{"id":95046,"date":"2018-11-05T10:00:41","date_gmt":"2018-11-05T13:00:41","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=95046"},"modified":"2018-11-05T09:26:46","modified_gmt":"2018-11-05T12:26:46","slug":"a-insanidade-das-sacolas-plasticas-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/a-insanidade-das-sacolas-plasticas-no-brasil\/","title":{"rendered":"A insanidade das sacolas pl\u00e1sticas no Brasil que precisam ser banidas dos supermercados"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/sacola.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-95047\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/sacola-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/sacola-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/sacola.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Ir ao supermercado no Rio n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um exerc\u00edcio de paci\u00eancia: o uso de sacolas pl\u00e1sticas chega a ser fascinante, de t\u00e3o abusivo. Mas nem tudo est\u00e1 perdido: o canudinho d\u00e1 esperan\u00e7as, cr\u00ea o colunista Philipp Lichterbeck.<\/p>\n<p>Estou na fila do caixa de um grande supermercado no Rio. Antes de sair, assegurei-me que o meu celular estava carregado. Pois eu sei que vou ter tempo para ler um jornal inteiro. A fila diante de mim nem \u00e9 t\u00e3o longa assim, s\u00e3o s\u00f3 seis outros clientes. O problema \u00e9 outro: a sacola pl\u00e1stica.<\/p>\n<p>Pois, por motivos cuja plausibilidade at\u00e9 agora tem me escapado, tudo o que se compra no Brasil tem que ser embalado em sacos pl\u00e1sticos. E isso, mesmo quando \u00e9 retirado uns minutos mais tarde, como um pacotinho de chicletes.<\/p>\n<p>Por isso, todo comerciante brasileiro que se preze tem um monte de sacos pl\u00e1sticos sob o balc\u00e3o: sacolas azuis, pretas, brancas, em geral de qualidade duvidosa, rasgando logo. Por que ainda n\u00e3o se inventaram no Brasil bolsas pl\u00e1sticas que n\u00e3o arrebentem: esse permanecer\u00e1 um dos eternos mist\u00e9rios deste pa\u00eds<\/p>\n<p>O medo de rasgar \u00e9 tamb\u00e9m o motivo por que tudo \u00e9 duas vezes mais lento no supermercado, pois tem que ser embalado logo em duas sacolas. O complicado processo de acondicionar uma dentro da outra devora o tempo de todos.<\/p>\n<p>E assim o tempo escoa na fila. A caixa espera pacientemente at\u00e9 cada cliente ter realmente colocado tudo em duas sacolas, antes de atender ao pr\u00f3ximo comprador. Decerto seria poss\u00edvel resolver esse problema bem facilmente, com uma ripa divis\u00f3ria, mas o atraso tecnol\u00f3gico n\u00e3o \u00e9 o tema desta coluna.<\/p>\n<p>Outra coisa que me surpreende: o supermercado recompensa os clientes que n\u00e3o usem sacolas pl\u00e1sticas com um desconto de tr\u00eas centavos para cada cinco produtos comprados. Ent\u00e3o se deveria pensar que, num pa\u00eds com 13\u00a0milh\u00f5es de desempregados, essa possibilidade de poupar fosse avidamente empregada.<\/p>\n<p>Mas, longe disso, nem mesmo as caixas parecem conhecer a regra \u2013 embora a lei\u00a0que obriga o supermercado a dar esse desconto\u00a0esteja pregada nas paredes. Eu, pelo menos, tenho sempre que lembrar as funcion\u00e1rias, toda vez que arrumo minhas compras numa mochila.<\/p>\n<p>Fa\u00e7o isso de modo bem demonstrativo, para mostrar \u00e0s outras pessoas: &#8220;Vejam s\u00f3: vai r\u00e1pido e \u00e9 muito mais pr\u00e1tico.&#8221; Sou alem\u00e3o, e temos esse jeito de querer sempre educar o resto do mundo. Mas nesse caso acho at\u00e9 que se justifique, pois o problema \u00e9 s\u00e9rio.<\/p>\n<p>No Brasil s\u00e3o distribu\u00eddas cerca de 1,5\u00a0milh\u00e3o de sacolinhas por hora, como divulgou o Minist\u00e9rio do Meio Ambiente. Portanto chega-se a 13\u00a0bilh\u00f5es de sacos pl\u00e1sticos por ano. Onde eles v\u00e3o parar? Na maioria das vezes, infelizmente, na rua, e dali para o esgoto, que acaba entupido. Ou na floresta, num rio ou no mar, e por fim na barriga de uma baleia, matando-a.<\/p>\n<p>Para fabricar uma bolsa pl\u00e1stica, utiliza-se petr\u00f3leo ou g\u00e1s natural, \u00e1gua e energia, e s\u00e3o liberados efluentes (dejetos l\u00edquidos). Portanto sua produ\u00e7\u00e3o \u00e9 altamente poluente.<\/p>\n<p>As que seguem para os dep\u00f3sitos de lixo causam problemas, pois o pl\u00e1stico ret\u00e9m a \u00e1gua, impermeabilizando o solo e os aterros, dificultando a biodegrada\u00e7\u00e3o dos res\u00edduos org\u00e2nicos. De acordo com dados da associa\u00e7\u00e3o de direitos do consumidor Proteste, as sacolas pl\u00e1sticas duram 200 anos quando s\u00e3o enterradas junto com o lixo comum. Isso, ap\u00f3s terem sido utilizadas s\u00f3 por uns minutos.<\/p>\n<p>\u00c9 certo que os brasileiros n\u00e3o s\u00e3o os campe\u00f5es mundiais das bolsas pl\u00e1sticas: os americanos jogam fora, a cada ano, 100\u00a0bilh\u00f5es delas, o que significa o desperd\u00edcio de 12\u00a0milh\u00f5es de gal\u00f5es de petr\u00f3leo. E tamb\u00e9m sei que no Brasil muitos lhes d\u00e3o uma breve segunda vida, como sacos de lixo. Al\u00e9m disso, desenvolveu-se no pa\u00eds uma verdadeira cultura da sacola pl\u00e1stica. Por vezes me parece que os vendedores t\u00eam medo de ofender o fregu\u00eas se n\u00e3o oferecerem a sacolinha.<\/p>\n<p>Apesar disso, os brasileiros deveriam dar uma olhada no mundo, por exemplo para pa\u00edses como Bangladesh, Qu\u00eania ou Ruanda, onde sacos pl\u00e1sticos s\u00e3o banidos. \u00c9 isso mesmo: esses pa\u00edses em desenvolvimento est\u00e3o muito \u00e0 frente. A pequena Ruanda, que j\u00e1 foi devastada por um genoc\u00eddio, \u00e9 considerada at\u00e9 mesmo como pa\u00eds mais limpo da \u00c1frica \u2013 coisa que posso confirmar, pois estive l\u00e1.<\/p>\n<p>Outro exemplo: na Indon\u00e9sia, uma das principais na\u00e7\u00f5es produtoras de lixo pl\u00e1stico, duas comunidades isl\u00e2micas conclamam o total de seus 100\u00a0milh\u00f5es de fi\u00e9is a evitarem o material e a adotarem bolsas de bambu. N\u00e3o seria essa uma boa ideia para a Assembleia de Deus ou a Igreja Universal?<\/p>\n<p>Na Alemanha, ali\u00e1s paga-se no supermercado entre 0,40 e 1,25 real por cada sacolinha pl\u00e1stica, o que resultou na redu\u00e7\u00e3o do consumo a menos da metade, desde 2015. Hoje, os cidad\u00e3os do pa\u00eds gastam, em m\u00e9dia, 29 sacolas por ano. Ou seja, exatamente tantas quantas o homem \u00e0 minha frente na fila do supermercado acaba de usar para embalar suas compras.<\/p>\n<p>Mas espera-se que em breve tudo isso v\u00e1 mudar, pois parece que est\u00e1 chegando o fim dos sacos pl\u00e1sticos descart\u00e1veis nos supermercados. Uma nova lei banir\u00e1 por completo seu uso no estado do Rio de Janeiro. Em seu lugar, bolsas reutiliz\u00e1veis at\u00e9 60 vezes e, depois, biodegrad\u00e1veis, e com uma resist\u00eancia m\u00ednima de dez quilos.<\/p>\n<p>\u00c9 grande a minha esperan\u00e7a de que essa lei seja implementada no pr\u00f3ximo ano e que n\u00e3o se gere uma pol\u00eamica como em S\u00e3o Paulo. L\u00e1, os sacos pl\u00e1sticos foram banidos dos supermercados, depois voltaram, foram proibidos novamente, e no fim tudo ficou como sempre esteve.<\/p>\n<p>O que me d\u00e1 esperan\u00e7a\u00a0s\u00e3o os\u00a0canudinhos. A vers\u00e3o pl\u00e1stica foi proibida no Rio, eles agora devem ser biodegrad\u00e1veis. \u00c9 fato que muitos estabelecimentos ainda ignoram a lei, mas recentemente, na feira, um vendedor de cocos me entregou um canudinho de palha, dizendo: &#8220;Aqui, custa um pouco mais para mim, mas \u00e9 melhor para o planeta&#8221;.<\/p>\n<p><em>Philipp Lichterbeck queria abrir um novo cap\u00edtulo em sua vida quando se mudou de Berlim para o Rio, em 2012. Desde ent\u00e3o, ele colabora com reportagens sobre o Brasil e demais pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina para os jornais\u00a0<\/em>Tagesspiegel<em>\u00a0(Berlim),\u00a0<\/em>Wochenzeitung<em>\u00a0(Zurique) e\u00a0<\/em>Wiener Zeitung<em>. Siga-o no Twitter em @Lichterbeck_Rio.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ir ao supermercado no Rio n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um exerc\u00edcio de paci\u00eancia: o uso de<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":95047,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/sacola.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/sacola-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/sacola-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/sacola.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/sacola.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/sacola.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/sacola.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/sacola.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/sacola.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/sacola.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Ir ao supermercado no Rio n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um exerc\u00edcio de paci\u00eancia: o uso de","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/95046"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=95046"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/95046\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/95047"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=95046"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=95046"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=95046"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}