores plantadas no meio. Entrevistados na localidade disseram que desde a ado\u00e7\u00e3o da lei, a situa\u00e7\u00e3o melhorou.<\/p>\n<p>No entanto, a Human Rights Watch visitou outras escolas em Cascavel, incluindo duas onde professores e alunos afirmaram que problemas de sa\u00fade causados pela pulveriza\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xicos permaneciam. Nas duas escolas, funcion\u00e1rios contaram \u00e0 ONG que as pulveriza\u00e7\u00f5es aconteciam perto das escolas, dentro da zona de seguran\u00e7a estabelecida pela lei municipal.<\/p>\n<p><strong>Teresa<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;O trator amarelo come\u00e7ou a pulverizar de repente: ouvimos o barulho da m\u00e1quina, dava para ver pelas janelas da sala de aula. Eu tive uma forte dor de cabe\u00e7a, dor de barriga e a sensa\u00e7\u00e3o de que ia vomitar. A professora disse: \u2018Vamos sair da sala porque o cheiro est\u00e1 muito ruim\u2019. Fomos para casa mais cedo. Cheguei em casa com enjoo, me sentindo mal, com uma forte dor de cabe\u00e7a. Vomitei em casa duas vezes: a primeira quando eu estava comendo com minha fam\u00edlia. Deixei meu prato e corri para o banheiro. Eu n\u00e3o comi mais. Deitei na cama, dormi e depois de um tempo vomitei de novo.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Goi\u00e1s<\/strong><\/p>\n<p>A escola rural visitada pela ONG fica a poucas horas de carro de Goi\u00e2nia, capital de Goi\u00e1s, em plena regi\u00e3o Centro-Oeste do Brasil. A institui\u00e7\u00e3o tem cerca de 200 alunos, desde o pr\u00e9-escolar (crian\u00e7as com 3 anos de idade) at\u00e9 alunos de ensino m\u00e9dio (entre 15 e 16 anos). H\u00e1 tamb\u00e9m alguns alunos adultos. As aulas s\u00e3o ministradas durante o dia e \u00e0 noite.<\/p>\n<p>As planta\u00e7\u00f5es mais pr\u00f3ximas \u00e0s salas de aula ficam a apenas cinco metros. Sete pessoas foram entrevistadas, incluindo quatro estudantes com idades entre 13 e 16 anos.<\/p>\n<p>Questionados sobre os sintomas p\u00f3s-pulveriza\u00e7\u00e3o, eles relataram que as frequentes aplica\u00e7\u00f5es de agrot\u00f3xicos nas \u00e1reas pr\u00f3ximas \u00e0 escola causaram crises de n\u00e1usea, tontura, v\u00f4mitos e dores de cabe\u00e7a entre os estudantes.<\/p>\n<p>Foi o que Danilo, um dos entrevistados, contou \u00e0 Human Rights Watch:<\/p>\n<p><strong>Danilo<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Da sala de aula, \u00e9 poss\u00edvel ouvir o barulho da pulveriza\u00e7\u00e3o tanto terrestre quanto a\u00e9rea. D\u00e1 para ver o trator pulverizando e a \u00e1gua branca saindo. Eles pulverizam muito perto, mas mesmo se eles fizessem um pouco mais longe, o vento sopraria os agrot\u00f3xicos para c\u00e1. A gente sente n\u00e1useas; d\u00e1 dor de cabe\u00e7a. Tento me sentar do outro lado da sala de aula. Temos um ventilador na sala de aula que ajuda um pouco, mas o cheiro continua. \u00c9 ruim porque voc\u00ea quer vomitar, mas fica preso na garganta. \u00c0s vezes minha m\u00e3e vem me buscar na escola e n\u00f3s vamos ao hospital.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Mato Grosso do Sul<\/strong><\/p>\n<p>O local fica a poucas horas de carro de Campo Grande, capital do estado. Na comunidade, algumas centenas de ind\u00edgenas Guarani-Kaiow\u00e1 vivem em cabanas e casas em uma pequena floresta ao redor de um c\u00f3rrego. Uma planta\u00e7\u00e3o de soja e milho come\u00e7a a aproximadamente 50 metros da entrada principal da comunidade e de v\u00e1rias casas localizadas nas margens da floresta.<\/p>\n<p>A ONG entrevistou nove pessoas que vivem na localidade, entre homens, mulheres e crian\u00e7as Guarani-Kaiow\u00e1. Eles descreveram diversos incidentes de intoxica\u00e7\u00e3o aguda por agrot\u00f3xicos nos \u00faltimos anos, tanto por pulveriza\u00e7\u00e3o a\u00e9rea quanto terrestre. Em alguns casos, os moradores tratam os sintomas de intoxica\u00e7\u00e3o por agrot\u00f3xicos com uma solu\u00e7\u00e3o natural feita com suco de lim\u00e3o, enquanto, nos mais graves, eles relataram ter ido ao hospital local (a cerca de 45 minutos de carro).<\/p>\n<p>O depoimento de Jakaira, um homem de 40 anos que vive na comunidade h\u00e1 10, casado e pai de tr\u00eas filhos adultos, mostra uma realidade triste e ainda ignorada pelos governantes.<\/p>\n<p><strong>Jakaira<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Foi por volta das 8 da manh\u00e3. O trator estava pulverizando e senti o cheiro do agrot\u00f3xico. Dava pra ver o l\u00edquido branco no ar. Vai para o seu c\u00e9rebro, a gente sente uma amargura na garganta. Voc\u00ea n\u00e3o quer mais respirar veneno, quer outro tipo de ar, mas n\u00e3o tem. Ent\u00e3o voc\u00ea se sente fraco, n\u00e3o consegue se levantar. D\u00e1 febre. Tive dor de cabe\u00e7a muitas vezes, n\u00e3o aguento mais. Naquele dia, foi diarreia e v\u00f4mito. Todo mundo que vive na beira da nossa comunidade passou mal. Enquanto eu esperava a ambul\u00e2ncia, fiquei deitado na cama. No hospital expliquei o que eu tinha e a causa. Eles me deram soro e um rem\u00e9dio e eu recebi alta no dia seguinte. Quando sa\u00ed, o m\u00e9dico me disse para me proteger, mas n\u00e3o tem jeito.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Par\u00e1<\/strong><\/p>\n<p>Trata-se de uma comunidade rural de aproximadamente 600 pessoas a poucas horas de carro de Santar\u00e9m (PA), na Regi\u00e3o Norte. As casas ficam ao lado de uma rodovia, com grandes planta\u00e7\u00f5es no sentido oposto da comunidade. A planta\u00e7\u00e3o se estende at\u00e9 as casas das pessoas, seus pequenos jardins e um pequeno campo (de futebol). A planta\u00e7\u00e3o termina a apenas 5 metros do po\u00e7o que a comunidade usa para obter \u00e1gua pot\u00e1vel.<\/p>\n<p>Um membro da comunidade que organizou um abaixo-assinado dirigido \u00e0s autoridades estaduais de meio ambiente, para reduzir a pulveriza\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xicos na regi\u00e3o, disse que o fazendeiro propriet\u00e1rio da planta\u00e7\u00e3o vizinha o amea\u00e7ou fazendo o gesto de uma arma quando se cruzaram em p\u00fablico. Ele denunciou as amea\u00e7as \u00e0 Pol\u00edcia Civil. Segundo o morador, ela n\u00e3o tomou nenhuma medida para investigar as amea\u00e7as.<\/p>\n<p>Eduarda, que deu o depoimento abaixo, tem 20 anos e vive em uma casa a cerca de 100 metros de uma planta\u00e7\u00e3o de soja. Quando foi entrevistada pela Human Rights Watch, estava gr\u00e1vida de seu primeiro filho, prestes a nascer dentro de algumas semanas.<\/p>\n<p><strong>Eduarda<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Eu estava em casa. Senti um cheiro terr\u00edvel, muito forte, como algo podre e qu\u00edmico, e me senti mal, com enjoo e dor de cabe\u00e7a. Vomitei muito, n\u00e3o conseguia parar. Tive que ligar para meu marido pedindo ajuda. Estou gr\u00e1vida e minha principal preocupa\u00e7\u00e3o era com meu filho, estava preocupada que isso pudesse afetar sua sa\u00fade. \u00c9 minha primeira gravidez, eu n\u00e3o tinha vomitado antes ou depois desse incidente. Fiquei doente por causa dos agrot\u00f3xicos. No caminho para o hospital paramos 3 vezes para eu vomitar. Eles me deram soro salina e algo para dor de cabe\u00e7a e n\u00e1usea. Eu disse que era por causa de agrot\u00f3xicos, mas eles ignoraram. Trataram como uma virose; n\u00e3o foi registrado como uma intoxica\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Bahia<\/strong><\/p>\n<p>A comunidade onde mora a professora Marelaine, de 20 anos, fica no sul da Bahia, no Nordeste brasileiro. A \u00e1rea \u00e9 dominada por planta\u00e7\u00f5es de eucalipto. Aproximadamente 100 fam\u00edlias vivem na comunidade que tem uma pequena escola e uma unidade de sa\u00fade. Casas e pequenas hortas pertencentes aos moradores s\u00e3o intercaladas com planta\u00e7\u00f5es de eucalipto; em alguns casos, as casas est\u00e3o a 20 metros das planta\u00e7\u00f5es. Cinco moradores foram entrevistados e todos relataram ter sentido n\u00e1usea, dor de cabe\u00e7a, diarreia, olhos ardentes e lacrimejantes, e l\u00e1bios dormentes ap\u00f3s aplica\u00e7\u00f5es de agrot\u00f3xicos.<\/p>\n<p><strong>Marelaine<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Eu estava perto da minha casa quando o avi\u00e3o veio jogando por cima do eucalipto e o vento trouxe os agrot\u00f3xicos para mim. Fiquei molhada com o produto e tive que voltar para casa e tomar outro banho. Fui para a escola e comecei a sentir dor de cabe\u00e7a, nariz ardendo, coceira.<\/p>\n<p>O avi\u00e3o estava jogando do lado da escola e o vento trazia. N\u00e3o dava para sentir o cheiro, mas dava para sentir a neblina, o vapor de agrot\u00f3xicos entrando pela janela. As crian\u00e7as, entre 4 e 7 anos, reclamavam que suas gengivas e olhos estavam ardendo. Eu os liberei por volta das 9 da manh\u00e3 e mandei um bilhete para os pais dizendo que n\u00e3o ter\u00edamos aulas enquanto eles estivessem pulverizando.&#8221;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"align_center\" src=\"http:\/\/revistaecologico.com.br\/site\/assets\/files\/1764\/agrotoxico2.696x0-is.jpg\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"357\" \/><\/p>\n<p><strong>Minas Gerais<\/strong><\/p>\n<p>Bernardo tem cerca de 30 anos e nasceu na comunidade quilombola onde vivem cerca de 60 pessoas, entre homens, mulheres e crian\u00e7as. Ele \u00e9 casado e tem um filho pequeno. Em entrevista \u00e0 ONG, ele afirmou que se sente particularmente impotente contra a pulveriza\u00e7\u00e3o a\u00e9rea e frustrado ap\u00f3s anos de den\u00fancias formais e neglig\u00eancia das autoridades.<\/p>\n<p>A comunidade que ele mora fica a poucas horas de carro de Belo Horizonte, capital de Minas. As casas s\u00e3o simples, ao lado de algumas mangueiras e bananeiras, e os moradores cultivam feij\u00e3o, ab\u00f3bora, milho e quiabo em pequenas hortas. Algumas das casas na localidade ficam a aproximadamente 20 metros da planta\u00e7\u00e3o de cana-de-a\u00e7\u00facar vizinha.<\/p>\n<p>A Human Rights Watch entrevistou 21 pessoas l\u00e1. Moradores tamb\u00e9m disseram que os avi\u00f5es geralmente realizam a pulveriza\u00e7\u00e3o sobre suas casas e que ela interrompe suas atividades di\u00e1rias, como trabalho na horta, varrer terreiro ou mesmo brincadeiras ao ar livre.<\/p>\n<p><strong>Eduardo<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;A pulveriza\u00e7\u00e3o causa dor de cabe\u00e7a, enjoo, falta de ar e irrita\u00e7\u00e3o na vista, na pele e no nariz. A a\u00e9rea \u00e9 pior do que a terrestre: \u00e9 poss\u00edvel evitar os tratores, d\u00e1 para perceber de mais longe pela zoeira. Avi\u00e3o n\u00e3o tem como tentar parar, passa por cima. Se aparece um avi\u00e3o, entro em casa. Essa semana, um passou por cima da casa de um vizinho com o motor de pulveriza\u00e7\u00e3o ligado.<\/p>\n<p>A gente sente os agrot\u00f3xicos caindo na pele. Toda vez que bate, tem isso. N\u00f3s temos problemas com avi\u00f5es h\u00e1 uns 10 anos. Fizemos v\u00e1rias ocorr\u00eancias no quartel, delegacia [de pol\u00edcia civil]. N\u00e3o resolve &#8211; n\u00e3o existe justi\u00e7a.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pol\u00eamica sobre a proposta de altera\u00e7\u00f5es na Lei 7.802\/89, que regulamenta o uso de defensivos<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Pol\u00eamica sobre a proposta de altera\u00e7\u00f5es na Lei 7.802\/89, que regulamenta o uso de defensivos","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/95730"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=95730"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/95730\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=95730"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=95730"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=95730"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}