{"id":95640,"date":"2018-11-17T00:00:48","date_gmt":"2018-11-17T03:00:48","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=95640"},"modified":"2018-11-16T18:44:49","modified_gmt":"2018-11-16T21:44:49","slug":"entrevista-tecnologia-da-informacao-leva-nova-revolucao-a-agricultura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/entrevista-tecnologia-da-informacao-leva-nova-revolucao-a-agricultura\/","title":{"rendered":"Entrevista: tecnologia da informa\u00e7\u00e3o leva nova revolu\u00e7\u00e3o \u00e0 agricultura"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"sub-titulo\">Lu\u00eds Ot\u00e1vio da Fonseca, head global de solu\u00e7\u00f5es agro da IBM, fala sobre o uso das plataformas digitais para aumentar a efici\u00eancia na cadeia produtiva<\/h2>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/WsGH6obU-TsXVTMeixt0rjhyEWI=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2018\/08\/03\/t1.jpg\" alt=\"Luis Ot\u00c3\u00a1vio da Fonseca, head global de solu\u00c3\u00a7\u00c3\u00b5es agro da IBM (Foto: Rog\u00c3\u00a9rio Albuquerque)\" width=\"640\" height=\"638\" \/><\/p>\n<p><span class=\"intro\">S<\/span>ensores, sat\u00e9lites, aplicativos, intelig\u00eancia artificial. A nova revolu\u00e7\u00e3o da\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/revistagloborural.globo.com\/Noticias\/Agricultura\/index.html\" target=\"_blank\">agricultura<\/a><\/strong>\u00a0passa pelo campo da tecnologia da informa\u00e7\u00e3o (TI). Desde o agricultor, que precisa de bancos de dados para aumentar sua produtividade, at\u00e9 o consumidor, que procura saber a origem dos alimentos.<\/p>\n<p>A combina\u00e7\u00e3o de tecnologias\u00a0 forma a agricultura 4.0, que visa melhorar o rendimento do produtor. Habilitada essa performance, com esses dados, pode gerar\u00a0 informa\u00e7\u00e3o para toda a cadeia. O coment\u00e1rio \u00e9 do head global de solu\u00e7\u00f5es agro da IBM, Luis Ot\u00e1vio da Fonseca, para quem, ao gerar essas informa\u00e7\u00f5es, o campo est\u00e1 \u201cfalando\u201d com a cadeia produtiva.<\/p>\n<div id=\"pub-in-text\" data-google-query-id=\"COmx9KHw2d4CFYxowQodC-kAFA\"><\/div>\n<p>Em entrevista \u00e0\u00a0<strong>Globo Rural<\/strong>, ele analisa o papel das empresas de TI \u2013 grandes e startups \u2013 de prover solu\u00e7\u00f5es para o agroneg\u00f3cio. E fala ainda sobre as expectativas da IBM para o setor no Brasil, pa\u00eds onde a companhia est\u00e1 h\u00e1 100 anos.<\/p>\n<p><strong><em>Globo Rural<\/em>\u00a0 Para quem ainda n\u00e3o est\u00e1 familiarizado com o conceito, o que \u00e9 a agricultura 4.0?<br \/>\nLuis Ot\u00e1vio da Fonseca\u00a0<\/strong>\u00a0A agricultura passou por v\u00e1rias fases de evolu\u00e7\u00e3o. A primeira foi quando come\u00e7ou a plantar. A segunda foi a mecaniza\u00e7\u00e3o. A terceira foi a altera\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica. A 4.0 \u00e9 a quarta revolu\u00e7\u00e3o, em que estamos utilizando tudo o que \u00e9 tecnologia, principalmentente tecnologia da informa\u00e7\u00e3o. Sensoriza\u00e7\u00e3o, conex\u00e3o remota, estat\u00edstica, intelig\u00eancia artificial. A combina\u00e7\u00e3o disso forma a agricultura 4.0, que visa melhorar a performance do produtor. Habilitada essa performance, com o campo falando, pode trazer essa informa\u00e7\u00e3o para toda a cadeia e aumentar a efici\u00eancia.<\/p>\n<p><strong><em>GR<\/em>\u00a0 Quais possibilidades isso abre?<br \/>\nFonseca\u00a0<\/strong>\u00a0No caso do produtor, \u00e9 melhorar a opera\u00e7\u00e3o agron\u00f4mica. Na outra parte da cadeia, um banco poder\u00e1 prover cr\u00e9dito conforme a performance do produtor; uma ind\u00fastria poder\u00e1 selecionar o melhor produto para a necessidade dela; e as seguradoras poder\u00e3o monitorar o risco de maneira mais eficiente , vender mais seguros ou assegurar mais produtores. \u00c9 uma mudan\u00e7a n\u00e3o s\u00f3 para produzir mais, mas o que o mercado quer, no momento que precisa.<\/p>\n<p><strong><em>GR<\/em>\u00a0 Por que o agroneg\u00f3cio ficou atrativo para as empresas de tecnologia?<br \/>\nFonseca\u00a0\u00a0<\/strong>O agroneg\u00f3cio \u00e9 parte importante do PIB de qualquer pa\u00eds. Grande parte dos pa\u00edses precisa dessa tecnologia. \u00c9 uma ind\u00fastria est\u00e1vel, perene e a menos transformada quando a gente olha para telecomunica\u00e7\u00f5es, ind\u00fastria, bancos. H\u00e1 um potencial de transforma\u00e7\u00e3o muito grande e chegou a vez do agroneg\u00f3cio.<\/p>\n<p><strong><em>GR<\/em>\u00a0 Essa informa\u00e7\u00e3o sobre a produ\u00e7\u00e3o chega ao restante da cadeia produtiva?<br \/>\nFonseca<\/strong>\u00a0 Chega pouco ou de maneira n\u00e3o necessariamente utiliz\u00e1vel. Do ponto de vista do B2B (business to business), as empresas dependem do agro. H\u00e1 uma demanda por essa informa\u00e7\u00e3o por duas raz\u00f5es: a primeira \u00e9 diminuir o tempo de rastreabilidade; a segunda \u00e9 quanto vou precisar fazer mais compras, procurar novos fornecedores. Ent\u00e3o, essa informa\u00e7\u00e3o tem valor n\u00e3o s\u00f3 para o produtor, mas tamb\u00e9m de compra no mercado spot, no custo de homogeneiza\u00e7\u00e3o, de rastreabilidade. H\u00e1 realmente essa tend\u00eancia de quem utiliza o produto rural demandar do fornecedor, at\u00e9 como crit\u00e9rio de sele\u00e7\u00e3o, que essa informa\u00e7\u00e3o seja fornecida.<\/p>\n<div class=\"frase-materia componente_materia expandido\">\n<div class=\"frase\">A pr\u00f3xima onda talvez seja a consolida\u00e7\u00e3o de diversas plataformas para uma intelig\u00eancia \u00fanica&#8221;<\/div>\n<\/div>\n<p><strong><em>GR<\/em>\u00a0 Isso no B2B. \u00c9 de se supor que no B2C, para o consumidor, a dificuldade talvez seja maior&#8230;<br \/>\nFonseca\u00a0<\/strong>\u00a0O consumidor n\u00e3o s\u00f3 quer saber mais, mas faz parte de um contexto da experi\u00eancia. Ele pode saber de onde est\u00e1 vindo. Ter um produto customizado. Ter certeza de que, de acordo com o crit\u00e9rio de consumo dele, aquele produto realmente \u00e9 org\u00e2nico ou n\u00e3o veio de uma fazenda com desmatamento. \u00c9 na experi\u00eancia do cliente onde est\u00e1 o verdadeiro valor. Tem o valor financeiro. Mas tem o valor comercial, rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, marketing, oferecer essa informa\u00e7\u00e3o para o consumidor final.<\/p>\n<p><strong><em>GR\u00a0<\/em>\u00a0O agroneg\u00f3cio brasileiro est\u00e1 preparado para esse tipo de inova\u00e7\u00e3o?<br \/>\nFonseca<\/strong>\u00a0 Acho que n\u00e3o tem ningu\u00e9m pronto. O que vemos hoje s\u00e3o maiores ou menores inclina\u00e7\u00f5es a se fazer isso r\u00e1pido. E est\u00e1 sendo demandado. \u00c9 algo que o mercado, o consumidor est\u00e1 pedindo. Ent\u00e3o, o agro brasileiro, se quiser continuar sendo competitivo n\u00e3o s\u00f3 pelo volume que produz, deve ter uma identidade associada ao produto. Ou o mercado se adapta ou vai perder competitividade para quem fizer antes. Isso est\u00e1 sendo demandado pelos mercados globais.<\/p>\n<p><strong><em>GR<\/em>\u00a0 Com tantos dados e empresas, qual o pr\u00f3ximo passo?<br \/>\nFonseca\u00a0\u00a0<\/strong>A pr\u00f3xima onda talvez seja a consolida\u00e7\u00e3o de diversas plataformas para uma intelig\u00eancia \u00fanica disponibilizada para o produtor e uma consolida\u00e7\u00e3o dessas informa\u00e7\u00f5es disponibilizadas para fora da cadeia. Ent\u00e3o, outros mercados em termos de tecnologia est\u00e3o se abrindo, um mercado de intelig\u00eancia, visibilidade e transpar\u00eancia da cadeia produtiva, e a pr\u00f3xima onda \u00e9 pegar essas informa\u00e7\u00f5es e disponibilizar para o comprador do produto agr\u00edcola.<\/p>\n<p><strong><em>GR\u00a0<\/em>\u00a0E como seria isso para uma grande empresa de tecnologia ou uma startup?<br \/>\nFonseca\u00a0<\/strong>\u00a0H\u00e1 uma resist\u00eancia do meio agro em ter, compartilhar ou comprar essa informa\u00e7\u00e3o de um agente do pr\u00f3prio mundo agro, devido a um poss\u00edvel conflito de interesses. Ent\u00e3o, eu vejo esse mercado para uma empresa de tecnologia, no qual o interesse \u00e9 prover a melhor informa\u00e7\u00e3o sem competir com uma empresa de defensivos, de semente, de maquin\u00e1rio, que consiga assimilar essas diversas fontes de dados e fornecer uma interface \u00fanica para o produtor ou para o agente B2B. As empresas hoje em rela\u00e7\u00e3o direta comercial com o produtor v\u00e3o precisar oferecer tecnologia como diferencial para atender com produtos e servi\u00e7os. Mas n\u00e3o v\u00e3o conseguir ter acesso ao todo porque est\u00e3o focadas em um determinado produto e segmento. A\u00ed entram as empresas de tecnologia como fornecedoras de uma informa\u00e7\u00e3o \u00fanica a partir de diversas fontes sem qualquer interesse com as duas pontas.<\/p>\n<div class=\"frase-materia componente_materia expandido\">\n<div class=\"frase\">As empresas de tecnologia fornecem informa\u00e7\u00e3o, sem interesse com as duas pontas<\/div>\n<\/div>\n<p><strong><em>GR\u00a0<\/em>\u00a0Como come\u00e7ou a rela\u00e7\u00e3o da IBM com o agroneg\u00f3cio?<br \/>\nFonseca\u00a0<\/strong>\u00a0A IBM s\u00f3 de Brasil tem 100 anos. Ent\u00e3o coincidiu, no ano passado, o an\u00fancio da festa de 100 anos da IBM com o an\u00fancio da divis\u00e3o de agroneg\u00f3cio, que hoje \u00e9 global, mas iniciou-se no Brasil, dada a pertin\u00eancia da agricultura para o mercado brasileiro. A IBM est\u00e1 no agro h\u00e1 muito tempo. O que n\u00f3s fizemos foi basicamente pegar todos esses clientes que tinham rela\u00e7\u00e3o com agro, criarmos uma divis\u00e3o espec\u00edfica e atuarmos dentro da \u00e1rea de agroneg\u00f3cio dessas empresas. O que era dividido em qu\u00edmica, distribui\u00e7\u00e3o, produtos de consumo, bancos, seguradora e tem um pedacinho de agro, concentramos o agro em uma \u00fanica divis\u00e3o.<\/p>\n<p><strong><em>GR<\/em>\u00a0 Qual \u00e9 a representatividade dessa divis\u00e3o?<br \/>\nFonseca<\/strong>\u00a0 Tem crescido bastante, tem muita demanda em todos os pa\u00edses, mas a IBM n\u00e3o divulga faturamento ou percentuais das suas divis\u00f5es. Trabalhamos com solu\u00e7\u00f5es globais, dispon\u00edveis para o mundo todo. O que pretendemos nesse mundo agritech \u00e9 incorporar parte dessas solu\u00e7\u00f5es a nossa plataforma digital e colocarmos \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o dos projetos de clientes. J\u00e1 temos casos em que um projeto da IBM englobou uma agritech, porque era muito maior do que ela podia entregar, e entregamos em conjunto. At\u00e9 mesmo por demanda do cliente, que falou \u201ceu quero trabalhar com esta agritech, eles t\u00eam um peda\u00e7o da solu\u00e7\u00e3o que me interessa\u201d.<\/p>\n<p><strong><em>GR<\/em>\u00a0 Qual a expectativa da IBM para o agro brasileiro?<br \/>\nFonseca\u00a0<\/strong>\u00a0A gente tem visto uma demanda muito forte do setor banc\u00e1rio, devido \u00e0s recentes mudan\u00e7as de legisla\u00e7\u00e3o. Existe demanda tamb\u00e9m das grandes tradings e grandes produtores de se digitalizarem e terem a rastreabilidade disponibilizada o mais r\u00e1pido poss\u00edvel. Temos um foco em soja, milho e cana. E crescemos geograficamente, trazendo os contratos globais para o Brasil. A tend\u00eancia \u00e9 continuar crescendo no mercado brasileiro por demanda local e externa.<\/p>\n<p><strong><em>GR\u00a0<\/em>\u00a0H\u00e1 planos de diversificar?<br \/>\nFonseca\u00a0<\/strong>\u00a0A ideia \u00e9 diversificar em cultura e geografia. O Brasil tem uma diversidade muito grande. Ent\u00e3o n\u00f3s preferimos focar em soja, milho e cana. A ideia \u00e9 aprofundar as solu\u00e7\u00f5es dentro dessas culturas. Uma vez que esteja aprofundado, a\u00ed sim diversificar a abrang\u00eancia setorial. Bancos, empresas de consumo e, obviamente, que isso come\u00e7e a se expandir geograficamente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lu\u00eds Ot\u00e1vio da Fonseca, head global de solu\u00e7\u00f5es agro da IBM, fala sobre o uso<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Lu\u00eds Ot\u00e1vio da Fonseca, head global de solu\u00e7\u00f5es agro da IBM, fala sobre o uso","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/95640"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=95640"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/95640\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=95640"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=95640"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=95640"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}