{"id":94643,"date":"2019-12-08T10:45:52","date_gmt":"2019-12-08T13:45:52","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=94643"},"modified":"2019-12-08T15:54:32","modified_gmt":"2019-12-08T18:54:32","slug":"procurando-tubaroes-brancos-com-robos-submarinos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/procurando-tubaroes-brancos-com-robos-submarinos\/","title":{"rendered":"Procurando tubar\u00f5es-brancos com rob\u00f4s submarinos"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/tubarao.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-104135\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/tubarao-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/tubarao-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/tubarao.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Eric Stackpole, cofundador da Open ROV, lan\u00e7a um Trident nas \u00e1guas do \u201cShark Alley\u201d (beco dos tubar\u00f5es, em tradu\u00e7\u00e3o livre), uma importante \u00e1rea de ca\u00e7a para os tubar\u00f5es-brancos junto \u00e0 costa de S\u00e3o Francisco. (FOTO DE JON CALLAGHAN &amp;NBSP)<\/p>\n<p>Uma grande mancha de sangue veio \u00e0 superf\u00edcie do mar perto da costa sul das Ilhas Farallon da\u00a0Calif\u00f3rnia. O bi\u00f3logo marinho\u00a0David McGuire\u00a0apontou para bolinhas amarelas de gordura em meio ao redemoinho vermelho: \u201c\u00e9 uma foca.\u201d O prov\u00e1vel assassino est\u00e1 entre os in\u00fameros tubar\u00f5es-brancos que sabe-se que ca\u00e7am normalmente nas \u00e1guas da ilha \u2014 talvez seja uma das Irm\u00e3s, um trio de f\u00eameas imensas com mais de 5 metros que sempre volta \u00e0s ilhas, ou Tom Johnson, o mais velho conhecido tubar\u00e3o-branco, avistado pela primeira vez nas Ilhas Farallon em 1987.<\/p>\n<p>\u00c9 proibido jogar iscas ou alimentos para atra\u00ed-los, ent\u00e3o \u00e9 preciso bastante sorte para observar o comportamento natural de um tubar\u00e3o-branco ca\u00e7ando na superf\u00edcie \u2014 e mergulhar para chegar mais perto de tubar\u00f5es vorazes traz grandes riscos.<\/p>\n<p>Contudo, naquele dia, McGuire e o empres\u00e1rio\u00a0David Lang, ambos Exploradores da\u00a0National Geographic, estavam otimistas de que conseguiriam, na seguran\u00e7a do barco, uma vis\u00e3o de perto desses arredios predadores que est\u00e3o no topo da cadeia alimentar. Depois que o capit\u00e3o p\u00f4s o motor em marcha lenta, Lang inclinou-se na lateral e colocou um elegante ve\u00edculo branco operado remotamente (\u201cremotely operated vehicle\u201d em ingl\u00eas ou ROV), n\u00e3o muito maior que um notebook bem no meio da \u00e1gua ensanguentada. Ele desenrolou parte de um cabo com cerca de 100 metros, que liga o equipamento a seu piloto e a uma tela de v\u00eddeo. Os propulsores do robozinho soltaram zumbidos e borbulhas e o aparelho desapareceu na mancha sangrenta.<\/p>\n<p>O barco da equipe, chamado Silver Fox (Raposa Prateada, em tradu\u00e7\u00e3o livre), navega por \u00e1guas rasas que oferecem \u00e0s focas certa prote\u00e7\u00e3o dos tubar\u00f5es.<\/p>\n<p>As Ilhas Farallon, um arquip\u00e9lago escarpado de ilhas rochosas a aproximadamente 40 quil\u00f4metros da costa de\u00a0S\u00e3o Francisco, na Calif\u00f3rnia, s\u00e3o um campo de testes ideal para os rob\u00f4s de Lang. Antigamente os russos ca\u00e7avam focas nessa regi\u00e3o e diversos naufr\u00e1gios tamb\u00e9m aconteceram ali, hoje, as ilhas fazem parte de uma \u00e1rea de prote\u00e7\u00e3o marinha inacess\u00edvel ao p\u00fablico. Uma dezena de esp\u00e9cies de aves marinhas e cinco esp\u00e9cies de focas vivem em seus afloramentos rochosos, por\u00e9m McGuire est\u00e1 animado com o ecossistema abaixo da superf\u00edcie da \u00e1gua \u2014 um mundo dominado pelos tubar\u00f5es-brancos.<\/p>\n<p>E tamb\u00e9m extremamente dif\u00edcil de explorar. McGuire mergulha nos arredores das ilhas h\u00e1 20 anos e enfrenta diversos desafios al\u00e9m dos tubar\u00f5es famintos \u2014 o mar agitado, rochas que afundam barcos, temperaturas congelantes que limitam o tempo de mergulho. At\u00e9 pr\u00e1ticas rotineiras de conserva\u00e7\u00e3o, como levantamentos de abalones e ouri\u00e7os-do-mar, precisam ser feitas em inc\u00f4modas gaiolas de tubar\u00e3o. Como resultado, \u00e9 pequena a quantidade de cientistas que j\u00e1 estudou a vida submarina ao redor das Ilhas Farallon. \u201cAcredito que conhe\u00e7o cada pessoa que j\u00e1 tenha mergulhado aqui mais de uma vez\u201d, conta ele, notando que, para a maioria das pessoas, uma \u00fanica vez j\u00e1 \u00e9 considerada o trabalho de uma vida inteira. \u201cMesmo com equipamentos modernos, \u00e9 bastante trai\u00e7oeiro.\u201d<\/p>\n<p>A \u00e1gua com sangue \u00e9 outra preocupa\u00e7\u00e3o totalmente distinta. Ningu\u00e9m em s\u00e3 consci\u00eancia tentaria mergulhar nela por temer que um tubar\u00e3o o confundisse com a refei\u00e7\u00e3o. Ainda assim, \u00e9 importante observar o comportamento dos tubar\u00f5es-brancos, uma das esp\u00e9cies-chaves do mar, para decifrar diversos enigmas sobre os animais e seus padr\u00f5es de migra\u00e7\u00e3o. Esses estudos, conta McGuire, \u201crevelaram comportamentos nunca esperados.\u201d Por exemplo, os cientistas descobriram s\u00f3 recentemente que os tubar\u00f5es-brancos mergulham bem mais fundo do que se acreditava \u2014 ultrapassando 900 metros \u2014 e que eles migram milhares de quil\u00f4metros.<\/p>\n<p>Tubar\u00e3o-boca-grande: Pouco se sabe sobre esse enorme filtrador, porque cientistas tiveram\u00a0 poucas oportunidades de estud\u00e1-los. Menos de cem tubar\u00f5es-boca-grande foram observados desde que a esp\u00e9cie foi descoberta em 1976. Acredita-se que essas criaturas indescrit\u00edveis habitem as maiores profundezas de todos os oceanos e se alimentem exclusivamente de pl\u00e2ncton. O maior tubar\u00e3o-boca-grande que j\u00e1 foi observado era um macho de 5,4 metros. No entanto, acredita-se que tubar\u00f5es-boca-grandes f\u00eameas sejam maiores do que os machos. Tubar\u00f5es-boca-grande machos n\u00e3o atingem a maturidade sexual at\u00e9 que tenham 4 metros, enquanto f\u00eameas s\u00f3 atingem a maturidade sexual quando tem 4,8 metros, de acordo com o Museu de Hist\u00f3ria Natural da Fl\u00f3rida.<\/p>\n<p>Tubar\u00e3o-de-pala: O tubar\u00e3o-de-pala tem algo que nenhum outro tubar\u00e3o tem \u2013 o gosto por saladas. Cientistas recentemente descobriram que algas marinhas constituem at\u00e9 50% da dieta do tubar\u00e3o-de-pala. O tubar\u00e3o-de-pala \u00e9 o menor da fam\u00edlia dos tubar\u00f5es-martelo e o \u00fanico com a cabe\u00e7a arredondada. Esses peixes vivem em mares rasos e estu\u00e1rios ao longo das costas da Am\u00e9rica do Norte e Am\u00e9rica do Sul.<\/p>\n<p>Tubar\u00e3o-espinhoso: A apar\u00eancia do tubar\u00e3o-espinhoso \u00e9 t\u00e3o estranha quanto seu nome. Esse tubar\u00e3o atarracado de fundo n\u00e3o tem nadadeira anal, mas tem duas nadadeiras dorsais posicionadas perto do fim de sua cauda. O bem nomeado tubar\u00e3o-espinhoso \u00e9 coberto de dent\u00edculos d\u00e9rmicos afiados, ou \u201cescamas de tubar\u00e3o\u201d, que se pronunciam em sua pele cori\u00e1cea como espinhos em uma rosa. Tubar\u00f5es-espinhosos podem ser achados em muitas partes do Oceano Pac\u00edfico, inclusive no Jap\u00e3o, Taiwan e na Costa Oeste dos Estados Unidos. Apesar desses tubar\u00f5es viverem centenas, \u00e0s vezes milhares de metros submersos, a pesca industrial ainda amea\u00e7a sua sobreviv\u00eancia. Frotas de pesca submarina \u2013 usando arrastos de fundo, redes de espera e parangues \u2013 frequentemente capturam e matam tubar\u00f5es-espinhosos por acidente.<\/p>\n<p>Tubar\u00e3o-zebra: O tubar\u00e3o-zebra pode n\u00e3o ser o mais r\u00e1pido ou o mais esperto, mas pode ser um dos mais bonitos. Tubar\u00f5es-zebra nascem com listras marrons e brancas que lembram o mam\u00edfero que originou seu nome. Quando atingem a maturidade, as listras s\u00e3o trocadas por manchas marrons. Chegando a atingir 2,4 metros, tubar\u00f5es-zebra se alimentam primariamente de moluscos, que eles sugam de suas conchas usando suas bocas musculosas.<\/p>\n<p>Tubar\u00e3o-mako: O tubar\u00e3o-mako \u00e9 o tubar\u00e3o mais r\u00e1pido dos sete mares. Em pequenos tiros, o mako pode atingir at\u00e9 56 quil\u00f4metros por hora. Tubar\u00f5es-mako, que habitam mares temperados e tropicais pelo mundo, usam sua velocidade para ca\u00e7ar atuns, peixes-espada, lulas e outros tubar\u00f5es. Makos usam seus dentes irregulares para arrancar as nadadeiras de suas v\u00edtimas, para que n\u00e3o possam fugir. Tubar\u00f5es-mako tamb\u00e9m t\u00eam sangue quente \u2013 algo raro em tubar\u00f5es. Isso permite que eles se aventurem em temperaturas e latitudes que s\u00e3o frias demais para outros tubar\u00f5es. Mas a esp\u00e9cie n\u00e3o escapa da pesca comercial e esportiva, que o tornou cada vez mais raro e foi classificado como vulner\u00e1vel \u00e0 extin\u00e7\u00e3o pela Uni\u00e3o Internacional Para a Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza. Todo ano, milhares de makos s\u00e3o pegos em equipamentos de pesca que tinham a inten\u00e7\u00e3o de pegar outras esp\u00e9cies.<\/p>\n<p>Sem uma longa observa\u00e7\u00e3o, seria imposs\u00edvel tomar decis\u00f5es esclarecidas de conserva\u00e7\u00e3o para preservar a esp\u00e9cie, em decl\u00ednio desde a d\u00e9cada de 1970, quando o filme\u00a0Tubar\u00e3o\u00a0 vilanizou a esp\u00e9cie em todo o mundo. A\u00a0Uni\u00e3o Internacional para a Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza\u00a0(UICN) considera os tubar\u00f5es-brancos como amea\u00e7ados de extin\u00e7\u00e3o, por\u00e9m afirma que os dados populacionais da esp\u00e9cie precisam de atualiza\u00e7\u00e3o para um retrato mais claro.<\/p>\n<p>Construindo olhos submarinos<\/p>\n<p>Para decifrar os mist\u00e9rios do tubar\u00e3o-branco, McGuire precisava de uma nova maneira de visualiz\u00e1-los.<\/p>\n<p>David Lang e seu amigo Eric Stackpole n\u00e3o tinham em mente tubar\u00f5es h\u00e1 cinco anos quando fizeram experi\u00eancias com um rob\u00f4 submers\u00edvel na garagem de Stackpole. Estavam pensando em ouro. Dizia uma lenda da \u00e9poca da Corrida do Ouro dos Estados Unidos que a Caverna de Hall City, a norte de S\u00e3o Francisco, guarda um tesouro em um po\u00e7o de \u00e1guas profundas. Lang, marinheiro autodidata, e Stackpole, engenheiro, queriam construir um ROV acess\u00edvel que pudesse chegar a locais onde os humanos n\u00e3o conseguiam. \u201cROVs existem h\u00e1 d\u00e9cadas, por\u00e9m, at\u00e9 hoje, s\u00f3 foram utilizados pela ind\u00fastria pesada e pelas for\u00e7as armadas\u201d, conta Lang. \u201cS\u00e3o grandes, caros e requerem treinamento espec\u00edfico para serem operados.\u201d<\/p>\n<p>Uma mancha de sangue no banco de areia Hurst indica ca\u00e7a recente pelos tubar\u00f5es na regi\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 recomend\u00e1vel o mergulho nas \u00e1guas, j\u00e1 que a dist\u00e2ncia do banco de areia at\u00e9 a costa n\u00e3o oferece abrigo dos tubar\u00f5es.<\/p>\n<p>Os dois nunca encontraram o tesouro, mas, durante a constru\u00e7\u00e3o de um rob\u00f4 dur\u00e1vel e manobr\u00e1vel o bastante para superar os desafios do mergulho em cavernas, eles criaram uma nova ferramenta para a pesquisa submarina.<\/p>\n<p>Estabelecidos agora em um armaz\u00e9m em Berkeley, o experimento deles se transformou em uma empresa:\u00a0a\u00a0OpenROV, que fabrica a \u00faltima vers\u00e3o do rob\u00f4 de opera\u00e7\u00e3o remota deles, o\u00a0Trident. \u00c9 pequeno o suficiente para levar em uma mochila e capaz de mergulhar a uma profundidade de quase 500 quil\u00f4metros ao mesmo tempo em que transmite ao vivo v\u00eddeos de alta defini\u00e7\u00e3o para a superf\u00edcie. A vers\u00e3o mais barata custa US$ 1,5 mil, uma fra\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o de um grande ROV comercial. Ao contr\u00e1rio de mergulhadores humanos, o Trident pode ficar nas profundezas por horas, sem preocupa\u00e7\u00e3o com o n\u00edvel baixo de oxig\u00eanio ou os efeitos fisiol\u00f3gicos possivelmente fatais causados quando se volta \u00e0 superf\u00edcie r\u00e1pido demais. Al\u00e9m disso,\u00a0ele n\u00e3o tem medo de tubar\u00f5es.<\/p>\n<p>Da mesma maneira que\u00a0drones\u00a0baratos e f\u00e1ceis de operar est\u00e3o mudando a forma pela qual se exploram paisagens terrestres, Lang e Stackpole acreditam que uma nova categoria de ROVs pode ajudar a transformar a explora\u00e7\u00e3o dos oceanos. O mergulho com cilindro, uma tecnologia que Jacques Cousteau aperfei\u00e7oou entre as d\u00e9cadas de 1940 e 1950, mudou o modo pela qual v\u00edamos os oceanos, mas continua sendo caro e demandando recursos sofisticados para a explora\u00e7\u00e3o submarina. Al\u00e9m disso, traz muitos riscos e fornece acesso f\u00e1cil apenas nos primeiros 160 quil\u00f4metros abaixo da superf\u00edcie do mar. Consequentemente, muitas comunidades costeiras praticamente desconhecem a vida submarina abaixo dessa profundidade, o que conteve a coleta de dados b\u00e1sicos, a conserva\u00e7\u00e3o e o manejo de recursos durante anos.<\/p>\n<p>Com o avan\u00e7o tecnol\u00f3gico de Lang e Stackpole, diversas \u00e1reas de prote\u00e7\u00e3o marinha ao longo da costa da Calif\u00f3rnia passaram a usar os rob\u00f4s deles para monitorar uma s\u00e9rie de projetos, desde o\u00a0crescimento de plantas marinhas no Condado\u00a0de Orange at\u00e9 a\u00a0recupera\u00e7\u00e3o da garoupa-gigante em Catalina. Um cientista da Universidade de Boston que trabalha na \u00c1rea de Prote\u00e7\u00e3o das Ilhas F\u00eanix no sul do Pac\u00edfico, uma das regi\u00f5es submarinas mais intocadas do planeta, est\u00e1\u00a0utilizando Tridents para monitorar a sa\u00fade\u00a0dos recifes. O Planet\u00e1rio Adler de Chicago tem um programa que permite que os alunos utilizem Tridents para\u00a0procurar meteoritos no Lago Michigane, em outro lago em Yukon, uma equipe de exploradores amadores empregou o equipamento para\u00a0localizar um avi\u00e3o perdido h\u00e1 meio s\u00e9culo.<\/p>\n<p>Esses projetos est\u00e3o prestes a passar por uma expans\u00e3o. Em 15 de outubro, a\u00a0National Geographic\u00a0anunciou que estava se associando com a OpenROV\u00a0para doar mil Tridents a cientistas, pesquisadores e alunos de todo o mundo com o intuito de promover projetos semelhantes. \u201cTemos a oportunidade de levar essa ferramenta \u00e0 vanguarda da conserva\u00e7\u00e3o e dar autonomia \u00e0queles que mais precisam dela\u201d, disse Lang. \u201cEste \u00e9 um convite para fazer parte de uma nova gera\u00e7\u00e3o de exploradores.\u201d<\/p>\n<p>Explorando a \u00e1rea de ca\u00e7a<\/p>\n<p>Voltando ao sul das Ilhas Farallon, o sangue estava se dispersando. Um piloto guiou o ROV em uma busca met\u00f3dica, por\u00e9m infrut\u00edfera, na \u00e1rea de ca\u00e7a atr\u00e1s de uma carca\u00e7a da foca ou algum tubar\u00e3o. Ao que parece, foi uma refei\u00e7\u00e3o bem r\u00e1pida.<\/p>\n<p>O rob\u00f4 continuou a enviar imagens em tempo real enquanto a equipe explorava a regi\u00e3o, inclusive o banco de areia Hurst, uma \u00e1rea muito perigosa para mergulho por ser longe demais da costa para escapar de tubar\u00f5es. McGuire me contou que, apesar de suas duas d\u00e9cadas de explora\u00e7\u00e3o das Ilhas Farallon, ele nunca tinha visto essa parte das \u00e1guas das ilhas. \u201cN\u00e3o conhe\u00e7o ningu\u00e9m que j\u00e1 mergulhou t\u00e3o longe. Fica-se totalmente exposto\u201d, conta.<\/p>\n<p>Com o passar da tarde, a tela mostrou um mundo nunca visto antes e McGuire ficou extasiado ao observar o ecossistema saud\u00e1vel pela primeira vez. Aqui, viam-se brilhantes an\u00eamonas vermelhas, estrelas-do-mar verdes e vermelho-escuras e ouri\u00e7os-do-mar roxos espalhados pelo fundo do mar rochoso e peixes de todos os formatos e tamanhos disparando entre pedras enormes e fendas escuras. Em pouco tempo, a equipe avistou uma p\u00e1lida e enrugada cabe\u00e7a de enguia-lobo \u00e0 espreita em sua toca, aguardando a pr\u00f3xima refei\u00e7\u00e3o. Ela observou atentamente o ROV.<\/p>\n<p>Durante a tarde, McGuire avistou diversas esp\u00e9cies que n\u00e3o se sabia que existiam t\u00e3o longe da costa, como o ling, o China rockfish (Sebastes nebulosus) e um greenling (peixe do g\u00eanero Hexagrammos) de tamanho extravagante \u2014 mas ele n\u00e3o deixou de procurar sinais de tubar\u00f5es-brancos. As Irm\u00e3s e Tom Johnson estavam l\u00e1 em algum lugar e, como ele agora estava equipado com os olhos submarinos novos de Lang,\u00a0ele n\u00e3o ia parar de procur\u00e1-los.<\/p>\n<p>Os marinheiros chamavam as Ilhas Farallon de Dente do Diabo, n\u00e3o em fun\u00e7\u00e3o dos tubar\u00f5es da regi\u00e3o, mas porque rochas pontiagudas de granito na \u00e1gua furavam os fundos dos barcos. Atualmente, as ilhas fazem parte do Ref\u00fagio Nacional da Vida Silvestre das Ilhas Farallon e est\u00e3o fechadas ao p\u00fablico.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eric Stackpole, cofundador da Open ROV, lan\u00e7a um Trident nas \u00e1guas do \u201cShark Alley\u201d (beco<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":104135,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/tubarao.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/tubarao-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/tubarao-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/tubarao.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/tubarao.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/tubarao.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/tubarao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/tubarao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/tubarao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/tubarao.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Eric Stackpole, cofundador da Open ROV, lan\u00e7a um Trident nas \u00e1guas do \u201cShark Alley\u201d (beco","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/94643"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=94643"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/94643\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/104135"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=94643"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=94643"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=94643"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}