{"id":94495,"date":"2018-10-26T14:30:06","date_gmt":"2018-10-26T17:30:06","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=94495"},"modified":"2018-10-26T08:01:01","modified_gmt":"2018-10-26T11:01:01","slug":"cavernas-no-pre-sal-poderao-armazenar-co2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/cavernas-no-pre-sal-poderao-armazenar-co2\/","title":{"rendered":"Cavernas constru\u00eddas nas camadas do pr\u00e9-sal brasileiro poder\u00e3o armazenar CO2"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/co2.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-94496\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/co2-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/co2-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/co2.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>A explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo na \u00e1rea do pr\u00e9-sal brasileiro tem gerado novas tecnologias para contornar as dificuldades existentes nas \u00e1guas profundas e nas longas dist\u00e2ncias da costa. Uma delas resultou em uma patente rec\u00e9m-depositada no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) por pesquisadores vinculados ao Centro de Pesquisa para Inova\u00e7\u00e3o em G\u00e1s (<b><a href=\"https:\/\/www.rcgi.poli.usp.br\/pt-br\" target=\"_blank\">RCGI<\/a><\/b>), um Centro de Pesquisa em Engenharia (<b><a href=\"http:\/\/www.fapesp.br\/cpe\" target=\"_blank\">CPE<\/a><\/b>) financiado pela FAPESP e pela Shell, com sede da Escola Polit\u00e9cnica da Universidade de S\u00e3o Paulo (Poli\/USP).<\/p>\n<p>A novidade \u00e9 um sistema que separa por gravita\u00e7\u00e3o o di\u00f3xido de carbono (CO<sub>2<\/sub>) do g\u00e1s metano (CH<sub>4<\/sub>) que s\u00e3o encontrados misturados nos po\u00e7os de petr\u00f3leo, principalmente nas reservas do pr\u00e9-sal, em \u00e1guas ultraprofundas, com l\u00e2mina d\u2019\u00e1gua (da superf\u00edcie at\u00e9 o solo marinho) de 2 a 3 mil metros de profundidade.<\/p>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o dos pesquisadores indica que a separa\u00e7\u00e3o e a reten\u00e7\u00e3o do CO<sub>2<\/sub>\u00a0podem ocorrer em cavernas constru\u00eddas na camada de sal. A escava\u00e7\u00e3o e a forma\u00e7\u00e3o dessas cavernas seriam realizadas por meio de lixivia\u00e7\u00e3o, com \u00e1gua do mar sob alta press\u00e3o moldando ambientes com at\u00e9 450 metros de altura por 150 metros de largura. A expectativa \u00e9 que cada caverna possa armazenar at\u00e9 8 milh\u00f5es de toneladas de CO<sub>2<\/sub>.<\/p>\n<p>O CO<sub>2<\/sub>\u00a0tem um mercado equivalente a pouco mais de 1% do total de emiss\u00f5es totais desse g\u00e1s. O CO<sub>2<\/sub>\u00a0\u00e9 utilizado na ind\u00fastria aliment\u00edcia, por exemplo, na produ\u00e7\u00e3o de refrigerantes, entre outros produtos, e na ind\u00fastria petroqu\u00edmica. Mas a parcela que \u00e9 liberada na atmosfera \u00e9 danosa ao ambiente, tanto que o CO<sub>2<\/sub>\u00a0\u00e9 o principal causador do aquecimento global e das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Com a t\u00e9cnica apresentada na patente, o g\u00e1s pode ficar estocado nas cavernas para sempre.<\/p>\n<p>No pr\u00e9-sal, o petr\u00f3leo produzido est\u00e1 misturado com g\u00e1s natural, em fase l\u00edquida e gasosa, com concentra\u00e7\u00e3o de CO<sub>2<\/sub>\u00a0variando de 20% a 60%. \u201cA t\u00e9cnica atual de separa\u00e7\u00e3o de CO<sub>2<\/sub>\u00a0e g\u00e1s natural utiliza membranas na pr\u00f3pria plataforma de explora\u00e7\u00e3o petrol\u00edfera. Mas \u00e9 um sistema caro. H\u00e1 20 anos, o CO<sub>2<\/sub>\u00a0era liberado na atmosfera e o metano [principal componente do g\u00e1s natural] queimado em tochas no alto das torres das plataformas de petr\u00f3leo ou nas refinarias\u201d, disse\u00a0<b><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/1885\/julio-romano-meneghini\" target=\"_blank\">Julio Meneghini<\/a><\/b>, coordenador do RCGI e professor da Poli\/USP, \u00e0\u00a0<b>Ag\u00eancia FAPESP<\/b>.<\/p>\n<p>As cavernas no subsolo marinho para acondicionamento de hidrocarbonetos (petr\u00f3leo, g\u00e1s etc.) j\u00e1 existem desde a d\u00e9cada de 1960 e somam hoje mais de 4 mil.<\/p>\n<p>A inven\u00e7\u00e3o dos pesquisadores do RCGI uniu o uso das cavernas \u00e0 separa\u00e7\u00e3o do CO<sub>2<\/sub>\u00a0e do g\u00e1s natural (CH<sub>4<\/sub>) contando com a gravidade. Depois de extra\u00eddo do po\u00e7o, o g\u00e1s misturado (CO<sub>2<\/sub>\u00a0+ CH<sub>4<\/sub>) \u00e9 injetado sob alta press\u00e3o nas cavernas com o aux\u00edlio de uma camada de um fluido sint\u00e9tico que separa os gases da \u00e1gua do mar, n\u00e3o permitindo que os dois se misturem e funcionando como uma esp\u00e9cie de repelente tanto ao g\u00e1s quanto \u00e0 salmoura.<\/p>\n<p>O conceito inovador est\u00e1 na utiliza\u00e7\u00e3o de press\u00f5es de 500 a 600 atmosferas (atm) que fazem o CO<sub>2<\/sub>\u00a0permanecer em um estado termodin\u00e2mico supercr\u00edtico, em que a densidade \u00e9 semelhante \u00e0 de um l\u00edquido, mas com viscosidade mais baixa que a do estado gasoso.<\/p>\n<p>Assim, mais pesado, ocorre a separa\u00e7\u00e3o: o g\u00e1s natural (composto de metano, em maior quantidade, etano e propano) fica na parte superior da caverna, podendo ser retirado para comercializa\u00e7\u00e3o de forma mais f\u00e1cil.<\/p>\n<p>\u201cNa caverna, e sem o CH<sub>4<\/sub>, \u00e9 poss\u00edvel diminuir a press\u00e3o interna e transformar o CO<sub>2<\/sub>\u00a0em g\u00e1s. Assim, a caverna pode receber mais di\u00f3xido de carbono. Ent\u00e3o, quando a caverna estiver cheia poder\u00e1 ser selada e abandonada\u201d, explicou Meneghini. Mesmo em casos extremos, como no de terremotos, por exemplo, o conte\u00fado das cavernas permanece retido porque a rocha salina consegue se autorreparar rapidamente, sem deixar trincas abertas<\/p>\n<p><b>Propriedade intelectual<\/b><\/p>\n<p>Essas cavernas podem ser moldadas na faixa do sal que mede cerca de 3 quil\u00f4metros de altura, entre os bols\u00f5es de petr\u00f3leo, abaixo, e o solo marinho, com os mesmos equipamentos utilizados para injetar \u00e1gua do mar nos po\u00e7os de petr\u00f3leo. Isso ocorre quando o po\u00e7o est\u00e1 no final da vida \u00fatil e a press\u00e3o da \u00e1gua injetada faz soltar o restante de petr\u00f3leo preso \u00e0s rochas.<\/p>\n<p>As cavernas devem ficar pr\u00f3ximo \u00e0s plataformas de explora\u00e7\u00e3o para receber a energia el\u00e9trica que far\u00e1 funcionar as bombas instaladas no fundo do mar para a inje\u00e7\u00e3o de \u00e1gua \u00e0 vaz\u00e3o de 200 a 1.000 metros c\u00fabicos por hora. Outras estruturas conhecidas como risers fazem a inje\u00e7\u00e3o de g\u00e1s. O acompanhamento do que ocorre no interior das cavernas poder\u00e1 ser feito por sensores de press\u00e3o e de gases.<\/p>\n<p>Os pesquisadores do RCGI trabalham atualmente na bacia do Esp\u00edrito Santo, a 50 quil\u00f4metros da costa. Por meio de modelagem computacional, eles estimam que podem ser constru\u00eddas 14 cavernas naquela bacia.<\/p>\n<p>O g\u00e1s natural extra\u00eddo pode ser utilizado para gera\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica na pr\u00f3pria plataforma ou armazenado como uma reserva estrat\u00e9gica.\u00a0Outra vantagem \u00e9 a capacidade de estocar CO<sub>2<\/sub>\u00a0em locais distantes de centros habitados.<\/p>\n<p>Os pesquisadores da USP que participam da patente s\u00e3o \u00c1lvaro Maia da Costa, Pedro Vassalo Maia da Costa,\u00a0<b><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/27\/claudio-augusto-oller-do-nascimento\" target=\"_blank\">Cl\u00e1udio Oller<\/a><\/b>, Felipe Rugeri, J\u00falio Meneghini e\u00a0<b><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/197\/kazuo-nishimoto\" target=\"_blank\">Kazuo Nishimoto<\/a><\/b>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo na \u00e1rea do pr\u00e9-sal brasileiro tem gerado novas tecnologias para contornar<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":94496,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/co2.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/co2-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/co2-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/co2.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/co2.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/co2.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/co2.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/co2.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/co2.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/co2.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"A explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo na \u00e1rea do pr\u00e9-sal brasileiro tem gerado novas tecnologias para contornar","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/94495"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=94495"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/94495\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/94496"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=94495"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=94495"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=94495"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}