{"id":94678,"date":"2018-10-30T07:00:16","date_gmt":"2018-10-30T10:00:16","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=94678"},"modified":"2018-10-29T16:38:53","modified_gmt":"2018-10-29T19:38:53","slug":"nordeste-e-a-regiao-que-possui-mais-anfibios-e-repteis-ameacados-de-extincao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/nordeste-e-a-regiao-que-possui-mais-anfibios-e-repteis-ameacados-de-extincao\/","title":{"rendered":"Nordeste \u00e9 a regi\u00e3o que possui mais anf\u00edbios e r\u00e9pteis amea\u00e7ados de extin\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/cobra.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-94679\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/cobra-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/cobra-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/cobra.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>No imagin\u00e1rio popular, as matas nordestinas s\u00e3o lembradas por seus cactos e galhos secos. Mas engana-se quem pensa assim. As florestas do Nordeste do Brasil escondem raros tesouros, que pouqu\u00edssimas pessoas tiveram o privil\u00e9gio de encontrar. Exemplo de uma dessas joias \u00e9 uma pequenina perereca de colora\u00e7\u00e3o marmoreada que vive somente no interior de brom\u00e9lias arbor\u00edcolas em dois remanescentes de Mata Atl\u00e2ntica, um em Alagoas e outro em Pernambuco. O girino desta esp\u00e9cie \u00e9 t\u00e3o peculiar que surpreendeu at\u00e9 os pesquisadores, que a batizaram de\u00a0<a href=\"http:\/\/www.icmbio.gov.br\/portal\/faunabrasileira\/estado-de-conservacao\/7532-anfibios-phyllodytes-gyrinaethes\" rel=\"noopener\"><em>Phyllodytes gyrinaethes<\/em><\/a>\u00a0(<em>gyrinaethes,\u00a0<\/em>em grego, significa \u201cgirino estranho\u201d). Ele possui\u00a0<a href=\"https:\/\/link.springer.com\/article\/10.1007\/s00435-016-0334-7\" rel=\"noopener\">adapta\u00e7\u00f5es morfol\u00f3gicas \u00fanicas<\/a>\u00a0dentre os anf\u00edbios, que possibilitam sua sobreviv\u00eancia no fitotelmo (tanque biol\u00f3gico de \u00e1gua) das brom\u00e9lias.<\/p>\n<p>Infelizmente, a esp\u00e9cie est\u00e1 Criticamente em Perigo (CR) de extin\u00e7\u00e3o, o que significa que sua extens\u00e3o de ocorr\u00eancia \u00e9 menor que 100 km\u00b2 \u2014 aproximadamente o tamanho de Vit\u00f3ria-ES, a menor capital do Brasil \u2014 e sua popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 severamente fragmentada em pequenos remanescentes de mata. Esta tamb\u00e9m \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o de outras duas esp\u00e9cies de anf\u00edbios (<a href=\"http:\/\/www.icmbio.gov.br\/portal\/faunabrasileira\/estado-de-conservacao\/7529-anfibios-crossodactylus-lutzorum\" rel=\"noopener\"><em>Crossodactylus lutzorum<\/em><\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"http:\/\/www.icmbio.gov.br\/portal\/faunabrasileira\/estado-de-conservacao\/7542-anfibios-proceratophrys-sanctaritae\" rel=\"noopener\"><em>Proceratophrys sanctaritae<\/em><\/a>) e uma de lagarto (<a href=\"http:\/\/www.icmbio.gov.br\/portal\/faunabrasileira\/estado-de-conservacao\/8311-repteis-enyalius-erythroceneus\" rel=\"noopener\"><em>Enyalius erythroceneus<\/em><\/a>) na Bahia. Este \u00faltimo \u00e9 um lindo lagarto cujos machos possuem colora\u00e7\u00e3o marmoreada com manchas alaranjadas nas laterais do corpo. Ele \u00e9 encontrado somente nos campos rupestres e florestas a 1.100m de altitude da Fazenda Cara\u00edbas, na Serra do Sincor\u00e1 em Mucug\u00ea-BA, numa extens\u00e3o territorial de 47 km\u00b2, equivalente \u00e0 de Balne\u00e1rio Cambori\u00fa em Santa Catarina.<\/p>\n<p>Outros tr\u00eas anf\u00edbios, seis anfisbenas (popularmente conhecidas como \u201ccobras-de-duas-cabe\u00e7as\u201d), treze lagartos e dez serpentes foram classificados como Em Perigo (EN) de extin\u00e7\u00e3o, ou seja, sua extens\u00e3o de ocorr\u00eancia \u00e9 menor que 5.000 km\u00b2 (pouco menor que o Distrito Federal) e\/ou s\u00e3o encontradas em menos de cinco localidades. A rara jararaca\u00a0<em><u>Bothrops muriciensis<\/u><\/em>, por exemplo, \u00e9 encontrada somente na mata da Fazenda Bananeiras, \u00e1rea sobreposta \u00e0 Esta\u00e7\u00e3o Ecol\u00f3gica de Murici, Alagoas, em pequenas manchas florestais cercadas por cana-de-a\u00e7\u00facar numa \u00e1rea de 314 km\u00b2. O lagartinho-de-folhi\u00e7o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.icmbio.gov.br\/portal\/faunabrasileira\/estado-de-conservacao\/8181-repteis-coleodactylus-natalensis\" rel=\"noopener\"><em>Coleodactylus natalensis<\/em><\/a>, o menor lagarto do Brasil, \u00e9 encontrado apenas em fragmentos de mata numa extens\u00e3o de cerca de 2.000 km\u00b2 no litoral do Rio Grande do Norte. J\u00e1 o colorido calango-do-abaet\u00e9 (<em><u>Glaucomastix abaetensis<\/u><\/em>), com sua cauda de um verde-azulado brilhante, teve cerca de metade do seu\u00a0<em>habitat<\/em>\u00a0de dunas e restingas destru\u00eddo nos \u00faltimos dez anos pela expans\u00e3o imobili\u00e1ria, turismo desordenado e queimadas na Bahia e Sergipe.<\/p>\n<p><em><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/Proceratophrys-sanctaritae-Foto-Marco-Freitas.jpg\" width=\"640\" height=\"427\" \/>Proceratophrys sanctaritae<\/em>, encontrado somente nos campos rupestres e florestas a 1.100m de altitude da Fazenda Cara\u00edbas, na Serra do Sincor\u00e1 em Mucug\u00ea-BA. Foto: Marco Freitas.<\/p>\n<p>Muitas das esp\u00e9cies classificadas como EN s\u00e3o end\u00eamicas da Caatinga e vivem exclusivamente na regi\u00e3o das dunas \u00e0s margens do rio S\u00e3o Francisco, na Bahia. Uma particularidade interessante \u00e9 que algumas delas s\u00e3o consideradas \u201cesp\u00e9cies irm\u00e3s\u201d. Como o rio \u00e9 uma barreira geogr\u00e1fica, ele separou popula\u00e7\u00f5es da esp\u00e9cie original, formando esp\u00e9cies distintas de cada lado do rio. Isso, em parte, explica o alto n\u00famero de endemismos na regi\u00e3o. Dentre elas est\u00e3o as serpentes\u00a0<a href=\"http:\/\/www.icmbio.gov.br\/portal\/faunabrasileira\/lista-de-especies\/7900-repteis-rodriguesophis-chui\" rel=\"noopener\"><em>Rodriguesophis chui<\/em><\/a><em>,\u00a0<\/em><a href=\"http:\/\/www.icmbio.gov.br\/portal\/faunabrasileira\/lista-de-especies\/7899-repteis-rodriguesophis-scriptorcibatus\"><em>Rodriguesophis scriptorcibatus<\/em><\/a><em>,\u00a0<\/em><a href=\"http:\/\/www.icmbio.gov.br\/portal\/faunabrasileira\/lista-de-especies\/8082-repteis-apostolepis-arenaria-2\" rel=\"noopener\"><em>Apostolepis arenaria<\/em><\/a><em><u>,\u00a0<\/u><\/em><a href=\"http:\/\/www.icmbio.gov.br\/portal\/faunabrasileira\/lista-de-especies\/7894-repteis-apostolepis-gaboi\" rel=\"noopener\"><em>Apostolepis gaboi<\/em><\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"http:\/\/www.icmbio.gov.br\/portal\/faunabrasileira\/lista-de-especies\/7875-repteis-amerotyphlops-yonenagae\" rel=\"noopener\"><em>Amerotyphlops yonenagae<\/em><\/a>\u00a0e os lagartos\u00a0<em><u>Calyptommatus leiolepis<\/u><\/em><em>,\u00a0<\/em><a href=\"http:\/\/www.icmbio.gov.br\/portal\/faunabrasileira\/lista-de-especies\/8325-repteis-calyptommatus-nicterus\"><em>Calyptommatus nicterus<\/em><\/a><em>,\u00a0<\/em><a href=\"http:\/\/www.icmbio.gov.br\/portal\/faunabrasileira\/lista-de-especies\/8106-repteis-calyptommatus-sinebrachiatus\"><em>Calyptommatus sinebrachiatus<\/em><\/a><em>,\u00a0<\/em><a href=\"http:\/\/www.icmbio.gov.br\/portal\/faunabrasileira\/lista-de-especies\/8317-repteis-procellosaurinus-tetradactylus\" rel=\"noopener\"><em>Procellosaurinus tetradactylus<\/em><\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"http:\/\/www.icmbio.gov.br\/portal\/component\/content\/article\/30-fauna-brasileira\/estado-de-conservacao\/9131-repteis-tropidurus-psammonastes\" rel=\"noopener\"><em>Tropidurus psammonastes<\/em><\/a>. Os pequenos lagartos do g\u00eanero\u00a0<em>Calyptommatus<\/em>\u00a0n\u00e3o possuem membros anteriores e os posteriores s\u00e3o bastante atrofiados. Isso os auxilia a deslizar sob as areias das dunas (s\u00e3o \u201cfossoriais\u201d). Eles n\u00e3o possuem p\u00e1lpebras e sim uma escama que recobre o olho (da\u00ed seu nome, do grego\u00a0<em>calypto<\/em>\u00a0= oculto,\u00a0<em>ommatus\u00a0<\/em>= olho), caracter\u00edstica relacionada ao seu h\u00e1bito fossorial. Os\u00a0<em>habitat<\/em>\u00a0naturais dessas esp\u00e9cies est\u00e3o sendo modificados e desaparecendo rapidamente, principalmente devido \u00e0 expans\u00e3o agropecu\u00e1ria cont\u00ednua, extra\u00e7\u00e3o de areia e retirada de madeira para produ\u00e7\u00e3o de carv\u00e3o.<\/p>\n<p>Numa outra categoria de amea\u00e7a, Vulner\u00e1vel (VU), na qual as esp\u00e9cies est\u00e3o em decl\u00ednio populacional e t\u00eam uma extens\u00e3o de ocorr\u00eancia menor que 20.000 km\u00b2 e\/ou 10% de chance de serem extintas em cem anos, foram classificados dois anf\u00edbios, uma anfisbena, quatro lagartos e tr\u00eas serpentes. Nessa categoria est\u00e1 um dos menores anf\u00edbios do Brasil, o diminuto\u00a0<a href=\"http:\/\/www.icmbio.gov.br\/portal\/faunabrasileira\/estado-de-conservacao\/7496-anfibios-adelophryne-maranguapensis\" rel=\"noopener\"><em>Adelophryne maranguapensis<\/em><\/a>, encontrado num \u00fanico morro de 13 km\u00b2, o Pico da Rajada, a 800-900m de altitude na Serra de Maranguape no Cear\u00e1. Desde a d\u00e9cada de 1980, a bel\u00edssima perereca\u00a0<a href=\"http:\/\/www.icmbio.gov.br\/portal\/faunabrasileira\/estado-de-conservacao\/7497-anfibios-agalychnis-granulosa\" rel=\"noopener\"><em>Hylomantis granulosa<\/em><\/a>\u00a0n\u00e3o \u00e9 encontrada na sua localidade-tipo (local onde os esp\u00e9cimes utilizados na descri\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie foram obtidos) em Pernambuco, mas ainda sobrevive em menos de dez localidades no litoral de Alagoas. At\u00e9 hoje, s\u00e3o conhecidos apenas dois indiv\u00edduos da simp\u00e1tica e rar\u00edssima serpente\u00a0<a href=\"http:\/\/www.icmbio.gov.br\/portal\/component\/content\/article\/47-fauna-brasileira\/estado-de-conservacao-interno\/7898-repteis-tropidophis-grapiuna\" rel=\"noopener\"><em>Tropidophis grapiuna<\/em><\/a><em>,\u00a0<\/em>provenientes de duas serras na regi\u00e3o cacaueira no sul da Bahia<em>.<\/em><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/Lagartinho-de-folhi%C3%A7o-Coleodatylus-natalensis-o-menor-lagarto-do-Brasil-endemico-do-RN-e-em-perigo-de-extin%C3%A7ao-Foto-Carolina-Lisboa.jpg\" width=\"640\" height=\"427\" \/>End\u00eamico do Rio Grande do Norte, o Lagartinho-de-folhi\u00e7o (<em>Coleodatylus natalensis<\/em>) \u00e9 o menor lagarto do Brasil e em perigo de extin\u00e7\u00e3o. Foto: Carolina Lisboa.<\/p>\n<p>Al\u00e9m das esp\u00e9cies-alvo enquadradas nas categorias de amea\u00e7a mencionadas, outras 63, denominadas \u201cesp\u00e9cies beneficiadas\u201d, foram categorizadas como Quase Amea\u00e7adas (NT) ou amea\u00e7adas no n\u00edvel estadual. Nessa \u00faltima situa\u00e7\u00e3o est\u00e3o as esp\u00e9cies amea\u00e7adas na Bahia (Portaria n\u00ba 37 de 15 de agosto de 2017) e em Pernambuco (Resolu\u00e7\u00e3o n\u00ba 01 de 09 de janeiro de 2015 e Resolu\u00e7\u00e3o 01 de 15 de maio de 2017). Da anfisbena\u00a0<a href=\"http:\/\/www.icmbio.gov.br\/portal\/faunabrasileira\/estado-de-conservacao\/8338-repteis-amphisbaena-nigricauda\" rel=\"noopener\"><em>Amphisbaena nigricauda<\/em><\/a>foram encontrados poucos exemplares nas degradadas e fragmentadas restingas da Bahia e Esp\u00edrito Santo. Ela foi classificada como EN na lista da Bahia, pois sua extens\u00e3o de ocorr\u00eancia \u00e9 de 4.947,9 km\u00b2.<\/p>\n<p><strong>A\u00e7\u00f5es para conserva\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>No final de agosto, 46 representantes de 29 institui\u00e7\u00f5es de ensino e pesquisa, da gest\u00e3o municipal, estadual e federal e de organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais (ONGs) dos nove Estados do Nordeste se reuniram na Universidade Cat\u00f3lica do Salvador (UCSAL), na Bahia, para discutir o Plano de A\u00e7\u00e3o Nacional para a Conserva\u00e7\u00e3o da Herpetofauna Amea\u00e7ada do Nordeste (PAN Herpetofauna do Nordeste). Eles constru\u00edram um conjunto de a\u00e7\u00f5es priorit\u00e1rias para combater as amea\u00e7as sobre as esp\u00e9cies da herpetofauna e seus\u00a0<em>habitat<\/em>. As amea\u00e7as reconhecidas pelos participantes foram agrupadas em quatro grandes temas: perda de\u00a0<em>habitat<\/em>, retirada de indiv\u00edduos da natureza, grandes empreendimentos e polui\u00e7\u00e3o. Ao final da oficina foram estabelecidos quatro objetivos espec\u00edficos a serem alcan\u00e7ados por meio da execu\u00e7\u00e3o de 40 a\u00e7\u00f5es constru\u00eddas com os articuladores\/colaboradores presentes no evento.<\/p>\n<p>O PAN Herpetofauna do Nordeste amplia a \u00e1rea do PAN Herpetofauna da Mata Atl\u00e2ntica Nordestina, que teve in\u00edcio em 2013 e foi encerrado em julho de 2018. Para Vera Luz, coordenadora do RAN\/ICMBio, as oficinas do PAN Herpetofauna t\u00eam sido um grande desafio. \u201cTudo \u00e9 aprendizado, tanto para o RAN quanto para os participantes. H\u00e1 a\u00e7\u00f5es pontuais e muitas lacunas de conhecimento, mas temos que ter foco e trabalhar com \u00e1reas estrat\u00e9gicas. Amadurecimento e integra\u00e7\u00e3o s\u00e3o o esp\u00edrito do PAN\u201d, concluiu.<\/p>\n<p>O evento foi coordenado pelo\u00a0<a href=\"http:\/\/www.icmbio.gov.br\/ran\/\" rel=\"noopener\">Centro Nacional de Pesquisa e Conserva\u00e7\u00e3o de R\u00e9pteis e Anf\u00edbios (RAN)<\/a>, vinculado ao \u00f3rg\u00e3o do\u00a0<a href=\"http:\/\/www.mma.gov.br\/\">Minist\u00e9rio do Meio Ambiente<\/a>\u00a0respons\u00e1vel pelos Planos de A\u00e7\u00e3o Nacional para esp\u00e9cies amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m da UCSAL, esse evento contou com o apoio da\u00a0<a href=\"http:\/\/www.meioambiente.ba.gov.br\/\" rel=\"noopener\">Secretaria do Meio Ambiente do Estado da Bahia (SEMA)<\/a>, do\u00a0<a href=\"http:\/\/www.inema.ba.gov.br\/\" rel=\"noopener\">Instituto Estadual do Meio Ambiente e Recursos H\u00eddricos da Bahia (INEMA)<\/a>\u00a0e de estudantes da UCSAL e Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE).<\/p>\n<p><strong>Conclus\u00f5es do PAN Herpetofauna da Mata Atl\u00e2ntica Nordestina<\/strong><\/p>\n<p>No ciclo anterior, de cinco anos, o PAN da Mata Atl\u00e2ntica Nordestina abrangeu 23 esp\u00e9cies-alvo e 77 beneficiadas. Dele participaram, al\u00e9m da equipe do ICMBio, pesquisadores, gestores de UCs, t\u00e9cnicos de secretarias de meio ambiente, consultores, fiscais ambientais e estudantes dos sete Estados do Nordeste onde h\u00e1 remanescentes de Mata Atl\u00e2ntica.<\/p>\n<p>Durante a oficina de conclus\u00e3o, realizada no \u00faltimo dia 27 de agosto, os participantes realizaram avalia\u00e7\u00f5es e observaram que as \u00e1reas protegidas foram um ponto nevr\u00e1lgico, pois a cria\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o de UCs para diminuir ou evitar a perda de habitat depende de fatores que v\u00e3o al\u00e9m do alcance do PAN. \u201cCongregar a\u00e7\u00f5es e dar um foco \u00e9 o objetivo do PAN, mas ele n\u00e3o tem governan\u00e7a ou recursos para lutar contra a perda de habitat. Entretanto, j\u00e1 estamos mais preparados para lidar com essa problem\u00e1tica\u201d, concluiu Carlos Abrah\u00e3o, analista do ICMBio.<\/p>\n<p>Por outro lado, o aumento das pesquisas para gera\u00e7\u00e3o de conhecimento sobre as esp\u00e9cies foi maior que o esperado. A quantidade de disserta\u00e7\u00f5es, teses e artigos publicados superou as expectativas e possibilitou uma melhor avalia\u00e7\u00e3o do\u00a0<em>status<\/em>\u00a0de conserva\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies. \u201cA conserva\u00e7\u00e3o da herpetofauna \u00e9 um trabalho muito maior, que vai al\u00e9m do que n\u00f3s pesquisadores podemos fazer. \u00c9 um trabalho volunt\u00e1rio para salvar nossas esp\u00e9cies\u201d, observou Eliza Freire, pesquisadora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).<\/p>\n<p>A educa\u00e7\u00e3o ambiental ainda \u00e9 um ponto obscuro para os participantes. Como avaliar se de fato houve mudan\u00e7as na percep\u00e7\u00e3o das comunidades sobre as esp\u00e9cies foi uma quest\u00e3o que gerou muita discuss\u00e3o. Contudo, algumas a\u00e7\u00f5es foram bem-sucedidas, como o\u00a0<a href=\"https:\/\/pt-br.facebook.com\/calangodoabaete\/\">Projeto Calango do Abaet\u00e9<\/a>, coordenado por Moacir Tin\u00f4co, pesquisador da Universidade Cat\u00f3lica do Salvador (UCSAL). \u201cFizemos muito e podemos avan\u00e7ar mais. Conhecer as pessoas que fazem conserva\u00e7\u00e3o de anf\u00edbios e r\u00e9pteis e trabalhar junto j\u00e1 \u00e9 um grande avan\u00e7o do PAN\u201d, notou Moacir.<\/p>\n<p>Uma outra problem\u00e1tica verificada durante o \u00faltimo ciclo foi a sa\u00edda ou substitui\u00e7\u00e3o de participantes do grupo ao longo dos anos, afetando, em alguns casos, a realiza\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es previstas. \u201cO grupo diminuiu, mas o pessoal do RAN-ICMBio est\u00e1 a\u00ed, firme e forte, tocando o PAN. Amadurecemos. E que venham mais cinco anos, com o mesmo otimismo e entusiasmo\u201d, celebrou Ant\u00f4nio Jorge Arg\u00f4lo, pesquisador da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC-BA).<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/Aparasphenodon-arapapa.jpg\" width=\"640\" height=\"427\" \/>Aparasphenodon arapapa. Foto: Divulga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Plano de A\u00e7\u00e3o Nacional<\/strong><\/p>\n<p>O Plano de A\u00e7\u00e3o Nacional para Conserva\u00e7\u00e3o de Esp\u00e9cies Amea\u00e7adas de Extin\u00e7\u00e3o \u2013 PAN \u00e9 um instrumento de gest\u00e3o e de pol\u00edticas p\u00fablicas, coordenado pelo ICMBio e constru\u00eddo de forma participativa. \u00c9 utilizado para o ordenamento e a prioriza\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es para a conserva\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies e ambientes naturais, com um objetivo estabelecido em um horizonte temporal definido. Atualmente, s\u00e3o 1.173 esp\u00e9cies amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o no Brasil, oficializadas pelas Portarias do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente (MMA) n\u00ba 444 e n\u00ba 445, de 17 de dezembro de 2014, sendo 744 delas contempladas em 46 PANs vigentes e 17 j\u00e1 conclu\u00eddos, num total de 63 PANs.<\/p>\n<p>O primeiro PAN, para a Conserva\u00e7\u00e3o do Mutum-do-sudeste (<em>Crax blumenbachii<\/em>), foi elaborado em 2004 pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov\u00e1veis \u2013 IBAMA, antes mesmo da cria\u00e7\u00e3o do ICMBio. Ap\u00f3s a cria\u00e7\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o pela Lei n\u00ba 11.516, de 28 de agosto de 2007, a conserva\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies amea\u00e7adas e do Patrim\u00f4nio Espeleol\u00f3gico passou a ser uma de suas compet\u00eancias, regulamentada pelo Decreto n\u00ba 8.974, de 24 de janeiro de 2017, que atribui ao Instituto elaborar, aprovar e implementar Planos de A\u00e7\u00e3o Nacional para a conserva\u00e7\u00e3o e o manejo das esp\u00e9cies da fauna amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o no pa\u00eds.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/Participantes-da-Oficina-de-Planejamento-do-PAN-Herpetofauna-do-Nordeste.-Foto-Acervo-RAN-ICMBio.jpg\" width=\"640\" height=\"427\" \/>Participantes da Oficina de Planejamento do PAN Herpetofauna do Nordeste. Foto: Acervo RAN-ICMBio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No imagin\u00e1rio popular, as matas nordestinas s\u00e3o lembradas por seus cactos e galhos secos. 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