{"id":95399,"date":"2018-11-12T13:18:17","date_gmt":"2018-11-12T16:18:17","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=95399"},"modified":"2018-11-12T13:17:50","modified_gmt":"2018-11-12T16:17:50","slug":"referencia-no-exterior-brasil-nao-faz-dever-de-casa-na-area-ambiental","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/referencia-no-exterior-brasil-nao-faz-dever-de-casa-na-area-ambiental\/","title":{"rendered":"Refer\u00eancia no exterior, Brasil n\u00e3o faz dever de casa na \u00e1rea ambiental"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/floresta.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-95401\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/floresta-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/floresta-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/floresta.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>O pa\u00eds que guarda a maior biodiversidade do mundo vive uma dualidade: por um lado \u00e9 protagonista nos acordos ambientais internacionais, com posi\u00e7\u00e3o de destaque nas mesas de negocia\u00e7\u00f5es e refer\u00eancia para outros pa\u00edses. Por outro, possui uma estrutura governamental fr\u00e1gil para atender aos desafios de gerir tamanho patrim\u00f4nio.<\/p>\n<p>Sobram problemas nas estruturas dos \u00f3rg\u00e3os ambientais de todas as esferas, desde processos burocr\u00e1ticos lentos, inefici\u00eancia nas a\u00e7\u00f5es e conflitos de cunho fundi\u00e1rio ou social.<\/p>\n<p>A bipolaridade do Brasil na \u00e1rea ambiental \u00e9 revelada tamb\u00e9m pelos n\u00fameros sobre a cobertura vegetal no pa\u00eds. Se por um lado o Brasil preserva 40% da sua cobertura vegetal em bom estado, por outro concentra essa cobertura em apenas 400 dos 5.570 munic\u00edpios brasileiros.<\/p>\n<p>As fragilidades e potencialidades do pa\u00eds s\u00e3o um dos assuntos abordados no\u00a0<a href=\"https:\/\/www.bpbes.net.br\/produto\/diagnostico-brasileiro-sobre-biodiversidade-e-servicos-ecossistemicos\/\" rel=\"noopener\">Sum\u00e1rio para Tomadores de Decis\u00e3o do Primeiro Diagn\u00f3stico Brasileiro de Biodiversidade e de Servi\u00e7os Ecossist\u00eamicos<\/a>, documento lan\u00e7ado na manh\u00e3 desta quinta-feira (08) pela Plataforma Brasileira de Biodiversidade e de Servi\u00e7os Ecossist\u00eamicos (BPBES, da sigla em ingl\u00eas), em evento fechado para a imprensa no Museu do Amanh\u00e3, no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Inspirada no Painel Intergovernamental de Biodiversidade e Servi\u00e7os Ambientais (IPBES) da ONU, considerada o &#8220;IPCC da biodiversidade&#8221;, a BPBES surgiu em 2016 com a proposta de fazer relat\u00f3rios peri\u00f3dicos sobre o que se sabe de mais novo sobre biodiversidade, floresta em p\u00e9 e servi\u00e7os ambientais que a natureza preservada garante.<\/p>\n<p>O primeiro documento, fruto de um trabalho de 3 anos e envolvendo mais de 120 pesquisadores, foi tornado p\u00fablico \u00e0s v\u00e9speras da confer\u00eancia mundial sobre biodiversidade, a COP-14, em Sharm El-Sheik, no Egito.<\/p>\n<p><strong>Brasil subestima import\u00e2ncia da pr\u00f3pria biodiversidade<\/strong><\/p>\n<p>\u201cA biodiversidade e servi\u00e7os ecossist\u00eamicos sempre foram percebidos como obst\u00e1culos ou, no m\u00e1ximo, como ap\u00eandice do processo de desenvolvimento. No entanto, \u00e9 preciso reverter essa vis\u00e3o,\u00a0<strong>porque<\/strong>\u00a0a incorpora\u00e7\u00e3o da biodiversidade e servi\u00e7os ecossist\u00eamicos podem constituir uma base de ganho e competitividade muito importante no ambiente global, que vem se configurando nos setores produtivos, cada mais dependentes de pr\u00e1ticas inclusivas e sustent\u00e1veis\u201d, explica Mercedes Bustamante, professora da Universidade de Bras\u00edlia (UNB), e um das coordenadora da \u00a0da Plataforma Brasileira de Biodiversidade e de Servi\u00e7os Ecossist\u00eamicos (BPBES).<\/p>\n<p>Das 141 culturas agr\u00edcolas brasileiras, 85 dependem da poliniza\u00e7\u00e3o realizadas por insetos como abelhas, mariposas, moscas e besouros. Segundo estudo citado no relat\u00f3rio, os servi\u00e7os para a economia que esses animais prestam chegam a ordem de R$ 12 bilh\u00f5es por ano. Esp\u00e9cies como o algod\u00e3o e a soja dependem da poliniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;No momento em que voc\u00ea demonstra para um propriet\u00e1rio agr\u00edcola que ele tem mais a ganhar em manter \u00e1reas de vegeta\u00e7\u00e3o nativa com a popula\u00e7\u00e3o de polinizadores, porque a presen\u00e7a de polinizadores vai aumentar, no caso da soja, por exemplo, em 20% a produ\u00e7\u00e3o dele. Ou no caso do caf\u00e9, de 15 a 18%, [esse produtor] vai entender que ele tamb\u00e9m tem a ganhar com essa prote\u00e7\u00e3o e vai passar a colaborar com a implementa\u00e7\u00e3o do que a gente est\u00e1 propondo&#8221;, afirma o bi\u00f3logo Carlos Joly, da Unicamp, que tamb\u00e9m \u00e9 um dos coordenadores da BPBES e um dos fundadores da proposta.<\/p>\n<p>Para o engenheiro florestal, Fabio Scarano, da UFRJ, o relat\u00f3rio aponta para a necessidade de transversalizar a assunto, n\u00e3o s\u00f3 envolvendo o governo e o setor econ\u00f4mico, mas os pr\u00f3prios cientistas e a academia.<\/p>\n<p>\u201cA ci\u00eancia que trata da biodiversidade est\u00e1 muito biol\u00f3gica. Para a gente entender melhor a rela\u00e7\u00e3o da biodiversidade com o bem-estar das pessoas e os servi\u00e7os que a natureza oferece para as pessoas, a gente precisa trabalhar no sentido de casar um pouco mais as ci\u00eancias naturais com as ci\u00eancias sociais e isso envolve pensar pol\u00edtica cient\u00edfica de maneira diferente do que estamos fazendo\u201d, afirma.<\/p>\n<table class=\" aligncenter\" cellpadding=\"5\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<h4><b>Os n\u00fameros e destaque do relat\u00f3rio<\/b><\/h4>\n<ul>\n<li>At\u00e9 2030, a mudan\u00e7a no uso da terra seguir\u00e1 sendo o principal vetor de perda de biodiversidade e de servi\u00e7os ecossist\u00eamicos no pa\u00eds, e continuar\u00e1 a ser um fator-chave ao longo de boa parte do s\u00e9culo 21;<\/li>\n<li>O territ\u00f3rio nacional abriga cerca de 42 mil esp\u00e9cies vegetais + 9 mil esp\u00e9cies de vertebrados + 129 mil invertebrados conhecidos;<\/li>\n<li>Esp\u00e9cies amea\u00e7adas: 1.173 da fauna + 2.118 da flora;<\/li>\n<li>De 141 culturas agr\u00edcolas analisadas no pa\u00eds, 85 dependem de poliniza\u00e7\u00e3o por animais;<\/li>\n<li>Cerca de 80 fam\u00edlias e 469 esp\u00e9cies de plantas s\u00e3o cultivadas em sistemas agroflorestais no Brasil;<\/li>\n<li>Mais de 245 esp\u00e9cies da flora brasileira s\u00e3o base de produtos cosm\u00e9ticos e farmac\u00eauticos; ao menos 36 esp\u00e9cies bot\u00e2nicas nativas possuem registro de fitoter\u00e1picos;<\/li>\n<li>O Brasil exporta mais de 350 tipos de produtos agr\u00edcolas e a agricultura familiar produz 70% do que \u00e9 consumido pela popula\u00e7\u00e3o brasileira;<\/li>\n<li>2\/3 da energia el\u00e9trica consumida no Brasil prov\u00e9m de usinas hidrel\u00e9tricas que dependem da integridade de ecossistemas;<\/li>\n<li>O Brasil \u00e9 o terceiro maior pa\u00eds exportador de produtos da silvicultura, respons\u00e1vel por 3,64% do volume total do mercado global;<\/li>\n<li>O setor do turismo no Brasil gera 43 mil empregos e agrega R$ 1,5 bilh\u00e3o ao Produto Interno Bruto (PIB) do pa\u00eds;<\/li>\n<li>Estima-se que, entre 2013 e 2025 o Brasil dobrar\u00e1 sua produ\u00e7\u00e3o pesqueira, passando a produzir 1.145 mil toneladas de pescado;<\/li>\n<\/ul>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_64063\" class=\"wp-caption aligncenter\">\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-64063\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/Infografico_Diagnostico-Biodiversidade.jpg\" sizes=\"(max-width: 1152px) 100vw, 1152px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/Infografico_Diagnostico-Biodiversidade.jpg 1152w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/Infografico_Diagnostico-Biodiversidade-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/Infografico_Diagnostico-Biodiversidade-1024x683.jpg 1024w, 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lado<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":95401,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/floresta.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/floresta-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/floresta-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/floresta.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/floresta.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/floresta.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/floresta.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/floresta.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/floresta.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/floresta.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"O 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