{"id":9484,"date":"2014-10-30T13:00:01","date_gmt":"2014-10-30T13:00:01","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=9484"},"modified":"2014-10-30T11:26:24","modified_gmt":"2014-10-30T11:26:24","slug":"encerradas-as-eleicoes-2014-meio-ambiente-o-grande-derrotado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/encerradas-as-eleicoes-2014-meio-ambiente-o-grande-derrotado\/","title":{"rendered":"Encerradas as elei\u00e7\u00f5es 2014: meio-ambiente, o grande derrotado?"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/eleicoes_2014.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-9485\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/eleicoes_2014.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"265\" \/><\/a>O debate sobre o meio-ambiente foi um dos maiores derrotados neste ano apesar de possuir forte dimens\u00e3o cr\u00edtica na sociedade contempor\u00e2nea. O coment\u00e1rio \u00e9 de <strong>Janes Jorge<\/strong> e<strong> Paulo Henrique Martinez<\/strong>, historiadores, em artigo publicada por <strong>CartaCapital<\/strong>, 28-10-2014.<\/p>\n<p><strong>Eis o artigo<\/strong>.<\/p>\n<p>Encerradas as elei\u00e7\u00f5es \u00e9 o momento de se fazer uma avalia\u00e7\u00e3o dos seus resultados para al\u00e9m da vit\u00f3ria ou derrota dos diferentes candidatos. Em um balan\u00e7o assim, fica evidente que o debate sobre o meio-ambiente foi um dos maiores derrotados neste ano de 2014, ao menos para aqueles que acreditam que a problem\u00e1tica ambiental possui forte dimens\u00e3o cr\u00edtica da sociedade contempor\u00e2nea.<\/p>\n<p>Na verdade, no in\u00edcio do processo eleitoral parecia que as quest\u00f5es ambientais iriam para o centro da disputa. No plano nacional<strong> Marina Silva<\/strong>, lideran\u00e7a que fez sua trajet\u00f3ria pol\u00edtica vinculada a essa problem\u00e1tica ganhava destaque e<strong> Eduardo Jorge,<\/strong> pelo Partido Verde, sem amarras de um candidato que concorre para vencer, tinha liberdade para tocar em pontos sens\u00edveis, evitados pelos candidatos competitivos. No mais populoso e rico estado da federa\u00e7\u00e3o, S\u00e3o Paulo, uma grave crise h\u00eddrica, que ainda deve perdurar, oferecia a oportunidade para que o meio-ambiente no Brasil aparecesse como realmente \u00e9, ou seja, como uma quest\u00e3o que diz respeito \u00e0 vida cotidiana da maioria da popula\u00e7\u00e3o e n\u00e3o assunto de pequenos grupos.<\/p>\n<p>No decorrer do processo eleitoral, talvez por sua pr\u00f3pria din\u00e2mica cada vez mais vinculada \u00e0 linguagem publicit\u00e1ria, talvez pelo empobrecimento do contexto pol\u00edtico atual, essa expectativa n\u00e3o se concretizou. Pelo contr\u00e1rio, o debate ambiental n\u00e3o apenas se esvaziou como regrediu quase a ponto de negar a sua pr\u00f3pria legitimidade social. <strong>Marina Silva<\/strong> que historicamente se vinculara \u00e0s lutas dos chamados \u201cpovos da floresta\u201d e mantivera claro compromisso com a converg\u00eancia da justi\u00e7a social e da prote\u00e7\u00e3o ao meio ambiente adotou um discurso amb\u00edguo e acomodat\u00edcio, como se fosse poss\u00edvel discutir o meio ambiente sem confrontar ideias e interesses solidamente instalados na vida nacional. \u00c9 o caso do agroneg\u00f3cio ou das grandes obras de infraestrutura t\u00e3o importantes para a economia do pa\u00eds, mas que ainda causam fortes impactos sociais e ambientais. No limite, todo um modelo de sociedade e desenvolvimento poderia ser repensado e, com isso, se vislumbrar a\u00e7\u00f5es e caminhos transformadores.<\/p>\n<p>Mas no caso de <strong>Marina Silva<\/strong> foi ainda pior. Ao se alinhar \u00e0s propostas econ\u00f4micas de orienta\u00e7\u00e3o neoliberal e a personalidades do mundo dos neg\u00f3cios a candidata deslocou o debate ambiental para a direita, aumentando a hist\u00f3rica e anacr\u00f4nica desconfian\u00e7a que a problem\u00e1tica enfrenta em partidos de esquerda e movimentos sociais. Ou seja, meio-ambiente e capitalismo verde pareceram se equivaler no fim das contas. <strong>Eduardo Jorge<\/strong>, por sua vez, n\u00e3o enfatizou as quest\u00f5es ambientais e ganhou notoriedade por sua defesa da descriminaliza\u00e7\u00e3o das drogas.<\/p>\n<p>No segundo turno das elei\u00e7\u00f5es presidenciais a problem\u00e1tica ambiental teria sido esquecida completamente se a crise de \u00e1gua n\u00e3o tivesse se agravado em S\u00e3o Paulo, o maior col\u00e9gio eleitoral do pa\u00eds.\u00a0 Mesmo assim o breve debate reproduziu a simplicidade que caracterizou a disputa estadual, quando quest\u00f5es centrais, como o avan\u00e7o descontrolado da mancha urbana em terras paulistas ou os graves problemas de coleta e tratamento de esgoto, foram esquecidas. Por um lado, o candidato do governo estadual e seus aliados sugeriam que responsabilidade pela crise era da natureza ou resultado da neglig\u00eancia dos consumidores residenciais paulistas. Por outro lado os candidatos oposicionistas pareciam enfatizar a falta de obras de engenharia. N\u00e3o parece exagero afirmar que nada se avan\u00e7ou na consci\u00eancia p\u00fablica depois de fechadas as urnas.<\/p>\n<p>Sendo assim, os pr\u00f3ximos anos ser\u00e3o de grande desafio para que a agenda ambiental retorne ao centro dos debates nacionais com todo seu potencial questionador e transformador. Para tanto cabe \u00e0 universidade um lugar estrat\u00e9gico, pois \u00e9 a institui\u00e7\u00e3o capaz de apresentar e qualificar os termos em que esse debate ser\u00e1 feito. Trata-se de evitar tanto um debate ambiental nos marcos estabelecidos pela agenda do capitalismo verde, como um reducionismo socioecon\u00f4mico que ainda predomina na sociedade e nos pr\u00f3prios partidos de esquerda.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O debate sobre o meio-ambiente foi um dos maiores derrotados neste ano apesar de possuir<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":9485,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/eleicoes_2014.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/eleicoes_2014.jpg",150,96,false],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/eleicoes_2014.jpg",300,192,false],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/eleicoes_2014.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/eleicoes_2014.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/eleicoes_2014.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/eleicoes_2014.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/eleicoes_2014.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/eleicoes_2014.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/eleicoes_2014.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"O debate sobre o meio-ambiente foi um dos maiores derrotados neste ano apesar de possuir","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9484"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9484"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9484\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9485"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9484"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9484"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9484"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}