{"id":95012,"date":"2018-11-04T12:00:39","date_gmt":"2018-11-04T15:00:39","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=95012"},"modified":"2018-11-03T21:55:00","modified_gmt":"2018-11-04T00:55:00","slug":"os-organicos-nao-sao-nem-mais-seguros-nem-mais-nutritivos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/os-organicos-nao-sao-nem-mais-seguros-nem-mais-nutritivos\/","title":{"rendered":"Os org\u00e2nicos n\u00e3o s\u00e3o nem mais seguros nem mais nutritivos"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"articulo-subtitulo\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/organicos.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-95013\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/organicos-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/organicos-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/organicos.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>O diretor da Ag\u00eancia Europeia de Seguran\u00e7a Alimentar alerta para a diferen\u00e7a entre os riscos reais desses alimentos e os que s\u00e3o percebidos pelos consumidores<\/h2>\n<p>A maioria dos espanh\u00f3is acredita que o principal risco de seu alimentos s\u00e3o os res\u00edduos de pesticidas e as subst\u00e2ncias qu\u00edmicas. A maioria dos cidad\u00e3os da\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/ue_union_europea\/a\">Uni\u00e3o Europeia<\/a>\u00a0pensa da mesma forma, segundo a \u00faltima pesquisa Eurobar\u00f4metro sobre o assunto, publicada em 2010. Por outro lado, menos da metade da popula\u00e7\u00e3o se preocupa com o \u201cmaior problema alimentar que a Europa enfrenta\u201d: a superabund\u00e2ncia de calorias e a epidemia de obesidade que ela provoca, destaca Bernhard Url, diretor da Autoridade Europeia de Seguran\u00e7a Alimentar (EFSA, na sigla em ingl\u00eas). Nessa lista de percep\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m aparecem em um n\u00edvel inferior as intoxica\u00e7\u00f5es alimentares, que s\u00e3o \u201co maior perigo real\u201d representado pela comida.<\/p>\n<div id=\"elpais_gpt-INTEXT\" data-google-query-id=\"CPKnwLnCud4CFcdjwQodbvwOHg\"><\/div>\n<p>Esse veterin\u00e1rio nascido em Kapfenberg (<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/austria\">\u00c1ustria<\/a>) em 1961 ia ser fazendeiro, mas acabou se especializando em seguran\u00e7a alimentar. Dirige desde 2014 o organismo da UE encarregado de emitir estudos cient\u00edficos sobre agentes patog\u00eanicos, contaminantes e outros compostos presentes nos alimentos, para que os pol\u00edticos tomem decis\u00f5es baseadas em evid\u00eancias. N\u00e3o \u00e9 um trabalho f\u00e1cil e muitas vezes eles s\u00e3o alvo de ataques, como\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/08\/11\/internacional\/1533943809_652713.html\">aconteceu recentemente em rela\u00e7\u00e3o ao glifosato<\/a>, o herbicida mais utilizado do planeta. Em visita a Madri para uma reuni\u00e3o com a ministra espanhola da Sa\u00fade, Luisa Carcedo, Url reflete nesta entrevista sobre os medos infundados e os riscos reais representados pelos alimentos na Europa.<\/p>\n<p><strong>Pergunta<\/strong>. O que voc\u00ea come, o que n\u00e3o come e por qu\u00ea?<\/p>\n<p><strong>Resposta.<\/strong>\u00a0Como de tudo. N\u00e3o tenho nenhum medo de comer algo porque o n\u00edvel de seguran\u00e7a alimentar na Europa \u00e9 muito alto. Como cada vez menos carne porque me preocupo com o bem-estar animal e porque acredito ser mais saud\u00e1vel. A forma como tratamos os animais \u00e9 um espelho da maturidade da nossa sociedade e, do ponto de vista \u00e9tico, acho que poder\u00edamos melhorar mais.<\/p>\n<p><strong>P.<\/strong>\u00a0O consumo atual de carne poderia ser combinado com um tratamento mais humano?<\/p>\n<p><strong>R.<\/strong>\u00a0A quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 se podemos nos dar ao luxo de manter o modelo atual, e sim se queremos. Teremos de alimentar 10 bilh\u00f5es de pessoas no futuro pr\u00f3ximo. Para isso, ser\u00e1 necess\u00e1rio fazer pelo menos tr\u00eas coisas. Uma, ajudar os pa\u00edses em desenvolvimento. Muita produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola se perde por falta de infraestrutura, log\u00edstica e conhecimento. Segundo: na\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/europa\/a\">Europa<\/a>, desperdi\u00e7amos 30% da comida. \u00c9 um esc\u00e2ndalo \u00e9tico. O terceiro ponto \u00e9 trocar nossos h\u00e1bitos alimentares. N\u00e3o podemos continuar consumindo tantas prote\u00ednas animais. A produ\u00e7\u00e3o de gado consome muita energia, extens\u00e3o de terra e \u00e1gua, e produz muitas emiss\u00f5es. Meu conselho \u00e9: coma menos animais e mais plantas. Isso seria saud\u00e1vel para a popula\u00e7\u00e3o, para o planeta e para 800 milh\u00f5es de pessoas que v\u00e3o para a cama com fome porque n\u00e3o t\u00eam o que comer.<\/p>\n<p><strong>P.<\/strong>\u00a0Todo mundo pode ter acesso a essa dieta?<\/p>\n<p><strong>R.<\/strong>\u00a0O acesso a alimentos frescos \u00e9 um aspecto social fundamental. \u00c9 tamb\u00e9m uma quest\u00e3o de desigualdade. Nos EUA h\u00e1 desertos alimentares onde \u00e9 imposs\u00edvel encontrar alimentos frescos num raio de oito quil\u00f4metros, e a isso se soma a quest\u00e3o de saber se as pessoas podem pagar por eles. Na Europa tamb\u00e9m parece haver esses desertos, embora esse assunto n\u00e3o seja da compet\u00eancia da EFSA e, portanto, n\u00e3o tenhamos dados. As frutas e verduras org\u00e2nicas custam mais e h\u00e1 pessoas que n\u00e3o podem pagar por elas.<\/p>\n<p><strong>P.<\/strong>\u00a0O org\u00e2nico \u00e9 sempre melhor?<\/p>\n<p><strong>R.<\/strong>\u00a0Em termos de seguran\u00e7a, n\u00e3o h\u00e1 diferen\u00e7as. Em termos de nutrientes, provavelmente tamb\u00e9m n\u00e3o. A agricultura org\u00e2nica tem vantagens de sustentabilidade.<\/p>\n<section id=\"sumario_4|html\" class=\"sumario_html centro\"><a name=\"sumario_4\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<blockquote><p>Os maiores perigos s\u00e3o as intoxica\u00e7\u00f5es alimentares, bacterianas e virais. H\u00e1 possivelmente milh\u00f5es de intoxica\u00e7\u00f5es por ano na Europa que poderiam ser prevenidas com higiene e controle<\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p><strong>P.<\/strong>\u00a0A agricultura org\u00e2nica sempre tem menos impacto no meio ambiente? Por exemplo, s\u00e3o usados compostos com cobre como pesticidas, que s\u00e3o t\u00f3xicos.<\/p>\n<p><strong>R.<\/strong>\u00a0Em geral, sim. A forma como se usa o solo, como \u00e9 feita a rota\u00e7\u00e3o de culturas, \u00e9 muito mais natural. O uso de cobre \u00e9 um assunto pelo qual temos nos interessado. Vemos problemas de contamina\u00e7\u00e3o por cobre para o\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/medio_ambiente\">meio ambiente<\/a>\u00a0e tamb\u00e9m para anf\u00edbios, aves e outros organismos. \u00c9 preciso estudar mais essa quest\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>P.<\/strong>\u00a0Qual \u00e9 o maior problema alimentar que a Europa enfrenta?<\/p>\n<p><strong>R.<\/strong>\u00a0O excesso de nutrientes. A obesidade. A sobrenutri\u00e7\u00e3o e a subnutri\u00e7\u00e3o no mundo desenvolvido s\u00e3o nossos maiores desafios.<\/p>\n<p><strong>P.<\/strong>\u00a0Dever\u00edamos nos preocupar com o conte\u00fado de fertilizantes ou produtos qu\u00edmicos nos alimentos?<\/p>\n<section id=\"sumario_5|html\" class=\"sumario_html centro\"><a name=\"sumario_5\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<blockquote><p>Que tipo de agricultura queremos? Queremos pesticidas ou n\u00e3o? Se queremos, onde est\u00e3o os riscos e quem se beneficia com isso? \u00c9 uma discuss\u00e3o pol\u00edtica. N\u00e3o \u00e9 sobre ci\u00eancia, e sim sobre valores, sobre economia. N\u00e3o dever\u00edamos mistur\u00e1-la com a ci\u00eancia baseada em evid\u00eancias<\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p><strong>R.<\/strong>\u00a0Na Europa, todos os aditivos devem ser avaliados antes de sua aprova\u00e7\u00e3o. Todos os aprovados est\u00e3o em uma lista e devem voltar a ser aceitos a cada 10 anos, depois de outra avalia\u00e7\u00e3o. O risco zero n\u00e3o existe, mas nesta \u00e1rea \u00e9 muito, muito baixo. Os maiores perigos s\u00e3o as intoxica\u00e7\u00f5es alimentares, bacterianas e virais. H\u00e1 possivelmente milh\u00f5es de intoxica\u00e7\u00f5es por ano na Europa que poderiam ser prevenidas com higiene e controle. Em res\u00edduos qu\u00edmicos, como pesticidas, por exemplo, estabelecemos limites m\u00e1ximos de res\u00edduos, e fazemos anualmente um relat\u00f3rio europeu. O \u00faltimo indica que mais de 97% dos alimentos est\u00e3o abaixo do limite m\u00e1ximo. Cerca de 50% n\u00e3o t\u00eam nenhum res\u00edduo. Apenas 2,4% est\u00e3o acima. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 muito boa. A \u00fanica d\u00favida agora \u00e9 sobre a poss\u00edvel a\u00e7\u00e3o combinada de produtos qu\u00edmicos. A EFSA estuda h\u00e1 anos esses efeitos conjuntos. Juntamente com a Holanda, vamos publicar os dois primeiros relat\u00f3rios sobre efeitos combinados de res\u00edduos de pesticidas em dois \u00f3rg\u00e3os humanos, a gl\u00e2ndula tireoide e o sistema nervoso. Ainda estamos trabalhando neles e, com base nos resultados, \u00e9 poss\u00edvel que alguns limites m\u00e1ximos tenham de ser reajustados.<\/p>\n<section id=\"sumario_6|html\" class=\"sumario_html centro\"><a name=\"sumario_6\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<blockquote><p>Precisamos de morangos da Am\u00e9rica do Sul, de kiwis da Nova Zel\u00e2ndia, de todas as frutas e verduras poss\u00edveis do mundo durante todo o ano?<\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p><strong>P.<\/strong>\u00a0H\u00e1 pl\u00e1sticos em nossa comida? Qual \u00e9 seu efeito para a sa\u00fade?<\/p>\n<p><strong>R.<\/strong>\u00a0Est\u00e3o a\u00ed, \u00e9 um fato. Ainda n\u00e3o sabemos se eles t\u00eam um impacto toxicol\u00f3gico nos tecidos. O Servi\u00e7o de Assessoria Cient\u00edfica da Uni\u00e3o Europeia est\u00e1 trabalhando em um parecer que ser\u00e1 publicado no final do ano.<\/p>\n<p><strong>P.<\/strong>\u00a0Os medos infundados sobre os alimentos est\u00e3o aumentando?<\/p>\n<p><strong>R.<\/strong>\u00a0Sim, h\u00e1 preocupa\u00e7\u00e3o nos cidad\u00e3os. Pensam: como \u00e9 poss\u00edvel que a urina do meu filho tenha glifosato? N\u00f3s dizemos a eles: a concentra\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00e3o baixa que n\u00e3o h\u00e1 risco. As pessoas respondem: mas eu n\u00e3o quero que a urina dos meus filhos tenha glifosato. Isso nos leva a outra quest\u00e3o: que tipo de agricultura queremos? Queremos pesticidas ou n\u00e3o? Se queremos, onde est\u00e3o os riscos e quem se beneficia com isso? \u00c9 uma discuss\u00e3o pol\u00edtica. N\u00e3o \u00e9 sobre ci\u00eancia, e sim sobre valores, sobre economia. N\u00e3o dever\u00edamos mistur\u00e1-la com a ci\u00eancia baseada em evid\u00eancias. Al\u00e9m disso, h\u00e1 outro aspecto. O alimento j\u00e1 n\u00e3o se produz no campo do vizinho. Vem da\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/nueva_zelanda\">Nova Zel\u00e2ndia<\/a>, do Chile, do Canad\u00e1. A complexidade das cadeias de abastecimento impossibilita o controle absoluto. N\u00e3o sabemos de onde vem a comida e temos de confiar em uma maquinaria complexa de processamento de alimentos. No final, se queremos comer temos de confiar. Isso faz com que as pessoas se sintam inseguras.<\/p>\n<p><strong>P.<\/strong>\u00a0Como se pode devolver-lhes a confian\u00e7a?<\/p>\n<p><strong>R.<\/strong>\u00a0A ind\u00fastria perdeu a confian\u00e7a dos consumidores. A ind\u00fastria aliment\u00edcia tamb\u00e9m tem um problema de reputa\u00e7\u00e3o. Recordemos o caso da carne de cavalo, n\u00e3o era perigoso para a sa\u00fade, e sim um engano. E a\u00ed temos de perguntar a n\u00f3s mesmos: precisamos de morangos da Am\u00e9rica do Sul, de kiwis da Nova Zel\u00e2ndia, de todas as frutas e verduras poss\u00edveis do mundo durante todo o ano? Talvez pud\u00e9ssemos voltar a regionalizar a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola. A regionaliza\u00e7\u00e3o tem selos de qualidade, tratamento animal adequado, etc., e a ind\u00fastria est\u00e1 tentando recuperar a confian\u00e7a atrav\u00e9s desse tipo de selos de garantia<\/p>\n<p><strong>P.<\/strong>\u00a0Ser\u00e3o necess\u00e1rios os\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/agricultura_transgenica\">transg\u00eanicos<\/a>\u00a0para alimentar 10 bilh\u00f5es de pessoas?<\/p>\n<p><strong>R.<\/strong>\u00a0Eu acredito que se fizermos bons programas para evitar as perdas depois das m\u00e1s colheitas, evitarmos o desperd\u00edcio de alimentos no chamado mundo desenvolvido e trocarmos nossos h\u00e1bitos alimentares, poderemos chegar muito longe sem transg\u00eanicos. Talvez haja aplica\u00e7\u00f5es espec\u00edficas em casos de secas ou resist\u00eancia, embora eu n\u00e3o veja sua utilidade atualmente na Europa.<\/p>\n<p><strong>P.<\/strong>\u00a0Como evitar o desperd\u00edcio de tanta comida, principalmente nos supermercados?<\/p>\n<p><strong>R.<\/strong>\u00a0\u00c9 uma quest\u00e3o de atitude, de fazer melhores planos e de mudar nosso comportamento. Na fazenda onde cresci, nunca se jogava fora um peda\u00e7o de p\u00e3o. Minha m\u00e3e considerava isso um pecado. Para as pessoas que viviam na Europa depois da\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/segunda_guerra_mundial\/a\">Segunda Guerra Mundial<\/a>, a comida tinha muito mais valor. Por que n\u00e3o tem agora? Trata-se de educa\u00e7\u00e3o, de fazer com que as pessoas conhe\u00e7am o problema. N\u00e3o \u00e9 que a forma em que vivemos hoje em dia torne imposs\u00edvel n\u00e3o desperdi\u00e7ar comida. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s grandes superf\u00edcies, h\u00e1 leis. Na Fran\u00e7a, os supermercados s\u00e3o obrigados a doar os alimentos que v\u00e3o vencer a bancos de comida para que sejam aproveitados. N\u00e3o tem sentido mand\u00e1-los \u00e0 \u00c1frica Subsaariana, isso n\u00e3o funcionaria, e na Europa temos muita gente com poucos recursos: 23% dos europeus vivem no limite da pobreza.<\/p>\n<p><strong>P.<\/strong>\u00a0Toda a agricultura europeia poderia ser org\u00e2nica?<\/p>\n<p><strong>R.<\/strong>\u00a0N\u00e3o acredito que possamos substituir em 100% a agricultura convencional, mas em alguns pa\u00edses [a agricultura org\u00e2nica] chega a 20% e acredito que seria poss\u00edvel chegar a 30%. Quando institui\u00e7\u00f5es como hospitais e escolas come\u00e7am a comprar org\u00e2nicos, isso faz uma grande diferen\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>P.<\/strong>\u00a0Qual \u00e9 a gravidade da epidemia de Xylella Fastidiosa, o \u201cebola das oliveiras\u201d?<\/p>\n<p><strong>R.<\/strong>\u00a0Provavelmente a Xylella chegou a bordo de plantas de caf\u00e9 trazidas da Am\u00e9rica. \u00c9 um grande problema para as oliveiras em Puglia, It\u00e1lia. Tamb\u00e9m chegou \u00e0 C\u00f3rsega, \u00e0s Baleares, a Alicante, a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/madrid\">Madri<\/a>&#8230; est\u00e1 se transformando em um problema ainda maior. Essa praga tem mais de 500 plantas hospedeiras e h\u00e1 insetos que expandem a doen\u00e7a. As oliveiras t\u00eam um valor muito alto, n\u00e3o s\u00f3 econ\u00f4mico, mas tamb\u00e9m cultural, por isso \u00e9 muito dif\u00edcil arranc\u00e1-las, as pessoas resistem, o que \u00e9 muito compreens\u00edvel do ponto de vista humano, mas favorece a transmiss\u00e3o da doen\u00e7a. \u00c9 uma consequ\u00eancia direta do com\u00e9rcio global. Temos de vigiar mais as fronteiras, fazer mais pesquisas, mas a UE deixou de lado a pesquisa sobre seguran\u00e7a alimentar. Esperamos que no pr\u00f3ximo or\u00e7amento haja dinheiro para estudos agr\u00edcolas e alimentares.<\/p>\n<p><strong>P.<\/strong>\u00a0Quais outros agentes patog\u00eanicos s\u00e3o particularmente preocupantes?<\/p>\n<p><strong>R.<\/strong>\u00a0A peste su\u00edna africana. Ela entrou na UE em 2014 e j\u00e1 est\u00e1 em nove pa\u00edses: Litu\u00e2nia, Let\u00f4nia, Est\u00f4nia, Rep\u00fablica Checa, Rom\u00eania,\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/hungria\">Hungria<\/a>, Bulg\u00e1ria e B\u00e9lgica. A doen\u00e7a pulou mil quil\u00f4metros de repente, dos pa\u00edses b\u00e1lticos at\u00e9 a B\u00e9lgica, provavelmente porque algu\u00e9m jogou pela janela do carro um peda\u00e7o de alimento contaminado e depois os javalis se infectaram. \u00c9 um problema enorme porque a febre poderia chegar aos pa\u00edses com as maiores cria\u00e7\u00f5es de su\u00ednos, como Espanha, Fran\u00e7a, Alemanha, Holanda&#8230;<\/p>\n<p><strong>P.<\/strong>\u00a0Os pol\u00edticos d\u00e3o o devido valor \u00e0s evid\u00eancias cient\u00edficas?<\/p>\n<p><strong>R.<\/strong>\u00a0Em geral, sim. Em seus 15 anos de vida, a EFSA publicou 6.000 opini\u00f5es cient\u00edficas para a EU, e 99,9% de todas elas foram levadas em conta pelos legisladores e governantes europeus. Na Europa, a pol\u00edtica baseada na evid\u00eancia \u00e9 um pilar importante, principalmente em\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/seguridad_alimentaria\">seguran\u00e7a alimentar<\/a>. Mas h\u00e1 motivos para preocupa\u00e7\u00e3o, como as vacinas. Na Fran\u00e7a, 40% da popula\u00e7\u00e3o pensa que as vacinas t\u00eam um efeito t\u00f3xico, \u00e9 um desastre. Achar que a evid\u00eancia cient\u00edfica \u00e9 apenas uma opini\u00e3o a mais \u00e9 muito perigoso. Se questionarmos o m\u00e9todo cient\u00edfico, voltaremos para a Idade M\u00e9dia.<\/p>\n<section id=\"sumario_8|despiece\" class=\"sumario_despiece centro\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<header class=\"sumario-encabezado\">\n<h4 class=\"sumario-titulo\"><span class=\"sin_enlace\">&#8220;NINGU\u00c9M DEVE TEMER O GLIFOSATO SE ELE FOR BEM USADO&#8221;<\/span><\/h4>\n<\/header>\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p><strong>P.<\/strong>\u00a0O que se pode dizer aos consumidores sobre o glifosato?<\/p>\n<p><strong>R.<\/strong>\u00a0Podemos dizer a eles que se for bem usado, ningu\u00e9m ter\u00e1 nada a temer. Houve uma discuss\u00e3o sobre se \u00e9 cancer\u00edgeno ou n\u00e3o. A Ag\u00eancia Internacional para a Pesquisa sobre o C\u00e2ncer, vinculada \u00e0 ONU, concluiu que era cancer\u00edgeno, uma opini\u00e3o contr\u00e1ria \u00e0 da EFSA. Mas todas as ag\u00eancias regulat\u00f3rias do mundo conclu\u00edram o mesmo que a EFSA. At\u00e9 o comit\u00ea especial da ONU que lida com res\u00edduos de pesticidas chegou \u00e0 mesma conclus\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>P.<\/strong>\u00a0Como podemos ter certeza de que o glifosato \u00e9 bem usado?<\/p>\n<p><strong>R.<\/strong>\u00a0Em n\u00edvel europeu, aprova-se a subst\u00e2ncia ativa, neste caso o glifosato. Depois, cada pa\u00eds aprova o produto final, que pode ser glifosato mais outros compostos, como estabilizadores, por exemplo. S\u00e3o os pa\u00edses membros que t\u00eam a responsabilidade de estudar esses compostos, porque podem ser mais perigosos do que a subst\u00e2ncia ativa. Alguns dos efeitos descritos nos estudos que a IARC analisou podiam se dever a estes outros compostos, como destacamos em nossa opini\u00e3o. Como a taloamina, que pode ser mais t\u00f3xica que o glifosato. Os pa\u00edses t\u00eam grande responsabilidade nesse aspecto. Na\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/francia\">Fran\u00e7a<\/a>\u00a0ser\u00e1 proibida a venda de glifosato aos consumidores em supermercados, por exemplo. Se voc\u00ea quiser o produto, precisar\u00e1 de uma licen\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>P.<\/strong>\u00a0Sente que a ind\u00fastria pressiona a EFSA?<\/p>\n<p><strong>R.<\/strong>\u00a0N\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>P.<\/strong>\u00a0Mas os estudos da EFSA s\u00e3o financiados pela ind\u00fastria<\/p>\n<p><strong>R.<\/strong>\u00a0A lei europeia diz que a organiza\u00e7\u00e3o que deseja que seja aprovado um novo produto \u00e9 respons\u00e1vel por fazer estudos que permitam aos peritos analisar sua seguran\u00e7a. Tamb\u00e9m est\u00e1 determinado o tipo de estudos que t\u00eam de ser feitos, n\u00e3o podem ser os que eles queiram. Na EFSA, \u00e0s vezes, fazemos nossas pr\u00f3prias estat\u00edsticas usando os dados brutos da ind\u00fastria. Isso tamb\u00e9m \u00e9 feito com os cosm\u00e9ticos e os medicamentos, n\u00e3o \u00e9 espec\u00edfico para os alimentos. \u00c9 o sistema geral, e acredito que seja muito confi\u00e1vel.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O diretor da Ag\u00eancia Europeia de Seguran\u00e7a Alimentar alerta para a diferen\u00e7a entre os riscos<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":95013,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/organicos.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/organicos-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/organicos-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/organicos.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/organicos.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/organicos.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/organicos.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/organicos.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/organicos.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/organicos.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"O diretor da Ag\u00eancia Europeia de Seguran\u00e7a Alimentar alerta para a diferen\u00e7a entre os riscos","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/95012"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=95012"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/95012\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/95013"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=95012"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=95012"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=95012"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}